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quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

SURPRESA DA ABÓBORA



           

















foto de Lara Rocha 

             Era uma vez uma carcaça de abóbora que enfeitava um grande campo com várias plantações. Os donos da propriedade tinham-na deixado lá nesse campo para assustar os pássaros. Até funcionava bem, porque os pássaros tinham medo dela e nem se aproximavam do campo.
            Um dia, uma gata abandonada tinha acabado de ter as suas crias, e estava cansada, com fome, e frio na berma da estrada em terra. Os bebés já estavam a alimentar-se, mas ela não.
            O cão da casa, sentiu qualquer coisa de estranho e foi por esse caminho. Descobriu a gata com os seus filhotes, e ficou cheio de pena deles. A gata ficou muito assustada.
- Não te preocupes…vou levar-te para um sítio seguro. Aqui não estás segura.
            A gata está assustada. O cão deita-se no chão, e os gatinhos sobem para as suas costas, mesmo sem saber o que ia acontecer…só porque gostaram muito do pêlo. A gata é levada pendurada na boca do cão.
            Ele leva-as para o campo. Cheira a carcaça da abóbora e desvia-a. Pousa lá a gatinha e os bebés, e tapa-os com a carcaça. A gata respira de alívio.
- Abóbora…protege-os! Eu vou chamar os meus donos. – Diz o cão
- Deixa comigo! – Assegura a abóbora
- Encontrei-a na berma do caminho com os bebés.
- Áhhh!
            O cão desata a ladrar, e vai a correr para casa. Ladra sem parar. Os donos ficam preocupados, porque já sabem que quando o cão ladra muito é porque alguma coisa de estranho anda por aí.
- O que foi, bicho? – Pergunta o menino
            O cão ladra, e corre para o campo. Todos o seguem.
- É no campo! – Diz a senhora da casa
- O que haverá lá! – Pergunta o senhor da casa
            O cão só para à beira da abóbora.
- Óh, não acredito…! Corremos tanto, para ele parar aqui. Assustaste-te com a abóbora? Nunca a viste aí? Já te tínhamos dito que íamos pôr aqui uma abóbora.
            O cão toca na abóbora com a pata. A abóbora desvia-se e a gata e os bebés ficam à mostra.
- Gatinhos? – Perguntam todos em coro, surpresos
- Óhhh…tão pequeninos! – Diz a senhora, deliciada
- Nasceram há pouco…-Diz o senhor
- Coitadinhos… - Dizem todos
- Vamos dar-lhes de comer e de beber. – Diz a senhora
- Eu fico aqui. – Diz o senhor
            A mãe e os filhos vão buscar alimentos e bebida para a gata e para os gatinhos. Eles comem e bebem consolados. A senhora trouxe também um cobertor, que era dos filhos, e põe-no por baixo deles. Eles instalam-se confortavelmente e felizes. Esfregam-se e enroscam-se. A senhora cobre-os, e deixa lá comida e bebida para eles, fazem-lhes carinhos.
- Mas que rica surpresa! Uma abóbora que devia ser para assustar os pássaros, tinha lá debaixo uns seres tão fofinhos… - Comenta o senhor
- Quem é que os terá posto aqui? – Pergunta a senhora
            O cão ladra.
- Parece que foi ele… - Diz a menina
            O cão ladra outra vez, a confirmar. Todos riem.
- Que querido! – Dizem em coro
- Vamos ficar com eles, não vamos? – Pergunta o menino
- Sim! – Responde o casal
            Os meninos saltitam de alegria, e tomam muito bem conta deles. A gata e os filhotes conseguiram uma nova casa, ficaram protegidos e quentes, e receberam muitos mimos dos novos donos. Além disso, ganharam um amigo para sempre…o cão que os salvou.
                                                           FIM
                                                           Lálá

                                               (4/Fevereiro/2015) 

