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domingo, 10 de agosto de 2014

O CRISTAL





Era uma vez um Elfo que no seu passeio matinal encontrou um grande e belo cristal. Brilhante! 

   O Elfo parece que até ficou hipnotizado, principalmente porque o cristal mudava de cores, conforme as luzes.
    De quem seria aquele cristal tão bonito? Se não fosse de ninguém ficaria para ele. Mas entretanto vem um jovem príncipe, montado a cavalo. Parecia que estava à procura de alguma coisa.
    O príncipe dá um grito de alegria…os seus olhos pareciam também cristais, quando viu o cristal.
- Óh, mas que bela surpresa. És mesmo tu que eu procurava!
- A mim? – Perguntou o Elfo surpreso
- Claro que não é de ti que estava à procura…ainda se fosses uma princesa!
- O quê?
- Esquece orelhudo. Já passaste à história!
- Estás a falar do quê?
- A princesa nunca vai gostar de ti! – Diz o príncipe arrogante
- Que princesa?
- A princesa daquele castelo.
- E como é que sabes que ela não vai gostar de mim? Tu podes não gostar, mas se calhar ela até gostará mais de mim, do que de ti.
- Aquela princesa é o sonho de qualquer homem. Eu conheço muito bem as mulheres…elas não me resistem!
- Imagino!
- Eu quero ficar com ela, por isso vou oferecer-lhe este cristal. Não é teu pois não?
- Não! Já estava aqui, quando cheguei.
- Claro que nunca poderia ser teu…a não ser que vendesses essas orelhas! – Ri o príncipe arrogante e convencido
            Pega no cristal e volta no seu cavalo para dar à princesa. A princesa gosta do cristal, mas não gosta do príncipe.
- Princesa…ofereço-te este cristal. Sei que vais ficar comigo!
- Nunca! – Grita a princesa – Podes dar-me todos os cristais do mundo, que eu fico com eles, mas nunca ficarei contigo.
- Mas…mas…princesa…
         O príncipe fica chocado.
- Sai! Detesto essa tua vaidade e arrogância. Sai ou queres que eu chame os guardas?
- Óh! Não…não é preciso, princesa. Eu saio!
   O príncipe sai de rastos, com tristeza e desiludido. Mesmo assim não desiste e volta ao castelo, e oferece outras coisas, como muitos outros homens. 
   Nenhum conquista o coração da princesa, porque ela não quer bens materiais…quer um amor que lhe preencha o coração.
     Ainda ninguém tinha conseguido. O Elfo foi tentar a sua sorte. Teve curiosidade e foi ao castelo. Não tinha nada para oferecer à princesa, mesmo assim quis ir ver.
       Mal viu a princesa, o seu coração disparou, o seu sorriso abriu, e os seus olhos ficaram com um brilho tão especial, que a princesa não resistiu. Abriu um grande sorriso.
- Princesa, perdoa-me! Não tenho jóias, nem nada para te oferecer, mas ofereço-te os meus serviços, sempre que precisares!
        A princesa, maravilhada responde:
- Óh! Que lindo! A maior oferta que recebi até hoje foi a tua!
- A minha? Mas não te dei cristais, nem nada! Nem uma simples flor. Sou pobre.
- Ofereceste-me vários cristais lindos…os mais bonitos de todos.
- Eu? Desculpa, não te ofereci nada.
- Tens os melhores e mais belos cristais que nunca vi em nenhum homem…os cristais dos teus olhos lindos e transparentes…os milhares de cristais do teu sorriso, o cristal do teu coração e o cristal da tua simplicidade.
  O Elfo abre um grande sorriso e beija delicadamente a mão da princesa.
- Encontrei o cristal mais valioso! – Grita a princesa feliz, para toda a floresta.
      Todos os outros homens ficam desiludidos, infelizes, ciumentos. Não entendem porque não conseguiram conquistar a princesa, mesmo depois de lhe dar tantas prendas.
     Eles não sabiam que a Princesa procurava um homem que soubesse amá-la e fazê-la feliz. O que a princesa procurava era qualidades e não presentes caros.
      Ela apresenta o Elfo aos pais e no castelo há uma grande festa de casamento. Os dois viveram felizes para sempre!

