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terça-feira, 9 de setembro de 2014

A CASA MISTERIOSA


    Certo dia, uns meninos foram passear pela montanha, e viram uma pequena montanha de ouriços e ao lado umas castanhas muito tristes, a chorar em coro:
- Ai, a nossa casinha…ai…!
          O menino comentou:
- Umas castanhas a chorar? E têm mesmo lágrimas…Ááááhhh….
   As castanhinhas só choravam e suspiravam:
- Ai, a nossa casinha…ai…!
         A menina perguntou:
- O que aconteceu à vossa casinha?
         Uma castanhinha responde:
- Ai…aquela bruxa roubou-nos as nossas casas!
         Os meninos perguntam surpresos:
- Para quê?
         As castanhinhas não sabem, mas elas estavam a dizer a verdade! Uma bruxa ainda muito nova, quis experimentar os seus poderes que tinha recebido há poucos dias, e com truques mágicos, tirou muitas castanhas dos ouriços.
   Com os ouriços uns em cima dos outros, fez uma bela casinha para ela. Eram as paredes da casa, em vez de serem em pedra!
  Estava muito feia por dentro, mas era tudo como ela queria: casa de banho com cores roxas, sofás pretos, cortinas pretas e vermelhas, móveis muito pesados.
  Os meninos não queriam acreditar no que estavam a ver…uma casa feita com ouriços. E as castanhinhas sem casa! Coitadinhas.
   Decidiram ir falar com a bruxa, e ensinar-lhe que não se rouba o que não é dela. Por um lado, os meninos estavam com medo, porque com uma bruxa não se brinca, e não sabiam do que ela era capaz.
  Batem à porta, e a bruxa sente um cheiro estranho no ar. Abre a porta.
- Lhec! Que cheirete…eu vi logo que só podia vir de rabiosques de pimpolhos…! O que é que querem?
- Se há aqui alguém que cheira mal, és tu. - responde uma menina 
- O meu cheiro é sempre o melhor! - diz a bruxa vaidosa
- Que nojo! - dizem todos os meninos em coro 
- Saíste do esgoto...? - diz outro menino 
- Deixem-se de elogios, que eu até fico vaidosa... por favor! - diz a bruxa 
- Nojenta! - gritam os meninos em coro 
- Vais ter de deixar esta casa! – Ordena outra menina
         A bruxa desata às gargalhadas.
- Ui, que medo…quem são vocês, seus horríveis?
- Esta casa é das castanhinhas… - Diz a menina
- Não faço ideia de quem estão a falar. - diz a bruxa
- Mas é claro que sabes, sua falsa! 
-É. Roubaste as casas delas para fazer a tua. Que coisa mais feia. – Ralha o menino
         A bruxa ri
- Vão chatear outro…! Esta casa é minha. Fui eu que a fiz.
- Está horrível. – Observa a menina
- O que vocês acham não me interessa! Para mim está mais que linda. Rua…deixem-me em paz. – Grita a bruxa
- Não, enquanto não devolveres as casas às castanhinhas. – Diz a menina
- Não tenho nada que devolver…e se não saem já daqui, acabo convosco! - Grita a bruxa  
        Os meninos riem 
- Tu tens poderes? – Pergunta o menino
- Claro que tenho, pirralhinho irritante… - Responde a bruxa
- Então porque não constróis tu uma casa? – Pergunta outro menino
- Ora…já construí. – Garante a bruxa
- Construíste a roubar as casas às castanhas…achas isso bem? – Pergunta a menina
- Ora essa…eu não roubei nada. Estavam aqui, aproveitei. – Explica a Bruxa
- E não viste que tinha lá dentro as castanhas? – Pergunta o menino
- Não! – Responde a bruxa
