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domingo, 20 de dezembro de 2020

O chapéu da fonte ao lago


      Era uma vez uma menina que se chamava Rubi, pelo seu cabelo ruivo. Um dia de Verão foi passear com a sua amiga Mara, e o seu cão, pela montanha. 

      As duas seguiam muito animadas, tão distraídas a cantarolar, felizes, que nem se aperceberam da falta do chapéu da Rubi. 

        Só quando o cão, que também ía distraído, parou a olhar para elas, é que olharam uma para a outra. 

- Porque é que ele parou a olhar para nós? - pergunta Rubi 

- Não sei. Será que ele está a querer dizer-nos alguma coisa? - pergunta Mara 

        O cão ladra. As duas estremecem e olham-se: 

- Espera aí...acho que te falta qualquer coisa! 

- O quê? 

     O cão ladra outra vez. 

- O teu chapéu? - pergunta Mara 

- Chapéu? Está...na minha cabeça! 

- Não está não! 

- Como não está? Claro que está! Eu sei que o... (põe a mão na cabeça) ahhhhh...eu trouxe-o. 

- Mas não está na tua cabeça! 

- Pois não! 

- Acho que o perdeste...

        Elas veem qualquer coisa a voar, mais longe de onde estão. O cão ladra e desata a correr. 

- É o meu chapéu! - grita Rubi 

- Apanha-o, manchinhas...- grita Mara para o cão 

         Mas nada feito. Mesmo depois de muito correrem, o chapéu vai mais rápido que elas.

O chapéu e os malandrecos dos pequeninos passarinhos que tiraram o chapéu da cabeça da menina,

mandados por um grupo de anões levezinhos, malendrecos, mas com bom coração.

Usaram o chapéu tirado da menina pelos passarinhos, para chegar mais rápido a um lugar

onde tinha acabado de nascer um bebé nas suas famílias.

Claro que não deviam ter feito isso, mas chegaram e pousaram o chapéu, no tronco da árvore em frente à

casinha. Entraram para ver o novo ser.

           O vento ajudou-os, mas depois ficou envergonhado e triste.

Sentiu-se arrependido, quando se lembrou que o chapéu tinha sido roubado à menina.

Decidiu devolver o chapéu, ainda mais porque viu que a Rubi corria de um lado para o outro, à procura dele.

Como estava envergonhado, soprou o chapéu para uma fonte, para a menina o ver,

e ele ficou no mesmo sítio.

           Os três, veem o chapéu na fonte, e tentam agarrá-lo. O cão saltou para a fonte, e trouxe-o, todo encharcado.

Ficaram contentes, mas a Rubi também ficou triste por não poder pôr o chapéu na cabeça.

Decidiram pô-lo a secar, pousado na berma do lago, onde dava sol.

Estenderam-se, para descansar e apanhar sol, mas acabaram por adormecer.

            Os malandrecos dos anõezinhos levezinhos, saem passado um bom bocado, e procuram o chapéu.

O vento queria mostrar à menina quem roubou o chapéu, e os anões tinham que pedir desculpa.

Soprou o chapéu para a água do lago, os anões correm numa grande gritaria, acordam as meninas e o cão desata a ladrar.

As meninas gritam:

- O que foi?

- O chapéu está na água outra vez! - repara Mara

- Óh, não! - Diz Rubi desolada

- Adormecemos e ele voou. E agora? - pergunta Mara

- Quem são estes? - perguntam as duas

            Os anões ficam muito nervosos, gritam e saltitam.

Eles não podem ir buscar o chapéu, mas dizem à menina que o chapéu é deles.

- Não, não! O chapéu é meu!

- Vocês roubaram o chapéu dela? - pergunta Mara

- O chapéu não é dela! Nós fomos nele ver um bebé de família. - explica um anão

- Mas o chapéu é meu, e não é para transportar anões ladrões! - resmunga a Rubi

- Nós não roubamos nada! - defende o outro anão

- É claro que roubaram!

- Que coisa mais feia. Ele estava na minha cabeça, não estava em qualquer outro sítio. - justifica Rubi

- Pois, e ela nem sentiu que o tiraram. - acrescenta Mara

- Isso foram os passarinhos que o tiraram, não fomos nós. - diz outro anão

- Os passarinhos, claro...! E vocês acham que nós acreditamos nessa... - diz Rubi irónica

               Os passarinhos que já se preparavam para pegar outra vez no chapéu, pararam e ficaram a ouvir.