                                                           FIM
                                                      Lara Rocha 
                                               (29/Julho/2014)


OS BALÕES



     Era uma vez um grupo de meninos que ouvia todos os dias notícias de países em guerra, onde centenas de crianças como eles ficavam feridos e perdiam a vida. 
  Isto era muito difícil para eles ouvirem e compreenderem os motivos para esta guerra toda. Antes da aula do dia começar, todas as manhãs, os meninos rezavam pela paz no mundo, e a professora pedia aos meninos que se portassem bem pela paz.
     Quase sempre, todos os meninos comportavam-se bem, mas quando se portavam mal, a professora fazia-os relembrar que tinham prometido portar-se bem, por respeito aos meninos que tanto sofriam na guerra. E funcionava!
      Hoje o céu estava cinzento, tal como os olhos destas crianças, porque estavam tristes a rezar e a pensar nos meninos que viviam e ficavam feridos nos seus países sem culpa nenhuma.
Passado uns tempos, a guerra continuava, e todos os dias davam notícias de violência sobre vidas inocentes. Então, um menino africano lembrou-se de um gesto, que segundo ele, podia ajudar à paz. Além de rezarem todos os dias, devia ser giro soltar muitos balões de todas as cores, com mensagens por exemplo…da vontade que todos tinham de que a guerra acabasse.
A professora e os outros meninos adoraram a ideia, e todos puseram mãos à obra! Encheram centenas de balões de todas as cores. Em cada balão escreveram a palavra paz, e em cada um deles, seguia uma lágrima e uma mensagem de apoio a quem estava a sofrer. Lindas mensagens.
Todos os balões foram guardados em várias caixas brancas. Num intervalo, foram para o recreio com eles.
- Podem abrir as caixas! 1…2…3… - Grita a professora
            Quando as caixas abrem, as centenas de balões voam. Todos os meninos aplaudem e gritam em coro:
- Paaaaaaaaaaaaaaaaaaz!
            O céu cinzento torna-se um espaço cheio de cores, os meninos abrem longos e sinceros leves, e ficam a ver para onde vão os balões. Estão encantados a ver tantas cores.
- Agora…vamos dar as mãos…
            Todos os meninos fazem uma roda, com a professora, dão as mãos
- Fechem os olhos! – Pede a professora e continua
- Agora…cada um…reza à sua maneira, como quiser, para que estes balões levem a nossa luz, e o nosso amor, a nossa bondade e a nossa paz, para essas crianças, que estão muito longe e a sofrer muito! Por isso, estão nos nossos corações e pensamentos. Que haja paz!
            Faz-se silêncio, todos os meninos dão as mãos e cada criança reza à sua maneira. Enquanto os meninos estão a pedir de olhos fechados e em silêncio, muitos deixam escapar umas lágrimas.
- Agora…podemos abrir os olhos e aplaudir. – Sugere a professora
            Todos abrem os olhos, e os balões já estão muito lá em cima…já mal se vêem. Mesmo assim, todos felizes, sorriem, aplaudem e abraçam-se uns aos outros. Estão todos orgulhosos.
- Lindo momento, este não foi? – Pergunta a professora
- Sim. – Respondem em coro
            Não sabem se vão chegar ao sítio certo, ou se vão perder-se pelo caminho, ou destruir-se. Mas o mais importante ficou! A intenção sincera e a beleza do gesto dos pequenos.
            A paz no mundo também pode depender um bocadinho de nós…por isso…cada um de nós…agora…peça todos os dias, aos céus…ao universo…às estrelas…não importa a quem...que haja paz em toda esta nossa linda e gigantesca bola azul…o nosso Planeta Terra.
            Vamos dar as mãos pela paz e enviar os nossos pensamentos de luz! E que o mundo conspire a nosso favor, por esta boa causa. 