       Quando olha para trás, vê o interior da sua casa cheia de picos de ouriços das castanhas.
- O que é isto? – Pergunta a bruxa muito assustada
- Tens poderes, destrói-os… - Diz a menina
- Mas que horror…quem é que fez isto? – Pergunta a bruxa
    Ela não percebeu que todas as outras castanhas tinham atirado as suas casas pelo buraco da chaminé e encheram toda a casa da bruxa, como castigo por ter roubado as outras.
       A bruxa entra, e acha que tem poderes, mas não se sabe o que aconteceu com eles…perdeu-os. 
     Quando entra na casa, os picos dos ouriços das castanhas ficam enormes, e ela fica toda picada, grita, tenta escapar mas os picos ganham vida e arranham-na, puxam-lhe os cabelos, prendem-na.
- Larguem-me, seus malditos… - Grita a bruxa
- Devolve as casas às castanhas! – Diz uma voz forte
- Madrinha… - Grita a bruxa
- Sim, sou eu! Estás reprovada. – Diz a voz
- Mas, mas…
- Não há mas, nem meio mas…! Eu dei-te os poderes, mas não foi para usares para o mal. Ensinei-te a usá-los para o bem, mas parece que não aprendeste nada! – Ralha a voz
- Eu… - Diz a bruxa
- Cala-te…devolve as casas às castanhas, e volta outra vez para a escola…se voltas a usar mal os teus poderes, nunca mais sais da escola, e ficas sem um único poder… - Ordena a voz
- Óh, não! – Chora a bruxa
- Um…dois…- conta a madrinha 
- Está bem…! Eu devolvo…
         Os picos param virados para ela.
- Um passo em falso…e não sabes o que te espera. – Ameaça a voz
- Madrinha…estou a estranhá-la…era tão má, agora está boazinha…
   Ouve-se um barulho de vassouradas, a bruxa salta, grita e tenta fugir.
- Dobra-me essa língua…olha o respeito! Só tens que fazer o que te mando, e mais nada! – Ordena a voz.
    A bruxa estala os dedos, e os ouriços voltam ao tamanho normal, que tinham quando eram casas das castanhas…pequenas. A casa desaparece.
- Óh…eu gostava tanto desta casa… - Lamenta a bruxa
- Nós também gostamos muito da nossa casa, que tu roubaste! – Comenta uma castanha.
- Ai…- Suspira a bruxa
- Puxa pela cabeça, e constrói tu uma casa, com os poderes que te dei…trabalha para os tornar mais forte. Se não, tiro-tos! – Ameaça a madrinha
- Pronto, está bem…desculpem. – Diz a bruxa
      As castanhas voltam felizes para as suas casas.
- Que mau gosto…! Estava uma casa do pior que podia haver. Não tens vergonha? Não foi nada disto que te ensinei…! Fizeste tudo mal. - Suspira a voz
- Desculpe, madrinha…
- Ainda por cima saíste da escola sem me dizer nada! Estás farta de saber que quando saem, têm de me dizer…Para a escola, imediatamente…estás de castigo. – Resmunga a voz.
- Óhhh…
- Óhhh…nada! Enquanto não ganhas juízo é assim. Com tantos materiais para se construir uma casa maravilhosa, um palácio, como aqueles que te mostrei, sem roubar os outros…foste logo fazer tudo mal…roubar…e construir do mais horrível que podia haver diante dos teus olhos…! Francamente. Ainda tens muito que aprender. À minha frente, já! – Ralha a voz
   Os meninos aplaudem e as castanhas também. A madrinha fez o que devia! A bruxa seguiu com a madrinha a ralhar com ela, a ensinar-lhe outra vez tudo, e as castanhinhas voltam felizes para os seus ouriços. 
    Os meninos ficam muito felizes por terem ajudado as castanhinhas, e por a bruxa ter sido apanhada e castigada.