Ficaram irritados, e começam numa grande chilreada.

O cão também fica nervoso, ladra e rosna, tentando apanhar os passarinhos.

- Ladrões! - gritam as duas

- O chapéu apareceu na fonte, e agora está aqui no lago. - relembra Mara

- Voou! Não fomos nós. - reforçam os anões

- Foram eles. - Acusa outro anão

            Os passarinhos ficam irritados e tentam puxar os cabelos aos anões por os estarem a acusar.

Os anões sacodem-nos, o cão ladra, e salta.

- Parem quietos...! - grita Rubi

- Se os passarinhos ajudaram também são ladrões. - diz Mara

- Não chegavam estes, ainda tinham que vir reforços... atrevidos! - ralha Rubi

- Estão todos metidos...não têm vergonha? - ralha Mara

            Os anões ficam em silêncio e envergonhados, como os passarinhos.

- Gostavam que nós vos tirássemos os carapuços, as calças, os sapatos ou as camisolas?

E que disséssemos que não fomos nós? Ou se depenássemos os passarinhos?

- Não! - respondem os anões, e os passarinhos abanam-se.

- Vão ali buscar o chapéu, e devolvam-me. - grita Rubi

- Não podemos ir. - dizem os anões

- Porquê? - pergunta Mara

- Porque não sabemos nadar! - explicam os anões

- Não sabem nadar...? Que espertinhos! Estão a ver se nos enganam. Arranjem-se.

- Óh! Estamos a dizer a verdade. - diz outro anão

- Isso é desculpa vossa. - dizem as meninas

            O vento sorri e dá uma ajudinha, quando o cão se preparava para levantar e ir buscar o chapéu.

O vento pousa o chapéu na berma.

- Áh! Veio sozinho? - pergunta Rubi muito surpresa

- Não. Foi o vento que nos trouxe, que o soprou, porque não sabemos nadar. - diz um anão

- E o lago pode ser perigoso para vocês! - explica outro anão

- Áh! Então o vento também estava feito convosco! - constata Rubi

- Foi só para nos ajudar. Desculpa! - diz um anão envergonhado

- É! Desculpem, não devíamos ter tirado o teu chapéu! - diz outro anão arrependido

- É! Não! Estávamos tão felizes que queríamos chegar mais rápido.

- Mas isso não é justificação...pois...nós...não roubamos, mas...roubamos! - reconhece outro

- Desculpem! - dizem os anões

- Está bem...eu já percebi que não fizeram por mal! - diz a Rubi

- Não! - respondem os anões

- O que podemos fazer para vos compensar? - pergunta um anão ´

- Que tal se formos lanchar convosco, enquanto o chapéu seca? - sugere outro anão

- Olha! Boa! Enquanto lanchamos, conversamos e secamos o chapéu no nosso secador de roupa.

Aceitam? - sugere ainda outro

                As duas meninas olham-se, sorriem:

- Aceitamos!

- Vocês moram longe daqui? - pergunta Rubi

- Não!

- Tu já passaste à porta da nossa casa, onde te roubamos o chapéu.

- Áh! Nós íamos tão distraídas que nem sentimos que tiraram o chapéu!

Mas o mais importante é que vocês perceberam que fizeram mal.

O que fizeram não se faz, mas devolveram o chapéu! - Diz a menina

- Nós... não sabíamos o que é isso de...roubar. - diz um anão

- Roubar, é ficar com coisas que não são nossas, que tiramos de outras pessoas sem elas deixarem, ou sem saberem.

São as coisas que levamos sem nos oferecerem, e sem deixarem que levemos.

- Áh! Já percebi. - diz o outro

- Então nós roubamos mesmo. - diz outro anão

- Sim, roubaram, mas já devolveram! - relembra Mara com um sorriso

- Vocês não ficam zangadas connosco? - pergunta um anão

- Não! - dizem as duas

- Há bocado ficamos muito zangadas, mas o chapéu apareceu, e já não estamos zangadas. - confirma Rubi

- Boa! Então vamos à nossa casa. Passarinhos, venham também.

- Afinal fomos maus convosco, por isso temos de vos recompensar. - diz outro

            Os passarinhos cantam docemente, muito surpresos com o que acabaram de ouvir.

Todos se levantam, e os anões conversam pelo caminho.

Mostram às meninas coisas que elas nunca tinham visto, nem nessa tarde, porque andavam à procura do chapéu.

