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sexta-feira, 9 de agosto de 2024

Até qualquer dia, sonho

 



Até qualquer dia, sonho! 

Olá sonho! Gratidão por toda a companhia que me fizeste, estes anos todos, gratidão pela tua presença durante estes anos, e por manteres viva em mim, a eterna, pensava eu, esperança de sermos companheiros diários. 

Gratidão, sonho, por me fazeres acreditar que nos íamos encontrar, realizar os nossos projetos conjuntos, gratidão por me levares a visitas na biblioteca e nos livros, que me fizeram enriquecer a mente, material, mais material, e material, porque achava que podia precisar, que este e aquele dariam jeito, este ou aquele era melhor retirar apontamentos, posso precisar. Fizeste-me acreditar que seria bom ter esses apontamentos. 

Gratidão, sonho, por me fazeres ter objetivos estes anos todos, de procurar, divulgar, concorrer, esperar respostas positivas, quando só recebemos respostas negativas e silêncios. 

Mesmo assim, sonho, continuaste comigo, e dizias-me: continua a tentar, faz isto, ou faz aquilo, experimenta fazer assim, deixa aqui, deixa ali, tentei, tentamos estes anos todos, sem sucesso. 

Mesmo assim, tu continuaste comigo! Tínhamos lugar, tínhamos contacto, tínhamos a luz da esperança acesa, que às vezes se apagava, mas tu estavas lá, e a luz voltava a acender, para se manter na penumbra, até que umas vezes se apagava e outras vezes se acendia mais forte, mas quase se apagar outra vez. 

Gratidão, sonho, pelos dois primeiros anos em que trabalhamos juntos, felizes, em que nos sentimos realizados e úteis, em que tivemos sucesso, até que a luz apagou, voltou a acender com outros objetivos e tu estavas lá, a manter a esperança viva, para eu não desistir. 

Mas a realidade é que nada mudou, continuamos juntos, com os nossos projetos, ideias, estudos, formações, e continuamos a luta para manter a luz acesa, que algum dia desses que já passaram há uns anos, ia realizar novamente o nosso...sonho! 

Muitas coisas influenciaram a não realização do nosso projeto conjunto, e continuam a influenciar, mas desta vez, ao fim de cerca de oito anos, tu cansaste de estar ao meu lado. 

Percebeste melhor a realidade do que eu, gratidão por isso, já que eu não percebi logo, talvez tu já soubesses que não iriamos vencer, mesmo assim, incentivaste-me a tentar, a não desistir, a procurar, a partilhar, a investir, a estudar, a continuar. 

Eu também cansei, desculpa! Cansei de acreditar que íamos conseguir, desisti, qualquer pessoa desistiria mais cedo, com certeza, mas tu, sonho, mantiveste-te do meu lado, fizemos uma boa equipa, apesar dos frutos não terem vingado. 

Nenhum de nós tem responsabilidade, são coisas do mundo em que vivemos. Vivemos alguns bons momentos juntos, de entusiasmo, confiança, acreditar que as coisas iam melhorar, mais dia menos dia. 

Eu e tu, sonho, construímos expectativas irrealistas, planos com base nos nossos desejos, e porque corria bem para outros, também pensávamos que correria para nós! 

Foi duro, sim, todo o investimento, os altos e baixos, foi triste, sim, enquanto acreditamos juntos, foi bom, mas logo a seguir, tudo se desmoronava, com a frustração dos «nãos», dos «silêncios», dos «já temos», dos «ficaremos com o seu contacto e se precisarmos ligamos», entre outros, que no início mantinham a luz acesa, até que se apagava. 

Continuamos a tentar, tudo na mesma...um dia tínhamos de cansar e decidimos desistir. A nossa união foi enfraquecendo, praticamente não nos encontramos, não construímos mais projetos, porque tu sabias que não se iam concretizar, mesmo assim, continuavas comigo, e davas-me força para eu não desanimar. 

Mas eu desanimei. Desculpa, sonho! Obrigada por me abrires os olhos, e desculpa eu só cair na realidade, agora. Hoje, a luz do nosso castelo, onde residiam os nossos sonhos, apagou! Permaneceu o vazio que já existia e tínhamos esperança que se enchesse. 