Será que ela aprendeu a lição?
Acham que a bruxa fez bem?
E vocês? O que diziam ou faziam à bruxa se soubessem que ela tinha roubado as casas das castanhas, para inventar uma casa para si?
Ajudavam-na a construir uma casa para ela? Como seria essa casa?

FIM
Lálá
(9/Setembro/2014)


segunda-feira, 8 de setembro de 2014

A super invenção

Era uma vez um Senhor já com muita idade, elegante, de barbas e cabelos brancos, que vivia isolado numa floresta muito sombria. Poucas vezes saia da sua floresta e da sua casa, pois passava horas de volta de livros, enciclopédias e experiências no laboratório que ele próprio tinha criado.
Quando saia, toda a gente tinha medo dele, pelo seu ar misterioso só que não sabiam que na verdade ele era muito bom homem e…inventor!
Isso mesmo…adorava inventar: roupas, flores, perfumes, cores, bolos, brinquedos, instrumentos, e muitas outras coisas. Já tinha inventado um pouco de tudo. Assim que lhe nascia uma ideia na cabeça, ele ia à procura de tudo o que precisava e punha mãos à obra no laboratório. Era um homem muito feliz, e orgulhoso das suas criações.
Desta vez sentia-se muito triste porque queria inventar alguma coisa nova, que ajudasse as pessoas, ou o mundo, mas não sabia o quê! Sentia alguma coisa a ferver e a borbulhar dentro da sua cabeça, mas não sabia o que era…talvez fosse uma invenção, mas ele não percebia qual era.
Então, foi à procura da resposta, passeando pela cidade. Mas não descobriu. Depois de voltar, sentou-se na berma do rio para ver se lhe davam a resposta que tanto procurava.
Ele estava muito sossegado, olhou para todo o lado, para a água, para a gruta, para as pedras, e borboletas, e não descobriu nada. De repente, ouviu umas sonoras gargalhadas, limpas, sinceras, vindas do coração…cheias de felicidade. Foi aí que se fez luz na sua cabeça. Deu uma gargalhada, levanta-se e vai para o seu laboratório muito feliz.
Pega num frasquinho e põe: água do rio, umas gotinhas de cristais, pozinhos de sorriso de bebé, umas colheres de riso do coração, gotas de brilho, e mete na sua máquina de transformação. A máquina mistura tudo, dá voltas e mais voltas, endireita, vira ao contrário, faz borbulhar e está pronto.
O resultado final foi uns comprimidos muito especiais, muito diferentes dos que se tomam para doenças. Eram em forma de sol pequenino, amarelos às pintinhas pretas e com brilhantes.
Pegou nos comprimidos e pediu a algumas pessoas que se cruzaram com ele na cidade, para os tomarem. Ele queria ver o que faziam. Todas as pessoas a quem ele pediu, tinham caras tristes, tinham boca, mas não tinham sorriso, nem brilho nos olhos.
Depois de tomarem o comprimido transformaram-se totalmente. Ganharam lindos sorrisos, e uma enorme vontade de rir, soltam enormes, sonoras e lindas gargalhadas, cristalinas, naturais, sinceras. Ganham brilho nos olhos que parecem cristais e parece que se tornam outra vez crianças.
O inventor fica muito feliz, porque tinha acabado de inventar os comprimidos do riso, da alegria e da felicidade. Desde este dia, o inventor oferece os comprimidos às pessoas dos hospitais, que se curam mais depressa por ficarem felizes e por rirem e foi muitas vezes à cidade para os vender.
Assim, ganhou o respeito de todos, e muito trabalho, porque quando precisavam de alguma coisa, iam a casa dele. Que grande invenção, não foi? E com coisas tão simples, mas tão boas. Não se esqueçam de rir muito, e de usarem as coisas que mais gostam.    

