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sábado, 18 de novembro de 2023

O pesadelo com a cascata que não tinha água



   Era uma vez uma cascata perdida num vale, onde não vivia ninguém, mas era muito visitada para ver a sua beleza de paisagem! 
     Ficava próximo da cidade, e muitas pessoas deslocavam-se para lá todos os dias, a pé, para fazer exercício físico, para apreciar a paisagem, respirar ar puro, descansar, e relaxar. 

    Tudo à volta era muito verde, com montanhas gigantescas cheias de neve, que não derretia, neblinas, ventos fortes, pareciam que iam engolir o mundo inteiro.  Chuva e sol. 

    Viam-se crateras de vulcões que despertavam sem ninguém estar à espera, jatos de lava a explodir e a saltar das fendas, umas vezes a escorrer pela montanha abaixo, mas estava longe, não havia perigo. 

    Existia um museu que se podia visitar para conhecer os usos e costumes dos habitantes que viveram há muitos, muitos anos. 

    Ouviam-se lobos a uivar ao longe que vinham ter com as pessoas, estas davam-lhes de comer, e eles regressavam às suas tocas, depois de levar uma dose de mimos dos visitantes. 

    Para agradecer, os lobos rebolavam, punham-se de barriga para cima, para receber mais mimos, e lambiam as mãos de quem os alimentava, e acariciava. 

      Faziam as delícias dos visitantes, ninguém tinha medo deles. Depois de satisfeitos seguiam o seu caminho. 

    Além de toda esta beleza, havia uma cascata seca, sem água, mas sobre ela voavam milhares de borboletas, de todas as cores e tamanhos, felizes. 

    Juntas, faziam o efeito de água a cair., que era o desejo de todos os visitantes, até o tinham escrito. Tão bonito de ver! Eram fotografadas centenas de vezes, por milhares de pessoas. 

    Um dia, sem que ninguém estivesse à espera, em vez de borboletas, apareceu misteriosamente água na cascata, que caía com tanta força, fazia tanto barulho que mais parecia uma tromba de água no Inverno. 

    De onde teria vindo? Perguntavam todas as pessoas. Aquela água parecia pura, transparente, fumegava. quando puseram a mão, era quente. 

- Já sei. Esta água veio debaixo das montanhas. Do lado dos vulcões! - disse um investigador 

- Corremos perigo! - disse uma visitante alarmada

- Sim, é melhor não entrarem nessa água, para já. Alguma coisa pode estar a acontecer debaixo da terra naquele sítio. - disse o investigador 

- Realmente, é estranho como é que ainda ontem estava seca, só com as borboletas, e hoje não se veem borboletas nem pássaros. - repara um visitante 

- Boa dica! pois é! é mais um sinal preocupante, mas claro, como a água é quente…! - diz o investigador 

- Os lobos pareciam já estar a pressentir qualquer coisa! - diz outra senhora 

- Porquê? - pergunta o investigador 

- Porque estavam inquietos, à nossa volta, uivavam, davam com as patas nas nossa pernas. - conta um senhor 

    De repente, todos sentem um violento tremor de terra. começam todos aos gritos, a tentar fugir, o investigador chama reforços e tenta acalmar-se mas todos estão assustados. 

    Pouco depois, sentiram mais abalos, e todos gritaram, chegaram os reforços que o investigador chamou. 

- Vamos embora daqui. O ar está horrível. - alerta um profissional da proteção civil 

    Começam todos a fugir, assustados, uns a chorar, outros a correr sem olhar para trás, o mais rápido que podiam, e depois foram investigar. 

    A cidade estava um caos, todos ansiosos por chegar a casa, ver se estava tudo bem com as suas casas, e respiraram de alívio quando viram tudo na rua, muito assustados, a gritar, a chorar, abraçados uns aos outros, alguns estragos nas casas. 

    Abraçaram-se no reencontro, e falaram do que tinham visto na montanha. A água misteriosa da cascata vinha mesmo de várias fendas que se abriram na terra à volta da cascata. 

    Era um estrago de um vulcão que tinha entrado em erupção. O fumo via-se da cidade, o cheiro era horrível, e a lava bem incandescente, a saltar com jatos assustadores. 

    Uma menina que estudava no ciclo, acorda aos gritos, muito assustada, e vai a correr para a cama dos pais. 

