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quarta-feira, 26 de fevereiro de 2020

A jovem e o seu vizinho luminoso

            
Desenhado por Lara Rocha 


        Era uma vez uma jovem que para descansar os olhos da luz da cidade, ao entardecer, antes de entrar em casa, olhava para uma árvore cheia de buracos. 
       Ela sentia que aquela árvore tinha alguma coisa de especial, não sabia explicar. Já não era a primeira vez que ela tinha a sensação de ter visto a sair de um dos buracos um arco, com uma luzinha.
       Nunca deu importância, nem quis investigar, porque achou que era de cansaço, e que a sua mente procurava alguma coisa para relaxar, mesmo que não existisse. Ela sorria e voltava a entrar com outra energia.
       Um dia chegou do trabalho, olhou para a árvore, e viu outra vez o arco com a luzinha. Desta vez, quis ver de perto, para tirar dúvidas se era real, ou se estava a imaginar. Aproximou-se, e para sua grande surpresa...
- Áhhhhhhh!!! É real! Eu via mesmo este arco e uma luzinha. Que lindo! Mas como é que isto veio aqui parar...? De onde veio?
        Antes que a jovem continuasse a fazer mais perguntas, a luzinha começa a tocar, no arco, sem cordas.
- Mas, está a tocar sozinho, o arco?
        Era a luzinha que tocava maravilhosamente bem.
- Que música tão suave! Mas... como é que este arco dá música...?
        A luzinha aumenta de tamanho, e pisca, o arco continua a tocar. A luzinha mexe-se de um lado para o outro, roda no arco, desliza, como se estivesse a tocar cordas que não existiam. 
       A jovem estava tão deliciada a ver e a ouvir aquilo que quase não se mexia. Quando a luzinha para de tocar, ganha a forma de um lindo e pequeno pirilampo, que tocava num arco sem cordas, porque era ele que cantava e tocava, pois não tinha dinheiro para comprar um arco com cordas, como ele adorava poder ter.          
       Partilhou a sua história com a jovem, que gostou tanto dele, e ficou com pena dele, ofereceu fio de pesca e ajudou-o a pôr cordas no arco, bem presas e próximas umas das outras, como se fosse uma harpa.
      O pirilampo ficou tão feliz e tão agradecido à jovem, que quis logo experimentar. Ele nem queria acreditar que estava a tocar em fios verdadeiros.
      Tocou delicadamente em cada corda, primeiro, depois, soltou toda a sua alegria enquanto tocava músicas alegres, saltitando de fio em fio, dando cambalhotas, rodopios, saltinhos e até algumas lágrimas, que também o ajudaram a compor músicas.
        A jovem aplaudia e ria ao ver a felicidade do pequeno, com uma coisa tão simples, mas para ele era tudo. 
        O pirilampo nunca mais abandonou aquela árvore, e todos os dias, várias vezes ao dia, tocava para a jovem, como forma de agradecimento, conversava com ela, ajudava-a a adormecer, e fazia-lhe companhia.
        Em troca, ela dava-lhe abrigo, calor, alimentação e amizade, a ponto de acolher o pirilampo na sua sala de estar, ou no seu quarto, quando estava mais triste. 
        Às vezes a jovem cantava com ele, e outras vezes, os dois abraçavam-se, choravam juntos. Eram uma verdadeira família.

                                            FIM
                                            Lálá  
                                                                                                                            26/Fev/2020

terça-feira, 11 de fevereiro de 2020

Anjo na ponte - peça de teatro para adolescentes e adultos sobre tentativa de suicidio, amizade (psicólogos, estudantes de psicologia e população em geral)


Monólogo para adolescentes e adultos; homossexualidade; amizade; Tentativa de suicídio; ideação suicida; respeito; acolhimento,

Era uma vez uma rapariga que estava em depressão, e não encontrava outra solução a não ser suicidar-se. Encontra-se numa ponte do Porto a olhar para o rio, numa grande angústia a chorar. Um jovem rapaz passa por ela, olha para ela, e pressente qualquer coisa de estranho.

ELE - Estás bem?

Ela estremece:

ELA - Empurra-me! Atira-me daqui abaixo. Por favor. 

ELE - O quê? Já vi que não estás bem.

ELA - Empurra-me! Apareceste na altura certa para eu realizar a minha vontade.

ELE - Qual é a tua vontade?

ELA - Eu vou atirar-me daqui abaixo.

ELE - Era só o que faltava!

ELA - Até tu apareceste para isso.

ELE - Achas? Nem nos conhecemos. Mas não vou deixar que faças essa loucura.

ELA - Não estou cá a fazer nada...O vazio em mim é maior que este rio. A tristeza é do tamanho desta cidade.

ELE - Vazio, tristeza... que conversa é essa?

ELA - Esquece...! Só se o sentisses, saberias. Anda lá... empurra-me, ou atira-me daqui abaixo.

