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segunda-feira, 19 de agosto de 2013

A RENA ANSIOSA

Era uma vez, na aldeia gelada do Pai Natal, onde todos estavam muito ocupados…ainda faltava mais de um mês para o Natal, mas antes dessa noite tão especial há muito para fazer, muitas encomendas.
O Pai Natal e os duendes a montar os brinquedos, a fazer pequenos ajustes, para tudo funcionar na perfeição, verificam os pedidos recebidos, e os brinquedos, registam o que falta, e constroem outros brinquedos.
Há muita música, cânticos e muita alegria no ar, muitas luzes a piscar e sininhos a tocar.
Há muitos barulhos na grande fábrica do Pai Natal…de máquinas a mexer, serras e lâminas a guinchar que cortam os pedacinhos de madeira que sobram dos brinquedos construídos.
Há limas que arredondam as pontas dos brinquedos, martelinhos, furadores, pregos, colas, e águas ferventes, lareiras, fogões e banquinhos de madeira…borrachas, rodas, réguas, lápis, tintas, panos, brilhantes, olhos, cabelos…caixas de música, cordas, fios e muitos outros materiais que todos os brinquedos precisam para nascerem…e montões de brinquedos já prontos, à espera de serem revistos e embalados em lindos papéis de embrulho.  
Há floquinhos de neve a descer das nuvens e a aterrar sorridentes no solo, vento que os põe a dançar e que os leva a passear. As renas começam a aperceber-se que está para chegar o dia em que vão pôr patas ao caminho e levar os presentes.
É sempre um momento de grande emoção e felicidade para todos. Quer dizer…para quase todos! Sim…quase todos, porque há uma rena, entre as outras, que é muito ansiosa…ainda é muito nova, e este vai ser o seu primeiro Natal a conduzir o Pai Natal.
- Olá…o que se passa ali na casa do Pai Natal? – Pergunta um lobo.
- Está a preparar os presentes para o Natal…! Tem de ser com antecedência. E já não falta muito.
        A pobre rena, sente frio na barriga, estremece e sacode-se.
- Vai ser um momento inesquecível para a nossa filhota…! – Diz o Pai da rena orgulhoso.
- Ai…! – Suspira a rena.
- O que foi? – Perguntam os pais.
- Não quero ir. – Responde a rena nervosa.
- Mas não tens como fugir. Todas nós temos essa função, mais cedo ou mais tarde…e vais ver como é bom. – Diz a Mãe da rena sorridente.
- No inicio podes sentir um bocadinho de medo…é normal, mas logo que o trenó começa a andar, sentimo-nos com um poder…e ficamos tão felizes, tão emocionados, que só queremos é que a viagem não acabe tão depressa…vais ver, filha…vai ser maravilhoso. – Diz o pai.
- E nós estamos contigo…também vamos. – Diz a mãe.
- Mas descansa…ainda falta muito. – Diz outra rena mais velha.
       Todo aquele discurso não sossegava a jovem rena, embora ela tentasse disfarçar, e não pensar nisso. À medida que o trabalho do Pai Natal aumenta, com o passar do tempo, a rena começa a sentir coisas estranhas sempre que olha para as janelas da fábrica dos brinquedos.