- O que foi, rapariga? - pergunta o pai assustado 

- Socorro! Não sentiram? - pergunta ela quase a gritar e a tremer

- Não sentimos o quê? - pergunta a mãe

- O terramoto! - diz a rapariga muito assustada e ofegante 

- Qual terramoto? - perguntam os pais 

- A cascata das borboletas, que não tinha água, de repente ficou com água que caía com tanta força que mais parecia uma tromba de água no inverno. E os investigadores disseram que foram estragos de um vulcão em erupção na montanha, abriu umas fendas `<a volta da cascata e a água era quente. Até se deve ver daqui...está tudo na rua! 

    Os pais desatam às gargalhadas. 

- Tiveste um pesadelo! - diz a mãe ainda a rir 

- Foi real! - Insiste a rapariga 

- Abre a janela e vê. 

    Ela abriu a persiana e a janela do quarto dos pais, estava tudo silencioso, não se via uma única pessoa na rua, nem se ouvia barulho. 

    Olhou para o monte, e estava tudo calmo, não se via sinais de vulcões, nem lavas, nem fumos, muito menos lobos a uivar. 

    Estava tudo normal, tudo calmo. Voltou a fechar a persiana 

- Vês? Foi um pesadelo, como estás a estudar isso na escola, tens medo, todos temos, acabaste por sonhar com isso. - diz a mãe 

- Acham que foi mesmo um pesadelo? 

- Foi. - dizem os dois 

- Vai dormir descansada! - diz o pai 

- A fonte está no sítio dela, amanhã vamos lá ver, de certeza que continua sem água, só com as borboletas. Os montes com vulcões estão muito longe do nosso, se houver terramotos, estamos em segurança. 

    A rapariga suspira de alívio. 

- Acho que não vou conseguir dormir outra vez. Tenho o coração aos saltos, parecia um filme de terror, verdadeiro! Que medo! 

- Ficaste com medo, do que tens falado na escola, sobre vulcões e terramotos, não foi? - pergunta a mãe 

- Acho que foi! - diz a rapariga ainda aflita 

- Essas coisas acontecem, não são para meter medo, são para saberes que existem, e que não estamos livres que aconteça. São reais, como há pequeninos tremores de terra todos os dias, aqui em Portugal, nem os sentimos. Noutros países acontecem de vez em quando, aqueles mais fortes, mas não precisas de pensar que isso vai acontecer! Não sabemos. Não podemos prever, mas se houver perigo, somos avisados. - explica o pai 

- Vai dormir descansada. Deita-te, e pensa na cascata das borboletas ou noutras coisas bonitas. - sugere a mãe 

- Vou tentar. Desculpem acordar-vos! boa noite! - diz a rapariga

- Não faz mal. boa noite! - dizem os pais 

    A rapariga volta a deitar-se, e faz o que os pais lhe disseram, pensa na beleza da cascata das borboletas que pareciam água. 

- Que nojo de pesadelo! Para que é que eu estive a estudar sobre sismos...e vulcões, tremores de terra, lava, montanhas, águas sulfúricas. Acho que sim, tenho medo disso. E os meus pais também. Dormir para ter pesadelos...francamente! Ainda estou a tremer, e o meu coração acho que vai saltar pela boca. Esta parte da matéria não devia ser dada. Será que os meus colegas e amigos também têm medo e pesadelos? - murmura consigo mesma chateada 

    pensa na paisagem. Esfrega-se na cama para ter a certeza que estava em segurança, cobre-se, ainda a tremer.

    Lembra-se de outras coisas bonitas, e adormece. no dia seguinte, os pais levam-na à montanha e veem que cascata das borboletas estava mesmo sem água, só com as lindas e gigantes borboletas, pássaros a voar, os lobos que foram cumprimentá-los e receber mimos, e comida que os pais tinham levado para eles.

    Ela pergunta aos amigos, e colegas se já tiveram pesadelos com essa parte da matéria, e eles disseram que sim. 

    Partilharam com a professora, e esta transmite-lhes uma mensagem de segurança, parecida com a que os pais da rapariga passaram. 

    e disse que também teve pesadelos quando estudou essa parte, mas esses pesadelos ajudaram-na a memorizar a matéria, que é normal. 

    Respiraram de alívio e sorriram, cada um contou pesadelos que teve. Todos riram uns dos outros, porque todos os pesadelos eram um exagero, mas mostravam o medo que sentiam desses fenómenos.  

    Utiliza vídeos explicativos, incentiva os alunos a pesquisaram onde quisessem, e mostra imagens incríveis que eles nunca pensaram ver. 

    Depois, ensina o que fazer quando acontece um tremor de terra violento, ou um terramoto.  


