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sexta-feira, 16 de abril de 2021

monólogo: gelo, chuva fria e gotas de orvalho













A cada desilusão, a cada ilusão que criamos, a cada tristeza que sentimos. A cada perda, cada derrota, cada abandono...cada doença, a cada maldade, a cada injustiça...lançamos um pedaço de gelo para o nosso coração. 

Umas vezes grande, outras vezes pequeno, mas é sempre uma pedra de gelo! 
Uns pedaços derretem, outros não! Uns transformam-se em lágrimas, outros ganham ainda mais força, peso e espessura. 

E quanto mais gelo acumulamos mais pesados ficamos. E mais frios somos. Quem pode desfazer os cubos de gelo? Talvez...Cada um de nós, alguém, ou nunca os desfaremos. Mas mais cedo ou mais tarde, o gelo torna-se visível Mais gelado, mais duro. E nós? Em que nos transformamos? Em nada  a não ser...Gelo! 

As lágrimas que caem dos nossos olhos, umas vezes são chuva fria, outras vezes são água do mar. Umas vezes são águas limpas,  outras vezes, águas poluídas. Umas vezes transportam alegria outras vezes tristeza.

Outras saudades de bons momentos, de pessoas especiais, outras, muitas outras coisas. Mas todas lavam a alma, e desatam os nós que às vezes apertam tanto tempo a garganta  E o coração. Cada gota de orvalho brilha com os raios de sol.

Cada gota de orvalho é um brilhante oferecido pelos anjos. Cada gota de orvalho conta um desgosto da terra, uma dor, por cada  crueldade do homem. Em cada gota de orvalho pode também brilhar um olhar ou um sorriso feliz. Cada gota de orvalho é um lindo mistério, um toque mágico, uma promessa boa, um bom presságio, pelo menos, de um momento de paz!  Enquanto vemos uma gora de orvalho a brilhar  com o sol. 

                                                                Fim 

                                                            Lara Rocha 

                                                            16/4/2021





Os livros são uma arte



Os livros são uma arte! Uma arte em forma de palavras e imagens. A arte de fazer sonhar, de ensinar, aprender, conversar, crescer, brincar, rir, chorar, corar, imaginar, viver. Ter livros é ter amigos...Ler livros é como viajar. Como se estivéssemos numa aula particular, num consultório de psicologia, num filme, num teatro. 

Com eles podemos chegar a milhares de sítios / espaços diferentes, novos povos, novas raças, costumes, tradições diferentes das nossas, sentir coisas novas, como se estivéssemos a vivê-las…ver a natureza, o espaço, sem sair do lugar. 

Podemos falar com eles, umas vezes baixinho, outras vezes alto…Ou até escrevendo o que achamos. Sem nunca sermos criticados ou gozados, por isso, eles também são uns grandes confidentes e ensinam – nos muito, contam – nos segredos. Mostram-nos o que somos, e que não estamos sozinhos, porque somos únicos, mas há muita gente à nossa volta que é como nós! 

Gostamos tanto de alguns livros, que se pudéssemos dormíamos com eles, não era? Por tanto que nos fazem sonhar de olhos abertos, pelas imagens, pela mensagem, pelas personagens ou por tudo! 

Com eles  conhecemos novas pessoas, percebemos que nem todos somos bons, e nem todos somos maus, somos bons e maus. Nas histórias, e na vida real. Até parece que ao lê-los, as pessoas de quem os autores falam, saltam dos livros…conseguimos vê-las, sentir a presença delas, libertar algumas emoções e eles despertam – nos outras!

Podemos interagir com elas! Através das palavras às vezes até parece que os autores nos fazem um raio – x ao corpo e principalmente à alma. Ou que leem os nossos pensamentos.

Os livros são tesouros! Deviam ser todos bem tratados, mas alguns não têm muita sorte! Os que são bem tratados, devem sentir – se lisonjeados, felizes. É maravilhoso ter livros e ler livros, andar com eles, senti-los, agarrá-los, segurá-los com as mãos, entre os braços. Acariciá-los com os nossos dedos, quando os folheamos.

Ter livros, é ganhar arte, aliás, um livro é uma obra de arte! Aquela que não precisa sempre de palavras para expressar emoções, porque usa uma ou várias imagens, para contar uma história. 

Aquela que cada um quiser, com as personagens que mais gostar. Os livros são como a arte, que nos faz sentir alguma coisa especial, ativa recordações, faz pensar e sonhar! Rir, chorar...

Qualquer arte, e os livros são uma arte, fala connosco, com aquelas palavras que às vezes fogem, perdem-se, vagueiam, e não encontram saída. Arte, dança, teatro, pintura, escrita, desenho, ou outras formas, são os suspiros da alma, as histórias escondidas, que se querem mostrar, os medos envergonhados que se mostram disfarçados, vestidos de animais ou de escuro, monstros, ou seres bonitos. 