ELE - Olha para mim. Vamos conversar. Por favor.

ELA - Só quero que me atires lá para baixo. 

Ele dá-lhe a mão e vira-a para ele. Os dois ficam ali uns segundos a olhar-se fixamente.

ELA - Que pena só teres aparecido agora, no meu fim....até podíamos ter sido amigos. Seremos se calhar na minha próxima reencarnação.

ELE - Que conversa. Eu não vim aqui por acaso, nem para te atirar lá para baixo...onde já se viu? Uma rapariga tão bonita, com todo o respeito e sinceridade, ter essas ideias estúpidas...nem penses que vou deixar que faças uma loucura dessas... vamos conversar!

ELA - Já é tarde, não há nada para conversar. Atira-me.

Num impulso, ele encosta-a a ele, abraça-a, e ela rende-se, entrega-se aos seus braços, desata a chorar, abraçada a ele. Ele acaricia-a.

ELE - Estás mesmo numa grande angústia, num grande sofrimento. Mas eu estou aqui. Fala comigo!

ELA - Não te vou chatear com as minhas coisas... acho que nunca nos vimos antes... mas... o teu abraço é bom. Nem quero saber se vais interpretar mal, mas é bom. Senti-me bem nos teus braços. Acho que é panca da minha cabeça.

Ela abraça-se outra vez a ele. 

ELE (sorri, sereno) - É para os meus braços que te vais atirar sempre que quiseres, daqui para a frente, e eu vou empurrar-te para eles, sempre que perceber que precisas.

ELA (ainda a chorar) - Porque é que estás a fazer isto, se não nos conhecemos?

ELE - Ora essa... não nos conhecemos antes, mas a partir de agora podemo-nos conhecer. Estou a fazer isto porque o que tu ias fazer, não se faz. Porque quero conversar contigo. Porque não gosto de ver meninas a sofrer tanto, porque...não sei mais.

ELA - Nada disto faz sentido.

ELE - O que tu ias fazer, não, não faz sentido. Para! Por favor! É aqui, é nesta vida, no hoje que tens a tua missão, seja ela qual for, e não é esta de certeza. É hoje, é nesta vida que tens de lutar e fortalecer-te, não te entregues à tristeza. Há muita coisa à tua volta. Há muita gente que precisa de ti, só precisas de te abrir e deixar de mergulhar nessa tua escuridão.

ELA - Eu não faço falta a ninguém.

ELE - Outra vez...?

ELA - Nem tu estás para me aturar.

ELE - E quê? Fazes futurologia, é? Para dizer o que estou para fazer? Eu já sou grandinho, sei bem o que quero, e o que faço, e porque o faço.

ELA - Mas eu disse-te que me atirasses lá para baixo.

ELE - E eu já disse que nunca faria isso.

ELA - Porque não?

ELE - Porque não! E também já disse porque não. Para de dizer asneiras, e vamos conversar. Prometes?

ELA - Já que fazes tanta questão... não sei para quê, se me vou atirar daqui abaixo.

Ele encosta-a outra vez a ele, ela abraça-o.

ELE - Faz-me um favor...

ELA - Vais-te atirar comigo...?

Ele ri-se:

ELE - Mau... já não estou a gostar dessa conversa... estás proibida de repetir esses disparates, combinado?

ELA - E o favor, qual é?

ELE - É esse! Vamo-nos sentar ali, e conversar, ok?

ELA - Não vais gostar... eu sou um cubo de gelo.

ELE - Não faz mal, eu gosto de gelo...não tenho medo do gelo. No fim digo-te se gostei ou não.

Os dois sentam-se num banco de pedra, a ver o rio. Primeiro em silêncio.

ELE - Saboreia esta água...ouve...

Os dois ficam em silêncio.

ELE - Agora...começa a falar-me de ti. Tudo o que te incomoda.

ELA - Vais-te afastar de mim.

ELE - Ai, que paciência...(troca os olhos)! Fala. Depois vês, se me vou afastar de ti.

ELA - Mas só me apetece chorar...

ELE - Boa! Não interessa. Podes fazer as duas coisas ao mesmo tempo.

ELA - Começo por onde?

ELE - Por onde quiseres. O que eu quero é que fales...

Ele vira-se para ela, e ela começa a falar. Ele ouve-a atentamente, ela chora e fala. Depois cala-se.

ELA - Desculpa. Já falei demais.

ELE - Isso és tu que estás a dizer, não sou eu. Eu não me queixei.

Olham-se fixamente.

ELA - Porque é que estás a olhar assim para mim?

ELE (sorri) - Já acabaste?

ELA - Sim. Desculpa.

ELE - O quê?

ELA - A seca!

ELE (ri-se) - Se eu tivesse sede, tinha ido beber. (Os dois riem)

ELA - Falei tanto...

ELE - E não era o que eu queria...?

ELA - Sim.

ELE - Então, qual é a cena?