FIM
Lara Rocha 

(31/Julho/2014) 

O PASSEIO DA RITINHA

Era uma vez uma menina pequenina que se chamava Ritinha. Era sonhadora e tinha uma grande amiga, a Fada Luzinha.
            As duas costumavam encontrar-se muitas vezes, brincar juntas, cantar, contar histórias de sonhar uma à outra, e correr, saltar, pintar desenhos…tudo o que os meninos da vossa idade gostam de fazer.
            Mas numa noite, a Fada Luzinha fez uma proposta diferente. Convidou a Ritinha a passear pelo espaço. No início, Ritinha teve medo! Não sabia onde era, nem queria ir para o espaço e ficar lá a viver.
            Luzinha explicou-lhe que tudo e garantiu-lhe que estavam em segurança. No fim do passeio voltariam ao quarto. Ritinha ficou mais aliviada e confiou na amiga.
Luzinha bate duas palmas e aparece no quarto da Ritinha uma bolha espacial. As duas entram na bolha e vão para o espaço. Ritinha adorou esta viagem, pois na subida viu as nuvens e o arco-íris, chuva e nevoeiro a formar-se, viu relâmpagos, cores claras e à medida que iam subindo no céu ia ficando mais escuro! 
Aterram na Lua, e saem da bolha espacial, completamente equipadas para poder andar na Lua. Estava um bocadinho escuro, mas o que via era lindo! Luzinhas pequeninas por todo o lado, o planeta Terra e o Sol ao longe.
Saltitam de mãos dadas, e nesse espaço vêem outras coisas bonitas, que nunca antes tinham imaginado. À sua frente, viram passar muitas estrelas gigantes e luminosas, outras estrelas a desaparecer, outras estrelas e desfazerem-se e a transformarem-se em pó.
Por cima delas, viram mais estrelas de mãos dadas que mostravam formas diferentes: setas, arcos com setas, meias setas, unicórnios, tripés, corpos, índios, barcos, círculos, peixes, sereias, cavalos, touros e outros animais…tudo com estrelas.
 Viram cometas pequeninos a passar por cima delas, uns devagar outros muito rápido, outros que tinham caudas a arder, e desapareceram de repente, e planetas que se mexiam e giravam devagar.
O solo da Lua tem algodões muito leves. As duas pegam neles e sopram-nos…eles voam e flutuam diante dos olhos delas. Num outro canto da Lua estão umas estrelinhas pequeninas a flutuar, e as duas amigas tocam-lhes, agarram-nas e sentem que são quentes.
No chão, apanham pedras escuras soltas, põem-nas na mão, algumas desfazem-se e ficam em pó, outras são muito claras, duras e pesadas, e outras flutuam mas não se conseguem agarrar.
Depois, as duas pegam em planetas pequeninos que aterram na Lua só para elas. Elas tentam agarrá-los, mas eles fogem.
De repente, a Lua leva com um raio vindo não se soube de onde. Entram rapidamente na bolha e voltam para o quarto da menina.
Ufa! Que alívio.
Surpresa…A menina e a Fada foram passear pelo espaço, sem sair do quarto! Estavam só a ver uma enciclopédia do espaço que tinha imagens a três dimensões…aquelas que parecem sair dos livros e quase podemos senti-las mesmo nas nossas mãos, quando lhes tocamos.
Ao tocar nas imagens, as duas amigas tentavam imaginar como tudo era feito. Até conseguiam sentir a temperatura e o peso dos objectos.
Os livros levam-nos a viajar pelo mundo inteiro, pelo Oceano ou pela Terra, em segundos ou minutos, conhecer coisas diferentes das nossas, sem sairmos do nosso cantinho!
A Ritinha adorou este passeio ao espaço, a Luzinha também. E vocês? Gostaram? Já viajaram pelo espaço, ou pelo mar? Ou entre dinossauros e outros animais, ou em ilhas selvagens invadidas por piratas? Experimentem, e contem à Ritinha como foram esses vossos passeios!
FIM
Lálá
(31/Julho/2014)