A JOANINHA E A FADA DAS FLORES


        Era uma vez uma joaninha muito bondosa, simpática, que até dava luz. Vivia com a família, numa casinha em forma de flor. Uma noite, a Fada das Flores acompanhou o João Pestana na sua distribuição de soninho e de sonhos. Gostou muito da casa da joaninha, talvez por ser em forma de flor.
        O João Pestana já a conhecia e sabia que ela era muito boa! E toda a sua família também. Então, a fada meteu no saquinho dela, umas sementes, e deixou um bilhetinho, com as instruções.
        Não eram umas sementes como todas as outras. Eram sementes de amor, que só nasceriam se fossem plantadas por alguém com um coração bom.
        De manhã, a joaninha acordou e plantou as sementinhas por vários sítios, onde ela achava que podiam nascer. Mas não sabia que o João Pestana tinha um amigo, que era muito traiçoeiro! Ele achava que podia confiar nele, como também não tinha maldade, pensava que todos eram como ele. Mas não. Esse amigo dele, fazia-se amigo.
Era mandado por uma bruxa malvada, invejosa que detestava tudo o que era bom, e bonito. O João Pestana, com a sua inocência, contou – lhe que a doce e bela fada das flores tinha saído com ele, na noite anterior, e tinha deixado no saquinho para a joaninha, umas sementes de amor, que só podiam ser plantadas por corações bons.
O amigo foi logo a correr contar à bruxa, e é claro, ela não gostou nada. Pôs logo a sua cabeça a funcionar, para o mal. Disfarçou-se de flor, e viu a joaninha a plantar com muito carinho.
Mal a joaninha virou costas, a bruxa preparava-se para destruir as sementes, mas apareceu a fada das flores, para regá-las, por isso, a bruxa ficou quieta. Logo que a fada saiu, a bruxa conseguiu fazer a sua maldade: deitou um pó na terra que atraía toupeiras, e estas comeram as sementes todas.
Passados uns dias, a joaninha não vê nenhuma folhinha, e só vê buracos na terra. Fica muito triste, e chora. A fada das flores vai ter com ela e vê-a muito triste, a joaninha diz-lhe que as sementes desapareceram.
A fada das flores fica desconfiada que foi sua excelência, bruxa. Dá outras sementes à joaninha e as duas plantam-nas. A bruxa destrói também estas sementes. Disfarçada de pássaro, come todas as sementes. Nem assim se torna uma pessoa boa.
Como as folhas nunca mais aparecem, descobrem que foram comidas. A joaninha planta outras sementes, e a bruxa tenta destruir outra vez, mas desta vez não consegue. É apanhada em cheio, pela fada das flores, que a expulsa, e fica a tomar conta das sementes toda a noite.
De manhã, a fada das flores dá instruções às árvores para não deixarem a bruxa aproximar-se das sementes. Elas ficam bem alerta, e cumprem as ordens.
A bruxa faz várias tentativas e maldades para destruir as sementes, mas as árvores não deixam…fazem tudo o que podem para a afastar, mesmo quando ela aparece disfarçada, porque tem um cheiro horrível.
As sementes crescem rápido, e dão flores. Desta vez, a bruxa consegue roubá-las, porque intoxica as árvores sem elas darem por isso. No dia seguinte, elas parecem muito mais velhas e com má cor.
A fada das flores percebe logo. Com uma dança que faz, perfuma tudo, e as árvores ficam como novas. Elas pedem desculpa. A fada sopra e as flores renascem.
A joaninha fica muito feliz, e a fada das flores também. As flores que a bruxa tinha roubado, murcharam rapidamente pela sua maldade. A joaninha volta a plantar e para não serem roubadas outra vez, nem esmagadas, a fada das flores, juntamente com a joaninha fazem uma cerca cheia de flores de pé alto, cada qual a mais bonita. Estão agora muito bem protegidas.
Das flores e das sementes sai um cheirinho tão bom que a bruxa detesta, por isso foge, aos gritos e nunca mais volta a chatear a joaninha que era tão boa.
O João Pestana também descobriu que aquele que pensava ser seu amigo, e a quem ele contava as coisas boas que lhe aconteciam, afinal não era de confiança. Era mandado pela malvada bruxa, por isso, afastou-se dele.
A joaninha e a fada das flores fazem uma enorme festa, cheia de flores, com muita alegria, muita cor, e onde todos os habitantes da floresta participam vestidas com flores, e de flores.
A joaninha tinha muito orgulho em si mesma, por ter um coração bom como a fada das flores.

