Número total de visualizações de páginas

sábado, 24 de maio de 2014

AS MULHERES GAIVOTAS

       


       Era uma vez uma praia cheia de lixo e gaivotas. Não era uma praia que tivesse muita gente, porque de dia para dia, aumentava o lixo.
Era Inverno, e por isso, as tempestades no mar, eram quase diárias. Por causa disso, as gaivotas não podiam comer no mar, nem tinham a sorte de encontrar pescadores.
Estavam cheias de fome, e voavam baixinho, ao contrário do que era costume, com o peso das nuvens. Quando há tempestades, as gaivotas não têm outra escolha a não ser procurar no lixo das cidades alguma coisa para comer. Nem sempre é o que elas mais gostam, mas comem para sobreviver.
Um dia, com muita chuva, o monstro que vivia no mar, vem à superfície. Um ser de lata, com sucata, mas simpático.
Quando chegou à superfície assustou-se:
- O que está a acontecer aqui? Tanta gaivota em terra?! Áh…já sei…deve haver tempestade no mar! óh…e há mesmo…que ondas tão grandes se aproximam…ui…que medo! Acho que os terrocos não vão escapar…o mar vai engoli-los.
- O que estás a fazer aqui? Volta para a tua casa! – Grita uma gaivota.
- Mas quem és tu para me mandar para casa?
- Sou uma gaivota.
- E eu sou o monstro sucata! Conheço muito bem o fundo do mar.
- E nós a superfície! – Diz outra gaivota
- Eu também conheço a superfície! Sei muito bem que vem aí uma tempestade daquelas!
- Nós também sabemos. Por isso é que te estamos a avisar.
- Eu vivo aqui no mar…
- E nós também vivemos por aqui.
- Se o mar está tempestuoso porque é que estão aqui?
- Porque viemos à procura de comida, e vimos-te aqui…achamos que te devíamos avisar.
- Obrigada! Sabem, eu tenho lixo de sobra, lá em baixo. Vou trazer-vos algum. O que gostam mais?
- Óh! Que simpático!
- Gostamos de qualquer coisa.
- Espera…qualquer coisa, não é bem assim. Um dia quase sufocamos com plástico, por isso, plástico e ferro, e pedras, pregos ou madeira não comemos.
- Pois! Já vi muitas iguais a vocês aflitas por causa de lixo.
- Mas porque tens lixo na tua casa?
- Porque…olha…não sei…eu também fui criado a partir de lixo, pelas mãos de um homem!
- Um homem?
- Sim! Um terroco…ou terra…qualquer coisa…
- Terráqueos…ou…terrenos… - Dizem as gaivotas em coro.
- Isso!
- E como é que ele te criou?
- Devia ser uma mulher!
- Uma mulher porquê?
- Era uma artista.
- Áh! – Respondem todas
- E deixou-te aí em baixo?
- Sim!
- Porquê?
- Não sei.
- E onde é que ele, ou ela foi buscar o teu corpo?
- Ao fundo do mar! – Diz o monstro
- Como é possível?
- Vocês não fazem ideia do lixo que há lá em baixo.
- A sério?
- Sim!
- Como pode ser?
- As pessoas fazem do mar…um gigantesco caixote do lixo! Não sei de quem foi a estúpida ideia de dizer que o mar é um caixote do lixo.
- Só pode ter sido alguém que em vez de miolos, tinha lixo na cabeça.
- Os terráqueos também têm lixo na cabeça?
- Desconfio bem que sim!
- Não tenho pena nenhuma… - Diz o monstro a rir
- Nós também não! – Dizem as gaivotas
- Bom, volto já, com os vossos petiscos.
        O monstro de sucata mergulha outra vez e manda para a superfície muito lixo, que não serve para alimentar as gaivotas. Mas de repente, um barco estranho despeja baldes de restos de comida, como cascas, fritos, alface…as gaivotas enchem o papo de comida, satisfeitas e felizes.
- Ei…eu aqui com este trabalho todo, e agora não querem nada? Mas que mal agradecidas. – Resmunga o monstro.
- Só nos trazes coisas que não comemos!
- Fidalgas!
- Lembra-te que somos seres vivos… gaivotas…! Não comemos qualquer coisa como tu, que és feito de sucata!
- Áh…pois é! Tens razão, desculpem…mas já viram o que aquele louco fez?
- Deu-nos de comer! – Diz uma gaivota satisfeita.
- Sim, mas também poluiu, e arriscou-se a ser engolido pelas ondas.
- Pois foi! – Dizem as gaivotas em coro.
        Vem uma onde enorme e vira o barco. O rapaz cai á água. Um bando de gaivotas voa logo em direcção a ele.
- Socorro…! – Grita o rapaz.
        As gaivotas às centenas transformam-se em lindas mulheres e ajudam o rapaz a sair da água.
- Ei…vamos salvá-lo ou damos-lhe uma liçãozinha? Só…uma brincadeirinha! – Propõe uma gaivota.
- Salvamo-lo! – Gritam todas.