- Ai…até me gela a espinha. – Suspira a rena – Ai…tanto movimento…o que será que isto quer dizer? – Pergunta-se a rena.
- Quer dizer que está a chegar a grande noite! – Responde um gato que estava do lado de dentro da janela.
- Ai…o que é que isso quer dizer? – Pergunta a rena.
- Óh valha-nos…estou a falar chinês? Óh rena…acorda…está quase a chegar a noite em que o Pai Natal vai distribuir os presentes… - Explica o gato.
- E isso quer dizer que…? – Pergunta a rena muito assustada.
- Que tu vais conduzir o Pai Natal…e os teus pais. – Diz o gato.
- Óh não…! Não…não pode ser…! – Diz a rena muito assustada.
   As suas patas começam a tremer forte, e ela a fraquejar, escorrega na neve, e rebola. Grita.
- Ai…!
      A rena mãe vai ter com ela.
- O que é que te aconteceu? – Pergunta a mãe.
- Escorreguei…as minhas patas começaram a tremer…e eu a ficar gelada, sem força… - Explica a rena.
- Estás doente…
     A rena mãe abraça a pequena, e leva-a para a corte para se aquecer.
- Vê se recuperas rápido…filha…vem aí uma data importante…não podes ficar doente…olha que o Pai Natal não tem outras renas disponíveis. – Informa o Pai.
- Ai…! – Geme a rena.
- Isto não é nada de mais…passa já! É preocupação. – Diz a mãe a sorrir.
- Tens de aprender a controlar esses nervos, rapariga. – Diz o pai.
- Sim, e vai aprender. – Garante a mãe.
   A mãe tinha toda a razão…ela sabia muito bem que a pequena rena estava a ficar preocupada e nervosa. E os dias corriam, quase sem se dar por isso. A azáfama na fábrica era cada vez maior. 
    O Pai Natal até teve de contratar mais duendes. Apesar de muito trabalho, todos estavam muito felizes, e trabalhavam com grande alegria…!
- Que lindos que estão estes brinquedos! Oh, oh, oh…! – Suspira o Pai Natal, muito orgulhoso, a apreciar as suas obras.
    Os duendes aplaudiam e todos se ajudam uns aos outros, para terminar as montagens dos brinquedos.
- Falta muito? – Perguntava a rena mais de uma centena de vezes por dia.
 Ninguém lhe respondia, ou respondiam simplesmente…«não».
    A rena estava muito ansiosa, nervosa, cheia de medo…de noite, não estava a conseguir dormir, pois, deitava-se e tinha pesadelos. 
    Umas vezes, sonhava que começava a conduzir, e de repente não sabia como o fazer, ou…o trenó não andava e o Pai Natal dizia que a culpa era dela…ou que o Pai Natal ralhava muito com ela, porque os meninos iam ficar sem prendas… 
    Outras vezes, sonhava que os pais lhe diziam que ela era a vergonha da família, e que a abandonavam por causa disso, e que lhe batiam.
Ela acordava muito assustada, a gritar, com o coração a bater muito depressa, e a saltar…acordava os pais com os seus gritos. 
Ela quase não conseguia respirar nem falar, e suava frio…tremia toda…os pais acordavam e ficavam preocupados. Tentavam acalmá-la:

- Calma filha…está tudo bem! – Dizia o Pai.
- Foi só um sonho mau…já passou! – Dizia a Mãe
- Estás em segurança… - Dizia o Pai
- Tens de descansar, está quase a chegar a grande noite, e tens de ter força. – Recomendava e lembrava a mãe.
- Tenho tanto medo…! – Dizia a pobre rena.
- Mas não há razão nenhuma para teres medo…! – Dizia o Pai.
- Eu não sei fazer isso… - Dizia a rena.
- Não tem nada que saber… só tens de deslizar na neve…não te preocupes…na hora saberás como fazê-lo. – Explicava a outra rena mais velha.
- E se eu faço mal…os meninos ficam sem prendas, e o Pai Natal ralha muito! – Dizia a rena a tremer.
- Mas quem é que disse que vais conduzir mal…? – Perguntava o pai.
     Por muitas explicações que dessem a rena não ficava calma por muito tempo. E enquanto os pais dormiam, ela andava de um lado para o outro, muito agitada. 
   Uma estrelinha que estava em cima do pinheiro, fora da porta, ri-se de ver toda aquela agitação. A rena fica surpresa, e sai a porta. A rena e a estrela falam uma com a outra:
- Do que é que te estás a rir?
- Porque não dormes?
- Não consigo!
- Porquê?
- Porque se fecho os olhos, fico com muito medo.
- (ri) O quê? Tens medo do escuro?
- Não! Tenho medo de fechar os olhos.
- Porquê?
- Porque se fecho os olhos tenho sonhos maus…e não quero, porque depois acordo muito assustada, e acordo os meus pais.
- Só porque tiveste um sonho mau uma vez…não quer dizer que tenhas mais vezes, nessa noite.
- Quer dizer…pois…é o que tem acontecido.
- E são coisas muito feias?
- Sim…horríveis.
- Óh…não ligues a isso…são só sonhos…! De certeza que estás preocupada com alguma coisa, é por isso que depois sonhas com isso. Mas tens de fechar os olhos para descansar…e ficares forte para a grande noite que aí vem.
       A rena fica quase sem ar, e a tremer toda.
- Ui, estás bem? – Pergunta a estrela.
- Ai…que eu não consigo…respirar…! – Diz a rena muito aflita.
- Estás a tremer… - Diz a estrela preocupada.
- Ai…!
- O que foi? Estás doente…? Vai para dentro! – Diz a estrelinha
   Aparece uma duende que pergunta à estrelinha, muito preocupada com a rena:
- O que está a acontecer…?
- Ela está muito estranha! – Responde a estrelinha preocupada.
- Óh…coitadinha…está doente?
      A rena agarra-se á barriga, a tremer e quase sem respirar, vai quase a cair atrás de uma árvore.
- Olha para o andar dela… - Observa a estrela
- Acho que o Pai Natal vai ter de arranjar outra rena…- Diz a duende.
- Ela há bocado estava a gritar…gritou uma série de vezes, e parecia uma barata tonta de um lado para o outro. – Descreve a estrelinha.
- Já está assim há muito tempo? – Pergunta a duende.
- Já! Eu já lhe disse que tem de descansar, porque está quase aí a grande noite, e ela precisa de estar forte! – Conta a estrelinha
- Pois é! – Diz a duende.
- Mas ela diz que não quer fechar os olhos!
- Mas tem de fechar, se não…como é que ela vai descansar? – Pergunta a duende.
- Perguntei se tinha medo do escuro, ela disse que não…mas mesmo assim, não fecha os olhos. Diz que não consegue respirar…e treme…parece uma vara verde em dia de ventania. – Diz a estrelinha.  
   Ela anda de um lado para o outro, a tremer toda, a escorregar as patas, agarrada á barriga, e a arfar, e fica atrás de uma árvore.
- Ai…coitadinha…deve estar com gases… - Diz a duende.
- É…Ei…que cheirete…! – Diz a estrela.
- Áh…já percebi qual é o problema dela…! – Diz a duende.
- O que é…? É grave? É contagioso?
- Não. Não é nada de grave, nem de contagioso…! - Ri a duende.
- São gases…? – Pergunta a estrelinha.
