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terça-feira, 6 de abril de 2021

o peso do cérebro

     O nosso cérebro é luz e escuro, pesado e leve! Às vezes fica pesado como a noite, parece que entramos numa gruta sem saída, nas profundezas da terra, assombrada pela dor, pela angústia, pelo medo, pela tristeza. 
     A escuridão torna o nosso cérebro pesado, quando estamos confusos, vazios de coisas boas, sem pensamentos positivos, alegrias, boas recordações, amor, amizade, abraços, carinhos, conversas agradáveis, sem sonhos, desejos, boas companhias. 
    O nosso cérebro fica pesado e na escuridão, quando nos faltam objetivos, quando sofremos com desilusões, dores, doenças, deceções, frustrações, sonhos não realizados, lutas perdidas. O nosso cérebro pode ser leve como as borboletas, um dia de sol, um passeio pela natureza, pela praia, pela montanha, quando ouvimos o som dos pássaros, do vento, da chuva, das vozes de quem mais gostamos, o riso de uma criança, o termos saúde. 
    O nosso cérebro às vezes fica pesado e se o pudéssemos ver, teriam cores escuras, outras vezes, quando o nosso cérebro está leve, preenchido com coisas boas, as cores seriam alegres. Mas o nosso cérebro não tem de ser sempre pesado, nem pode ser sempre leve, às vezes fica com uma parte pesada, e outra leve, ou leve, com restos de pesado. Como deve ficar pesado o cérebro quando parece que todos os pensamentos desaparecem!
    Como deve ficar pesado o nosso cérebro quando está repleto de maus pensamentos e maus sentimentos. Como fica pesado o nosso cérebro e o nosso coração, com as imagens que vemos, da guerra, da destruição, e da indiferença. Como fica pesada a nossa cabeça quando nos desiludem, seja de que maneira for.
    Como fica pesado o coração e a mente quando pensamos e ouvimos tanta maldade a ser espalhada, em vez de espalharmos amor, tanta inveja uns contra os outros, em vez de nos apoiarmos na nossa totalidade, no que somos enquanto seres humanos, que vivemos com outros seres humanos.
Como fica pesado a nossa mente, e o nosso coração ao ver tanta crueldade espalhada pelo mundo, nas suas diferentes formas. Se pudéssemos pô-los na balança, talvez chegasse ao peso máximo. Como fica pesada a nossa mente e o nosso coração com algumas decisões que tomamos a pensar que vamos ajudar os outros, e o que recebemos do outro lado, indiferença, ingratidão, maus tratos, dores, sofrimentos.
    Como fica pesada a nossa mente e o nosso coração ao perceber que não podemos fazer nada por tanta gente que precisava, mas infelizmente está longe, e encontramos uma série de obstáculos. Como fica pesada a nossa mente e o nosso coração, quando enfrentamos fracassos, quando os nossos objetivos não são cumpridos, e pensamos que tínhamos obrigação de ser perfeitos, de dar o nosso melhor, de sermos os melhores para retribuir o que fizeram por nós de bom.
    Como fica pesada a mente e o coração, com a tristeza e a vontade de desistir, quando o cansaço e o desânimo tomam conta de nós! Como fica pesada a mente e o coração ao tomarmos consciência que falhamos, que erramos, que não conseguimos cumprir tudo o que planeamos e desejamos. Com certeza um peso que não se mostra na balança, mas nos comportamentos, expressões faciais e emoções quando conseguem sair. Muitas vezes a mente fica na mais completa noite sem estrelas.
    Mas há sempre umas mãos que nos trazem de volta a luz, que pegam na nossa mente ao colo, que nos embalam e acalmam, em forma de anjos para quem acredita neles, em forma de palavras agradáveis e simpáticas, pequenos gestos de carinho, sorrisos, presença por mensagens ou gratidão!
    Há sempre alguém ou pensamentos, sorrisos, abraços, contemplações que o tornam mais leve, como uma borboleta. Há tanta coisa que torna o cérebro mais leve: as cores, as flores, os rios, os animais, as praias. Nunca estamos sozinhos, nem mesmo quando achamos que não existe ninguém que nos compreenda! Essas mãos estão lá, essa luz, acende-se!

E a vocês, o que vos faz pesar mais o cérebro? O que vos faz tornar o cérebro mais leve?
Podem deixar nos comentários.

Boa noite, com um cérebro leve, e que mãos especiais nos protejam, segurem, abracem e cuidem de nós.

Lara Rocha

6/4/2021

domingo, 4 de abril de 2021

os cinco sentidos e a guerra - sobre a guerra no Mundo



Vejo uma Guerra sem fim! 