O cão acompanha-os, cheira tudo, ladra, corre, salta.

As meninas dançam, cantam com os anões, riem, oferecem flores, colhem alguns frutos preferidos delas.

Chegam à sua casa.

- Áh! Pois já tínhamos passado aqui, já! - lembra Mara

- Sim, claro! Olha a nossa casa. - aponta Rubi

- Vê-se daqui? - perguntam os anões

- Sim! Ali. - dizem as duas

- Áh. Que casas tão grandes! - comenta um anão

- São mesmo. - respondem as duas

            Outro anão assovia, os vizinhos aparecem com as suas famílias, muito simpáticos.

- Amigos, apresento-vos duas amigas novas, mais um cão... - diz um anão

            O cão ladra. As meninas sorriem:

- Olá! - respondem as duas

- Olá! - respondem todos e todas

- Vamos fazer um lanche...venham. - diz o anão dono da casa

- Entrem, meninas... fiquem à vontade. Vou pôr o chapéu a secar, e já volto.

- Muito obrigada. - dizem as duas

            As meninas instalam-se, visitam a casa toda, conversam animadas com os anões.

Ficam encantadas com a decoração da casinha.

Alguns anões preparam um lanche delicioso, com a ajuda das esposas.

Provam coisas novas, muito boas, outras que já conheciam.

Bebem chás perfumados que nem faziam ideia que existiam.

Enquanto conversam alegremente uns com os outros, riem e brincam, o chapéu seca.

Depois da tarde bem passada, cheia de novos amigos, as meninas têm de regressar a casa,

com a promessa de voltarem a encontrar-se em breve, trocas de abraços, beijinhos e sorrisos.

O vento está orgulhoso e feliz da ajuda que deu.

Principalmente porque os anões aprenderam uma coisa nova,

reconheceram que a sua traquinice é uma asneira e não se faz,

mesmo não sendo com maldade, porque não sabiam.

       Foi bom, eles terem devolvido o chapéu à menina. e pedirem desculpa. É assim que se faz! Podemos partilhar e ficar com o que nos emprestarem, mas devolvemos. 

        Ou então, se nos derem, mas não devemos ficar com o que não é nosso, porque isso, é roubar. Roubar deixa as pessoas tristes porque ficam sem as coisas. E quem rouba, pode ficar sem amigos. 