FIM
Lálá
(4/Fevereiro/2015)


PELA FECHADURA

                                                                    foto de Lara Rocha 


            Era uma vez uma princesa gatinha que foi montada num belo unicórnio, passear pelo seu enorme jardim à volta do castelo. A princesa gata adorava o seu jardim…e já o conhecia bem, pelo menos, ela achava que sim. Mesmo assim, não o conhecia tão bem, porque a cada passeio, descobria coisas novas. Talvez tudo já estivesse sempre lá, e ela não reparou. Começava a achar que o seu jardim, era mágico.
Desta vez, o unicórnio viu algo a brilhar no chão, e parou.
- Porque paraste, amigo?
- Está ali algo a brilhar.
Ela desce e os dois vão mais perto. Olham atentamente.
- É uma chave! – Diz a princesa
- Pois é! – Confirma o unicórnio
- É do castelo?
- Não sei.
O unicórnio cheira a chave.
- Não conheço este cheiro.
- Engraçado…também não me parece de nenhuma porta do castelo! Acho que também não é dos seguranças.
- Realmente…não os vi por aqui.
Ela pega na chave, e o unicórnio vê um buraco de onde sai uma luz, numa árvore.
- Olha princesa…vem uma luz daqui!
- Áhhh…do tronco?
- É!
Ela olha para a chave atentamente.
- Acho que é deste tronco! – Diz o unicórnio
- E agora? O que fazemos? Bato á porta? Este tronco deve ser uma porta, que vai dar a qualquer lado, não?
Os dois espreitam.
- Acho que vive aqui alguém! – Diz a princesa
- Bate à porta! Alguém que viva aí, pode ter deixado cair a chave! – Sugere o Unicórnio
- Sim!
A princesa bate à porta, no tronco. Abre-se a porta, e sai de lá uma bela fada.
- Olá princesa!
A princesa sorri
- Que linda! Como é que sabes o meu nome? Conheces-me?
- Conheço! A ti e a toda a tua família.
- A minha mãe também?
- Eu disse…toda a família…e claro…a tua mãe, a tua avó…todos estão incluídos.
- Eu não te conheço!
- Sempre vivi aqui. Nunca te falaram de mim?
- Não!
- Este era o cantinho secreto da tua mãe…um reinado de sonho que ela construiu!
- A sério?
- Sim!
- Áh! Encontrei esta chave aqui no chão. É tua?
- Sim! Mas é para ti! Poderás vir aqui sempre que quiseres. É só meteres a chave!
- Áh! E o que tem aí?
- Tem muitas coisas. Entra…fica à vontade.
A gatinha abre a porta, e vê uma linda floresta. Logo á entrada tem um arco cheio de flores penduradas, com borboletas que voam felizes, e pousam de flor em flor.
A temperatura é muito agradável. Depois do arco, há sol, e dois caminhos: um com areia, outro com erva.
- Por qual vou? – Pergunta ela
- Eu vou por este, e tu podes ir por aquele…depois trocamos. – Sugere o unicórnio
- Está bem. Até já…
- Até já.
O unicórnio vai pelo caminho da erva, e a princesa gata, pelo caminho de areia. O unicórnio e a princesa vão muito atentos…tudo é encantador.
O Unicórnio conhece outros da sua raça, lindos, simpáticos, de várias cores, que o recebem como um elemento da família, convidam-no a entrar nas casas, conversam com ele, oferecem-lhe comida e bebida.
Mostram-lhe cantinhos de jardim, com lagos e grutas pequeninas, com quedas de água, luzes e cascatinhas, ribeirinhos e riachos com pedras de todas as formas, cores e tamanhos, peixes muito coloridos e saltitantes, aves raras, e outros animais.
E os campos por onde o levam são enormes, frescos, com fontes de água fresca. Ele diverte-se muito e vê sítios que nunca imaginou, fez grandes amigos.