Vejo a Guerra, 

vejo a tristeza, 

vejo o mal, 

vejo a destruição, 

vejo um inicio sem fim! 

Vejo feridas, e sangue derramado, de inocentes, vejo lágrimas, vejo medos, vejo bombas, vejo armas, vejo sonhos desfeitos, vejo famílias destroçadas vejo crianças sozinhas...

Vejo um inicio sem fim! 

Ouço tiros, ouço gritos, ouço choros, ouço dores, ouço estouros, ouço bombas, ouço explosões...! 

Ouço um inicio sem fim! 

Cheiro a Fumo, cheiro a morte, cheiro a sangue, cheiro a pólvora...cheiro um inicio sem fim! 

Sinto a dor, sinto o fumo, sinto os estrondos, sinto o medo, e o terror, por todo o lado, sinto a incerteza, sinto a tristeza, sinto a guerra, sinto o frio, sinto o calor, sinto o mal, sinto um inicio sem fim! 

                                                                        Lara Rocha 

Nascer e criança (monólogo de reflexão)

Desenhado por Lara Rocha 

Das cinzas, vi nascer uma flor. Do vento, vi nascer novas flores. Das nuvens, vi nascer o sol. Do escuro da noite, vi nascer o dia. De uma estrela,
vi nascer um brilho num olhar. De um sol, vi nascer luz. De uma chama, vi nascer ardor, e calor. 
De um coração, vi nascer um amor, de uma lágrima uma saudade. De uma mãe um ser vivo, de um sonho um desejo. De um desejo, uma desilusão e uma paixão. 
De um sorriso de criança, vi nascer uma nova esperança, e na sinceridade do olhar puro de criança, vi nascer a simplicidade da verdadeira felicidade. 
NASCER... No sorriso de uma criança, vejo um brilho cristalino, como as pequeninas gotas de orvalho a brilhar ao sol. ~
No sorriso de uma criança, vejo delicadeza, como botões de flores a abrir. No sorriso de uma criança, vejo o arco-íris, vejo magia...vejo liberdade. 
No sorriso de uma criança, vejo estrelas a brilhar, vejo pós mágicos de fadas, luz pura, diamantes...Alguns lascados por abandono, tristeza, maus-tratos, doença...No sorriso de uma criança, vejo paz, vejo sinceridade, vejo verdade...No sorriso de uma criança, vejo felicidade...No sorriso de uma criança vejo uma das grandes maravilhas do mundo
                                                                  Lara Rocha 
                                                                    3/4/2021 
                                    

sábado, 3 de abril de 2021

O mar e a mulher (monólogo)

      


       O que sentirá o mar quando recebe lixo...em vez de flores? O que sentirá o mar quando os barcos se afundam? E quando engole pessoas? O que fará com as lágrimas que recebe das mulheres dos pescadores, ou daquelas que se afundam a fugir da guerra? 

        O que fará o mar com elas? Será que as acolhe? O que importa, elas já não sentirão. O que sentirá o mar quando ouve os lamentos dos tristes? Não fala por palavras, não fala das suas tristezas, não revela a dos outros, o que fará com tudo isso? A sua intensidade, pode ser a revelação de como se sente! Mar feliz, mar sereno, mar triste e revoltado, mar agitado, mar...é misterioso...mar é essência, mar á baú de segredos, mar é vida! Mar é água, emoção, medo e inspiração. 

        Por tudo isto...faz lembrar a mulher! O mar pode ser comparado a um corpo feminino, e a uma alma feminina. Corpo feminino pelas suas ondas que parecem vestidos longos, quando desfila e ondula ao sabor do vento. 

        Corpo feminino porque atrai e gosta de ser apreciado, seduz, provoca, e convida à descoberta. Corpo feminino pelas suas cores...corpo feminino pelas suas pedras, e pelo seu peixe. Alma feminina, pelas suas fases de instabilidade...ora calma, ora revoltada. 

        Alma feminina, porque tanto dá, como tira...alma feminina porque é mistério, sem compreensão, alma feminina porque tem em si milhares de lágrimas de vida! Alma feminina, toda colorida mas só por fora, parecem felizes, sorriem, estão bem com toda a gente, mas nas suas profundezes, podem estar numa prisão! 

        Uma prisão fria, escura, solitária...chamada tristeza, onde o preso - o coração, está fraco. Arrasta-se pela cadeia, a gritar (quase sem fôlego), e a implorar ao corpo que o liberte, nem que seja pelos olhos, ou pela doença. 