Um amor que se vê

Era uma vez uma princesa gigante...tão gigante que só tinha espaço para si, muito lá em cima! Nas nuvens...era gigante e...feia. Adorava andar vestida de preto, pela sua eterna tristeza, e chorava durante longas horas, todos os dias.
            Um dia, a princesa vénus, uma estrela linda, brilhante, luminosa, cruzou-se com a princesa noite e apanhou um grande susto. Deu um grito tão estridente...parecia quase vidros a partir. A princesa noite grita também porque não era costume encontrarem-se.
- Que susto! – Dizem as duas a olhar uma para a outra
- Devo ser ainda mais feia do que aquilo que imagino...! – Comenta a princesa noite
- Eu não disse isso! – Corrige a estrela vénus
- Não disseste porque és delicada e simpática...mas o grito que deste falou por ti!
- Desculpa...não contava contigo! Não costumo ver-te por aqui...!
- É! Eu não ando muito por aqui!
- Porquê?
- Porque...costumo ficar em casa.
- Eu costumo vir sempre dar uma olhadela pela terra.
- Áh! Sim. Eu também ando de noite, para não verem como sou feia.
- Porque estás sempre a dizer que és feia?
- Não vês?
- O quê? Que andas de roupa preta?
- Sim! Eu não tenho nada de bonito. Já tu és tão linda!
- Olha que há muita gente na terra a gostar de ti.
- Há?
- Há.
- A sério?
- Sim.
- Como é que sabes?
- É o que vejo.
- Óh. És mesmo querida!
- É verdade, não estou a dizer isto só para ser simpática.
- Ainda bem.
- Tu andas sempre vestida de preto?
- Ando.
- Porquê?
- Porque sou triste e feia.
- Mas o que é que tem a cor da tua roupa, com a tua tristeza?
- O preto é uma cor triste... sabes, no fundo eu não gosto de usar tanto a roupa preta, mas não consigo usar outra.
- Mas porque não consegues usar outra cor? Não tens ou não queres?
- Porque sou triste! O preto é uma cor triste.
- Depende. Se for tudo preto, sim, dá a impressão de tristeza, mas há tantas cores...alegres...devias usar mais essas cores, em vez de preto, ou misturada com preto, que fica bonito, e assim sentias-te mais feliz.
- Achas que funciona?
- Funciona! Garanto-te.
- Tu também fazes isso?
- Faço.
- Áh! É por isso que és tão bonita e feliz.
- Sim. Eu quero muito ajudar-te...! Posso?
- Sim! Achas que consegues?
- Acho que sim.
- Qual é a tua ideia?
- Vou dar-te um pouco da minha luz, e das minhas cores!
- Mas...como?
- É muito fácil...
- Mas depois ficas sem luz e sem cores!
- Não fico nada. Tenho cores e luz para todos...e quanto mais dou, mais ganho!
- Ai é?
- É!
- Áh! Que lindo...e como fazes isso?
            A estrela bate duas palmas, e milhares de outras estrelas começam a tocar uma série de instrumentos musicais, e vénus começa a mexer-se em todas as direcções ao som das músicas, dança e à medida que se mexe começa a soltar raios brilhantes de luz, cheios de estrelas que se colam ao vestido da princesa noite.