Por tempo indeterminado…! Como aconteceu desde o início, porque perdemos a esperança, porque desistimos de acreditar e de lutar, porque vimos que com a realidade que nos rodeia, não valia a pena continuar a construir o nosso cantinho. 

Cansamos, ficamos e estamos tristes, mas há-de passar, como das outras vezes em que sentimos tristeza. Não sabemos o que virá a seguir, mas os dois acreditamos que os mesmos planos tão desejados não será. Cansaste de me alimentar, e eu também. 

Deixamos tudo no nosso castelo, onde esteve tudo, estes anos todos. Hoje, a luz apagou mesmo! Não custou, mas acho que na minha essência, custou, doeu, como das outras vezes. 

Ficaste lá, sonho! Eu vim embora. Prometo que te vou visitar, também podes vir, para conversarmos sobre outras coisas, para matarmos saudades...o meu coração e a minha mente, estão sempre abertos para ti, como tu sabes, e como estiveram estes anos. 

Descansa, sonho! Eu também vou descansar, o que precisares, sempre que quiseres, sabemos onde estamos. Dorme, sonho, descansa, não estás lá sozinho, tens contigo todos os meus (nossos) sonhos, todos os projetos, todos os planos, todas as tentativas, os fracassos também, toda a força que me deste, as lembranças da minha companhia, os sucessos. 

Tudo. Trata bem de tudo, e até qualquer dia, quem sabe, encontramo-nos por aí, noutro castelo qualquer, ou no nosso. 

Por agora, dorme, sonho, descansa, logo veremos. Vemo-nos qualquer dia, obrigada por tudo. 