- Sim, também…mas é mais além disso…ela está ansiosa pela grande noite, com muito medo, e preocupada…é natural, e todas passam pelo mesmo, enquanto não se habituam. – Explica a duende.
- Mas…podemos ajudá-la? – Pergunta a estrelinha.
- Sim…deixa comigo.
        A rena volta, com ar abatido, quase a arrastar-se, e a arfar.
- Desculpem! – Diz a rena.
- Não faz mal. – Respondem as duas.
- Estás melhor? – Pergunta a estrelinha.
- Ai…acho que não…! – Responde a rena.
- Mas estás doente? – Pergunta a estrelinha.
- Estou muito assustada…e preocupada!
- Com quê? – Pergunta a duende.
- Com…com…
     Ela está tão nervosa que nem consegue falar…contorce-se toda.
- Espera…já sabemos…é por causa da grande noite, que aí vem, não é?
- Ai…! Sim! – E senta-se na neve.
- Óh…eu entendo-te! Mas não te preocupes, vai correr tudo bem! – Diz a duende sorridente.
- Ai…tenho tanto medo…é uma responsabilidade muito grande. – Suspira a rena.
- Que responsabilidade…? Nada disso…só tens de te deixar deslizar, e deixar-te conduzir pela alegria que anda por todo o lado, no ar…nessa noite…basta lembrar-te de quanto os meninos vão ficar felizes, ao receber os presentes dos seus sonhos. – Diz a duende.
- Toda a gente fica preocupada no primeiro contacto, mas depois não querem outra coisa! – Diz a estrelinha.
- Isso é o que toda a gente diz! – Diz a rena
- E todos estão a dizer a verdade. – Confirma a estrelinha.
- Mas eu acho que não sou capaz! – Diz a rena muito assustada.
- Claro que és capaz…toda a gente é capaz. – Diz a duende.
- Achas? – Pergunta a rena
- Tenho a certeza! – Garante a duende
- Ai…não sei! – Suspira a rena.
- Podes ter a certeza que sim. Anda, vamos ali á cozinha para beberes um chá e dormires…se não…ficas muito cansada. – Garante a duende.
- Está bem! – Diz a rena.
   Vão à cozinha, e a duende prepara um chá para a rena relaxar. O Pai Natal está tão ocupado que nem dá pela sua presença. As duas conversam, e a rena consegue ficar mais calma, e relaxar, e dormir nessa noite e nas seguintes.
   Chega o grande dia, e a grande noite. Há uma grande euforia, e alegria, todos carregam os trenós com os sacos de presentes, o Pai Natal prende as coisas, e…a rena mais nova completamente fora de si…dominada pelo medo, e pela ansiedade, treme muito, quase não consegue respirar, e a sua barriga está às voltas. 
     A duende apercebe-se e dá-lhe de beber…o chá que ela tinha tomado nas noites anteriores, mas este dava energia.
- Vai…confia em ti…! – Diz a estrela.
- Tu és capaz! Deixa-te deslizar, e conduzir pela alegria que anda no ar. – Grita a duende.
- Vai correr tudo bem, filha! – Diz a mãe.
- Estamos contigo! – Diz a estrelinha.
- Vamos… - Grita o Pai Natal.
   E todos saltam para o trenó…duendes para ajudar na distribuição, com os papéis identificados, e as moradas; e o querido Pai Natal, todo feliz, muito bem instalado, dá o sinal. 
    A rena enche-se de coragem, e o medo e a ansiedade desaparecem. Os pais ficam muito orgulhosos e vaidosos, pela sua coragem e por conduzir tão bem. Ela segue as instruções que lhe deram.
E fazem uma viagem magnifica, muito segura, rápida, coordenada, e com muitas canções e músicas de Natal, muitas luzes e risos, pelo caminho. Distribuem todos os presentes que as crianças e os adultos pediram, e no dia seguinte regressam, todos felizes e tranquilos à sua terra, para descansar e carregar baterias para as próximas encomendas.
A rena ganhou coragem, e perdeu o medo. Connosco também acontece isso, muitas vezes…achamos que não somos capazes de fazer alguma coisa que nos preocupa ou assusta muito, e depois, fazemos mesmo…ficamos muito orgulhosos e felizes não é? Feliz Natal!