        A mulher às vezes é sereia ou peixe preso nas redes, quando elas querem dar alguma coisa, fazer alguma coisa por alguém, que sente que precisa dela, quanto tenta ajudar outras pessoas, e elas ignoram-nas, respondem-lhes mal, ou quando não podem. 

       A alma feminina sente-se sufocada, quando está muito angustiada, por qualquer que seja o motivo, ficam presas sem espaço, sem ar, sol, vento, chuva. A alma feminina enfrenta com coragem mas medo as suas intempéries, serenadas por algum sol, o que emana das crianças. 


                                                                Lara Rocha

                                                                3/4/2021  

monólogo lágrimas e palavras comestíveis



Há palavras que não podemos dizer para não magoar os outros, mas que nos envenenam todo o corpo. Há palavras que nos dirigem algumas pessoas, e às quais não respondemos, engolimos, bebemos veneno.

emoções, sentimentos, palavras, que gostávamos de dividir, por exemplo na hora do desespero, ou se dividimos raramente/ nunca recebemos conforto A resposta é o silêncio, a ignorância, mais veneno para o corpo…

Não poder dizer a outra pessoa que amamos, o sofrimento que ela nos causa por terminar o namoro, ou por não nos dar a atenção que gostávamos, e muitas outras situações, não podermos dizer que temos saudades dele (a), com medo de que essa pessoa se afaste ainda mais, que interprete mal, ou que ainda diga coisas piores.

Principalmente saber que nós estamos mal e essa outra pessoa está bem, como se nada fosse! Dói muito…Deixa-nos geladas (os), destrói-nos a alma, faz-nos chorar, e achar que não vamos conseguir dar a volta. 

Tira-nos a alegria, o sorriso, e a vontade de viver…Faz-nos sentir estranhos, tristes, como se fossemos desconhecidos de nós mesmos, deixa-nos doentes. Há palavras que ouvimos, que não dizemos...Que parecem facadas no nosso interior, 

Deixa-nos com a sensação de estarmos mortos. É muito triste…! E se pudéssemos provar as palavras que ouvimos? Todas teriam sabores diferentes! Umas saberiam a doce, outras a amargo, umas a salgado, outras a deslavado.

Umas saberiam a picante, outras a fresco, ou a quente, outras...seriam gelo...cada uma tem mesmo um sabor diferente. Não as comemos com a boca, mas o coração come! Se sorrimos, ele gostou do sabor das palavras. Se choramos, ele não gostou do sabor. 

O que faz ele com os diferentes sabores das palavras? Guarda-as? Deita-as fora? Se pudéssemos tocar na palavras...Umas seriam veludo, outras pétalas macias de flores. Umas seriam vidros partidos, facas, picos, agulhas e pedras que nos magoavam de certeza. 

Outras seriam outro material indefinido, penas leves ou asas finas de borboletas...Voaríamos com elas? Porque não...Algumas palavras que nos dizem são tão leves...Tão macias...tão boas...O coração gosta delas. Outras, cortam-nos aos pedaços, rasgam-nos, ferem-nos, furam-nos, atravessam-nos… 

O coração não gosta dessas. Quando ele gosta do toque das palavras, sorrimos. Quando ele não gosta, choramos. Cada palavras tem um sabor diferente, cada palavra tem uma cor diferente, cada palavra tem uma textura diferente...Mas ouvimos todas!

O mesmo acontece com cada lágrima! Cada lágrima conta um segredo, nunca confessado. Um desejo, nunca realizado, um sonho, uma recordação ou várias recordações. Felizes, tristes, doces, românticas, um sentimento, uma emoção, um medo. 

Cada lágrima conta...momentos de dor, de saudades de alguém, de algum lugar, de alguma coisa especial, de um momento...de um tempo feliz...e mesmo de alguns momentos inesquecíveis, e mesmo de alguns minutos especiais. 

Cada lágrima conta mágoas, rancores, iras, frutrações, derrotas, vitórias. Cada lágrima solta um grito, ou vários gritos silenciosos, profundos, que têm de ser calados, sufocados...que emanam do oceano interior...grito de aflição, de dor, de tristeza, de raiva, de ódio, de amores não correspondidos, proibidos, Que não saem dos sonhos... 

Cada lágrima, Conta a solidão, Canta a tristeza, Cada lágrima...Varre a alma, Limpa o  coração, Purifica, Descongela-nos,  Liberta o que está preso na alma… Cada lágrima...Mostra tudo o que temos Dentro de nós...Quando as máscaras caem.. Cada lágrima, despe-nos, Mostra o que somos realmente. Cada lágrima… Conta uma história de vida.