            A princesa noite ganha uma nova energia e uma nova alegria, dançando também com a estrela com um grande sorriso. Fica encantada com a sua nova roupa.
- Mas que linda que estás!
- Óh! Estou mesmo! E estou muito feliz! Muito obrigada.
- E como vês, eu continuo na mesma.
- Sim. E estás mesmo mais brilhante e feliz.
            Entretanto passa o rei sol, tão rápido, que rasga o vestido da princesa noite, de cima a baixo. As duas gritam e abraçam-se.
- Quem é este? – Pergunta a noite
- É o Rei Sol...deve estar outra vez atrasado para ir para o trabalho!
- Mas que bruto! Olha o que ele fez ao meu vestido...! Tu com este trabalho todo e carinho a dar-me estrelas e luz, e este furacão passa, dá cabo de tudo!
- Conheces o Rei Sol?
- Não.
- Chamaste-lhe furacão, pensei que o conhecias!
- Não! Furacão não é um termo nada carinhoso. Os furacões são ventos terrivelmente fortes, que arrasam tudo o que vêem pela frente!
- Áh! Que horror...esses são os teus amigos?
- Não! Nada amigos...tenho muito medo deles!
- Eu não os conheço, mas pelo que tu dizes, também já não quero conhecê-los!
- É. Quando os vires é mesmo melhor fugires!
- Que terror.
- São mesmo.
- Vamos arranjar o teu vestido.
            As duas ficam a arranjar o vestido da princesa noite. A estrela vénus prega mais brilhantes e luzes aos milhares. Quando o sol passa pela noite, está muito envergonhado. A noite vira-lhe as costas zangada. O sol pede desculpa:
- Princesa...perdoa-me! De manhã estava atrasado, que acho que te rasguei o vestido. – A noite não responde – Óhhhh...o que posso fazer para te ajudar...e...perdoares-me?
- Nada! É manteres-te à distância e não voltares a destruir o meu vestido!
- Está bem! – Diz o sol triste. – Mas não te quero ver triste!
            A noite não responde. O sol dá uma volta pelas estrelas e resolve mostrar o seu romantismo. Oferece à noite um saquinho de estrelas, doces planetas, flores da lua, cometas, e lindos anéis de sóis.
            A noite fica tão feliz que perdoa o sol, e tornam-se grandes amigos. Tão amigos que para agradecer...a noite deixava que o sol descansasse no conforto do seu colo, abraçam-se, passeavam, dançavam...e a amizade tornou-se cada vez maior, mais forte, até que não conseguiam viver mais um sem o outro.
            Nasceu entre eles um gigantesco amor, que mesmo trabalhando por turnos encontravam-se muitas vezes por dia, trocavam juntos. Foi assim que se começaram a ver na terra pelos humanos! O seu amor era tão gigante que quiseram servir de exemplo para todos. Mas muitos deles não aprenderam a lição. Uns porque tinham inveja, outros porque nem sequer têm tempo para olhar para o que é tão bonito. Mesmo assim, o mais importante é o amor entre os dois, e a felicidade. O que os outros pensam não lhes interessa.
            Era bom que todos os amores fossem assim, e que se pudessem ver na terra, sem julgamentos ou críticas, em vez de se ver todos os dias a guerra entre iguais.