ELA - E tu, vais falar-me de ti?

ELE (sorri) - Queres ouvir-me?

ELA - Sim. Já que nos encontramos... e já que eu falei tanto de mim...

ELE (ri) - É justo! Sim, claro que sim, vou falar-te de mim.

Ele também partilha com ela muitas coisas. Descobrem muitos pontos em comum, riem juntos. No fim, ela está mais animada.

ELE (sorri) - Gosto do teu sorriso.

ELA (sorri) - Obrigada. O teu também é simpático e sereno.

ELE (sorri) - Obrigado. Como te sentes agora?

Silêncio. Ele olha para ela.

ELA - Acho que... melhor!

ELE - Até levava a mal se dissesses o contrário. Eu gostei deste bocadinho.

ELA - Obrigada pela tua paciência.

ELE - Vamos dar por ai uma volta?

ELA - Queres a minha companhia?

ELE (irónico) - Não... é por isso que te estou a convidar.

Ele abana a cabeça e ri-se.

ELA - Está bem.

Os dois levantam-se, e começam a caminhar lado a lado devagar.

ELA - Já estás cansado não?

ELE - Eu? Cansado? De quê?  Já sei qual é a tua resposta...não, não estou cansado.

Ela sorri. Continuam a conversar e a rir. Param de vez em quando, olham-se, e sorriem. Ele mostra-lhe coisas bonitas, ela sorri. Ela diz onde mora, e moram relativamente perto um do outro. Antes de se separarem, param à entrada de casa dela. Trocam contactos, e prometeram encontrar-se mais vezes.

ELE - Estás melhor?

ELA - Sim. Acho que sim... não sei como te agradecer!

ELE - Deixa lá isso. O que eu quero é que não voltes a ter aquelas ideias estúpidas, e que me prometas que qualquer coisa, vais ligar-me, ou falar...! Prometes?

ELA - Não quero estar sempre a melgar-te.

ELE - Nem vou responder...

ELA (ri-se) - Que simpático...

ELE (ri) - Achas que merece resposta isso?

ELA (ri) - Não sei.

ELE (ri) - Não. Não merece... mas isso é isso, e tu és tu Qualquer coisa, estou aqui.

Olham-se fixamente a sorrir.

ELA (sorri) - Sou um gelo, não sou?

ELE (ri) - Ai... eu não senti frio. (Os dois riem) És um ser especial. Só te peço: tem calma, e não faças merda... desculpa o termo. Não te esqueças que só o hoje interessa, amanhã já é outro dia, e será melhor...só depende de ti. No que depender de mim, já sabes que farei com que os teus dias sejam melhores, mas tu é que tens a maior responsabilidade, e toda a liberdade de aceitar ou não...! Aquela ponte foi para nos unir, e não para nos separar.  Só quero que te atires para os meus braços, sempre que quiseres.

ELA (ri) - Gostei muito do teu abraço! Obrigada.

Ele abraça-a, ela deixa-se ficar no abraço dele, a sorrir. Ele dá-lhe um sonoro beijo na cara, faz-lhe uma festinha.

ELE - Até já.

ELA - Até já.

Sorriem. Ele dá-lhe a mão.

ELE - Estou contigo!

ELA (sorri) - Obrigada, anjo!

ELE (ri-se) - Não sou anjo, sou homem, de carne e osso, como tu. Estou na terra como tu.

Riem.

ELA - Tu percebeste...

ELE (ri) - Sim... fica descansado.

Ele dá-lhe um beijo na mão, e vai para casa dele. Nesse mesmo dia, voltam a falar-se, e nasceu uma linda, forte e sincera amizade entre eles.

VOZ-OFF - Na terra existem anjos, disfarçados, que aparecem às vezes de forma inesperada e transformam toda a vida de pessoas que sofrem. Qualquer um de nós pode ser um anjo para outro, com a sua presença, atenção, carinho, dedicação e amizade. Numa sociedade solitária, são muitos os casos de tentativas de suicídio, pelo vazio intolerável, pela falta de realização pessoal e de tempo para construir relações de amizade. Construir uma amizade, demora o seu tempo, mas esta pode nascer, às vezes a partir das pessoas que nos parecem mais distantes ou mais indiferentes. A indiferença é outra causa de tantas tentativas de suicídio. Pedidos de ajuda que são ignorados. É importante estar atento, quando surgem, e não deixar essa pessoa sozinha. E qualquer um de nós pode ser um anjo que liga uma pessoa a outra, e à vida.