- Tenho tantas saudades de ser mazinha…aaaaiiiii…!
- Eu também, mas agora não! – Responde outra gaivota.
- Controla lá esses desejos maléficos…
- Também acho.
- Se o deixarmos vai ser mais lixo para o mar!
(Todas desatam às gargalhadas, levam o rapaz para terra. Enquanto ele recupera, as gaivotas comentam entre si)
- Aii…que tentação! – Suspira uma gaivota a olhar para ele
- Temos aqui um belo peixão…realmente! – Comenta outra
- Ai, que vontade de lhe dar umas belas bicadas…
- Que jeitoso…
- Ui, acho que vou levá-lo outra vez para a água…
(Todas riem)
- Olhem-me para estes lábios…este corpo…
(Todas suspiram a sorrir)
- Por momentos até senti inveja dos polvos…quem me dera ser um polvo! Agarrava-me a esta escultura, não o largava mais…corria este corpinho todo centenas de vezes por dia…huuummm…! Só se ele me cortasse os tentáculos.
(Todas riem)
- Acho que vamos virar mais vezes o barco dele…
O rapaz abre os olhos, olha em volta, vê as gaivotas e diz)
 (Riem)
- Estou vivo?
- Sim! – Gritam as gaivotas.
- Óh…que maravilha! Óh…milagre!
- Milagre? Bem…eu chamo-lhe sorte!
- Pois. Se não estivéssemos ali, bem que te passavas…
- Tu tiveste noção do que fizeste?
- Mas que grande louco! Meteste-te ao mar, com este tempo, e com estas ondas?
- Salvaram-me a vida…uau! Um bando de gaivotas salvou-me a vida.
- Louco!
- Óh…nem sei como vos agradecer.
- Deste-nos de comer, mas estamos zangadas contigo, porque poluíste o mar com a comida. – Resmunga uma gaivota.
- Tu fazes sempre isso? – Pergunta outra gaivota
- Sim! Não tenho outra solução.
- O quê?
- Então para que servem os caixotes do lixo?
- Estão sempre a rebentar. Não há espaço para mais!
- Que desculpa mais esfarrapada.
- Vocês humanos são mesmo porcos selvagens. Até os animais porcos são mais limpos na natureza.
- Não sejam assim…
- Vê se mudas de comportamento, se não da próxima vez deixamos que vás ao fundo, principalmente para veres a porcaria que mandam para o mar!
- Esperem aí…eu estou a falar com um bando de gaivotas, ou a delirar?
- Estás a falar com gaivotas, sim!
- Eu quase podia jurar que tinha, sido umas mulheres que me salvaram.
- Mulheres? – Perguntam em coro.
- Sim! Os pescadores que já foram salvos, disseram que eram mulheres!
- Mulheres? – Perguntam em coro.
- Não! – Diz outra gaivota
- Isso queriam eles! – Diz outra.
- O quê? Viram sereias, não? – Diz outra.
(Todas riem)
- Devem ter tido uma visão, com o medo! – Diz outra gaivota.
- Sim…deve ter sido isso! – Diz o rapaz desconfiado
- E tu, também viste a mais…ou…viste aquilo que querias…gostarias de ter visto! Querias ter sido salvo por mulheres, não era?
- Bem! Sim! – Diz ele a sorrir.
- Vê se tens juízo, e se paras de poluir! Há muitos sítios e muitas pessoas que têm fome, dormem na rua, e procuram comida como nós, nos caixotes! Em vez de deitarem para o mar…ponham tudo junto dos caixotes do lixo, que há pela cidade. Vão ver que desaparece tudo num instante.
- Áh! É?
- Sim! Não sabias?
- Moras na cidade e não sabes dessa triste realidade?
- Andas a dormir.
- EU não vou para esses sítios.
- Tens muita sorte! Então abre os olhos, e lembra-te disto, quando deitares comida no mar…
- Sim, porque da próxima vez, podes não ter a mesma sorte que tiveste desta.
- O mar já tem lixo que chegue e sobre.
- Quem o deitou para aqui, devia engoli-lo.
- Pois era.
- Bom…gaivotas…muito obrigado! Não me vou esquecer do que me disseram…- murmura – Parecem a minha mãe…
- A tua mãe é com certeza alguém que te ama e que te quer proteger! Agradece-lhe e trata-a bem.
        O rapaz fica embaraçado, sorri e volta para a sua casa. as gaivotas caminham pela praia em forma de mulheres lindas, leves e misteriosas, ao sabor do vento forte, e à chuva.
        E depois deste dia, o rapaz nunca mais deitou comida para o mar. Fez o que as raparigas gaivotas disseram, e matou a fome a muita gente sem poluir.
        Antes de poluirmos o mar, é melhor pensarmos duas ou três vezes antes de o fazermos. Devemos pensar se queremos ficar doentes por causa da poluição dos mares, ou se queremos ter saúde, ser amigos do mar, e aproveitar tudo o que ele tem de bom.
        O mar não é um caixote do lixo gigante!