                                                           FIM
                                                           Lálá
                                               (28/Julho/2014)




A Pastorinha


    
Era uma vez uma pequena criança de cinco anos, que se chamava Catarina e vivia com os pais, avós e outros irmãos, numa pequenina vila histórica muito antiga, perdida e esquecida na montanha.
       Os habitantes nunca tinham saído de lá porque tinham tudo muito perto, até centro de saúde, um mini hospital e supermercado. Eram felizes e tinham boa saúde.
       As crianças só não iam à escola porque nenhum professor concorria para lá, por ser longe e isolada. Por isso nem os pais, nem avós e as crianças, sabiam ler nem escrever. Brincavam e ajudavam os pais e avós nos campos e em casa.
   Catarina tomava conta das ovelhas. Levava-as bem cedo, antes dos primeiros raios de sol aparecerem, na companhia dos grandes cães pastores da serra, enchouriçada de roupa porque de manhã e à noite estava um frio cortante, mas à medida que o dia ia avançando e ficava calor, ela tirava roupa
   Além da roupa, Catarina levava o almoço e pequenas delícias para comer sempre que tivesse fome! Sopa, broa, pão e chá feitos em casa com todo o carinho pela mãe, e os outros petiscos era a Avó que os fazia.
    A menina falava com todas as ovelhas, e dava nome a cada uma delas. Elas já a conheciam e já estavam habituadas a ouvi-la, porque Catarina tinha longas conversas com elas. Ela cantava, ria, saltava, corria, às vezes adormecia, apreciava a paisagem e sonhava acordada.
     Num amanhecer aparentemente igual aos outros, de um dia de sol, aconteceu uma coisa muito especial.
- Sabem uma coisa, meninas…eu quando durmo sonho com umas folhas cheias de desenhos, riscos, mas não percebo nada do que está lá. O que será isso?
         As ovelhas bramem, e ela boceja.
- Também não sabem? Eu nunca vi aquilo. A quem é que eu poderei perguntar? Os meus pais e os meus avós não sabem! Bem, enquanto não encontro a resposta…se não se importam, vou dormir um bocadinho. Se houver alguma coisa acordem-me. Já viram…? Já está um bocadinho claro, mas ainda há estrelas no céu. Que lindas. Parece que hoje vai estar sol, só espero que não esteja muito calor. Até já.
     As ovelhas bramem, e vão ao pasto dela. Catarina deita-se encostada ao cão, debaixo de uma enorme árvore, cheia de troncos e folhas. 
   As suas raízes eram tão grandes que estavam à superfície, e serviam de banco, mesa e cama para a pastorinha. Era aqui que ela se protegia do frio, da chuva e do calor. 
    Esta árvore era mesmo muito especial para ela, quase parecia uma pessoa a tomar conta dela. Catarina sabia que estava segura e podia ficar descansada. Como era ainda muito cedo, a menina dorme mais um bocado
   De repente, as ovelhas e os cães ficam muito nervosos e agitados: os cães ladram e uivam, as ovelhas bramem e juntam-se, andam de um lado para o outro. 
  Estão a sentir uma presença, e a ver duas pequeninas luzes brilhantes e lindas, a andar devagar. Catarina acorda sobressaltada!
- O que foi? Porque é que estão tão agitadas e nervosas?
    E aproximam-se dela duas luzes: lindas, leves e brilhantes. Uma é a fada das letras, e a outra é a fada dos livros.
- Bom dia! – Dizem as fadas em coro