                                                                                    FIM 

                                                                                Lara Rocha 

                                                                            19/Dezembro/2020 


domingo, 7 de junho de 2015

O susto dos póneis


















foto de Lara Rocha 

Era uma vez um grupo de póneis todos familiares. Um de pêlo preto e castanho, outro de pêlo cor-de-rosa, dois de pêlo azul e outro de pêlo branco. Estavam com vontade de passear e de ver o nascer do sol, nunca tinham visto, e queriam ver outros sítios por onde já tinham passado a caminho do sítio onde viviam, mas sempre a correr. Nunca tinham apreciado de verdade a paisagem.
Não sabiam o que iam encontrar, apenas tinham a certeza que ia ser muito diferente do que viam todos os dias, porque é sempre assim que acontece! Quando passamos com pressa por um sítio ou vários sítios, quase nunca vemos realmente nada desse sítio…só o conhecemos mesmo se formos sem pressa, para passear e com vontade de descobrir as magias que cada sítio pode oferecer.
Os seus pais deram autorização aos póneis para saírem, levantaram-se à mesma hora que eles para os ver sair, e encheram-nos de recomendações, atenções e cuidados que deviam ter.
Apesar de estarem um bocadinho preocupados por serem pais, e como todos os pais, sabiam que aquele passeio ia ser muito bom para eles e que iam adorar…já tinham feito o mesmo com a idade dos filhos e tinha sido fantástico, inesquecível.
Os pequenos estão em pulgas…e depois de ouvirem todos os conselhos dos pais, começam o passeio. Os pais pedem aos ponianjos dos seus filhos para os protegerem, com a certeza de que estão mesmo bem guardados e nada lhes acontecerá.
Começam a cavalgar devagar e olham para o céu, onde se começa a ver alguma claridade, mas ainda há milhões de estrelas. Eles nunca tinham visto tanta estrela junta, no mesmo espaço e ficam encantados, nenhum se atreve a falar, queriam era aproveitar e gravar bem na sua mente aquele céu tão bonito.
- Uau! – Suspiram todos   
- Tantas estrelas! – Comenta o pónei de pêlo branco
- Lindo! – Dizem todos
Continuam a andar devagar e a conversar alegremente, riem uns com os outros, param muitas vezes e reparam em todas as diferenças de cor do céu, até chegar ao vale onde se vê o grandioso espectáculo que é o lindo nascer do sol.
Sentam-se na relva do vale, e vêem cada passo do sol…e cada cor do céu, rendidos a tanta beleza, soltam grandes exclamações de surpresa e encanto.
Ainda com aquela imagem linda na cabeça, cheiram tudo o que há para cheirar, tocam em tudo o que podem, petiscam diferentes ervas, plantas e folhas que cheiram bem e que eles desconheciam, e descobrem que sabem ainda melhor quando as trincam, bebem água de fontes diferentes, refrescam-se em pequeninas cascatas vindas do cimo do monte.
Depois brincam uns com os outros, entre muita gargalhada, e algumas escorregadelas, espirros e muitas descobertas maravilhosas…mágicas.
Ouvem novos sons naturais muito agradáveis, de olhos fechados para sentirem melhor, e relincham com os pêlos arrepiados de felicidade.
Vêem novas flores, a cada passo que dão, e sentem diferentes temperaturas nas patas e nos pêlos, vêem águas a brilhar como cristais na erva, quando dá o sol, e até o arco-íris, e rebolam.
O passeio não podia estar a ser melhor, mas de repente…ouvem um enorme estrondo, a seguir outro, e depois mais outro…estrondos sem parar. Gritam, estremecem, arrepiam-se e correm desvairados sem saber para onde, cheios de medo, a olhar para todo o lado.
Logo que encontram uma casinha de guardar gado refugiam-se lá, felizmente está vazia. Os seus corações batem a 1000 à hora e quase nem conseguem respirar.
- Estamos todos? – Pergunta o pónei branco
- Sim! – Respondem todos
- O que foi aquilo? – Pergunta o pónei cor-de-rosa
- Não sei! – Respondem todos
- Que estrondos… - Diz um dos póneis azuis
- Pareciam tiros, ou explosões… - Diz o outro pónei azul  
- Que medo! – Respondem todos
- Será que andam aí os malvados caçadores? – Lembra o pónei preto e castanho
- Bem lembrado! – Respondem todos
- Espero que não. – Murmura o pónei branco
E os estrondos continuam, e eles encolhem-se todos. Entra lá o cão do pastor e desata a ladrar, ao ver os póneis.
- Óh não! – Murmura o pónei branco
- Só nos faltava esta! – Murmura um pónei azul
- O que é que estão aqui a fazer? – Pergunta o cão com ar de mau
- Calma…por favor…não nos faças mal. – Pede o pónei branco
- Nós podemos explicar! – Garante um pónei azul
- É…não estamos aqui para invadir…só estamos aqui para nos protegermos. – Acrescenta o outro pónei azul
- Esta é a tua casota? – Pergunta o pónei cor-de-rosa
- Não! Esta é a casota onde o meu dono guarda o gado quando chove muito, ou quando faz muito calor. Mas estão a proteger-se de quê, ou de quem? – Pergunta o cão
- Ouvimos uns estrondos…estes que ainda se ouvem. – Diz um pónei azul
- Os nossos papás dizem que podem ser tiros…ou explosões, e que se ouvíssemos esse barulho para nos escondermos onde pudéssemos. – Diz o outro pónei azul
- Estamos muito assustados. – Diz o pónei preto e castanho
O cão desata às gargalhadas:
- Áh! Estão a falar com certeza dos foguetes. Sim, este barulho que ouvem, parecido com tiros, são foguetes, que os de duas patas fazem estourar quando há uma festa. – Explica o cão
- Festa? – Perguntam todos
- Sim. O meu dono está para lá. Mas não se preocupem, eles não magoam…estão longe daqui! – Explica o cão
- A sério? – Perguntam todos
- Sim. Às vezes pegam fogo às matas com essas coisas que estouram, mas não é o caso. Eu não gosto nada deste barulho, mas já estou habituado e já não me assusto, como das primeiras vezes, e como vocês também se assustaram. Mas tentem não ir para a confusão da cidade. Explica o cão e propõe - Como andam a passear e a conhecer, se quiserem eu mostro-vos mais coisas bonitas, aqui neste sítio.
- A sério? Boa! – Dizem todos
- Acompanhem-me!
Eles saem da toca, e já recompostos do susto, vão passear com o cão pastor, que lhes mostra muitas mais coisas bonitas que nunca antes tinham visto.
À hora de almoço, e depois de um grande passeio, tanta descoberta, tanta coisa bonita, os póneis voltam para o parque onde vivem, e contam aos pais, tudo o que viram. Os pais já conheciam tudo.
E vocês? Já experimentaram passear devagar nos sítios por onde passam sempre a correr, e descobrir tudo o que eles têm? Viram coisas diferentes? O que viram?