                                                                  FIM
                                                              Lara Rocha
                                                             (11/Fev/2020)






quinta-feira, 6 de fevereiro de 2020

Devaneio romântico (para adolescentes e adultos)


         Olho para aquela estrela, da minha janela. Aquela estrela, que brilha mais, mesmo à frente dos meus olhos! Ela está lá todas as noites, de certeza mas eu não vou vê-la todas as noites. Mesmo assim ela está lá com certeza, muito senhora do seu nariz. E continua a ser ela, sem querer saber se olham para ela ou não! Porque ela sabe que é mesmo muito bonita, e que há sempre alguém que a vê. 
         Esse alguém sou eu, às vezes. Gosto de a ver. Para ela eu serei apenas mais uma, como outras almas solitárias, que nas noites de insónias olham para ela. Repousam na estrela os seus olhos tristes ou cansados, sonolentos, sonhadores ou perdidos. Que olham por olhar. Será que também olhas para ela? A mesma estrela brilhante que vejo? 
         Não te vejo nela! Também não me vejo nela, mas gosto de pensar se haverá alguém a vê-la à mesma hora que eu, e se imagina o mesmo que eu!? Será que também olhas para ela ao mesmo tempo que eu, e pensas que talvez alguém também esteja a olhar para ela? 
         Mesmo sem saber a resposta, gosto de imaginar que a vês, e que talvez outros olhos repousem nela. Os meus e os teus...o nosso corpo não se encontra, mas quem sabe, a nossa essência troque abraços feitos de astros e estrelas cintilantes, com a promessa de que um dia os nossos olhos se encontrarão, longe da estrela que vemos, e os nossos braços se entrelaçarão, como se envolvessem todo o universo, e nos tornaremos um só! 
         Uma só estrela! E na nossa estrela viveremos o nosso amor eterno. A estrela que talvez vejamos ao mesmo tempo, será  a nossa madrinha. Como saberemos que somos nós? Os dois que olhamos para a estrela? Quando os nossos olhos se cruzarem, e virmos a estrela a cintilar, eles reconhecer-se-ão. Aí teremos a certeza que a nossa essência se tocou, e que os nossos olhos viam a mesma estrela a brilhar. 


                                                                                Ilustração e monólogo de Lara Rocha
                                                                                 6/Fevereiro/2020

terça-feira, 21 de janeiro de 2020

As quatro marionetas

      

 Era uma vez quatro marionetas. Uma feita de chocolate, com os fios de ovos moles, outra feita de feijões, de várias qualidades e por isso, cores. Outra era feita de lã, e a outra de brilhantes.
A marioneta de chocolate com fios de ovos moles, foi oferecida a uma menina que não podia comer doces. Estava muito refeitinha, e sua Sra. Dra, tinha-a proibido de comer chocolate e ovos moles, pelo menos durante algum tempo, até ela baixar o seu peso.
         A menina estava sempre desejosa para lhe dar uma bela trinca, e queria comê-la de uma só vez, sem sobrar um único resto de chocolate e de ovos. Como a menina não podia comê-la, estava bem conservada e inteira, no frigorífico. Sempre que a menina abria o frigorífico olhava para ela e dizia:
- Queria tanto trincar-te...porque é que eu tinha de ser gorda! Que tristeza!
         E voltava a fechar o frigorífico.
         A marioneta que era feita de feijões coloridos, vivia pendurada por fios de cana de pesca, na porta do quarto de um menino a quem tinham oferecido. O menino adorava ouvir o som dos feijões a tocar uns nos outros, e no chão. As cores dos feijões era alegres: brancos, vermelhos claros, vermelhos escuros, pretos, castanhos claros e outros, castanhos escuros. O menino brincava muito com a sua marioneta feita de feijões.
         A marioneta feita de lã, foi oferecida a uma senhora solitária, com muita idade, embora tivesse muitos netos e filhos, mas estavam longe, e ela estava divorciada do marido há muitos anos. A senhora gostou tanto da marioneta que ficou com pena dela, não a queria pendurar e disse:
- Óh, linda marioneta, gosto tanto de ti, tu és tão bonita e tão fofa, tão colorida! Não mereces ficar aí pendurada. Mereces estar à minha beira, ser a minha companheira, e aquecer-me. Vais ser tratada como uma neta, ou uma filha.
         Pegou na tesoura de costura, e cortou os fios da marioneta, carinhosamente, com um grande sorriso. Olhou para ela, abraçou-a, como se a marioneta fosse mesmo uma pessoa. Abriu um grande sorriso e sentou-a à sua beira, no sofá, cobrindo-se a cobrindo a sua nova companhia.
         A marioneta de brilhantes, foi a realização do desejo de uma menina muito rica, demasiado vaidosa, caprichosa e mimada. Ficou eufórica com a beleza de tantos brilhantes, mas tratava-a apenas como uma boneca para enfeitar. Esta marioneta não fez a sua felicidade.
         Cada marioneta cumpriu a sua função, de tornar os seus donos felizes. Mas será que todas conseguiram mesmo...?