FIM
Lara Rocha 
(19/Agosto/2013)



domingo, 18 de agosto de 2013

O MISTÉRIO DAS BANANAS

Era uma vez um grupo de meninos que saiu de casa cedo, para ir brincar ao ar livre, num enorme campo perto das suas casas. Estava prometido um dia de muito calor, e antes que o dia aquecesse demais, aproveitaram a fresca.


            Todos levaram nas mochilas água fresca. Rafael, levou uma garrafinha de sumo de laranja que a Avó fez, com muito carinho, espremendo as laranjas da quinta, e pôs gelo para se manter fresco. O sumo de laranja faz muito bem à saúde, por isso, sempre que pode, o menino come-as e bebe sumo. Assim fica mais forte, contra as gripes e constipações do Inverno. E também levou uns copinhos de plástico para partilhar o sumo de laranja com os amigos.
Hugo, levou bananas para ele e para os amigos, pois não tinha pão fresco, nem bolachas…tinham acabado no dia anterior, e os pães que os pais e os avós estavam a fazer de manhã ainda não estavam prontos, e ele não podia esperar.


            Além da bebida, Filipa, Mónica, Sofia e Clara levaram um delicioso iogurte natural, feito em casa, com leite de vaca, e pão com queijo para comer mais tarde. Dora, leva um chá de limão, pão de cereais com manteiga feito em casa, e fatias de bolo de noz, que a mãe fez, para ela e para os amigos.
 




                          



           


            Enquanto brincavam felizes, e corriam de um lado para o outro, passa por lá uma formiga, à procura de comida.


            Cantarolava e cheirava tudo, para se esquecer que estava quase fraca com a fome, mas quase não tinha força para andar, por isso, ao contrário das outras formigas que andam muito depressa, esta andava muito devagar.

Em cima de uma árvore, estava um macaco brincalhão, com a sua mãe, a tomar o pequeno-almoço: bananas que o seu pai foi buscar.

 



            De repente, a pobre formiga cai no solo com a fraqueza. O macaquinho ficou muito aflito, e desce a correr da árvore, aos guinchos para pedir ajuda. Segura na formiga, levanta-lhe as patas, e abana-a. Chama por ela, mas ela não responde. A macaca mãe, abre um coco e deita o sumo na boca da formiga. A formiga abre os olhos, os macacos sorriem-lhe.
- O que aconteceu – Pergunta a formiguinha, fraca.
- Tu ias a andar, e caíste…! – Diz a macaca.
- Tu é que deves dizer o que aconteceu…nós só te vimos cair…! – Acrescenta o macaquinho.
- Estou cheia de fome! Vim à procura de comida, mas até agora não encontrei nada! – Explica a formiga.
- Áh! Então caíste de fraqueza…de fome! – Pergunta a macaca mãe.
- Sim! – Responde a formiga.
- E porque não comeste antes? Não se deve sair de casa, de manhã, sem comer! – Pergunta e explica o macaquinho.
- Sim, eu sei…eu costumo comer. Mas a nossa terra ardeu ontem, e não temos nada para comer naquele sítio…! Só pó preto, e fumo…! Não sobrou nada. – Diz a formiguinha.
- Óh, que tristeza…que horror…como é possível? – Pergunta a macaca, triste.
- Então era o cheiro a queimado, que sentíamos muito perto, e as nuvens escuras que víamos por trás das árvores…ficamos todos muito assustados! – Diz o macaquinho.
- Sim, devia ser…! Também não sei como conseguem fazer isso. Bem, vou continuar a minha procura de comida…por aqui há, não há? – Responde e pergunta a formiguinha.
- Sim! – Respondem os dois macacos.
- Espera…come e bebe aqui connosco, alguma coisa. – Diz a macaca.
- Não se preocupem…não quero dar trabalho…já estou melhor, com esse sumo que me deram. – Diz a formiga.
- Não dás trabalho nenhum…não te vamos deixar sair daqui enquanto não comeres. – Diz a macaca.
- Pronto, está bem! – Diz a formiguinha.
            A macaca e o macaquinho ajudam a formiga a procurar comida. Apanham muitas folhas, muitas migalhas, muitas frutas que caíram e outras coisas que encontram. Outros macacos ajudam a carregar e a levar para os formigueiros, pois estão todos com fome.
Todos agradecem, e partilham, comem com vontade, e bebem. Já com mais força, as formigas voltam a procurar comida, no mesmo sítio, e…Óóóhhh…que surpresa… umas bananinhas à vista…Huummm…que bom…já havia comida para todo o formigueiro, bastante tempo. Eram as bananas do Hugo, que estavam fora do saco. Os meninos estão a comer o que levaram e a beber, mas sobraram duas bananas…eram as que a formiguinha tinha acabado de ver.
- Olhem…duas coisas boas ali…! – Diz a formiguinha.
- Boa! Vamos…! Ao ataque…! – Gritam as outras formigas.
- Esperem…estão loucas…? Querem ser esborrachadas? – Pergunta a formiguinha.
- Não! – Dizem as outras em coro.
- Então…temos de esperar que eles se distraiam… para lhes tirarmos as bananas sem eles verem. – Explica a formiguinha.
- Achas que eles não vão reparar? – Pergunta outra formiguinha.
- Não! – Garante a formiguinha.
- Huummm…já estou com água na boca, só de olhar para ela daqui! – Suspira outra formiguinha.
- E este cheirinho…Huummm… - Acrescenta outra formiguinha, ansiosa por comer aquele petisco.
- Xiu! Silêncio…! – Ordena a formiguinha.
            E todas ficam em silêncio, a observar atentamente os meninos. E quando eles se levantam, para voltarem a brincar…as formiguinhas, dividem-se em dois grupos, e rapidamente correm para as bananas. Todas pegam por baixo, e muito coordenadas, ao mesmo tempo, levam as bananas, sem tropeçarem umas nas outras, e sem baterem contra outras coisas.