FIM
Lálá
(6/Junho/2015)



quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

SURPRESA DA ABÓBORA



           

















foto de Lara Rocha 

             Era uma vez uma carcaça de abóbora que enfeitava um grande campo com várias plantações. Os donos da propriedade tinham-na deixado lá nesse campo para assustar os pássaros. Até funcionava bem, porque os pássaros tinham medo dela e nem se aproximavam do campo.
            Um dia, uma gata abandonada tinha acabado de ter as suas crias, e estava cansada, com fome, e frio na berma da estrada em terra. Os bebés já estavam a alimentar-se, mas ela não.
            O cão da casa, sentiu qualquer coisa de estranho e foi por esse caminho. Descobriu a gata com os seus filhotes, e ficou cheio de pena deles. A gata ficou muito assustada.
- Não te preocupes…vou levar-te para um sítio seguro. Aqui não estás segura.
            A gata está assustada. O cão deita-se no chão, e os gatinhos sobem para as suas costas, mesmo sem saber o que ia acontecer…só porque gostaram muito do pêlo. A gata é levada pendurada na boca do cão.
            Ele leva-as para o campo. Cheira a carcaça da abóbora e desvia-a. Pousa lá a gatinha e os bebés, e tapa-os com a carcaça. A gata respira de alívio.
- Abóbora…protege-os! Eu vou chamar os meus donos. – Diz o cão
- Deixa comigo! – Assegura a abóbora
- Encontrei-a na berma do caminho com os bebés.
- Áhhh!
            O cão desata a ladrar, e vai a correr para casa. Ladra sem parar. Os donos ficam preocupados, porque já sabem que quando o cão ladra muito é porque alguma coisa de estranho anda por aí.
- O que foi, bicho? – Pergunta o menino
            O cão ladra, e corre para o campo. Todos o seguem.
- É no campo! – Diz a senhora da casa
- O que haverá lá! – Pergunta o senhor da casa
            O cão só para à beira da abóbora.
- Óh, não acredito…! Corremos tanto, para ele parar aqui. Assustaste-te com a abóbora? Nunca a viste aí? Já te tínhamos dito que íamos pôr aqui uma abóbora.
            O cão toca na abóbora com a pata. A abóbora desvia-se e a gata e os bebés ficam à mostra.
- Gatinhos? – Perguntam todos em coro, surpresos
- Óhhh…tão pequeninos! – Diz a senhora, deliciada
- Nasceram há pouco…-Diz o senhor
- Coitadinhos… - Dizem todos
- Vamos dar-lhes de comer e de beber. – Diz a senhora
- Eu fico aqui. – Diz o senhor
            A mãe e os filhos vão buscar alimentos e bebida para a gata e para os gatinhos. Eles comem e bebem consolados. A senhora trouxe também um cobertor, que era dos filhos, e põe-no por baixo deles. Eles instalam-se confortavelmente e felizes. Esfregam-se e enroscam-se. A senhora cobre-os, e deixa lá comida e bebida para eles, fazem-lhes carinhos.
- Mas que rica surpresa! Uma abóbora que devia ser para assustar os pássaros, tinha lá debaixo uns seres tão fofinhos… - Comenta o senhor
- Quem é que os terá posto aqui? – Pergunta a senhora
            O cão ladra.
- Parece que foi ele… - Diz a menina
            O cão ladra outra vez, a confirmar. Todos riem.
- Que querido! – Dizem em coro
- Vamos ficar com eles, não vamos? – Pergunta o menino
- Sim! – Responde o casal
            Os meninos saltitam de alegria, e tomam muito bem conta deles. A gata e os filhotes conseguiram uma nova casa, ficaram protegidos e quentes, e receberam muitos mimos dos novos donos. Além disso, ganharam um amigo para sempre…o cão que os salvou.
                                                           FIM
                                                           Lálá

                                               (4/Fevereiro/2015)