FIM
Lálá
(7/Setembro/2014)


sábado, 6 de setembro de 2014

MARIA DOS POMPONS

Era uma vez uma enorme casa de quinta, com muitos animais e área verde. À frente da casa tinha um pequeno jardim, e atrás grandes campos. Numa noite, uma égua pediu à cegonha unicórnia para lhe trazer um bebé, e ficou à espera.
            Numa linda noite de lua cheia, uns meses depois do pedido, a cegonha unicórnia trouxe o bebé para a égua. Sobrevoou o campo, e entrou no estábulo.
- Aqui está a tua encomenda! – Diz a cegonha unicórnia sorridente
- Finalmente chegou! – Suspira de alívio a égua
- Muitos parabéns mamã.
- Muito obrigada! (sorri)
- Cuida bem dela, e que sejam as duas muito felizes! – Diz a cegonha
- Muito obrigada! – Diz a égua a sorrir
- É maravilhosa, ela… quando quiseres outra, diz-me.
- Está combinado…É mesmo linda!
- Até à próxima.
- Até à próxima… boa viagem!
- Obrigada.
A cegonha levanta voo.
- Xiu! Silêncio…calem-se. Há ali uma bebé! – Recomenda a cegonha
Os lavradores foram acordados pelos cães que não paravam de ladrar. Um senhor levanta-se:
- Mas que raio…o que é que têm os cães que não se calam?
            Todos os lavradores se levantam e vão às janelas muito assustados. Procuram alguém que pudesse estar por ali a fazer malandrices. Não viram ninguém. Reconheceram no escuro uma sombra de um cavalo que corria feito louco pelo campo à porta do estábulo, a relinchar. Percebiam que estava muito nervoso.
- Esperem…vi qualquer coisa! – Diz uma senhora
- Eu vi uma sombra! – Garante uma senhora
- E não era de gente…eu também vi! – Acrescenta outro lavrador.
- Vamos ali fora! – Sugere uma senhora
            Muito preocupados, agasalham-se, pegam numa lanterna e saem todos juntos, ao mesmo tempo das casas para ver o que se passava, e o que estaria a deixar os animais tão nervosos.
            Quando olharam para o estábulo, a porta estava aberta, e…que grande surpresa…uma linda égua tinha acabado de nascer.
- Óhhhhh! – Exclamam todos maravilhados e deliciados:
- Que maravilha!
- O milagre da vida!
- A pequena nasceu antes do tempo.
- Mas está bem! Pelo menos parece.
- Que boa notícia…foi uma surpresa.
- Tão linda!
- É uma mãe babada…olhem para ela…brilha toda, e olhem como ela trata a cria! Lindo!
- É. Ela sempre foi uma mãe excelente!
            A égua mãe estava um bocadinho cansada, mas muito orgulhosa e feliz. Lambia a pequena cria, e juntava a palha para aquecer. A pequena estava ainda toda enroladinha, de olhos abertos e ainda não se segurava de pé, mas já comia muito bem.
            Era uma égua diferente de todas as que já tinham nascido na quinta. Todos os cavalos, éguas e póneis estavam felizes e à volta da égua. os lavradores limparam a égua mãe e a cria. Eles não acordaram os filhos pequenos, mas estes acordaram sozinhos com os cães e apareceram no estábulo de pijama.
- Meninos… - Gritam os adultos.
- O que estão aqui a fazer?
- Ainda por cima de pijama!
- Já para a cama…
- Acordamos com o barulho dos cães.
- Não se calaram!
- O que aconteceu para eles ladrarem tanto?
- Porque é que estão aqui?
- (sorri) Nasceu uma cria…égua!
- Éééééééhhhhhhh… - Gritam as crianças numa grande alegria
- Óh…que linda! – Gritam todas
            Os meninos olham para ela encantados.
- Tão fofinha!
- Como é que ela se vai chamar?
            Faz-se silêncio. Todos dizem nomes que gostam. Uma velhinha sugere:
- Maria dos pompons!
- Maria dos pompons? Maria dos pompons…
- Sim! – Respondem as crianças
- Eu gosto!
- É um nome muito giro.
- Parece mesmo que tem montinhos de pompons no pêlo.
- Era a minha melhor amiga de quatro patas, quando eu era criança. Adorava-a! Dava passeios enormes com ela…ela era muito meiga…brincávamos muito.
            Todos ficam encantados com a história da velhinha e dizem:
- Maria dos pompons…!
            A pequena cria olha para eles e sorri.
- Acho que ela também gostou do nome.
- Sim!
            Todos ajudam, e voltam para a cama. De dia, entram e saem sem parar no estábulo para ver a cria, alimentam-na, dão-lhe de beber, dão carinho à mãe e à filha. Maria dos pompons é adorada por todos e vai crescendo. Quanto mais cresce, mais bonita se torna. Vive feliz com os seus pais e lavradores na sua quinta, leva toda a gente a passear, é muito simpática, e ajuda muito nos trabalhos do campo.
            Esta é a história da égua Maria dos pompons, que foi pedida à cegonha unicórnia, e fez toda a gente feliz.
FIM
Lálá
(6/Setembro/2014)