A princesa gata, anda pela areia e vai ter a uma bela e pequena praia. Pelo caminho encontra-se com fadas brincalhonas e simpáticas que lhe mostram o que sabem fazer. Cada uma faz coisas diferentes, mas todas tão bem, com tanto carinho, e dedicação que tudo fica ainda mais bonito e mimoso. Ela aplaude.
Um coelho músico, toca para ela, belas músicas, com instrumentos musicais que ela não conhecia, e faziam sons deliciosos. Ela aplaude.
Cruza-se com gatinhos, coelhinhos, passarinhos, esquilos, flores falantes, casas feitas de todos os materiais. Por cima dela, um bando de gaivotas guincha forte e voa em direcção ao mar.
Há cheiro a maresia, cada vez mais próximo. Põe os pés na areia, e está quentinha, é macia e branca, muito limpa. O mar quase não tem ondas, e é transparente, com algas a boiar.
- Que lindo! – Exclama ela
Ela não resiste! Molha as patas, e como a água está quente, mergulha e toma uma bela banhoca. Umas belas sereias vão ter com ela, apresentam-se, oferecem-lhe pequenas maravilhas do mar, como conchas e búzios, pérolas e corais, guardados em conchas.
Ela brinca e mergulha com as sereias, e golfinhos, os caranguejos fazem castanholas, com as tenazes, e os cavalos-marinhos vem á superfície com as estrelas-do-mar.
Tanta coisa bonita…tantas descobertas. A praia tem um espaço de floresta. A princesa gatinha agradece e vai por esse caminho, onde vê tartarugas e cogumelos, macacos, lobos, pavões, todos amigos, e unicórnios a correr.
O seu unicórnio passa por ela a correr:
- Óh…princesa…vou a outro sítio.
- Áh! Vais à praia onde estive!
- Praia?
- Sim!
- Sim, vamos à praia…até já!
E os unicórnios vão para a praia. A princesa vai à floresta onde esteve o unicórnio, e vê tudo o que ele tinha visto…mas mais uma coisa: uma gruta com umas cortinas, feitas de cristais. De lá de dentro soa uma voz.
- Entra! Este espaço é teu!
A princesa gatinha entra muito surpresa.
- Ááááhhh…não tem nada! – Diz a gatinha
- Este espaço é teu…tu é que vais preenchê-lo com tudo o que tu quiseres!
- Mas onde vou buscar as coisas?
- Onde quiseres.
A gatinha fica pensativa. Pousa lá as coisas que lhe ofereceram, e sai para procurar o resto. Num instante, encontra uma série de troncos cortados, e constrói: mesas, bancos, pede ajuda e muitos dos animais oferecem-lhe coisas de que já não precisam, mas ela precisa. Todos a ajudam a montar uma bela casinha. Está um mimo.
De repente, ouve a voz da mãe a chamá-la. Ela assusta-se, procura o seu unicórnio, e os dois saem do tronco.
- Onde estavam? – Pergunta a gata mãe
- Ali, no tronco… - Responde a princesa gata
- Áh! Eu quando era da tua idade também fui muitas vezes para esse tronco.
- Foste?
- Fui. Era o meu refúgio, o lugar onde eu podia ser rainha, e onde tudo era meu. Passava lá tardes, e às vezes noite.
- E o que viste lá?
A princesa conta todos os pormenores. A gata mãe ri-se:
- Isso foi tudo o que pus lá!
- A sério?
- Sim.
- Eu também pus lá mais coisas.
As duas conversam e riem. A princesa gostou tanto daquele sítio que quando desaparecia, a sua mãe já sabia onde estava, e deixava-a estar.
Uma tarde, a princesa leva a mãe a visitar o tronco, e a mãe reencontra todas as fadas, todos os animais, tudo o que tinha deixado lá. Ainda se lembram dela, e trocam muitos carinhos, preparam uma bela festa, com biscoitos e tudo o que ela gostava.
Foi uma tarde muito feliz, e sempre que tinha saudades, voltava a esse espaço da sua infância…uma infância tão feliz.