- Bom dia! Uau. Que lindas! Quem são vocês? – Responde e pergunta Catarina a sorrir.
- Eu sou a fada das letras!
- E eu sou a fada dos livros.
- Se calhar nunca te falaram de nós, porque andamos mais pelos livros, e sabemos que tu não conheces os livros. – Acrescenta a fada dos livros
- Pois é. O que é isso? – Pergunta Catarina
  As fadas explicam. Catarina fica maravilhada, principalmente, quando as fadas mostram um livro e as palavras.
- Áh! Eu sonho muito com isto! – Diz Catarina
- Com livros? – Pergunta a fada dos livros
- Sim…eu não sabia o que era, mas agora, quando me mostraram este, percebo que sonho com…livros.
- Que bom! – Dizem as fadas a sorrir
- E gostas de sonhar com livros? – Pergunta a fada dos livros
- Gosto…acho que gosto. Mas não o que diz lá.
- Tu gostavas de saber ler e escrever? – Pergunta a Fada dos livros
- Sim! Gostava muito…mas os professores não chegam aqui. Temos uma escola, mas nunca vamos para lá porque não há professores.
- Pois! – Dizem as fadas.
- Mas a partir de hoje, haverá escola, livros e letras para todos os meninos que quiserem. – Diz a fada dos livros
- E nós seremos as professoras! Eu ensinarei as letras, e ela vai-vos dar os textos e livros. – Explica a fada das letras
- Eu quero muito aprender letras e ver livros. Quando começa? – Pergunta Catarina
- Pode começar hoje mesmo! – Diz a fada das letras
- Boa! Posso ir chamar os meninos? – Pergunta Catarina
- Claro que sim. Encontramo-nos na escola. – Diz a fada dos livros.
- Muito obrigada! – Diz Catarina
   E Catarina vai de porta em porta, onde há crianças, e leva-as para a escola. Num instante, ela aparece na escola com mais 12 crianças da idade dela, com quem brinca muito. Estão todas muito curiosas e entusiasmadas.
     As fadas apresentam-se, e as crianças também. Estão todos encantados com as professoras. E a fada das letras começa a ensinar a primeira letra. Põe a letra no quadro, em material e mostra desenhos da letra, com imagens de palavras começadas por essa letra. 
       Os meninos conhecem todos os objectos que ela mostra, mas não sabiam que começavam por essa letra, e que se escrevia assim.
     Depois, aprendem outra letra, e mais outra…todos os dias aprendem letras diferentes, e rapidamente sabem desenhá-las e identificar.
   Nas semanas seguintes, depois das principais letras estarem sabidas, a fada dos livros dá às crianças pequeninas e simples frases, e a fada das letras ensina a juntar as palavras e as letras.        
  Aprendem a ler, primeiro as frases, depois pequeninos textos, até grandes textos, e ouvem todos os dias lindas histórias contadas pelas fadas.  Estão todos tão felizes, e os pais orgulhosos.
     A pequenina vila fica cheia de livros que as fadas oferecem, e ganha uma nova vida, uma nova alegria, com as crianças na escola. São alunos muito interessados e aplicados, que adoram aprender.
      Mesmo assim, não deixam de ajudar os pais e os avós, só que agora são cabecinhas mais abertas, que querem aprender mais e mais, e conseguem levar os pais e os avós também para a escola, aprender a ler e a escrever.
     Nas noites de Verão, as crianças juntavam-se com os adultos, para lerem histórias e ouvirem outras histórias verdadeiras, que depois escreviam.
    É muito bom ler, escrever e aprender.
E vocês? Também gostam de ler e de escrever?