                                                                Lara Rocha 

                                                                9/8/2024 

domingo, 14 de julho de 2024

A lenda da praia petrificada

 Foto de Lara Rocha 

     Era uma vez um lugar muito longínquo, no meio de um mar sempre revolto, com ondas que pareciam devorar quem se aproximasse. Não sabiam se era uma ilha desabitada, um banco de areia, um deserto, ou uma praia, porque não tinha vegetação. 
   Para quem via, parecia um conjunto de pedra e um monte de areia. Tinham razão! Era um monte de areia para onde o acesso era impossível, porque as ondas tenebrosas eram as donas daquele pedaço estranho. 
    Os pescadores e as pessoas que viviam nessa praia, conheciam uma lenda da chamada praia petrificada. Como todas as lendas, quando não se sabe o que aconteceu de verdade, ou se foi mesmo isso que aconteceu, despertava a imaginação e fazia sonhar os ouvintes. 
    Cada um imaginava aquele espaço de forma diferente, inspirados pela lenda. Era intrigante, misterioso. A lenda da praia petrificada passou de geração em geração, uns dias via-se mais, outros estava mais coberta. 
    Contavam que esse espaço, tinha sido há muitos séculos atrás, uma bela praia, com águas cristalinas, areias brancas, vegetação, animais marinhos e aves, sem pessoas. 
    Não vivia lá ninguém porque a sua temperatura ultrapassava os 80 graus, e às vezes mais de 1oo graus, claro, qualquer ser humano que entrasse nessa praia, não aguentava. 
    Quer dizer, segundo a lenda, o único habitante, não humano da praia maravilhosa, era uma criatura, grande, uma mistura de tartaruga, com patas grossas, unhas compridas, o corpo coberto de penas coloridas, boca grande, cheia de dentarrões, orelhas grandes e barbatanas pois a sua casa era principalmente no mar. 
    Muito forte, sempre raivoso, odiava a presença de humanos, e para que a praia fosse toda dele, a sua raiva e maldade eram tão grandes, que os seus barulhos, a sua respiração, fervilhava como um caldeirão de lava, e o seu bafo era realmente muito quente. 
    Tudo parecia derreter à sua passagem, a areia parecia barro, e pó de um deserto, e depois voltava ao normal. A praia ficava deserta, era toda dele, quando recolhia, o mar ficava a ferver, e todos saiam das tocas. 
    Desfilava na praia, muito lentamente, não era simpático, mas também deixava os outros animais e plantas em Paz. Todos o respeitavam, mas não gostavam dele, como era antipático e demasiado quente, todos se escondiam, e sua excelência sorria, vaidoso, orgulhoso, já estavam habituados ao calor daquele ser horroroso. 
    A maldade e a raiva eram tantas, que as nuvens sentiam medo dele, fugiam, quase sufocavam e secavam em poucos segundos, ao passar por cima da praia. Nunca chovia! Por causa disso, tudo começou a secar rapidamente. 
A água do mar, fugiu, misturou-se com as ondas gigantes que rodeavam aquele espaço. Que alívio! Adoraram sentir aqueles abraços e embalos frescos das ondas gigantes. Foram muito bem acolhidas. 
    Aos poucos, todas as outras ondas deixaram a praia e estavam juntas, no mar alto. Já não aguentavam mais aquele calor da criatura. Eram mais quentes que as outras ondas, mas sentiam-se bem e adoravam aquele espaço. 
    As aves, os belos peixes exóticos, cheios de cor, as estrelas do mar, as conchas, os búzios, os cavalos marinhos, polvos, algas e até corais libertaram-se e fugiram, saíram aos milhares. 
   Essa fuga foi uma agradável surpresa para os pescadores de alto mar, e fizeram as suas delícias. Filmavam e fotografavam quando estes andavam mais pela superfície. 
  Os pescadores tentaram chegar mais próximo da praia misteriosa, mas não conseguiram por causa da temperatura sufocante, e só viam areia barrenta. A lenda conta que a temperatura nessa praia subiu cada vez mais, porque a criatura sentia-se sozinha, e triste, o ar tornou-se irrespirável. Parte da areia transformou-se em rocha, pedras de grandes dimensões que faziam figuras estranhas, a quem se juntou a criatura. 
  Como a criatura que mandava na praia, ficou sem água, umas pedras que estavam debaixo de água derreteram, e a sua raiva pela fuga da água, dos animais aumentou ainda mais, tal como a sua temperatura. 
  Até ela se transformou em rochedo de pedra, com uma forma um bocado diferente da sua original: perdeu as penas coloridas que tinha por todo o corpo, as patas e barbatanas colaram ao chão, juntamente com as outras rochas que se amontoaram. 
   Muitos séculos depois, ainda ninguém consegue chegar lá, mas os pescadores, navegadores e investigadores, continuam a sentir a temperatura muito alta, muito mais do que a que sentem no mar. 
  Acreditam que seja a raiva, a frieza, a antipatia, e a respiração, o bafo, da criatura misteriosa que lá habitava, e afugentava assim os humanos. Quando vista com binóculos e aparelhos de longo alcance, por não conseguirem chegar lá com o calor, conseguem ver as rochas com formas diferentes. 
  A lenda diz que os pescadores e estudiosos acabaram por descobrir a criatura e a praia petrificadas, veem o seu formato e sentem que é dela que vem aquele calor irrespirável, na praia onde não se conseguia viver, nem chegar perto, embora de vez em quando, a chuva já caia nessa praia. 

E vocês? Já viram na praia, rochas que parecem animais e outros seres como este da lenda? 

Também imaginam formas nas rochas, e como terá ficado assim, mesmo que não conheçam lendas? 

Se nunca o fizeram, experimentem, é muito divertido. Podem deixar nos comentários as vossas opiniões. 