E vocês? Se conseguissem entrar num tronco de uma árvore….o que encontrariam? Escrevam ou desenhem se quiserem.

FIM
Lálá
(4/Fevereiro/2014)

A ABELHINHA, A JOANINHA E O DOUTOR

 

   Era uma vez uma joaninha que foi passear num dia bastante quente, cheio de sol. 
 Pelo caminho dançou sozinha, cantarolou, apanhou e comeu frutas deliciosas, bebeu em fontes e refrescou-se numa cascatinha.
   Por causa do calor, a joaninha ficou muito molenga, e deitou-se à sombra de uma grande flor, em cima de uma almofada de relva fofa.
      Estava ela muito confortável, quase a dormir, quando, pousou uma abelhinha em cima da flor. 
   A abelhinha não reparou na joaninha que estava por baixo, e sacudiu pólen das pétalas, ao colhê-lo para si.
    O pólen caiu sobre a joaninha. A joaninha não viu o pólen a cair porque estava de olhos fechados. 
     Mas sentiu! Desata aos espirros, abre os olhos, sobressaltada e tosse, coça-se…que sinfonia! Pobre joaninha.
        A abelhinha assusta-se e olha para baixo.
- Ai…! – Geme a joaninha
- Óhhh… - Diz a abelhinha – Desculpa! Não vi que estavas aí…! Estás muito constipada!
- Eu não estava doente! Quando cheguei estava bem…deitei-me aqui debaixo, e acordo assim.
- Acho que caiu pólen sobre ti…se calhar és alérgica ao pólen das flores!
- Não sei o que é isso! Só sei que a…atchim…cof…cof…! Que comichão!
- O pólen é aquilo que existe no meio das flores…nós, abelhas adoramos. E aqueles de duas pernas também o usam para muita coisa.
- Quem são esses?
- Aqueles…estranhos, que dizem que somos más…nós às vezes picamo-los porque eles são maus connosco.
- Áh! Aqueles que destroem e poluem…
- Sim! Também os conheces!
- Quem não conhece essa raça!
- Pois é! Não conhecemos grande coisa…
      As duas riem. A joaninha continua a espirrar e a tossir.
- O que é que eu posso fazer por ti? Estou preocupada.
- Ah…não sei. Acho que nada!
        Passa um grilo com a sua mala de veterinário.
- Doutor…ainda bem que aparece! – Diz a joaninha
- Olá Dr. – Diz a abelhinha
- Olá! Posso ajudar-vos?
- Acho que sim! Olhe como eu estou, Dr. Estou farta de espirrar, tossir, coçar-me…
- Huummm…estou a ver! Isso é alergia.
- Será que foi do pólen? – Pergunta a abelhinha – Ela estava aqui deitada, eu não a vi! Vim buscar o pólen e ela ficou assim.
- Áh! Pólen…claro! Com certeza és alérgica. Mas anda comigo! Vou dar-te uns medicamente e isso vai passar rápido. – Diz o veterinário   
- Nunca me aconteceu isto antes! Andei sempre de volta de flores, apanho-as, até faço fios e coroas e nunca fiquei assim… sempre tive boa saúde! - Diz a joaninha
- Eu também! – Diz a abelhinha - Posso ir também?
- Sim, claro. – Diz o veterinário
- Dr.…acho que fui eu que lhe provoquei alergia! – Diz a abelhinha