A BORBOLETA DE ASA E MEIA


foto de Lara Rocha 

        Era uma vez um enorme parque de uma grande cidade onde viviam milhares de flores, pássaros e borboletas, de muitas cores. Entre as borboletas, uma…tornava-se sempre no centro das atenções dos visitantes, porque era muito diferente das outras.
Só tinha uma asa e meia. Uma das suas asas era muito mais pequena que a outra, enquanto as outras borboletas tinham as duas asas perfeitas, do mesmo tamanho, e lindas.
        Mas o ser diferente de todas as outras, não a incomodava, nem o ser o centro das atenções, ou o ouvir dizer: «coitadinha!». Ela era tão, ou mais feliz como as outras, mas as outras não a queriam como amiga, porque tinham ciúmes.
        Só porque tinha uma asa mais pequena que a outra, toda a gente fixava os olhos nela, tiravam-lhe fotos e aplaudiam os voos pequenos e desajeitados que ela dava ser querer.
        Um dia, o jardim foi invadido por dezenas de borboletas com defeitos, numa grande felicidade: algumas só tinham uma asa, outras meia asa, outras duas asas pequenas e um corpo grande, outras com asas muito grandes em relação ao corpo, outras com as antenas de tamanho diferente, outras com cores feias, e outras com pintas estranhas.
        A borboleta de asa e meia fez logo amizade com todas essas diferentes, conviveram alegremente umas com as outras, trocaram carinhos e elogios sinceros, e divertiram-se todas como nunca, com danças e brincadeiras, muitas gargalhadas e aplausos.
        As outras borboletas observaram-nas atentamente, invejosas por serem perfeitas, e não repararem nelas. Pensaram que se calhar estavam a ser injustas, e estariam enganadas em relação à borboleta de asa e meia!
Decidiram experimentar conviver com ela e conhecê-la, juntando-se também às outras. Nesse convívio repararam que nenhuma era igual à outra, e que todas tinham algum defeito ou vários, mas mesmo assim eram muito amigas e tão felizes.
As borboletas estavam realmente muito enganadas em relação ao que pensavam sobre a borboleta de asa e meia e as outras que tinha, chegado há pouco. Gostaram tanto delas, foram tão bem recebidas pelas que tinham defeitos, que nunca mais as largaram.
Até passaram a dar espetáculos visuais maravilhosos, lindos, todas juntas, para quem visitava o jardim, e tal como a borboleta de asa e meia, foram também o centro das atenções.
Quando reparam nelas próprias, também descobriram uma série de defeitos…mas nenhum deles fazia com que elas deixassem de ser simpáticas, meigas, atraentes e amigas.
Afinal…todos somos diferentes, para quê por de lado alguém que não teve a mesma sorte que nós, de ter um corpo completo? Não é por lhe faltar alguma coisa fora…aos olhos dos outros, que vai faltar por dentro, às vezes até têm mais por dentro e isso é o que se dá aos outros, não é o fora!
O coração é igual para todos…mas cada um preenche-o como quer. Somos todos iguais porque somos todos humanos, com sentimentos, mesmo com as nossas diferenças.
FIM
Lara Rocha 

(2/Setembro/2014) 

AJUDA!