FIM
Lálá
(13/Maio/2014)


sexta-feira, 23 de maio de 2014

O mau sonho


Uma vez um menino dormiu, enrolado nos seus lençóis.

Quando o João Pestana chegou, despejou o pozinho do sono nos seus olhos, e o menino sonhou.

Sonhou que viajou numa estrela, até ao Universo.

Quando a estrela aterrou, o sol chorou.

O menino perguntou ao sol porque é que ele estava a chorar.

O sol respondeu que a sua amiga terra estava doente.

O menino perguntou qual era a doença da terra.

O sol respondeu que era a maldade do homem.

O menino perguntou quem lhe fazia mal.

A terra respondeu que era o seu filho homem.

O menino perguntou se o seu filho a amava.

Ela respondeu que não…

O menino quis saber porquê?

A terra respondeu que quem ama não polui, e o seu filho homem, que ela tanto amava estava a polui-la.

A terra disse que quem ama, não magoa. O seu filho homem estava a magoá-la.

A terra disse que quem ama, protege, e não queima. Ela ama o seu filho homem, todos os seus filhos! Mas o seu filho homem, e todos os seus filhos, estavam a queimá-la em vez de a proteger…só estava a destrui-la cada vez mais.

O menino ficou muito triste, e pediu perdão à Terra, por todos os seus filhos homens, que não a amam nem a protegem.

A Terra perdoou, mesmo a sofrer, mas a sua amiga Lua não perdoou, e começou a derreter.

O sol que era apaixonado pela Terra e pela Lua, explodiu de raiva por tanta maldade que via fazer à Terra, e a Terra ficou às escuras…gelada.