                                                  FIM 

                                            Lara Rocha 

                                            18/11/2023 


E vocês já sonharam ou tiveram pesadelos com partes de matérias como estas, que estudaram na escola? 

Qual ou quais foram os mais terríveis? 

Como acordaram? 

Voltaram a dormir? 

Imaginem um pesadelo sobre este tema, ou com outros de que sentem medo. 

Podem deixar nos comentários. 

Há pesadelos que não nos deixam voltar a dormir nessas noites.     


terça-feira, 14 de novembro de 2023

Somos uns privilegiados

Muitas vezes somos injustos, quando reclamamos, quando queremos mais e mais, e afinal já temos tudo! O essencial que já é tudo, é um privilégio. 

Temos o suficiente, mesmo que «pouco», e queremos sempre mais! Se temos família, alguns amigos verdadeiros, um teto que nos abriga, algum trabalho (ou muito), ganhamos algum (ou o suficiente) dinheiro para o que precisamos, já somos uns privilegiados! 

Se temos saúde, se não precisamos de fugir da guerra, se podemos andar em paz, sossegados, podemos ver coisas bonitas, ouvir os pássaros, o vento, a chuva, a trovoada, e todas as suas sinfonias, podemos ver as cores da Natureza, ouvir a água a correr nos rios, ver o mar, sentir o vento, a areia, o chão, já somos uns privilegiados! 

Como somos privilegiados! Já pensaram? Vivemos em cidades sossegadas, temos casa, onde estamos seguros, temos tudo o que precisamos e queremos, sofás, cadeiras, mesas, loiças, cozinha com tudo o que precisamos e queremos, casas de banho, água tratada, basta abrir as torneiras. 

Somos privilegiados porque temos luz, gaz, televisões, computadores, telemóveis, móveis, roupas para vestir todos os dias, calçado para todos os dias, camas confortáveis e quentes onde dormir, almofadas macias, lençóis, cobertores, colchas, pijamas. Temos o que mais gostamos e o que podemos, às vezes. 

Somos privilegiados porque podemos ver, ouvir, sentir, cheirar, abraçar, beijar, quem mais amamos e gostamos, temos comunicações, livros, medicamentos, transportes, escolas intactas, hospitais intactos, bem apetrechados de materiais para nos curar e salvar quando precisamos ou quando é possível. 

Somos privilegiados porque podemos andar em paz, a pé ou de carro, ver o céu em todas as suas cores, faça chuva ou faça sol, sol entre nuvens, o arco-íris, e não estarmos com a preocupação de ver mísseis e bombas que ameaçam cair. 

Temos tudo e ainda queremos mais, e mais, temos todos os luxos, mesmo que seja pouco para muitos de nós, temos mais do que muitos outros, em especial dos países que andam em Guerra. Que tristeza de imagens que vemos! 

Não nos tocam? Sim, estão muito longe de nós, mas o coração não fica apertado ao ver aquelas imagens? Não nos conseguimos imaginar ali, naquele caos? Não nos faz pensar como somos mesmo privilegiados? 

Pessoas «anjos» que dão tudo, enquanto podem, como podem, enquanto não são atingidos por uma bomba. Dão o melhor que têm, não contam horas extraordinárias, não exigem pagamento, nem pensam no salário que ganham, ou se estão deslocados.

O único objetivo é salvar vidas inocentes, as que podem. Vivem com o coração nas mãos, e querem transformar as mãos em salvação, mas já nem eles estão seguros, a salvo, nem sempre conseguem! Isso dói em que vê, ainda mais em quem vive isso.

Devia fazer-nos pensar! Em vez de exigirmos mais dinheiro e reclamarmos tanto. Lugares onde neste momento não existem Hospitais com condições (quase não existe luz, não existem ventiladores nem outros aparelhos essenciais que os nossos têm, para o que é preciso, para segurar vidas). Estão a morrer bebés prematuros e outros feridos por não terem condições nem material, mal têm instalações! E ainda reclamamos dos nossos, os nossos reclamam.

Nunca sabem se vão conseguir concluir e dar resposta a milhares de vidas que entram naqueles hospitais improvisados, onde fazem o possível.

Tendas onde se grita de dores, pelas feridas, das explosões, das bombas, sítios onde se chora porque não sabem de familiares, pela perda de familiares! Tudo! Incluindo casa, amigos, família.