                                                              FIM
                                                              Lálá
                                                          20/1/2020  
    

quinta-feira, 16 de janeiro de 2020

REENCONTRO - Para adolescentes e adultos (romance)


REENCONTRO
(Uma rapariga visita um teatro, um rapaz entra silenciosamente e vai para a porta onde se entra para o palco)


ELA – Sim! Foi mesmo nesta sala…os meus olhos perdem-se aqui…onde, há uns catorze anos, ou mais…nos voltamos a ver…depois de nos termos visto antes no circo que havia perto das piscinas da cidade. Nesse circo…apenas os nossos olhos se fixaram, nem nos conhecíamos, mas a tua beleza era inesquecível, os teus olhos…de um verde especial, misterioso, diferente…a minha mente não te apagou mais…e nos dias seguintes procurei-te por entre a multidão que passava, principalmente os jovens da nossa idade. Era procurar uma agulha num palheiro, no fundo, eu sabia, mas podia acontecer! Se estavas no Circo…serias da cidade. Em nenhum dia nos vimos, mas o destino voltou a juntar-nos…talvez uns meses mais tarde! Não no circo…nem na cidade…mas no Teatro…neste Teatro monumental, lindo…nesta sala…onde nos sentimos minúsculos. E foi em cima do palco que o meu coração te reconheceu! Que engraçado, a tua cara não me era estranha, e tu disseste o mesmo da minha, mas não sabíamos de onde…só mais tarde é que me lembrei de onde te tinha visto. Quando os nossos olhos se cruzaram…neste palco imenso…onde me sentia minúscula, os teus olhos verdes tocaram o meu coração, e senti-me enorme, com aquela troca de olhares. Senti o tocar dos teus olhos, pois no meu coração formou-se um terramoto de emoções, que rapidamente dilataram todo o meu corpo. O palco ganhou uma luz intensa, forte…tanto que fez os meus olhos chorar…fiquei encandeada, não sabia se era da luz pendurada, que foi usada para o exercício…se era a luz dos teus olhos...que acenderam os meus, ou se era a luz da minha paixão por ti que tinha acabado de nascer. A tua voz…atravessava-me…era bem projectada, potente, intensa…e ao mesmo tempo meiga e serena…que me arrepiava e fazia o meu corpo arder! Trocamos algumas palavras e olhares mas tu deves ter percebido que tinhas mexido comigo, e as minhas amigas que queriam aproximar-nos, estragaram tudo…foram-te dizer o que eu sentia por ti, e como não sentias o mesmo…de repente tornaste-te frio…distante…e o meu coração ficou esmigalhado. As noites tornaram-se infindáveis para mim…e só chorava! De dia…usava máscaras para fingir que estava tudo bem, que não precisava de ti para nada! E de facto…não! Só queria a tua amizade, mesmo sentindo o que sentia…até porque podia ser apenas um amor de teatro, como os amores de verão! Nem sequer chorava por não gostares de mim…chorava por não te teres dado ao trabalho de te aproximares de mim, e de me conheceres! Deixamos de nos encontrar, porque fomos de férias…e com o calor do Verão, as lágrimas secaram. Demorou…mas passou! Tal como os amores de Verão…tu foste para mim, um amor de teatro. O teatro entrou em obras, e nunca mais nos vimos…talvez já nem te lembres de mim…tu seguiste o teu caminho, e eu segui o meu…tu deixaste o teatro, eu continuei noutro teatro…e a minha paixão por ti…ficou soterrada no meu coração…no meu coração e no pó das obras, quando o palco foi deitado abaixo! Está ainda mais bonito, este palco e esta sala…transformada…mas ao entrar aqui…e ao olhar para o palco, ainda me lembro dos teus olhos verdes…sinto a tua presença…e imagino um bailado com nós os dois…onde os nossos corpos se encontravam, e fundiam um no outro, embalados pela música, entregues à dança, cheia de sensualidade…tudo não passa de um sonho…Não sei o que aconteceria se nos reencontrássemos agora. A paixão…renasceria dos escombros? Talvez não! Nem sei se tudo não passava de uma ilusão, ou atracção…mas muito forte. Talvez não acontecesse nada, ou talvez sim…estaremos mais maduros, pensaremos de forma diferente, no que se refere a relações…pelo menos eu! Gostava de ver numa bola de