O mar agitou-se e quase engoliu toda a gente do mundo.

O menino chorou, gritou e acordou. Os seus pais perceberam logo o que tinha acontecido. Ficaram descansados.

Quando acordou olhou para o tecto do seu quarto…felizmente, tudo estava bem!

Depois olhou para o chão…e tudo estava igual.

Foi à janela e procurou a lua. A lua sorriu-lhe. Ele respirou de alívio.

Olhou para o céu, tudo estava calmo. Ele viu as estrelas, e atirou-lhes beijinhos de boa noite.

Viu uma estrela cadente, e pediu um desejo: que o homem tratasse bem a terra, para a lua não derreter, para o mar não engolir as pessoas, e para o sol não explodir.

A terra respondeu: só depende de cada um de vós, e de todos!

O menino pediu às estrelas, para que todos amassem a terra, e tratassem muito bem dela.

O menino prometeu amar sempre a terra e cuidar muito bem dela.

Foi só um sonho mau, porque o menino está preocupado com as maldades que o homem está a fazer à terra. Isto é o que pode acontecer, se não cuidamos da Terra. 

E vocês? Tratam bem da Terra? O que fazem para a proteger?

FIM
Lálá
(23/Maio/2014)





A descoberta mais bonita

Era uma vez um grupo de meninos que foi passear por um lugar onde quase não havia árvores. Estava muito calor, mas os meninos estavam cheios de curiosidade em conhecer esse sítio.
Sempre que olhavam para lá, tentavam imaginar quem vivia, e como viviam os seus habitantes. Uns meninos achavam que não vivia lá ninguém, outros meninos pensavam que talvez pudesse haver pessoas.
Puseram os chapéus e os óculos de sol, levaram água e mochila, e lá foram eles alegremente conhecer esse espaço. Pelo caminho viram muitas coisas bonitas, até que ao chegar ao sítio que iam visitar, entram numa paisagem cheia de areia, montanhas e dunas de cor castanha e amarela, rolos de palha, umas árvores que só tinham paus, completamente secos, e um silêncio assustador!
Não se via ninguém, nem se ouvia nenhum barulho. Também não havia sombra de água.
- É impossível viver aqui alguém. – Afirma o ZOYE
- Também acho. – Dizem em coro
            Continuam a andar, à procura de algum sinal de vida.
- Olhem, há ali uma porta… - Observa JANNY
            Todos param e aproximam-se da porta.
- Não deve ter aqui nada. – Suspeita KAFI
            Tentam abrir a porta, mas está muito fechada.
- Que porta tão pesada! – Suspira SARA
            Tentam juntos, e a porta abre. Entram num sítio muito diferente daquele onde estavam. Uma gruta! Eles ficaram espantados e encantados. O ar da gruta era fresco, tinha brilhantes por todo o lado, ouvia-se o barulho de água a cair e no tecto viam-se muitos candeeiros de cristais brilhantes.
- Uau! – Exclamam todos.
- Que lindo! – Diz Fernanda
- Olha para estes candeeiros… - Exclama Raquel
- Lindos! – Respondem em coro
- Mamã… - Grita uma vozinha pequenina lá do fundo da gruta
            Os meninos estremecem, e começam a ouvir uma música mais forte. Uma voz forte pergunta:
- Quem está aí?
            Os meninos encolhem-se, e antes que eles tivessem tempo de responder, aparece uma mulher linda, com uma criança ao colo. Os seus olhos verdes pareciam saltar no meio daquele cabelo enorme preto. Mas o seu ar era meigo.
- Huummm…! - Diz a mulher a olhar para as crianças de cima a baixo
            As crianças ficam muito assustadas. A mulher começa a farejar:
- Cheira-me a medo. Huummm…são vocês!
- Desculpe… - Dizem em coro a tremer.
- O quê? – Pergunta a mulher surpresa
- Termos entrado… - Diz Rafaela, nervosa
- Se entraram é porque podiam entrar. – Diz a mulher
- A porta abriu, e caímos cá dentro…- Diz David
- Mas não queríamos incomodá-la, nem invadir a sua casa! – Explica Daniel nervoso
- Mas alguém vos perguntou alguma coisa? – Diz a mulher
- Ah. Na… não… - Dizem nervosos
- Mas achamos que ficou zangada, e estamos a explicar para não pensar que invadimos a sua casa… - Diz JONATAN