Obrigada por existirem livros! Obrigada a quem os constrói, obrigada por fazerem parte da nossa vida, pelo que nos ensinam, pela vossa presença, bondade e sincera amizade! É maravilhoso ler!

E vocês gostam de ler? 

Porquê? 

                                             

                                      FIM

                               Lara Rocha 

                                                                                                                                15/4/2021

terça-feira, 6 de abril de 2021

o peso do cérebro

     O nosso cérebro é luz e escuro, pesado e leve! Às vezes fica pesado como a noite, parece que entramos numa gruta sem saída, nas profundezas da terra, assombrada pela dor, pela angústia, pelo medo, pela tristeza. 
     A escuridão torna o nosso cérebro pesado, quando estamos confusos, vazios de coisas boas, sem pensamentos positivos, alegrias, boas recordações, amor, amizade, abraços, carinhos, conversas agradáveis, sem sonhos, desejos, boas companhias. 
    O nosso cérebro fica pesado e na escuridão, quando nos faltam objetivos, quando sofremos com desilusões, dores, doenças, deceções, frustrações, sonhos não realizados, lutas perdidas. O nosso cérebro pode ser leve como as borboletas, um dia de sol, um passeio pela natureza, pela praia, pela montanha, quando ouvimos o som dos pássaros, do vento, da chuva, das vozes de quem mais gostamos, o riso de uma criança, o termos saúde. 
    O nosso cérebro às vezes fica pesado e se o pudéssemos ver, teriam cores escuras, outras vezes, quando o nosso cérebro está leve, preenchido com coisas boas, as cores seriam alegres. Mas o nosso cérebro não tem de ser sempre pesado, nem pode ser sempre leve, às vezes fica com uma parte pesada, e outra leve, ou leve, com restos de pesado. Como deve ficar pesado o cérebro quando parece que todos os pensamentos desaparecem!
    Como deve ficar pesado o nosso cérebro quando está repleto de maus pensamentos e maus sentimentos. Como fica pesado o nosso cérebro e o nosso coração, com as imagens que vemos, da guerra, da destruição, e da indiferença. Como fica pesada a nossa cabeça quando nos desiludem, seja de que maneira for.
    Como fica pesado o coração e a mente quando pensamos e ouvimos tanta maldade a ser espalhada, em vez de espalharmos amor, tanta inveja uns contra os outros, em vez de nos apoiarmos na nossa totalidade, no que somos enquanto seres humanos, que vivemos com outros seres humanos.
Como fica pesado a nossa mente, e o nosso coração ao ver tanta crueldade espalhada pelo mundo, nas suas diferentes formas. Se pudéssemos pô-los na balança, talvez chegasse ao peso máximo. Como fica pesada a nossa mente e o nosso coração com algumas decisões que tomamos a pensar que vamos ajudar os outros, e o que recebemos do outro lado, indiferença, ingratidão, maus tratos, dores, sofrimentos.
    Como fica pesada a nossa mente e o nosso coração ao perceber que não podemos fazer nada por tanta gente que precisava, mas infelizmente está longe, e encontramos uma série de obstáculos. Como fica pesada a nossa mente e o nosso coração, quando enfrentamos fracassos, quando os nossos objetivos não são cumpridos, e pensamos que tínhamos obrigação de ser perfeitos, de dar o nosso melhor, de sermos os melhores para retribuir o que fizeram por nós de bom.
    Como fica pesada a mente e o coração, com a tristeza e a vontade de desistir, quando o cansaço e o desânimo tomam conta de nós! Como fica pesada a mente e o coração ao tomarmos consciência que falhamos, que erramos, que não conseguimos cumprir tudo o que planeamos e desejamos. Com certeza um peso que não se mostra na balança, mas nos comportamentos, expressões faciais e emoções quando conseguem sair. Muitas vezes a mente fica na mais completa noite sem estrelas.
    Mas há sempre umas mãos que nos trazem de volta a luz, que pegam na nossa mente ao colo, que nos embalam e acalmam, em forma de anjos para quem acredita neles, em forma de palavras agradáveis e simpáticas, pequenos gestos de carinho, sorrisos, presença por mensagens ou gratidão!
    Há sempre alguém ou pensamentos, sorrisos, abraços, contemplações que o tornam mais leve, como uma borboleta. Há tanta coisa que torna o cérebro mais leve: as cores, as flores, os rios, os animais, as praias. Nunca estamos sozinhos, nem mesmo quando achamos que não existe ninguém que nos compreenda! Essas mãos estão lá, essa luz, acende-se!

E a vocês, o que vos faz pesar mais o cérebro? O que vos faz tornar o cérebro mais leve?
Podem deixar nos comentários.