cristal como estás, o que estás a fazer…talvez…já sejas casado e com filhos…ou…talvez não! Uma coisa é certa: depois da paixão, e tal como este espaço…também eu entrei em obras…o meu coração ficou fechado, e aos poucos foi-se restaurando; depois de desarrumado e desmoronado pelo terramoto do desgosto de amor não correspondido. E tudo se transformou num sonho…numa recordação enevoada. Até um dia destes! Quem sabe…ou talvez não…se tiver saudades tuas procurar-te-ei nas cinzas, dos amores não correspondidos…do passado…no armazém onde estão as recordações e os sonhos realizados e não realizados…que são desejos. Quero-te lá, e tenho-te lá…pois serves de inspiração quando preciso, e ajudaste-me a crescer, apesar da dor. A culpa não foi tua…nem minha. Hoje sei…apenas porque não tínhamos de ser um do outro…só tínhamos de nos encontrar, para eu reparar nos teus olhos! E nada mais…Mas só para isso! Que sejas muito feliz! Hoje sei…a minha verdadeira paixão era o Teatro, tu foste apenas o pretexto para eu entrar e conhecer esse mundo que amo.
(Aparece o rapaz, sorridente, os dois olham-se fixamente)
ELE (sorri) – Olá. Lembras-te de mim?
ELA (sorri) – Miguel…?
ELE (sorri) – Sim, sou eu Luciana. Estou aqui, mesmo diante de ti, no palco onde nos conhecemos! Não precisas de me procurar nas cinzas dos amores não correspondidos do passado, no armazém dos sonhos…! Estou aqui mesmo. Era por isso que sentias a minha presença.
ELA (sorri) – Uau! Estava mesmo a pensar em ti…e a lembrar-me de quando nos conhecemos.
ELE (sorri) – Sim, eu ouvi. Já foi há muito tempo, mas lembro-me muito bem!
ELA – De mim, ou do teatro?
ELE – De ti e do teatro!
ELA – Que engraçado…e eu pensava que nem sequer reparavas em mim…quanto mais, ao fim de tanto tempo…!
ELE – Claro que reparava em ti…não da maneira que tu querias, mas reparava. É impossível não reparar em ti.
ELA (sorri) – Isso é bom, ou é mau?
ELE (ri) – É bom, claro! (p.c) Estás muito diferente…estás…uma linda mulher…! Mas o teu olhar continua mais do mesmo!
ELA – Como assim?
ELE (sorri) – Brilhante, inocente, meigo…e assustado…um pouco triste…
ELA – Brilhante…? Isso deve ser da luz…!
ELE – Sim, é a luz dos teus olhos.
ELA – Ou é o reflexo dos teus olhos…consegues ver-te ao espelho, nos meus olhos? Tu és engraçado. Achas que eu parei no tempo. Que não evolui, continuo aquela coisa que conheceste há uma série de anos! 
ELE - Não. Continuas na mesma. 
ELA - Fisicamente, mais gorda, claro, com a idade, mas não sou aquela que tu conheceste. Não chegaste a conhecer, fugias de mim a mil pés. 
ELE - Não digas isso. 
ELA - Porquê? Não é verdade? 
ELE - Não. 
ELA - Claro...
ELE - É claro, sim! Não fugia de ti... 
ELA - É...só me ignoravas. E não correspondias. 
ELE (ri) - Eu era tímido, e ainda sou. 
ELA - E eu era extrovertida, queres ver...? 
ELE - Eras mais que eu. 
ELA - Nunca quiseste saber de mim. 
ELE - Estávamos na Adolescência.
ELA - E...? 
ELE - Na adolescência achas que queríamos compromissos? Mesmo que quiséssemos era às escondidas. 
ELA (ri) - Tu e eu nem às escondidas. 
ELE - Tu eras assim tão apaixonada por mim?
ELA - Naaaaaaa... quem fala em paixão... 
ELE (ri) - Sei. Mas esqueceste-me? 
ELA - Ainda tenho alguma memória. 
(Os dois riem) 
ELE - Eu também. Mas esqueceste o que sentias por mim.
ELA - Claro. Que remédio. Não sofri pouco para te esquecer, mas o ódio acabou por falar mais alto. 
ELE - Ódio? 
ELA - Sim. 
ELE - Usas essa palavra? 
ELA - Com certeza. Em certos casos, e em relação a certas pessoas ou coisas sim. E tu, não? É uma palavra como outra qualquer, faz parte de nós... se sentimos isso, porque não havemos de dizer?
ELE - Não. 
ELA - De certeza que também o sentes, mas não o confessas. 
ELE – Não…vejo uma mulher…apaixonada, sensível, delicada.
ELA – Sim, por algumas coisas…
ELE (sorri) - Porque é que estás a mudar de assunto? 
ELA - Não estou a mudar de assunto! 
ELE – Não! Leio a tua alma, nos teus espelhos.
ELA – Tens uns olhos misteriosos!
ELE – Misteriosos…? Não…! Acho que os meus olhos mostram o que sou.
(Aproxima-se mais, e dá a mão à Luciana, ela tenta recuar a medo)