- Claro que não foste tu. Foi o pólen da flor…há muita gente agora que sofre de alergias – Explica o veterinário
- Muita gente? – Perguntam as duas
- Sim. Gente, plantas, animais, águas….tudo está doente. A terra toda. – Diz o veterinário
- Que horror! – Dizem as duas
- Mas como é que sabe disso? – Pergunta a abelhinha
- Eu trato todos os dias, tudo o que é ser, menos os humanos…aqueles que tem pernas não trato… Estudo todos os dias, e todos os dias vê-se a poluição! Agora…nada está como antes. Nada escapa à maldade do homem! Tudo paga pelos seus erros, mesmo os que amam e tratam da natureza. -  Diz o DR.  
- Áh! – Exclamam as duas
- Mas isso não está certo! – Exclama a abelhinha zangada
- Pois não! Mas é assim que as coisas funcionam! – Explica o Dr.
- Humanos…claro! Só podia ser. É por isso que não gostamos deles! Apetece-me furá-los todos! – Diz a abelhinha
- (O Dr. Ri-se) – Tens razão! Tu vais muito para a cidade, não vais joaninha?
- Sim!
- Pois. É por isso que estás mais fragilizada, e apanhas mais facilmente doenças como alergias! Infelizmente o ar da cidade está muito tóxico, poluído! – Explica o veterinário
- Perigoso! – Diz a abelhinha
- Isso mesmo! – Diz o veterinário
        Chegam ao consultório.
- Dr. Eu não tenho dinheiro para a consulta! – Diz a joaninha envergonhada
- Mas quem disse que vais ter de pagar? – Pergunta o veterinário
- É uma consulta!
- Mas não pagas.
- Ai…que vergonha.
       O Dr. ausculta a joaninha, ela tosse e espirra, e tem pingo no nariz, coça-se. O Dr. Receita-lhe umas pomadas e uns comprimidos para as alergias.
- Muito obrigada, Dr. – Diz a joaninha
- De nada! As melhoras, e se precisares, volta cá!
- Está bem. Obrigada.
- Até eu agradeço, Dr. – Diz a abelhinha
- Estarei sempre aqui! – Diz o Dr.
        A abelhinha vai com a joaninha. Ela aplica na hora, e toma os comprimidos. A abelhinha faz-lhe um chá que o Dr. Indicou. As duas não se conheciam antes, mas conversam alegremente e tornam-se grandes amigas.
        Nos dias seguintes, a abelhinha vai todos os dias ver a joaninha e conversar com ela, ela está melhor, mas ainda constipada. Uns dias depois, a joaninha já está boa, mas a abelhinha ficou doente, e não foi ter com a sua amiga. Estranhando a sua ausência, foi a casa dela.
     A mãe da abelhinha disse-lhe que ela também estava doente, com alergias, tal como esteve a joaninha. A joaninha chama o Dr. E a abelhinha é medicada.
        As duas passam as tardes juntas, divertidas e quando ficam boas volta a passear pelos campos e a brincar. 
        Tudo se resolveu, mas elas perceberam que a poluição tinha mesmo aumentado muito, e que faz muito mal à saúde humana, animal e vegetal.
        Protejam a Terra, para que não vos aconteça o mesmo.