- Se a porta se abriu é porque podem entrar. Se não pudessem entrar, a porta não se abria. – Dá uma gargalhada – Não tenham medo…sejam bem-vindos e fiquem à vontade. Venham, vou mostrar-vos tudo o que há aqui.
            As crianças respiram de alívio e sorriem. A mulher conversa com eles alegremente, e mostra tudo o que há na bela gruta: lindas cascatinhas de água, lagos com águas transparentes e correntes.
Há sereias a dançar com cisnes, fadas e borboletas a voar pelas flores, felizes. Vêem e ouvem sons doces, vindos de instrumentos musicais de cordas, que tocam com o vento a passar.
            Visitam a casa, muito bem mobilada, onde tomam uns chás muito saborosos, e comem biscoitos acabados de sair do forno. Depois, a mulher leva-os ao terraço da casa, onde a porta de entrada era um arco-íris que tinham de atravessar.
Os meninos ficaram tão felizes, que pareciam hipnotizados…nunca tinham visto um arco-íris tão perto, e nunca tinham pensado que pudessem atravessá-lo.
A porta do arco-íris levou-os para uma linda e pequenina praia deserta, com um mar muito limpo, com ondinhas pequeninas, areia muito branca, palmeiras, rochedos, golfinhos a brincar na água, que deram logo à costa para cumprimentar os meninos, e levam-nos para o mar, onde dão grandes saltos, mergulhos, e muitas brincadeiras com os meninos.
A praia é só deles, a temperatura está muito agradável, e estão felizes. Apanham búzios, estrelas-do-mar, pedras e corais como recordação.
- E então, meninos…? Valeu a pena passar aquela paisagem de areia ou não? - Pergunta a mulher
- Sim! – Gritam em coro.
- Este é um paraíso! – Diz a Sara
- Podem voltar aqui sempre que quiserem! – Convida a mulher
- Obrigada. Adoramos! – Respondem em coro  
            Aproxima-se uma linda Barquinha azul, e a mulher diz:
- Está na hora de voltarem para casa! Voltem sempre… - Diz a mulher
- Até à próxima! – Dizem em coro
            Todos sobem para a Barquinha e esta leva-os até à praia à porta das suas casas. Os pais chamam-nos.
- Meninos…
            Os meninos saem da barquinha, sorridentes, e ainda com ar de sonhadores. Olham para trás, e a barquinha desapareceu no azul do mar. Num cantinho do mar, lá estava o lindo arco-íris.
- É ali! – Gritam todos os meninos, felizes
- O quê? – Perguntam os pais
- O arco-íris! – Responde o ZAC
- Sim! É o arco-íris… - Dizem os pais
- Vamos para dentro, se não, daqui a pouco, quem vê o arco-íris são vocês, com tanto calor.
            Os meninos vão para casa, e nessa noite, quando se encontram na praia, o JONATAN pergunta:
- Contaram aos vossos pais o passeio que fizemos?
- Não! – Respondem em coro
- Boa! – Diz o JONATAN
- Se os nossos pais soubessem, não voltávamos a sair… - Diz Raquel
- Pois! – Respondem todos
- Ou então, iam dizer que estávamos a imaginar. – Diz JÉSSICA
- Pois. – Respondem todos
- Isso é o que a minha mãe me diz muitas vezes… só porque ela não vê o que eu vejo. – Lamenta ZAC
- Não sei porque é que os adultos não vêem…o arco-íris está ali… - Repara David
            Ouvem a voz da mulher lá ao fundo, à porta do arco-íris:
- Nem todos entram por esta porta. Os adultos já têm os corações muito intoxicados, corrompidos, poluídos…vocês não…vocês são puros, inocentes, verdadeiros! E felizes, como o arco-íris. Eles não entram… andam sempre a correr, não reparam em nada que há à volta deles, nem nas belezas de todos os dias…eles só vêem o deserto sem árvore, sem vida que vocês atravessaram até à gruta…não vêem para além do deserto das suas almas… Muitos crescidos, perdem a capacidade de sonhar e de desejar…a curiosidade…a imaginação…a vontade de descobrir…é por isso que eles não vêem as coisas bonitas que vocês vêem. Nunca deixem de ser assim, como são agora! Vejam sempre o arco-íris que existe em cada coisa à vossa volta…! Este é o vosso segredo! Até breve.
- Este é o nosso segredo! – Gritam em coro
- Esta foi a descoberta mais bonita que alguma vez já fiz! – Diz KAFI
- Eu também! – Respondem em coro.