ELA - É melhor ficarmos por aqui... regressar à terra, lembrarmo-nos que isto é só um momento de recordação... nostalgia... um bom momento, uma cena de um filme, mas não é a realidade... 
ELE - Espera! Por favor...
ELA - Espero o quê? Perdi a paciência. 
ELE - Vamos conversar mais um pouco. Está tão bom este ambiente...  
(Os dois sentam-se no chão, olham em volta) Esta sala é mágica. 
ELA (sorri) - Sempre foi. 
ELE (sorri) - É linda! Está cheia de histórias... de amores, de paixões, de risos, lágrimas, alegrias, tristezas, personagens! 
ELA (sorri) - É. 
ELE - Eu adorava teatro. 
ELA - Eu também. Ainda continuei noutra companhia. 
ELE (sorri) - A sério? 
ELA - Sim. 
ELE - Tiveste outra paixão como a minha? 
ELA - Não. Felizmente! 
ELE - Falas com um gelo...
ELA - É uma defesa! 
ELE - Uma máscara? 
ELA - Não. É real. Estou mesmo um cubo de gelo. 
ELE - Porquê? 
ELA - Porque cansei de desilusões. 
ELE - Desististe do amor? 
ELA - Sim, desisti! 
ELE - Porquê? 
ELA - Porque ele nunca apareceu. 
ELE - Ainda pode aparecer. 
ELA - Para mim não! 
ELE - Ei, estamos no teatro, mas não sejas tão dramática. 
ELA - Não estou a ser dramática! Estou só a ser realista. 
ELE - Não! Isso não é a realidade...eu também não fui correspondido, muitas vezes, nas minhas paixões, mas mesmo assim, ainda espero. Sei que ele vai aparecer. 
ELA - Gostava de pensar isso, e de acreditar nisso, mas acho que não. 
ELE - Porque não? O amor existe, o amor acontece... 
ELA - Para não sermos correspondidos...mais vale não acontecer. 
ELE - Que exagero! Achas que podemos controlar o que sentimos?
ELA - Podemos. O meu coração está congelado há muito tempo, e fui eu que quis que ele ficasse assim. 
ELE - E ele obedece-te? 
ELA (ri) - Que remédio tem ele. Claro que obedece. 
ELE - Porque é que fazes essa maldade contigo mesma?
ELA - Maldade era se eu não o congelasse, e continuasse a apaixonar-me. 
ELE - Nem pareces tu.
ELA - Sou eu, sou. 
ELE - Não és a rapariga que conheci.
ELA - Sou, e não sou. 
ELE - Como assim? 
ELA - Nunca mais fui a mesma. 
ELE - E sabes porquê? 
ELA - Sei. Depois de tanto desgosto. 
(Os dois olham-se fixamente)
ELA - Porque é que estás a olhar assim para mim? 
ELE (sorri) – Eu não mordo…só quero ver o teu olhar, mais de perto.
ELA – O que tem o meu olhar?
ELE – Ele diz muito.
ELA – Mas se queres saber alguma coisa de mim, perguntas-me directamente…não precisas de olhar para os meus olhos.
ELE (ri) – As palavras voam…misturam-se com o ar…os olhos não! Os olhos são sinceros. Tens uns olhos muito bonitos.
ELA (sorri) – Obrigada.
ELE – Nunca tinha reparado! 
ELA (ri) - Que novidade... áááááhhh... 
(Ele ri-se)
ELE - Como o tempo passa, e como nós mudamos! 
ELA - É mesmo... mas só descobriste isso agora? 
ELE (ri) - Não. Nunca mais nos encontramos.
ELA – Pois não…até hoje.
ELA – Já estavas aí há muito tempo?
ELE – Sim, algum. Promete que não vais fechar o teu coração...que vais descongelá-lo!  
ELA - Não prometo! Tenho a certeza que não vou cumprir. 
ELE - Não faças isso! Isso faz-te mal! Não fujas! (p.c) Não tenhas medo de mim. (p.c) Vamos recuperar o tempo perdido.
ELA – Recuperar o tempo perdido, como? Recuperar o quê?
ELE – Recuperar o tempo que não aproveitei para te conhecer em profundidade.
ELA (ri) – Não aproveitaste, azar o teu.
ELE – Agora achas que é tarde?
ELA – Sim, muito tarde.
ELE – Porquê?
ELA – Porque…nunca mais nos encontramos, e nunca tivemos nada um com o outro.
ELE – Mas gostavas de ter tido, não gostavas?
ELA – Na altura sim, há catorze ou quinze anos…mas agora é tarde.Tu não quiseste, não ia ficar à tua espera! 
(Ela levanta-se, e vira costas, passeia pelo palco)
ELE – Por favor…dá-me essa oportunidade! 
ELA - Não tenho nada a ver com isso. Nem sei do que estás a falar...o que aconteceu aqui passou, foi só um conto, uma fantasia adolescente, como muitas outras.
(Miguel levanta-se, agarra na mão da Luciana, os dois olham-se): 
ELE - Não faças isso. Estás com um olhar triste... 
ELA - São...apenas...saudades! Mais nada.