FIM 
Lara Rocha 
13/Julho/2024 


Foto de Lara Rocha 
A praia petrificada 

sexta-feira, 5 de julho de 2024

A estátua da fonte

        Era uma vez uma fonte com uma estátua, muito bonita, com água muito transparente, sempre a correr, onde os passarinhos iam beber e refrescar-se. 
       A bela estátua adorava a visita dos bichinhos, e retribuía-lhes a cantar com eles, salpicava as penas. Isso era como se ela lhes fizesse carinhos. 
       Uma tarde de tempestade, a estátua da fonte serviu de abrigo aos passarinhos, nos seus pés que eram largos, juntamente com grandes folhas de uma planta, e debaixo de cogumelos. 
       Todos encostadinhos uns aos outros, assustados com a trovoada, e para se aquecerem, chilreavam quase ao som da chuva, outros momentos ficavam calados a ouvi-la a cair, e o som do vento que soprava forte. 
       A estátua adorava ser abrigo de passarinhos, e ela própria, ficava deliciada a ouvir a trovoada, a chuva e o vento, não sentia medo. 
       Nessa tarde, além dos passarinhos, a estátua viu duas borboletas a esvoaçar à sua frente, com grande dificuldade, a tentar segurar-se, a lutar contra o vento. 
       Eram enormes! As suas asas cheias de lindas cores, e tentavam agarrar-se uma à outra para se segurarem, mas pareciam estar a dançar. 
       A fonte convidou-as a abrigarem-se debaixo dela, e assim fizeram. Os passarinhos sentiram ciúmes, mas respeitaram a decisão da estátua da fonte. 
       Pouco depois, os ciúmes desapareceram quando repararam na beleza das borboletas, e quando estas começaram a conversar e a brincar carinhosamente com eles. 
      A fonte nunca tinha visto duas borboletas a dançar, e na verdade, a primeira vez que as viu, pensou que se estavam a tentar segurar. 
     Afinal primeiro tentavam segurar-se, mas depois mostraram as suas danças, ao som do chilrear dos passarinhos e as duas dançavam uma com a outra. 
- Estão a dançar? - pergunta um passarinho 
- Sim. - respondem as duas borboletas 
- Que música? - pergunta outro passarinho
- A música da natureza! - respondem as duas  
- Estamos rodeadas de música para dançar. 
- A música do vento - diz uma borboleta 
- A música da chuva - diz outra borboleta 
- A música da trovoada - acrescenta outra 
- A música da fonte! 
    A fonte sorri: 
- É verdade! Estamos rodeados de música. E que bonita que é! 
    Enquanto dura a tempestade, conversam uns com os outros, e quando o sol volta, as lindas borboletas dão um espetáculo de dança, movimento, beleza, e leveza, só com a música da Natureza à sua volta. 
    Ficam maravilhados e aplaudem, até parecem hipnotizados. As borboletas unem as asas e pousam na estátua, para lhe dar um abraço e um sonoro beijo. 
    A estátua fica tão feliz, que até deixa escapar umas lágrimas mais pequeninas, e abre um grande sorriso. As borboletas fazem o mesmo aos passarinhos, e estes ficam derretidos, riem. 
- Obrigada, linda estátua da fonte, por nos teres abrigado! - diz uma borboleta 
- Obrigada queridos passarinhos, pela companhia enquanto durou a tempestade! 
- De nada! Foi um gosto, e voltem mais vezes, que são maravilhosamente lindas. Adoramos ver-vos dançar, as vossas cores, a vossa leveza, e danças só com a música da Natureza! 
- Sim, voltem! - dizem os passarinhos 
- Nós adoramos esta fonte, estamos aqui todos os dias, para nos refrescarmos, e para bebermos. - diz um passarinho
- Eu também adoro a companhia deles, e de todos os que aqui vem. - diz a estátua. 
    E como prometido, nos dias seguintes, as maravilhosas borboletas voltaram à fonte, para dançar e encantar, a fonte, os passarinhos que chilreavam com ela, e dançavam com as borboletas. 

                                                    FIM 
                                              Lara Rocha
                                               5/Julho/2024 

Como imaginam essa estátua? 
E a fonte? 
Como imaginam as borboletas? 

Podem deixar nos comentários.   

terça-feira, 28 de maio de 2024

Rainha do dia

  


  Era uma vez um estudante que se levantava muito cedo, pouco antes do sol nascer. Ainda via o rasto das estrelas a ir para casa, e a clareira que elas iam deixando, para abrir caminho à rainha do dia, que não demoraria a surgir. 

   Uns dias, o estudante ainda via este espetáculo, da janela do comboio, até à chegada da rainha, outras vezes, adormecia na viagem e só via o desfile das estrelas. 

   Pensava para si, com um sorriso: 

- Que privilégio, ver este espetáculo, a esta hora! O dia até corre melhor e, traz inspiração.