            E vocês, meninos, leitores…
O que vêem nos caminhos por onde passam todos os dias? (De casa para a escola, ou para outra casa…)
O que ouvem nesses caminhos?
Passariam o deserto destes meninos? Aquela paisagem de areia quente, quase sem árvores?
O que encontrariam se fossem ter a uma gruta como eles?
Onde seria?
Como seria esse espaço?
FIM
Lálá
(23/Maio/2014)




sexta-feira, 16 de maio de 2014

A PISCINA DAS BOLAS

                                                                        foto de Lara Rocha 


Era uma vez uma montanha muito alta, onde não vivia lá ninguém. Esta montanha ficava num sítio onde ninguém sabia sorrir. As pessoas da cidade andavam sempre carrancudas, e não se cumprimentavam.
            Um dia, os antepassados da aldeia, observaram atentamente das nuvens as reacções das pessoas.
- Não posso acreditar! Francisco olha para aquelas carantonhas? – Diz a Senhora Andreia
- Que medo! – Diz o Senhor Francisco  
- Aquilo são pessoas? – Pergunta a senhora Dára
- São. – Respondem Francisco e Andreia.
- Mas que estranhos que eles são…acho que até o homem das cavernas saberia sorrir. – Diz a Senhora Dára
- Alguma coisa não está bem! – Constata Fernando
- Pois não! – Acrescenta Emília.
- Acho que devíamos fazer alguma coisa para melhorar aqueles ares pesados. – Sugere a Senhora Dára.
- Sim, mas o quê? – Pergunta Sr. Francisco
- Tenho uma ideia…- Grita Emília
            Emília conta a sua ideia, todos estão de acordo e põem mãos à obra. Preparam uma enorme piscina de plástico, insuflável, cheia de bolas coloridas que fazem cócegas quando se pega nelas. Ao lado, põem uns trampolins com protecções, camas elásticas, arcas de bolas de sabão que saem aos milhares, pistas de gelo, piscinas quentes, corredores com sol e com neve, escorregas, baloiços e um restaurante.
            Pegam em tudo isso, e muitas nuvens levam-nas para a Terra, pousando-as no centro da cidade durante a noite.
- Tudo pronto! – Grita Emília.
- Está óptimo! – Elogia Fernando
- Agora eles vão sorrir, tenho a certeza. – Diz a Senhora Andreia, convicta.
- Com certeza! – Reforça o Sr. Francisco
- E a música, onde está? – Pergunta a Senhora Dára
            Aparece uma nuvem roxa muito pesada que traz a aparelhagem.
- Áh! – Dizem todos aliviados
- Só podias ser tu…- Comenta o Sr. Francisco
- E o que é que tem, ser eu? – Pergunta a nuvem roxa
- Estás velha e és pesada. – Responde o Sr. Francisco
            Ouve-se um trovão. A nuvem roxa estoura de zangada, em cima do Sr. Francisco, e molha-o todo.
- Olha o respeito! Já te viste ao espelho? Para a próxima mando-te um raio. – Ameaça a nuvem roxa.
- Desculpa…saiu-me! – Diz o Sr. Francisco