Boa noite, com um cérebro leve, e que mãos especiais nos protejam, segurem, abracem e cuidem de nós.

Lara Rocha

6/4/2021

domingo, 4 de abril de 2021

os cinco sentidos e a guerra - sobre a guerra no Mundo



Vejo uma Guerra sem fim! 

Vejo a Guerra, 

vejo a tristeza, 

vejo o mal, 

vejo a destruição, 

vejo um inicio sem fim! 

Vejo feridas, e sangue derramado, de inocentes, vejo lágrimas, vejo medos, vejo bombas, vejo armas, vejo sonhos desfeitos, vejo famílias destroçadas vejo crianças sozinhas...

Vejo um inicio sem fim! 

Ouço tiros, ouço gritos, ouço choros, ouço dores, ouço estouros, ouço bombas, ouço explosões...! 

Ouço um inicio sem fim! 

Cheiro a Fumo, cheiro a morte, cheiro a sangue, cheiro a pólvora...cheiro um inicio sem fim! 

Sinto a dor, sinto o fumo, sinto os estrondos, sinto o medo, e o terror, por todo o lado, sinto a incerteza, sinto a tristeza, sinto a guerra, sinto o frio, sinto o calor, sinto o mal, sinto um inicio sem fim! 

                                                                        Lara Rocha 

Nascer e criança (monólogo de reflexão)

Desenhado por Lara Rocha 

Das cinzas, vi nascer uma flor. Do vento, vi nascer novas flores. Das nuvens, vi nascer o sol. Do escuro da noite, vi nascer o dia. De uma estrela,
vi nascer um brilho num olhar. De um sol, vi nascer luz. De uma chama, vi nascer ardor, e calor. 
De um coração, vi nascer um amor, de uma lágrima uma saudade. De uma mãe um ser vivo, de um sonho um desejo. De um desejo, uma desilusão e uma paixão. 
De um sorriso de criança, vi nascer uma nova esperança, e na sinceridade do olhar puro de criança, vi nascer a simplicidade da verdadeira felicidade. 
NASCER... No sorriso de uma criança, vejo um brilho cristalino, como as pequeninas gotas de orvalho a brilhar ao sol. ~
No sorriso de uma criança, vejo delicadeza, como botões de flores a abrir. No sorriso de uma criança, vejo o arco-íris, vejo magia...vejo liberdade. 
No sorriso de uma criança, vejo estrelas a brilhar, vejo pós mágicos de fadas, luz pura, diamantes...Alguns lascados por abandono, tristeza, maus-tratos, doença...No sorriso de uma criança, vejo paz, vejo sinceridade, vejo verdade...No sorriso de uma criança, vejo felicidade...No sorriso de uma criança vejo uma das grandes maravilhas do mundo
                                                                  Lara Rocha 
                                                                    3/4/2021 
                                    

sábado, 3 de abril de 2021

O mar e a mulher (monólogo)

      


       O que sentirá o mar quando recebe lixo...em vez de flores? O que sentirá o mar quando os barcos se afundam? E quando engole pessoas? O que fará com as lágrimas que recebe das mulheres dos pescadores, ou daquelas que se afundam a fugir da guerra? 

        O que fará o mar com elas? Será que as acolhe? O que importa, elas já não sentirão. O que sentirá o mar quando ouve os lamentos dos tristes? Não fala por palavras, não fala das suas tristezas, não revela a dos outros, o que fará com tudo isso? A sua intensidade, pode ser a revelação de como se sente! Mar feliz, mar sereno, mar triste e revoltado, mar agitado, mar...é misterioso...mar é essência, mar á baú de segredos, mar é vida! Mar é água, emoção, medo e inspiração. 

        Por tudo isto...faz lembrar a mulher! O mar pode ser comparado a um corpo feminino, e a uma alma feminina. Corpo feminino pelas suas ondas que parecem vestidos longos, quando desfila e ondula ao sabor do vento. 

        Corpo feminino porque atrai e gosta de ser apreciado, seduz, provoca, e convida à descoberta. Corpo feminino pelas suas cores...corpo feminino pelas suas pedras, e pelo seu peixe. Alma feminina, pelas suas fases de instabilidade...ora calma, ora revoltada. 

        Alma feminina, porque tanto dá, como tira...alma feminina porque é mistério, sem compreensão, alma feminina porque tem em si milhares de lágrimas de vida! Alma feminina, toda colorida mas só por fora, parecem felizes, sorriem, estão bem com toda a gente, mas nas suas profundezes, podem estar numa prisão! 

        Uma prisão fria, escura, solitária...chamada tristeza, onde o preso - o coração, está fraco. Arrasta-se pela cadeia, a gritar (quase sem fôlego), e a implorar ao corpo que o liberte, nem que seja pelos olhos, ou pela doença. 