Era uma vez um rebanho de muitas ovelhas, grandes e pequenas que pastava sem pressa no seu campo de sempre. Na montanha que ficava muito mais acima desse campo viviam alcateias de lobos que respeitavam os lavradores, e não atacavam os animais, mesmo que tivessem muita fome.
            Para agradecer esse respeito pelo gado, os lavradores deitavam-lhes comida que sobrava, ou ossos, na estrada entre a montanha e a casa. os lobos já sabiam disso, e só comiam mesmo o que lhes davam.
            Um dia, os animais ficaram muito agitados, estranhos, inquietos, nervosos…os cães ladravam sem parar, uivavam, andavam de um lado para o outro, os lobos também uivavam e não conseguiam estar quietos!
            Os lavradores começam a ficar muito preocupados.
- O que se passa com os lobos hoje? – Pergunta um senhor
- Não sei! Estão muito agitados…inquietos… - responde outro senhor
- Não gosto nada de os ver assim! – Diz uma senhora muito preocupada
- Lá estás tu com essas ideias malucas. – Resmunga o seu marido
- Vais ver como vai acontecer alguma coisa! – Garante a senhora
- Cala-te. Não vai acontecer nada.
- O que será que vai acontecer? – Pergunta uma velhinha muito assustada
- Não é muito bom sinal quando os bichos ficam assim! – Acrescenta a sua irmã também muito assustada
- Dizem que eles pressentem…coisas…
- Más! Sim, pressentem coisas más.
- Ai, que todos os anjos nos protejam…
- Ámen! – Dizem em coro
- Vá, deixem-se dessas coisas…às vezes os bichos também ficam nervosos sem motivo aparente. Como nós seres humanos. – Diz um rapaz jovem
- É! – Respondem em coro, para disfarçar o medo
- Mas eles são muito mais sensíveis que nós! – Diz outra vez a velhinha assustada
- Avó, não se preocupe…
- Vamos mas é trabalhar. – Sugere um senhor
- Vamos.
            Cada um segue para o seu trabalho, mas na verdade estavam mesmo muito preocupados e assustados. Os animais tinham a sua razão para estarem agitados, nervosos e inquietos! Nesse dia que começou com um lindo céu azul, um sol brilhante…de repente levanta-se um vento fortíssimo, começa a levantar terra e a fazer redemoinhos.
            Os lavradores estão divididos, tentam prender o gado, e salvar-se a eles próprios. Mas o vento é tão forte que os empurra para trás, fá-los cair, atira-os contra as árvores, e uma grande confusão.
            Começam todos aos gritos, quase não conseguem andar, e numa grande aflição. Os animais correm de um lado para o outro, chocam uns com os outros, e não sabem para onde fugir.
            Forma-se um nevoeiro cerrado, um céu escuro. Os habitantes fogem para onde podem. Os lobos descem da montanha e vão em socorro dos animais e da população.
            Para surpresa de todos, cada lobo arrastou os habitantes na sua boca, pela roupa, para abrigos dos animais porque estavam desviados das casas e tinham de se proteger de alguma maneira.
            Uns lobos correram atrás dos animais a uivar, e com ar de ferozes, para os levar para os abrigos. As lobas levaram animais pequenos na boca, pelo lombo para os abrigos, com tanto carinho e cuidado, como se fossem os filhos delas, e quando estavam finalmente a salvo, lambem-nos.
            Quando surge o primeiro trovão que iluminou o céu todo, e dá um sonoro estrondo…já todos estão recolhidos. Os animais pequeninos vão para juntos dos pais, aliviados. Os habitantes abraçam-se e trocam carinhos, e palavras agradáveis.