                                      


Pelo caminho, os macacos vêem-nas, e começam a guinchar, a saltar…elas correm para o formigueiro, mesmo a tempo! Quase eram apanhadas pelos macacos. Os macacos vão atrás delas, para ver se recuperam as bananas, mas estas já estão bem escondidas nos seus armazéns. Os macacos espreitam, mas só vêem formigas. Um deles bate à porta do formigueiro.
- Quem é? – Pergunta uma formiga.
- É o macaco.
- O que queres?
- Xiu…não lhes digas que temos as bananas aqui. – Recomenda outra formiga, baixinho.
- O que queres, macaco? – Pergunta a formiga saindo.
- Quero as bananas que trouxeste para aqui…! – Ordena o macaco.
- Bananas? Não sei de bananas nenhumas…! Não entraram para aqui…bananas…! – Garante a formiga.
- Eu vi…! – Garante o macaco.
            Os dois começam a discutir, e a tentar dar a volta um ao outro…a formiga tenta fazer com que o macaco desista das bananas, mas ele é teimoso, e tenta convencer a formiga a dar-lhe as bananas.
Nada do que o macaco diz, convence a formiga a dar-lhe as bananas. A formiga nega, e jura a patas juntas que as bananas não estão lá…que elas são tão fracas, que não podem com bananas às costas…mas o macaco conhece-as bem…é muito esperto…não vai na conversa!
Os meninos arrumam os lanches, e as mochilas na hora em que o calor começa a apertar.
- Onde estão as duas bananas que tinham sobrado? – Pergunta o Hugo.
- Não sei…! – Respondem os outros em coro.
- Tu tinhas deixado fora do saco? – Pergunta Filipa.
- Sim…! – Responde Hugo.
- Achas que alguém as veio buscar? – Pergunta Dora.
- Quem…? – Pergunta Hugo.
- Só estamos aqui nós, e todos estivemos a jogar. – Diz Mónica.
- Vamos procurá-las…não vão ficar aqui a apodrecer…! – Diz o Hugo.
            Todos os meninos procuram, até que encontram o macaco à porta do formigueiro, a discutir com a formiga.
- O que se passa? – Pergunta Hugo.
- Nada! – Dizem os dois a sorrir.
- Então porque estão a discutir…? – Pergunta Sofia.
- Nunca vi uma formiga e um macaco a discutir… - Diz Clara.
- Por acaso viram duas bananas? – Pergunta Rafael
- Eu vi muitas, na minha área. – Responde o macaco.
- Eu não vi…- Responde a formiga, comprometida.
- Estás a mentir…sua falsa…és tu que tens as bananas deles. – Responde o macaco.
- Ai, então viram as bananas…! – Diz Hugo.
- Não…! – Respondem os dois com ar de anjinhos inocentes.
- Eram outras bananas… - Diz a formiga envergonhada.
- Como é que sabes que eram outras bananas? – Pergunta Sofia.
- Elas não têm nomes… - Diz Rafael.
- Ela apanhou-as. – Confessa o macaco.
- Tu viste? – Pergunta Mónica.
- Sim! Eu vi…ela e as outras…agarraram nas tuas bananas, e trouxeram-nas para aqui…- Conta o macaco.
- Não eram as tuas. – Tenta a formiga.
- Eram sim…eu vi-vos vir daquele sítio. – Diz o macaco.
- Havia muitas mais bananas… - Diz a formiga.