FIM
Lálá
(6/Agosto/2014)



A lula, o polvo e a super criança






(Pintado por Lara Rocha, do Livro de Pintar para Adultos) 
 
 Era uma vez uma lula e um polvo ainda pequenos que foram levados pelas ondas, do alto mar, para a costa, para fugir dos terríveis pescadores. 

 Nadaram e mergulharam, até que aterraram na costa muito cansados.

- Mas...já chegamos? – Pergunta a lula ainda cansada
- Já! E achas que andamos pouco?
- Não! Estou com as minhas guelras geladas...e...entupidas.
- Aqueles monstros perseguem-nos.
- Pois é!
- Mas acho que aqui estamos seguros!
- Sim.
- Hummm…aqui há coisas boas. Cheira bem!
- Huuummm…realmente!
        Os dois comeram algas variadas, de tamanhos, cores e texturas deliciosas. Estavam com tanta fome que de tantas algas que comeram cresceram de repente. 
     Gostaram tanto daquele sítio que aí ficaram mais uns dias. Nesses dias cresceram assustadoramente e engordaram, quase sem darem por isso.
     Um pescador viu o tamanho deles, e abriu a boca muito surpreso.
- O que é isto?
     A lula e o polvo não se mexem de tanto que comeram.
- Áh! Vou levá-los...vou ganhar milhões com estes bichos tão grandes...de onde terão vindo? Não são da nossa costa.
      Ele pega nos dois e leva-os para casa. A mulher e a filha pequena assustam-se com o tamanho deles.
- Nunca vi nada assim! – Diz a mulher
- Eu também não! Vamos pô-los em exposição para ganharmos milhões. – Sugere o homem feliz
- Eu não quero isso! – Grita a filha assustada
- Vão ficar lá fora…! – Diz o homem
- Onde encontraste estes monstros?
- Aqui na nossa praia! – Diz o homem
- De onde vieram?
- Não sei...já me perguntei do mesmo! O que interessa é que eles estão aqui, e vão-nos tornar ricos...muito ricos.
- Espero bem que sim.
    O pescador põe os enormes moluscos no terraço e faz reclame para todos irem ver. Nesse dia recebe mesmo muitas visitas e muito dinheiro, porque era novidade e ninguém tinha visto uma coisa daquelas.
     Mas nos dias seguintes já ninguém foi ver. Alguns até pensaram que o pescador estava a exagerar só para ganhar dinheiro. A lula e o polvo conversam:
- Estou farta de estar aqui!
- Eu também!
- E estou farta de ser vista.
- Eu também.
- Já viste que pouca sorte a nossa?
- Pois foi!
- Primeiro...íamos ser pescados por aqueles monstros, e levados para o prato, depois...íamos parar à costa, a pensar que era um sítio seguro...vem este e pesca-nos. E agora, estamos aqui, sem quase nos conseguirmos mexer!
- Queria fugir daqui!
- Eu também, mas não temos saída, pois não? 
- Não!
     A mulher e a filha do pescador, com os ciúmes e zangadas por aqueles animais não lhes darem mais dinheiro, pegam em facas, garfos e tesouras e estão decididas a acabar com eles. 
    Sobem as escadas com ar de ameaçadoras. Mas a super criança estava atenta como sempre, e muito rapidamente, lançou um raio de luz sobre os dois para ficarem muito pequenos. Eles ficam realmente minúsculos, a super criança pega neles e vai pela praia.
- Óh não! – Gritam os dois assustados
- Para onde vamos agora? – Pergunta a lula
- Não se preocupem! Vão para um sítio seguro! – Garante a super criança
- Uma panela? – Pergunta o polvo
- Um tacho? – Pergunta a lula
- Um aquário? – Pergunta o polvo
- Não! Nenhum desses sítios. – Diz a criança
- Ai, que medo! – Suspira a lula
      A super criança pousa-os numa grutinha, uma rocha da praia.
- Onde estamos agora? – Pergunta o polvo
- Estão no sítio seguro! Na mesma praia de onde saíram mas protegidos.
    Estavam lá centenas de moluscos como eles os dois e aproximam-se logo deles.
- Olá! – Gritam todos
- Olá! – Respondem os dois a sorrir
- Bem-vindos! – Diz outro polvo
- Obrigada! – Respondem os dois
- Mas como vieram aqui parar tantos? – Pergunta a lula
- Fomos trazidos pela super criança. A mesma que vos trouxe! Ela é o nosso anjo da guarda.
     Todos aplaudem a super criança. A super criança ri e diz:
- Vou voltar ao trabalho! Fiquem à vontade.
- Muito obrigada! – Respondem todos
     Enquanto a lula e o polvo respiram de alívio por estarem a salvo, e na companhia de tantos iguais a eles, a mulher e a filha do pescador, que iam todas lampeiras, ficam geladas.
- Onde estão aqueles molengos? – Pergunta a filha
- Deviam estar aqui! – Responde a mãe
- O pai disse que estavam aqui, mas não estão!
- E agora?
- Para onde terão ido?
- Será que fugiram ou alguma ave os levou?
- Não sei.
- E agora?
- Agora...nada feito!
   As duas ficam muito zangadas, porque queriam mesmo acabar com aqueles bichos, mas perderam-nos. A super criança apareceu mesmo a tempo!
   As duas descem as escadas aos gritos, e na praia há festa no resguardo das lulas e dos polvos, que voltam a ter a sua liberdade e proteção.
        Tiveram mesmo sorte!

                                     FIM
                                     Lara Rocha 
                                  (29/Julho/2014)