        A mulher às vezes é sereia ou peixe preso nas redes, quando elas querem dar alguma coisa, fazer alguma coisa por alguém, que sente que precisa dela, quanto tenta ajudar outras pessoas, e elas ignoram-nas, respondem-lhes mal, ou quando não podem. 

       A alma feminina sente-se sufocada, quando está muito angustiada, por qualquer que seja o motivo, ficam presas sem espaço, sem ar, sol, vento, chuva. A alma feminina enfrenta com coragem mas medo as suas intempéries, serenadas por algum sol, o que emana das crianças. 


                                                                Lara Rocha

                                                                3/4/2021  

monólogo lágrimas e palavras comestíveis



Há palavras que não podemos dizer para não magoar os outros, mas que nos envenenam todo o corpo. Há palavras que nos dirigem algumas pessoas, e às quais não respondemos, engolimos, bebemos veneno.

emoções, sentimentos, palavras, que gostávamos de dividir, por exemplo na hora do desespero, ou se dividimos raramente/ nunca recebemos conforto A resposta é o silêncio, a ignorância, mais veneno para o corpo…

Não poder dizer a outra pessoa que amamos, o sofrimento que ela nos causa por terminar o namoro, ou por não nos dar a atenção que gostávamos, e muitas outras situações, não podermos dizer que temos saudades dele (a), com medo de que essa pessoa se afaste ainda mais, que interprete mal, ou que ainda diga coisas piores.

Principalmente saber que nós estamos mal e essa outra pessoa está bem, como se nada fosse! Dói muito…Deixa-nos geladas (os), destrói-nos a alma, faz-nos chorar, e achar que não vamos conseguir dar a volta. 

Tira-nos a alegria, o sorriso, e a vontade de viver…Faz-nos sentir estranhos, tristes, como se fossemos desconhecidos de nós mesmos, deixa-nos doentes. Há palavras que ouvimos, que não dizemos...Que parecem facadas no nosso interior, 

Deixa-nos com a sensação de estarmos mortos. É muito triste…! E se pudéssemos provar as palavras que ouvimos? Todas teriam sabores diferentes! Umas saberiam a doce, outras a amargo, umas a salgado, outras a deslavado.

Umas saberiam a picante, outras a fresco, ou a quente, outras...seriam gelo...cada uma tem mesmo um sabor diferente. Não as comemos com a boca, mas o coração come! Se sorrimos, ele gostou do sabor das palavras. Se choramos, ele não gostou do sabor. 

O que faz ele com os diferentes sabores das palavras? Guarda-as? Deita-as fora? Se pudéssemos tocar na palavras...Umas seriam veludo, outras pétalas macias de flores. Umas seriam vidros partidos, facas, picos, agulhas e pedras que nos magoavam de certeza. 

Outras seriam outro material indefinido, penas leves ou asas finas de borboletas...Voaríamos com elas? Porque não...Algumas palavras que nos dizem são tão leves...Tão macias...tão boas...O coração gosta delas. Outras, cortam-nos aos pedaços, rasgam-nos, ferem-nos, furam-nos, atravessam-nos… 

O coração não gosta dessas. Quando ele gosta do toque das palavras, sorrimos. Quando ele não gosta, choramos. Cada palavras tem um sabor diferente, cada palavra tem uma cor diferente, cada palavra tem uma textura diferente...Mas ouvimos todas!

O mesmo acontece com cada lágrima! Cada lágrima conta um segredo, nunca confessado. Um desejo, nunca realizado, um sonho, uma recordação ou várias recordações. Felizes, tristes, doces, românticas, um sentimento, uma emoção, um medo. 

Cada lágrima conta...momentos de dor, de saudades de alguém, de algum lugar, de alguma coisa especial, de um momento...de um tempo feliz...e mesmo de alguns momentos inesquecíveis, e mesmo de alguns minutos especiais. 

Cada lágrima conta mágoas, rancores, iras, frutrações, derrotas, vitórias. Cada lágrima solta um grito, ou vários gritos silenciosos, profundos, que têm de ser calados, sufocados...que emanam do oceano interior...grito de aflição, de dor, de tristeza, de raiva, de ódio, de amores não correspondidos, proibidos, Que não saem dos sonhos... 

Cada lágrima, Conta a solidão, Canta a tristeza, Cada lágrima...Varre a alma, Limpa o  coração, Purifica, Descongela-nos,  Liberta o que está preso na alma… Cada lágrima...Mostra tudo o que temos Dentro de nós...Quando as máscaras caem.. Cada lágrima, despe-nos, Mostra o que somos realmente. Cada lágrima… Conta uma história de vida.


Lara Rocha 

2/4/2021