   Quando não adormecia, via as estrelas a ir para casa, e a rainha do dia a chegar. Vinha de pantufas, levemente, para não acordar os seres humanos, à pressa, os seus cabelos loiros que se estendiam num tamanho sem fim por todo o planeta Terra. 

  Vinha de pijama com tons de cores azul escuro, rosa escuro, rosa claro, laranja, azul claro, e branco. E por onde passava, a sua luz tornava-se mais aberta, ela sorria, e todo o céu ficava azul claro, noutros tons, conforme as cidades e os horários. 

  O estudante deliciava-se ao ver esta rainha, sorria, e acompanhava a chegada da rainha do dia. Murmurava: 

- Que lindo! - suspirava - Bom dia, rainha do dia! 

    Mas o trabalho da rainha, não acabava com o nascer do dia, porque por onde passava, beijava e desejava bom dia às flores, que acompanhavam e sorriam ao abrir as suas pétalas. 

   Despertava os passarinhos com carinho, ao passar pelos seus ninhos, e estes brindavam-na com os seus lindos chilreios. 

  Acordava as árvores, com os seus abraços quentinhos, nas copas, e nos troncos, até que ao longo do dia chegava às raízes, nas folhas, nos ramos. 

   A rainha do dia era vaidosa, Gostava de se ver em tudo o que tinha água, e o seu bom dia era deixar o brilho nas águas, que ondulava com o movimento. 

   Ela adorava ver isso! E as águas também. Dava bom dia aos campos, aos prédios, aos montes, aos animais que davam sinal à sua chegada, às estradas, às pontes, e às pessoas que passavam cheias de pressa, sem olhar para ela.

  Mas ela não se importava. Sorria e continuava o seu trabalho, por todo o mundo, aparecendo e desaparecendo noutros lugares, até ao dia seguinte. 

    Mudava os seus vestidos com as cores de acordo com a hora até voltar para casa e dar lugar às estrelas. Cada um com a sua beleza, leveza, ou mais intensidade. 

   Tinha sempre admiradora que paravam nem que fosse um minuto para a apreciar e fotografa. Ela sorria. Tinha dias em que brilhava pouco, também se cansava, e era substituída pela chuva, ou pelas nuvens, mas estava sempre lá.

   Do nascer ao pôr do sol, a rainha do dia visitava a terra com toda a sua beleza e espetáculo, que vale a pena apreciar. 

                                        Fim 

                                    Lara Rocha 

                                    28/Maio/2024 


- E vocês, já deram bom dia à maravilhosa rainha do dia, hoje? 

- Se não deram, um dia destes deem, ou desejem-lhe boa noite, quando a virem ao fim da tarde. 

- Como é que a rainha do dia vos acorda? Com um fio de cabelo pela vossa janela? 

- Que cores dos seus vestidos já viram? 

- Qual foi a que mais gostaram? 

        Podem deixar nos comentários, mesmo que sejam respostas imaginárias, do vosso agrado. 

          

    

segunda-feira, 13 de maio de 2024

Sorrisos mascarados

 O sorriso 









Vemos sorrisos todos os dias…


De crianças,

De adultos,

De idosos, 

De animais…

Mas será que todos esses sorrisos são sinceros?

Sinceros...que vêm das profundezas da alma?

Será que são daqueles sorrisos 

Que se mostram sem medos?

Ou será que são sorrisos mascarados?

Umas vezes sincero

Outras vezes forçado, 

Sorrisos mascarados 

São aqueles que, 

se levantássemos as máscaras

Veríamos lágrimas 

A brilhar ao sol, 

Ou estrelas que viajam dos olhos 

Pela pele, até á almofada, 

À noite.

Ou param num animal…

Ou que caem no chão, 

Em cima da mesa,

No chá, no prato, no copo…

à noite. 

Quando já cada um está no seu canto

Muitos sorrisos mascarados 

Deixam de o ser 

As máscaras também precisam de descansar 

Mas...e o que vem no lugar do sorriso mascarado?

A explosão…

A lava que transporta consigo toda a essência

A verdade 

Os sentimentos puros 

Quando as máscaras do sorriso caem…

A alma fica nua! 