A qualquer momento tudo pode ser interrompido pela destruição, e os gritos, os choros, as vidas já feridas, transforma-se em silêncio, num amontoado de corpos estilhaçados como o espaço onde estão.

Famílias que fogem com crianças de colo, e outras mais crescidas, em desespero para ver se conseguem escapar, e muitas vezes são apanhados por bombas, terminando os sonhos, os projetos, a vida.

Tantos sonhos, tantos projetos, infâncias interrompidas, deixar tudo para trás e arriscar com o que têm temporariamente, sujeitos a não chegar ao objetivo de fugir sãos e salvos com toda a família!

Muitos não chegam! Muitos não voltam a ver nem a saber dos amigos, familiares sem saber se estão vivos ou se já são estrelas

Por isso somos privilegiados pela nossa casa, mas pelo mundo fora, existem lugares, onde há guerra, já não existem casas, nem prédios, apenas...pó, pedaços de pedras, cimento, fumo, estrondos, tudo vai pelos ares em segundos.

Tudo fica reduzido a escombros, juntamente com vidas que deixaram de ser, ou que por sorte conseguem escapar feridos, mas perdem tudo!

Ver tudo desaparecer num sopro, numa lágrima, num piscar de olhos! Tudo fica reduzido a pó, destruição, sangue, vidas humanas desfeitas, corpos que se fundem com os pedaços das casas onde estão, dos prédios que desabam, das estradas onde são apanhados.

Até as casas, hospitais e abrigos são destruídos. Pela PAZ! Deixemos de reclamar e exigir muito mais do tudo que já temos, se pensarmos nestes. Somos uns privilegiados.

Pensemos nisto quando exigirmos mais e mais dinheiro, quando reclamarmos do luxo que temos, mas queremos sempre mais, sem pensar no mais importante: a parte humana, as relações humanas, o trato humano uns com os outros sem a vaidade, arrogância e superioridade de alguns.
Somos injustos…

Lara Rocha
13/11/2023

domingo, 5 de novembro de 2023

voltar atrás

foto de Lara Rocha 
  Se pudéssemos voltar atrás...eu ouviria os teus gritos, escondidos pelo teu sorriso. Se pudéssemos voltar atrás...era a minha mão que encontrarias, os meus braços que te segurariam.. 

  Os meus ouvidos que te ouviriam, as minhas palavras que te confortariam. Se pudéssemos voltar atrás...agora estarias vivo! 

  Se pudéssemos voltar atrás, agora estarias a sorrir...com um sorriso natural, sem dor como aquela que te fez acabar com a tua vida. 

 Aquela tanta vida que ainda tinhas para viver. Se pudéssemos voltar atrás, agora...muita coisa poderia ter acontecido! 

  Quem sabe, teríamos pisado o mesmo palco, ou teríamos ido ver a mesma peça juntos...Se...tantos «ses», nada disto faz sentido! 

  Tal como a vida deixou de ter sentido para ti, não foi? Porquê? Duas perguntas que ficam sem resposta, para sempre! 

  Seria bom que nada tivesse chegado a este ponto...a este fim, na peça de teatro da tua vida, ou na telenovela real. Infelizmente, nada pode voltar atrás, e tu, infelizmente, já não voltas para que tudo isto fosse possível um dia destes!

  Como se sentirão os teus pais, irmãos, amigos, namoradas que tiveste com certeza…? Porque fingiste que estava tudo bem, ou será que foram os outros que não repararam?

  Olha por nós, onde quer que estejas, não deixes que mais gente faça o mesmo que tu! Anjo! Cuida de nós. Silêncio. É a única coisa que me ocorre neste momento, em que todas as palavras que existiam na minha mente, evaporaram-se no espaço, no escuro da noite, no escuro da tua partida! Tão cedo! 

   As minhas palavras choram, não conseguem sair da minha boca, como acontece sempre que há um suicídio, ainda por cima de gente tão nova como tu. 

  Apenas recolhem-se nas suas conchas, estão frias, como tu estás agora! Porquê? Porquê? A resposta a este porquê, permanecerá no silêncio cortante da pedra onde repousas. 

  Porquê? Porquê? Com tanto que podias fazer, tanto que podias dar....devias procurar tudo isto em vida! Não agora que descansas em paz,. encontrá-las-ias de certeza, na flor da idade, mas entregraste-te ao cansaço....perdeste a força, perdeste o sorriso, perdeste tudo! 

  Que a tua luz se reacenda lá em cima, e ilumina todos os que passam por tudo o que passaste, pelo mesmo sofrimento, que te levou a tornar-te estrela. 