- Preconceituosos…só porque sou mais lenta e estou pesada, já sou velha? Faço as mesmas coisas que vocês. Mais ninguém se lembrou da música, só a velha não foi…? E a velha sou eu, imaginem se eu fosse nova como vocês! – Comenta a nuvem roxa
- Podes pôr ali a música, por favor? – Pede Andreia
- Ora vês…? Com certeza, querida Andreia. Ensina o careca como é ser educado. – Diz a nuvem roxa
- Careca? – Diz o Sr. Francisco muito indignado.
- É o que tu és…não é? – Comenta a nuvem roxa a rir
- Estás a vingar-te! Está bem…eu entendo
- Eu? A vingar-me? Não…! – E ri-se.
            Coloca a aparelhagem onde lhe pediram, sorri e todos dizem
- Muito obrigada.
            Vêm se está tudo a funcionar bem, e voltam para as nuvens. Na manhã seguinte muito cedo, as primeiras pessoas que se levantam ficam muito espantadas ao ver aqueles brinquedos todos.
- Áááááááááááhhhhhh…!
- O que é isto?
- O que vai haver aqui?
- Quem pôs isto aqui?
- Não está ninguém?
            Olha, e voltam a olhar para todos os brinquedos, e os antepassados sorriem. A nuvem roxa liga a música, todos estremecem, e olham para todo o lado. A nuvem roxa diz aos gritos:
- Bom dia! Gente…vamos lá largar essas trombas enormes…onde estão os vossos sorrisos? O sol sorri mais que vocês…sorri para vocês, e vocês retribuem-lhe com trombas! Ingratos! Vamos…tudo isso é para experimentarem. Um…dois…três…toca a sorrir.
            Os habitantes estão assustados, e não sorriem nem se mexem. A nuvem roxa chama outra vez a atenção:
- Experimentem…nada disso morde! Vamos…
            As crianças são as primeiras a experimentar. As cores das bolas chamam-lhes a atenção. Ouve-se uma música alegre e as crianças saltam para a piscina. As bolas começam a fazer-lhes cócegas. Elas começam às gargalhadas, e a mexer em todas as bolas.
Contagiam-se umas às outras, e todas começam a rir…a seguir, como se fosse uma epidemia, os adultos também começam a rir de ouvir o riso das crianças, e experimentam as camas elásticas. Eles gritam, saltam e riem como as crianças, andam em todas as brincadeiras, brincam com as crianças, riem às gargalhadas, rebolam, entram na piscina das bolas, dançam, e o melhor de tudo é que começam a sorrir uns para os outros, a trocar abraços e carinhos, a dar as mãos e a partilhar os brinquedos como as crianças.
É lindo de ver. Os antepassados estão felizes e orgulhosos.
E desde esse dia, a aldeia nunca mais foi a mesma! Desapareceram as caras trombudas, e apareceram caras com grandes sorrisos, e olhos brilhantes. Todos os habitantes da aldeia tornaram-se uma verdadeira e grande família, todos amigos, todos risonhos e sorridentes uns com os outros, começaram a fazer muitas festas, juntos. Ganharam mais saúde.
            O riso faz mesmo milagres. E vocês riem muito?
            Façam o favor de rir muitooooooo….