E nem sempre é fácil encontrarmo-nos com ela

Às vezes lutamos…

Porque queremos ser mais forte, 

Mas ela sabe bem 

Que na verdade somos fracos

Não porque choramos,

Mas porque somos de carne e osso...sangue…

Tudo mexe dentro de nós!

À noite 

Perdemos a vergonha, o poder…

A força da máscara do sorriso 

Enfraquece…

Deixa-se vencer pelo cansaço 

De tanto uso falso! 

Quantos sorrisos mascarados…

Se cruzam no nosso caminho todos os dias

Para quê?

Mais cedo ou mais tarde,

A máscara do sorriso 

Cansa e cede! 

Não porque é fraca,

Mas porque não aguenta mais. 

É o que acontece connosco! 

O único sorriso sem máscaras, 

O único rosto sem máscaras,

É o das crianças 


                                            Lara Rocha 

                                            17/Março/2014

cabelos brancos

 Hoje olhei para umas finas senhoras 

Sentadas no banco de jardim 

Todas tinham cabelos brancos!

Que linda visão…

Sim, não sei se elas gostam, ou não

Talvez os aceitem, 

Ou talvez deem apenas valor ao facto de estar vivas.

Enquanto muitas jovens se preocupam com a aparência 

Tentei ler esses cabelos brancos, 

Mas não consegui.

Porque cada fio branco

contava uma história diferente

cada cabelo branco chorava uma lágrima

de perda, de dor, de saudade

desgosto e solidão…

Ou impotência, pena…

Todos os fios de cabelos brancos

Se falassem

Muito nos teriam a ensinar

A nós, mais novos

Que achamos que sabemos tudo,

Na verdade nada sabemos…

À beira destas senhoras e de outras de cabelos brancos,

A nossa sabedoria é um fio de cabelo branco delas…

Perdido entre milhões de cabelos brancos.

Talvez esses cabelos brancos

Nos contassem serenidade,

Pobreza,

Fome,

Valores,

Sacrifícios,

Muitas lágrimas,

Muitas dores,

Muitas perdas,

Mas também muitas batalhas…

Umas perdidas,

não por falta de luta delas, 

Outras vencidas. 

Muitas cabeças erguidas,

Muito amor para dar,

Muita entrega aos outros…

Áh!

Cabelos brancos…

Um prémio!

Um motivo de felicidade

Pois cada um, conta histórias

Que muito ensinam quem nada sabe da vida!

                                Lara Rocha 

                                17/Março/2014 

cada lágrima

 Cada lágrima…


Cada lágrima conta

Um segredo…

Nunca confessado,

Um desejo…

Nunca realizado,

Um sonho…

Uma recordação

Ou várias recordações

Felizes,

Tristes,

Doces, 

Românticas.

Um sentimento,

Uma emoção,

Um medo,

Um momento 

que não se repete 

Cada lágrima conta…

Momentos de dor,

De saudade

De alguém

De algum lugar,

De alguma coisa especial,

De um momento…

De um tempo feliz…

E mesmo

De alguns minutos inesquecíveis…

Cada lágrima…

Conta

Mágoas…

Rancores,

Iras,

Frustrações,

Derrotas,

vitórias…

Cada lágrima…

Solta um grito,

Ou vários gritos silenciosos…

Profundos,

Que têm de ser calados,

sufocados…

Que emanam do oceano interior…

Grito de aflição,

De dor,

De tristeza,

De raiva,

De ódio…

De amores

Não correspondidos,

Proibidos,

Que não saem dos sonhos… 

Cada lágrima,

Conta a solidão,

Canta a tristeza,

Cada lágrima…

Varre a alma,

Limpa o coração,

Purifica,

Descongela-nos,

Liberta o que está preso na alma…

Cada lágrima

Mostra tudo o que temos

Dentro de nós…

Quando as máscaras caem…

Cada lágrima…

Despe-nos,

Mostra o que somos realmente.

Cada lágrima…

 Conta uma história de vida.

Cada lágrima é uma!


Fim 

Lara Rocha 

17/Março/2014