                                     FIM
                                     Lálá

                            (4/Fevereiro/2015) 

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

GATINHA E COMPANHIA

            
Era uma vez uma gatinha ainda jovem que se chamava ESTRELA. Saiu de casa bem cedo, e foi passear. Vivia sozinha num tronco de uma árvore, na mesma floresta que os seus pais, uns troncos mais à frente. Antes de sair, passou na casa dos pais e disse-lhes que ia estar todo o dia fora, porque ia dar um passeio.
            Seguiu pela floresta, a cantarolar, e na fonte amarela estava uma amiga sua, outra gatinha, que se chamava MIZA e era uma excelente cozinheira. Estava a encher uma garrafa de água. As duas cumprimentaram-se:
- Olá MIZA! Queres ajuda?
- Olá ESTRELA, não obrigada. Estou a encher água para os meus cozinhados. Mas já tenho mais água lá.
- Áh! Está bem. Eu vou passear.
- Fazes muito bem. Aproveita porque não falta muito para vir a chuva!
- A sério?
- Sim. Ouvi a Dona Mariana a dizer.
- Bem, então se foi a Dona Mariana a dizer, acredito!
- Pois.
- E quando é que ela se queixou?
- Já ontem se queixou!
- Áh…então vem já amanhã.
- Sim, é o mais certo.
- Até logo, então!
- Até logo. Bom passeio.
- Obrigada.
            A ESTRELA segue o seu passeio, e a MIZA vai para o seu restaurante. A gata Mariana é uma gata velhinha que sente nas suas patas as mudanças de tempo. Quando lhe doem, já todos ficam a saber que vai haver chuva ou frio. E nunca falha, é mais certo do que um boletim meteorológico.
Nem de propósito, quando a ESTRELA passa, estava a gata Mariana estava ao sol, com a cabeça coberta, a gemer um pouco.
- Bom Dia, Dona Mariana.
- Bom Dia, filha. Estás boa?
- Sim, obrigada, e a Dona Mariana?
- Ai, eu estou cheia de dores nas minhas patas. É por isso que estou a apanhar sol, porque faz-me muito bem.
- Alivia as dores?
- Sim, bastante. Mas prepara-te, porque vem aí uma mudança daquelas que está capaz de nos levar pelos ares.
- Ui…vento?
- Vento, frio e chuva. E olha que pela minha experiência de vida, que já é muita, será já amanhã.
- Que medo! Então vou mesmo aproveitar hoje.
- Isso mesmo. E queres um conselho? Não te afastes muito, porque vai piorar ainda hoje.
- Onde ouviu isso?
- Os meus ossos disseram-me.
- Áh! Realmente, já está mais fresco…
- Está. Vai, filha, não percas mais tempo.
- Não precisa de nada?
- Não, muito obrigada.
- Até logo, então.
- Até logo.
            A gata Mariana fica a apanhar sol, e a gata ESTRELA segue caminho, pensativa.
- Está um sol tão bom, que até custa a acreditar que vai piorar.
            Encontra três gatinhas: a DÁRA, a CLARA e a LUA. Amigas desde a infância. Abraçam-se alegremente, e vão passear as quatro juntas. Pelo caminho apanham flores, conversam, riem, brincam, e nem se apercebem que está uma armadilha montada no chão. Tem um buraco não muito fundo, tapado com folhas. Lá dentro está um lobo.
            Elas caem ao buraco, a gritar, e gritam ainda mais quando vêem o lobo. O lobo grita com elas, porque também se assustou. Elas pensaram que o lobo lhes ia fazer mal. Mas estavam enganadas.
            Depois do primeiro susto, o lobo pergunta:
- Estão bem? Magoaram-se?
            Elas ficam muito surpresas com aquela pergunta.
- Vais-nos comer? – Pergunta a gata Clara
- Óh não! – Dizem todas.
- Não! – Diz o lobo.
- É por isso que estás a fazer-te de preocupado? – Pergunta a gata Dára
- Não! Calma…peço desculpa. – Diz o lobo
- Ãh? – Exclamam todas
- Um lobo a pedir desculpa…? – Pergunta a gata Lua
- Muito estranho! – Diz a gata Estrela
- Posso explicar, por favor? – Pede o lobo
- Foste que fizeste esta armadilha? – Pergunta a gata Dára
- Para nos caçares? – Acrescenta a gata Lua
- Não! Não é uma armadilha, muito menos para vos caçar. – Garante o lobo
- Não? – Perguntam todas
- Não. Eu é que tive de me esconder aqui, de um maldito cão. – Disse o lobo
- O quê? – Perguntam todas