                                                           FIM
                                                           Lálá
                                                           (16/Maio/2014)
                                                            




terça-feira, 13 de maio de 2014

A SEMENTINHA

 

    Era uma vez uma sementinha pequenina que estava pousada em cima de uma pétala de rosa vermelha, grande, linda, macia…parecia de veludo. 
A sementinha tinha sido levada pelo vento, e já vinha de muito longe, aos trambolhões, às cambalhotas, aos tropeços, às cabeçadas…estava muito cansada e toda amassada.
       Quando sentiu a pétala, suspirou de alívio:
- Áh! Que alívio! A viagem terminou! Ufa! Não sei como resisti!
- Está alguém, ou alguma coisa em cima de mim…estou a ouvir uma voz…- Diz a pétala
        A semente estremece assustada:
- Óh, não…parece que a viagem afinal não terminou. Onde vou agora?
- Olá! Quem és tu? – Pergunta a pétala
- Sou uma semente. Ou…pelo menos era! Agora não sei se ainda sou!
- Áh! Sim! És uma semente. Estou a ver-te.
- Estás a ver-me? Boa! E como estou?
- Estás com um ar muito abatido!
- É! Mas estou inteira, ou falta-me alguma coisa?
- Estás inteira! Mas não estás a dizer coisa com coisa…
- Desculpa…estou muito cansada. Vais mandar-me embora, eu sei. Tens razão! Estou onde não devo.
- Não, nada disso! Fica à vontade! Não te vou mandar embora, descansa.
- Óh! Muito obrigada. Vim de muito longe, dei muitas cambalhotas, cabeçadas, tropeções…
- Onde?
- Pelo caminho, nas árvores, nos vidros das casas, nos telhados, no chão…era onde calhava.
- Magoaste-te?
- Um pouco.
- Precisas de curativo, ou de alguma coisa?
- Não! Acho que não!
- Mas como vieste aqui parar?
- Vim trazida pelo vento.
- De onde?
- Não sei…sei que…quer dizer…eu acho que vim de muito longe!
- Óh! Coitadinha…então descansa!
- Muito obrigada. Gosto muito destas pétalas.
- Obrigada. Dorme bem.
      E a sementinha dome muito tempo. Começa a chover e a trovejar muito nesse dia e nesse sítio. A pétala da rosa fecha-se, protege e aquece a sementinha, que não se apercebe de nada, de tão confortável que está.
    Enquanto a tempestade dura vários dias, a sementinha fica na pétala fechada. O sol abre, a pétala também abre, a sementinha acorda feliz e cheia de energia. Tira o casaco e salta para a terra.
   A sementinha gosta tanto dessa terra onde estão as rosas, que muda-se para lá, instala-se confortavelmente, e está protegida.
  O tempo vai passando e aquecendo, e a sementinha quer apanhar ar…abre a janelinha da sua casa, e põe a cabecinha de fora, com chapéu. 
     Com o sol e com a chuva, a sementinha cresce, alarga e transforma-se numa linda rosa, em tons de vermelho nas pétalas, e macias como as outras.
     As outras flores saúdam-na, ficam encantadas com ela, e dão-lhe as boas vindas. Depois deste dia elas passam a ser uma verdadeira família de belas rosas, todas diferentes umas das outras.
  Às vezes encontramos plantas e flores nos nossos jardins, que não sabemos como foram lá parar…pode muito bem que uma sementinha como esta, que sai de uma terra e vai para a outra, onde se sente muito bem. 
   Esta é uma das muitas prendas que a mãe natureza nos dá…e quantas vezes não reparamos nelas, não é?
    Experimenta passear um dia, por um jardim habitual, e repara em todas as flores que há lá…se voltares a esse sítio uns dias mais tarde, vê se existem as mesmas flores que viste, ou se vês outras.
     Se fosses uma sementinha como esta, de onde terias saído?
   Terias sido levada pelo vento, sozinha ou de outra maneira?
      Essa nova terra tinha mais flores?
     Ficava muito longe ou perto do sítio de onde tinhas saído?
       Serias uma sementinha de quê?
Se quiseres desenha essa sementinha e o espaço onde ela se instalou, ou a flor que teria essa sementinha.

FIM
Lara Rocha 
(13/Maio/2014)