- Sim, na minha área, mas as que tu roubaste…eram doutra área…eu vi…! Eram do sítio onde estavam os meninos. – Diz o macaco.
- Ai…que mau… - Diz a formiga.
- Vá…confessa lá! – Provoca o macaco.
- Estás a fazer isso, só porque não conseguiste apanhar as bananas, não é, seu malvado? – Ralha a formiga.
- Eu…não! Não adianta continuares a mentir, porque eles já descobriram que as bananas desaparecidas estão aqui, e foste tu e as tuas amigas que as trouxeram. Eu sou testemunha. – Diz o macaco…
- Foste tu, formiga? – Perguntam os meninos.
- Ai…! Prometem que não me esmagam? – Pergunta a formiga envergonhada.
- Sim…! – Respondem os meninos.
- Está bem…fomos nós que trouxemos as bananas…mas não queríamos roubar…é que pensávamos que estavam abandonadas…e nós…estávamos cheias de fome…é que ontem houve um incêndio na nossa área e ficamos sem comer…desapareceu tudo…! Viemos à procura…e tudo o que pudemos trazer…trazemos, porque não sabemos quando teremos outros petiscos...se continuam a destruir os sítios onde estamos, temos de ter reservas…e para o Inverno…!  Já mudamos de sítio muitas vezes, esta semana…! Por causa de incêndios. – Explica a formiga.
            Os meninos ficam com pena das formigas, e o macaco confirma:
- Sim, pois é…é verdade…à bocado uma formiga caiu na nossa área com a fome, e eu e a minha mãe demos-lhe de comer e beber…depois ajudamo-la a encontrar comida. – Conta o macaco.
- Desculpa…não foi por mal…se quiseres nós devolvemos-te as bananas…! – Diz a formiga.
- Fica uma para os meninos, e outra para nós, macacos. – Sugere o macaco.
- É justo! – Diz o Hugo.
- Mas e vocês, ficam sem comer banana? – Pergunta a formiga.
- Não faz mal! – Respondem os meninos.
- Nós já comemos uma, e temos mais…- Explica o Hugo.
- Só queríamos saber o que lhes tinha acontecido, porque tinham desaparecido…- Diz Rafael.
- Pois! – Dizem os meninos.
- Ai, que vergonha…Roubar é muito feio. - Diz a formiga.
- Sim, mas tu não roubaste…já disseste que pensaste que estavam abandonadas…! Nós se calhar, se víssemos bananas abandonadas também as levávamos para não se estragarem! – Diz Hugo a sorrir.
- Claro! – Respondem os outros meninos.
- Bom proveito! – Diz Hugo, a sorrir…
- Mas partilhem…é bonito, e até a banana vos vai saber melhor! – Diz Clara.
- Também querem? – Pergunta a formiga.
- Não, obrigada. - Respondem os meninos.
            Chega o Gorila, pai do macaco, com troncos de bananas apetitosas atrás das costas. Aproxima-se do grupo.


- Muito bem, meninos, e formiga…É muito bonito esse vosso gesto bondoso de partilha...mas não precisam…Há aqui bananas para todos! Convida os teus familiares, formiga!
Todos fazem uma grande festa com o que sobrou dos meninos, e as bananas. Afinal nenhum ficou com a banana. Todos comeram outras bananas.


FIM
Lálá
(18/Agosto/2013)