- Sim! Isso mesmo. Eu estava muito sossegado, a dar o meu passeio, e esse cão, deve ter pensado que eu ia comer as ovelhas, começou a correr atrás de mim, a ladrar, e a mostrar os dentes…que medo! Comecei a correr, e vi este buraco aqui, que já é desviado do campo, para me esconder daquele cão maluco. Pus as folhas por cima. Ia sair daqui a bocado, mas fiquei cansado do medo. Eu ai ser comido! – Conta o lobo
- Ááááááhhhh…!
- Mas dizem que os lobos é que comem outros animais. – Diz a Lua
- Sim, isso é fantasia dos homens. Quer dizer…pode haver alguns da minha espécie, que com a fome, não tendo mais nada atacam…mas a maior parte, agora, já não tem de fazer isso. Felizmente! Eu…sempre tive que comer, nunca precisei de atacar…só para me defender. E mesmo assim, antes de atacar, tento conversar. Quando vêem um lobo, acham logo que é mau. Os lobos também têm medo de outros animais, principalmente daquele de duas patas. – Explica o lobo
- Duas patas? – Perguntam as gatinhas
- Sim…o homem! – Diz o lobo
- Áh! – Respondem em coro
- Então és um lobo bom. – Diz a Lua
- Sim. – Garante o lobo
- Será que podemos confiar nessa tua bondade? – Pergunta a Clara
- Podem. Não acreditem em tudo o que vos dizem, principalmente sobre nós. – Garante o lobo
- Podes ajudar-nos a sair daqui? – Pede a Estrela
- Claro que sim. Subam para as minhas costas. – Diz o lobo
            Elas sobem para as costas do lobo, e ele sai do buraco com elas, num salto. Já em terra firme, fora do buraco, respiram todos de alívio.
- Obrigada! – Sorriem as gatinhas
- De nada…foi um gosto. – Diz o lobo
- E agora, vais embora? – Pergunta a Dára
- Sim. Vou para casa. – Diz o lobo
- Queres fazer-nos companhia? – Pergunta a Estrela
- Por onde vão? – Pergunta o lobo
- Por aqui…sem nenhum sítio específico. – Diz Estrela
- Está bem. Posso levar-vos a sítios fantásticos que tenho a certeza que não conhecem. – Sugere o lobo
            E o lobo acompanha as gatinhas, numa conversa muito animada. Afinal este lobo é mesmo bom, simpático, e brincalhão. Elas riem muito e brincam com ele. Ele leva-as a cantinhos da floresta que as gatinhas nem faziam ideia que existiam.
Passam por cascatas entre rochas, campos muito verdes cheios de cavalos a correr livremente, pequenas praias selvagens de areias brancas, e águas muito limpas, cheias de pássaros raros, coloridos.
Provam algumas frutas que cheiram bem e sabem ainda melhor, e elas nem sabiam que existiam, almoçam juntos num restaurante de sonho que o lobo conhecia muito bem, e comem maravilhosamente.
De tarde, visitam umas grutas com candeeiros feitos de estalactites brilhantes, e luzes de várias cores, lagos com cristais e pedras preciosas, e uma feira com divertimentos para gatos.
Na feira, elas experimentam todos os brinquedos, e jogos, felizes, riem, e fazem novas amizades com novos gatos e gatas. Trocam contactos uns com os outros, e prometeram voltar a encontrar-se em breve, porque adoraram conhecer-se e brincar juntos.
Quando saem, de repente, olham para o céu, e reparam que está cheio de nuvens carregadas, escuras.
- Ááááááhhhh… - Exclamam todos surpresos
- Olha que escuro que está! – Repara o lobo
- Ainda de manhã estava sol… - Diz a Lua
- Pois estava. Mas a Dona Mariana bem tinha dito que ia haver uma mudança daquelas de nos levar pelo ar… - Lembra a Estrela
- A sério? – Perguntam todas
- Sim.
- Acho melhor voltarmos para casa…não? – Sugere o lobo  
- Claro que sim.
- Óh…eu estava a gostar tanto de estar aqui… - Diz Lua
- Eu também! – Acrescentam todas
            E voltam para casa, com o lobo. Afinal não se desviaram muito, só que nunca tinham andado por aqueles lados. Conversam alegremente, e riem bastante.
            Mas que sorte…quando elas iam quase a chegar a casa, começam a cair as primeiras pingas. O lobo fica com o contacto delas, para se encontrarem outra vez, e segue para a sua toca, e as gatinhas para as suas casas.
Desata a chover torrencialmente, com um forte vento. Felizmente estão todos recolhidos. A gata estrela liga aos pais, para ficarem descansados que já está em casa, e que passou um dia fantástico, conheceu novos amigos, e viu sítios mais que bonitos…prometeu levá-los lá quando estivesse bom tempo.  
            Este foi o passeio da gatinha Estrela, das suas amigas, e do lobo bom.

FIM
Lálá
(30/Janeiro/2015)