Lara Rocha 

2/4/2021

sexta-feira, 2 de abril de 2021

Incerteza quase certa - amor platónico

      



       Sabemos algumas coisas um do outro, mas não sei se algum dia virás...mas espero-te! Mesmo na incerteza quase certa, espero-te, porque enquanto existe incerteza, há alguma esperança de certeza, mesmo pequenina, existe, e mantém a vontade que venhas para a minha realidade acesa. 

        Não sei se algum dia te terei ao meu lado, como quase te sinto enquanto imagino que estás ao meu lado. Quando te imagino sinto uma breve esperança que aconteça. Por isso, mesmo na incerteza, de poder ser uma certeza incerta. espero-te! Em qualquer relação há incertezas, certas e incertas. Por isso, eu e tu somos humanos, mas pode alguma certeza, dentro da incerteza, uma certeza negada. 

        Não sei se algum dia nos envolveremos num abraço, num ou em muitos, como gostava! Na incerteza, existe alguma certeza, pelo menos no desejo. Mesmo assim, espero-te! Nunca se sabe! Não sei se algum dia os nossos corpos se fundirão um no outro, recheados de beijos longos, apaixonados, a sentir as batidas do coração um do outro, e a respiração excitante. 

      Mesmo assim, espero-te, mesmo sabendo que é quase impossível de acontecer. Entre o impossível, existe o quase, por isso, pode acontecer. 

     Espero-te! Espero por aquele dia que não se vai chegar, mas algum dia, se encontrares as chaves que perdi e entrares no meu coração, vais encontrar tesouros só teus. Mesmo assim, espero-te, porque nada é certo, tudo é certo e incerto. Por isso, espero-te! 

    Não sei se algum dia de sonho, os nossos lábios se tocarão, mas mesmo assim, espero-te, porque desejo, espero-te, ainda que fique pelo desejo.

 Não sei se algum dia as nossas mãos se entrelaçarão e sentirei a sua temperatura, a maciez da pele, a doçura do teu corpo encostado ao meu, e nós, em momentos só nossos. 

       Não sei se fico pelo desejar ou pela esperança incerta de vir a acontecer. Mesmo assim, espero-te! Não sei se algum dia sentirei a tua respiração junto de mim, e o teu coração a bater às vezes mais forte, outras vezes calmo, relaxado por estar ao meu lado, ou apaixonado por mim, e eu por ti. Mas ainda assim, espero-te! 

   Não sei se algum dia os nossos olhos falarão um com o outro, sem palavras, apenas na linguagem secreta deles, que só eles compreendem. Mesmo assim, espero-te, porque tudo pode acontecer, ou não. Ninguém sabe, mas a incerteza, ou a certeza incerta também estimula a vontade que aconteça, e dá força para esperar esse dia chegar. 

  Não sei se algum dia incerto, seremos com certeza um só, numa só alma, num só abraço, num só beijo, num só amor. Mesmo assim, espero-te, porque este esperar faz derreter o gelo deixado pelas muitas desilusões de amores não correspondidos, na incerteza dessa realidade, espero-te! 

  Não sei se alguma vez te terei...mesmo assim, espero por ti. Não sei se alguma vez de encontrarei, como te encontro na imaginação e nos sonhos, nos desejos, na fantasia, mesmo assim, na incerteza, há sempre uma esperança de certeza. 

    Não sei se alguma vez repararás em mim, mas mesmo assim espero-te, porque entre o não saber, e o imaginar que podes reparar em mim alguma vez, dá-me força para continuar a esperar por ti, ou por outra pessoa qualquer. 

     És um ensaio, para o meu autoconhecimento, mesmo assim, espero-te porque podes passar de rascunho a desenho de uma linda história de amor, quase impossível, mas entre o impossível está o quase, que pode ficar com im, e passar a ser possível. 

  Não sei se um dia te vou dizer, ou tu a mim....mas...espero-te Amor! Sim, espero por ti. Mas o esperar também cansa! Por isso, talvez um dia destes não espere mais por ti. Amor...encontramo-nos no sítio do costume. 

    Naquele lugar onde o nosso amor existe e é certo, onde tudo pode acontecer com certeza! Estou lá, estás lá, amor, para vivermos o nosso amor incerto, certo nesse lugar certo. 

Porque no lugar que desejava, e onde tanto esperei por ti, cansei, tu não reparaste em mim, os nossos corpos não se sentiram, nada aconteceu afinal. 

         Continuamos lá, eu adolescente, e tu ainda solteiro, só meu, só para mim. Esperava esperar-te, mas cansei de te esperar. 

     Continuas lá, num cantinho feliz da minha adolescência, onde não precisava de esperar por ti, estavas sempre lá, disponível para mim, a toda a hora, naquela fase onde achamos que tudo é possível. 