  Era aqui na terra que tu devias continuar, mas a tua dor não permitiu. A tua dor terminou, mas a de muitos...aumentou. 

  Resistirão. Talvez! Não, não estou a julgar-te...só tu sabias o que quanto essa dor te sufocava e limitava a tua vontade, roubava os teus sonhos, projetos, amigos.

Onde quer que estejas, ilumina todos os que sofrem. 

Até sempre… 

(dedicado a um ator português, que se suicidou muito cedo, chamado Pedro, participou numa telenovela portuguesa, tudo indica que estivesse a passar por uma depressão, mas não dava sinais. Ou dava e não reparavam. Um rapaz novo, bonito, mas a depressão e o suicídio não escolhem rostos bonitos ou menos atraentes, não escolhe idades, nem profissões. 

Todos devemos refletir e aprender sobre o suicídio, O falar sobre esse tema não dá ideias, não incentiva, muito pelo contrário, o perguntar se a pessoa tem planos de suicídio, se já tentou, não é ser demasiado invasivo, muito pelo contrário, é transmitir confiança à pessoa, e assegurar sigilo, faz a diferença entre o matar-se e o voltar a ter vontade de viver. 

Acolher sem julgar, sem desvalorizar ou criticar, sem dar o nosso exemplo porque não sabemos como reagiríamos na situação dele, dar a mão, encaminhar, estar presente, conversar. Encaminhar, acompanhar. 

                                fim

                            Lara Rocha 

Escrever

 Escrever…

Foto, caderno e caneta de Lara Rocha 

Escrever é limpar a alma, varrer o coração, arrumar as gavetas das emoções, organizar os pensamentos, arquivar recordações. 

Escrever é...libertar e lavar o nosso mundo interior, melhorar a nossa saúde, perceber o que acontece, procurar e encontrar respostas, viajar, fazer despertar sonhos. 

Escrever é...ganhar asas e pousar na felicidade, escrever é...andar de mãos dadas com a nossa criança interior, 

Escrever é pôr todo o nosso ser a respirar, a revelar-se, a construir-se diariamente, na sua totalidade. 

Escrever é...transformarmo-nos a nós, ao mundo, aos outros, é permitir que a nossa imaginação se revele, e nos faça viver! 

Escrever é deixar sair todas as «máscaras», que engolimos, escondemos, para fingir que está tudo bem. 

Escrever é viver, sonhar, respirar, brincar com as palavras, com imagens, com sinais de pontuação. 

Escrever é...deixar o corpo e a alma sair da prisão, falar, rezar, pedir, implorar, cantar, gritar, chorar, rir, sonhar, segredar, dar voz aos sentimentos, emoções e pensamentos. 

Escrever é plantar e ver nascer um novo ser, a cada transformação. Escrever é...sentirmo-nos vivos, inteiros, únicos, verdadeiros. 

Escrever é...fazer viver, é viver! Acalmar, curar, limpar, respirar, clarear, ser feliz! 

E para vocês? O que significa escrever? O que escrevem, para que escrevem? 

                                                           FIM 

                                                      Lara Rocha 


                                                        

A verdadeira união

A verdadeira união entre duas pessoas é algo muito mais do que o contacto físico, e troca de olhares...aliás, começa com quando os olhos falam, a boca cala-se, e as palavras flutuam ao sabor do diálogo que se estabelece entre os dois corações. 
União significa a fusão de dois corpos que se ligam emocionalmente, numa só energia vibratória, numa linguagem sem palavras, com uma conversa que só eles têm e sabem o que dizem. 
Os corpos não ouvem, mas os olhos falam, o toque das mãos um no outro falam, os sorrisos espontâneos sem motivo aparente falam, os abraços falam, tudo fala na sua linguagem própria, secreta. 
União é paciência, carinho, sorriso, é o que fica depois da ilusória e fugaz paixão. Paixão, aquilo que agrada aos olhos, mas nem sempre fica depois desse fogo...Na união, permanece um encantamento diário, o apreciar, o contemplar o outro, a vontade de descobrir o outro, lentamente, sem pressa, a saborear, e percorrer todos os labirintos do outro. 
A verdadeira união entre duas pessoas tem amizade, lembrança, a sensação de pertença sem posse, a troca de carinhos não forçada, natural, recíproca, com a aceitação do outro, e resposta. 
União é mimos, pequenos gestos, rir, brincar, conversar sem medo, beijar com respeito, é estar presente e dar espaço, é confiar! 