ELE - E a desilusão de eu não te ter correspondido! Eu sei...ficaste magoada. É normal. 
ELA - Já passou. Não há mais nada a fazer. Nunca mais pensei em ti, depois de ter desistido. 
ELE - Ai... não gosto de te ouvir falar assim. Tira essa máscara de gelo! 
ELA - Não é máscara nenhuma...essa sou eu! Outra, que não conheceste, que existiu depois de tu não me corresponderes. 
ELE - E porque é que continuas com essa...que dizes já não existir?
ELA - Ela às vezes gosta de reaparecer. 
ELE - Sofreu tanto, para que é que volta?
ELA - Volta, para me lembrar e para não repetir o mesmo erro. 
ELE - Qual erro?
ELA - De me apaixonar outra vez. 
ELE - É sempre possível. Deixa acontecer.
ELA - Não quero! 
ELE - Porque não? 
ELA - Porque não quero sofrer outra vez. 
ELE - Vá lá! Não sejas assim. Derrete esse gelo. Dá-me uma oportunidade... porque é que me vais bloquear? 
ELA - Cansei. 
ELE - Mas já descansaste demasiado... não? 
ELA - Não.
(Os dois olham-se fixamente). 
ELE - Aceitas um abraço? 
ELA - Um abraço...? Ok..
(Abraçam-se, Luciana fecha os olhos e segura as lágrimas. Miguel beija Luciana suavemente)
ELE (sorri) – Por favor…dá-me essa oportunidade! Os teus olhos estão a brilhar.
ELA – Já te disse que é da luz do teatro! 
(Riem
ELE (ri) - É! Deve ser... da tua luz! 
ELA (ri) - Acho que estamos a pensar que somos duas personagens... 
(Os dois riem) 
ELE (a sorrir) - Porquê? Por estarmos em cima do palco? 
ELA (ri) - É. Será que está alguém a ver-nos? 
ELE (sorri) - Não. Estamos em ensaios... 
(Ele acaricia Luciana no rosto, olham-se fixamente, sorriem e continuam abraçados) 
ELE - Sentes-te bem? 
ELA - Sim. Mas tenho muito medo!
ELE (sorri) – Eu sei, mas vou tirar-te o medo. Confia em mim.
ELA – Mas porque te lembraste agora?
ELE – Não sei explicar, mas ultimamente tenho pensado muito em ti…
ELA – Eu também já me tinha perguntado, naqueles devaneios leves, longínquos... o que seria feito de ti. Nós mudamos muito…amadurecemos.
ELE – Sim, acho que foi isso que aconteceu também comigo…Senti vontade e curiosidade de te desvendar! Percebi que há uma verdadeira mulher dentro de ti, para descobrir e encontrar em cada milímetro da tua pele.
ELA (sorri) – Isso é verdade! Desculpa desiludir-te...Mas vais ter paciência para esperar e descobrir-me aos milímetros?
ELE (sorri) – Claro que sim…se não, não estaria aqui. Por favor…deixa-me transformar o que pareceu ser um amor de Verão…Um amor adolescente, de teatro, num amor real, para sempre!
ELA (sorri) – Bem…se queres tentar…tenta! Não prometo nada.
ELE (sorri) – Eu sei que vais cumprir. Os teus olhos prometem! Isso é o que me importa.
ELA (ri) – Chibos...! 
ELE (ri) - Chibos...? Quem? 
ELA (ri) - Os meus olhos. Traidores. 
ELE (ri) - Eles são sinceros. Eles sabem. Dás-me uma oportunidade?
ELA (sorri) – Huummm…Acho que vou ter de perguntar ao palco, aos fantasmas do teatro...
ELE (ri) - Deixa os fantasmas em paz! Na...vida...deles. Eu sei que és corajosa…mas achas que tens medo! 
ELA - Medo dos fantasmas...? 
ELE (ri) - É... tu sabes do que estou a falar.  
ELA (sorri) – Sim, é verdade! Tenho mesmo medo.
ELE – O medo não existe…e se existir, eu mando-o embora.
ELA (sorri) – Está bem.
ELE – Vamos concretizar todos os sonhos que tiveste comigo, e que quiseres…
ELA (sorri) – Está bem!
(Ele ajoelha-se)
ELE – Luciana…aceitas namorar comigo?
(Luciana abre um grande sorriso, ri)
ELA (a sorrir) – Aceito! Mas por favor…trata bem o meu coração!
ELE (sorri) – Deixa comigo! As nossas faíscas reacenderam…ao fim de quinze anos! Eu nunca te disse, porque pensei que era ilusão, mas também sempre tive um fraquinho por ti…Eu sei que podíamos ter tentado, mas ainda vamos a tempo de recuperar todo o tempo perdido, não achas?
ELA (sorri) – Sim! Parece que voltei a ser adolescente, por momentos. 
(Os dois riem)
ELE (sorri) - A história que vamos escrever juntos... a nossa história, vai ser a peça de teatro mais bonita, do palco das nossas vidas! Amo-te! 
(Os dois abraçam-se, trocam carinhos, beijos intensos e apaixonados, sorrisos, e desaparecem abraçados entre o fumo do palco)

FIM.
Lara Rocha
(27/Dezembro/2013)