 Como somos inocentes, mas a idade da inocência até é gira, o pior é quando acordamos para a realidade, onde nunca nos vimos, nunca nos sentimos, numa fomos um do outro! Ajudaste no meu autoconhecimento. 

     Obrigada por todos os sonhos e fantasias que tive contigo, obrigada por me inspirares, obrigada por te ter conhecido, e mesmo distante...aprecio-te! 

  Claro que agora já não te espero, mas continuas a fazer parte de uma recordação feliz. E todos passamos por ela. 

Até qualquer dia, amor platónico, que acreditava ser real na certeza da incerteza. 

                                                                                      Lara Rocha 

                                                                                        2/4/2021


Refúgio no mundo da infância

       


 Como é maravilhosa a nossa imaginação! Ainda hoje, e sempre que quero, lá vou eu nos braços da lua, ao colo dela, linda, redonda de felicidade, brilhante, para o mundo onde vive a inocência. 


        Lá, onde passeamos todos juntos, de mãos dadas pela paz. Lá, onde brincamos sem maldade, onde partilhamos, onde somos autênticos e felizes. Lá onde não há guerra, nem dor, nem raça, só amor! 

        Lá onde tudo é perfeito, onde há cor, onde todos os sonhos são possíveis, onde não se fecham portas. 

        Lá onde a música nunca para, onde não há noite, só estrelas que brilham de dia, nem limites, nem fronteiras. 

        Lá...no mundo da fantasia, onde se refugiam da desgraça do mundo, lá...no cantinho secreto, onde não há tempo...onde vive a eterna infância. 

        Sendo as crianças o melhor do mundo...Porque é que os adultos insistem em: maltratá-las, traficá-las a troca de dinheiro, como se fossem mercadoria…? 

        Sendo as crianças a pureza, a inocência, a simplicidade, porque é que os adultos insistem em abusar delas de todas as maneiras? 

         Elas não têm de pagar pelos erros dos adultos…porque é que os adultos insistem em usar estes seres maravilhosos, recheados de doçura, que iluminam tudo. 

        Inundam e preenchem tudo à sua volta com ternura, alegria, vida…Para vinganças estúpidas, como sacos de lixo, de coisas que não se gosta…Não são elas que provocam os problemas…Os adultos é que os criam, as crianças não têm de pagar por eles. 

        É revoltante…Dá vómitos…Faz crescer nervos…Todos os crimes que se cometem contra as crianças. seres frágeis…Bondosos…Vivem a doce realidade delas…A realidade da imaginação…Da fantasia…Talvez o sítio mais seguro onde se pode estar. 

        Um sítio onde não há maldade, onde se pode ser tudo…Onde se tem super poderes. As crianças não percebem a realidade, mas ao mesmo tempo sentem muito mais…que os adultos e os adultos insistem…Em fazer-lhes mal! 

        Não está correto! É preciso que os adultos sejam outra vez crianças, elas são um bom exemplo a seguir! 

        O mundo seria bem melhor, se os adultos fossem mais crianças ainda que num corpo maior…Sendo elas o futuro da humanidade…

        Adultos: muito cuidado! Não criem monstros para a sociedade. Se houver crianças bem tratadas, amadas, acarinhadas, respeitadas, teremos adultos muito mais saudáveis. Para uma sociedade mais humana. 

        É preciso educá-las como deve ser…Encaminhá-las no amor, na paz, no carinho, no respeito…Amá-las...

         Para as ensinar a amar-se a si mesmas, e aos outros, respeitá-las…Para as ensinar a respeitar-se a si mesmas, e aos outros…Aceitá-las como são…Para que aprendam a aceitar-se como são, e a aceitar os outros. 

         Ser tratadas com estes ingredientes…Acolhê-las, protegê-las, alertá-las…para que se defendam das maldades…

         Transmitir-lhes valores humanos, estar com eles…Os pais brincarem com eles…Isto sim…É o que as crianças querem…E não…que sejam intoxicadas de brinquedos. 

          Há tanta coisa boa…que os pais podem fazer com os filhos…crianças…para que se tornem pessoas melhores! 

          E para que haja Paz no Mundo…É preciso deixarem as crianças…Serem crianças! 

          Mais cedo ou mais tarde, a infância será apenas uma doce e saudosa lembrança que não volta a repetir-se! 

          Deixem-nas viver a infancia, imaginar, brincar, criar, rir, cair e levantar, correr, saltar, mesmo quando estudam.

          Deixem-nas brincar com brinquedos, umas com as outras, convosco, não com máquinas! 


                                                    Lara Rocha 

                                                     2/4/2021