                                Fim 
                           Lara Rocha 

E para vocês? O que é união, namoro? Amizade? 
 

Evolução


 Evolução…

No início...raiva, raiva e mais raiva! As entranhas remexiam-se a toda a hora, dia e noite. Queriam sair de onde estavam, expulsar o que lhes pesava, o que sentiam. 

coração e o estômago reclamavam...uma sede imensa de vingança povoava a minha mente, o meu corpo, todo o meu ser. 

Pela dor que me causaste, e por todos os sonhos construídos, com toda a perfeição...e carinho, durante quatro anos. 

Sonhos de felicidade, de amor, de família, do eu-tu igual a nós...destruídos como um terramoto em segundos que não deixa nada de pé. 

De um dia para o outro, restou a desilusão, a tristeza, a solidão, a baixa auto-estima, a ponto de te dar razão! Onde já se viu? Hoje sei que nunca a tiveste. 

À medida que o coração foi secando, e as lágrimas cristalizaram,  a raiva foi dando lugar à indiferença, a indiferença que mostrou que não me merecias. 

E de facto, não! Com isto surgiu a revolta e o arrependimento por tudo o que te dei. Tudo o que te dei com amor, tu mandaste para a fogueira da ilusão, e para o terramoto da minha desilusão. 

Doeu! Muito! Muito tempo. Com uma imensa cratera que ficou  cheia de lixo! Recentemente...a cratera permanece, mas ao contrário de antes, atualmente a cratera está vazia. 

Agora...não há lá nada. Nem raiva, nem ódio, nem indiferença ou sede de vingança sequer! Tudo o que pudesse lá ficar, seria muito mau! 

Seria um lixo tóxico, e seria continuar a valorizar-te. Isso não podia continuar a acontecer. Agora...o que às vezes ainda permanece, é o sentimento de gratidão por todos os bons momentos, e muito bons. 

Felizes, românticos, de grande carinho, ternura, inocência, simplicidade, risos, e sonhos construídos em conjunto. 

Gratidão, por um dia me teres dado valor, por me permitires mostrar o que eu era. Gratidão por receberes o meu amor, por me deixares amar-te, pela possibilidade de libertar amor. 

Gratidão, por me fazeres sentir alguém especial, e amada! Gratidão por ter olhado, um dia, para mim com os olhos do coração! 

Sim, gratidão, é muito vasta, não se restringe a ti. Mas por agora...é para ti...gratidão pelas boas recordações! Nada mais! Gratidão por tudo, e até...um dia!

                                                                                FIM 

                                                                         Lara Rocha 

                                                                        

        

No dia em que...



Fotos de Lara Rocha 

 No dia em que deixamos de ser o nós, e voltamos a ser eu e tu...eu na minha...e tu na tua...foi o dia em que me desintegrei como um meteorito. 

O dia em que deixei de saber quem era, pois tu levaste contigo, tudo de mim! No dia em que eu morri por dentro...pus o meu coração encharcado e a estourar em lágrimas, a secar nas cordas da máscara do sorriso, mas o meu coração furou e o meu mundo parou. 

O meu corpo ficou doente! O meu cérebro latejou, estourou...As lágrimas saíram pelos olhos num mar de sofrimento, dor, raiva... 

O coração batia descompensado, confuso, louco. Não dormi várias noites! Até que gritou: «chega!», acalmei à força...com um  sol forçado. 

Entretanto, o coração foi secando, ficando com menos lágrimas! 

E voltei a saber quem era, muito lentamente, voltei a construir-me e a reconstruir-me quando reentrei para o teatro. 

Foi maravilhoso! Uma paixão antiga, que suspendi, mas quando voltei, voltei a sorrir com vontade.

Renasci! E o coração continuou a secar, no varal dos meus olhos. 

Umas vezes envolvido em máscaras, outras tantas vezes voltou a encher-se de lágrimas, a doer, a apertar, a gritar. Outras vezes, voltou a secar. 

Hoje, o coração já não está a secar, mas às vezes ainda fica na sombra. 

Aliás, se olhasses bem no fundo dos meus olhos, amor terminado, verias que ainda existia alguma lama! 

A lama da desilusão, a lama do medo de me entregar, e outras lamas que não secaram. 

Mas prometo-te, novo amor, se apareceres, que vai passar! E quando nos encontrarmos, se nos encontrarmos, a lama secará por completo, antes de tu apareceres. 

Espero-te sem lama. 

                                    Fim 

                             Lara Rocha