- Estamos a salvo! – Gritam todos
- Mas que grande confusão! – Comenta uma rapariga
- Foram os lobos que nos avisaram e que nos salvaram! – Diz uma senhora de idade.
- Os lobos? – Perguntam todos
- Sim! Os lobos. – Responde a irmã da senhora velhinha
- Não os vi! Então foram eles que nos trouxeram para aqui? – Perguntou um menino
- Sim! – Respondem todos
- Onde estão eles? – Pergunta outra rapariga
            Um senhor velhinho, abre a porta do estábulo, e os lobos estão todos à porta.
- Entrem, meus anjos…! Nossos anjos! – Diz o senhor velhinho
            Os lobos entram. Cada habitante abraça, beija e acaricia cada lobo. Os lobos retribuem os mimos felizes, e com lambidelas.
- Muito obrigada! – Gritam todos os humanos
- Salvaram-nos! – Suspira uma criança
- E também salvaram os nossos animais. – Lembra outra senhora
- Sim, é verdade! – Concordam todos
            E uma terrível tempestade cai sobre a montanha, mas felizmente está tudo a salvo! Pessoas e animais.
- Pois é amigos…às vezes a ajuda que precisamos, vem de quem menos esperamos!  - Diz uma velhinha
- É verdade! – Concordam todos
- Pensei que ia ser devorado pelos lobos! – Comenta um menino ainda assustado
- E eu engolida! – Diz outra menina pequenina.
- Eu senti alguma coisa a agarrar-me, e a arrastar-me, mas nem pensei que fosse um lobo…que sorte não termos virado almoço. – Diz uma rapariga
- Eles são animais, mas têm coração…- Diz outra velhinha
- É! Mais coração que muita gente. – Comenta outra rapariga
- Eles são luz…são bons para quem é bom com eles! – Diz outra senhora
- É verdade! Eu já fui salto muitas vezes por cães…mas um lobo nunca tinha sido salvo! – Diz outro senhor velhinho.
            A chuva cai torrencialmente lá fora, com vento e trovoada, granizo e até neve. Enquanto dura a tempestade, todos conversam alegremente, e quando passa…que bela surpresa…um sol brilhante, e tudo coberto de neve.
Todos abrem um grande sorriso, e brinca felizes na neve, todos juntos. Até os animais com os lobos. Fazem bolas de neve e atiram uns aos outros, escorrega, dão muitas gargalhadas, fazem bonecos de neve, e um senhor velhinho, faz uma alcateia de lobos em neve, para lhes agradecer.
Os lobos ficam orgulhosos e felizes. Lambem o senhor, e por serem tão bons, passam a fazer parte da família. Sempre que faltava alguma coisa, ou sempre que precisavam, os lobos estavam lá para isso.
Que bela ajuda não foi?


FIM
Lálá

(2/Setembro/2014) 

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

A PRINCESA OUTONIA

          


        Era uma vez, há muitos, muitos anos atrás, uma aldeia quase desconhecida, com muito poucas casas, em cima de uma montanha.
      Esta montanha era muito especial, porque aqui chegavam e partiam umas princesas muito especiais, e os seus habitantes sentiam-se de uma maneira muito forte.
    Já tinha estado lá a Princesa Invernia, a princesa Vera, a princesa Verona e agora vinha a princesa Outonia. No dia anterior, os seus habitantes tinham sentido um calor sufocante mas sabiam que a Princesa Verona ia embora logo a seguir, e chegaria muito em breve, a Princesa Outonia, só não sabiam o dia ao certo em que chegava.
       Verona foi de comboio para outra cidade, e nessa noite chegou a Princesa Outonia de uma longa viagem. Esta princesa gosta sempre de marcar a sua presença. Por onde passa ninguém fica indiferente a ela.
      Sempre que chegava à montanha, a primeira coisa que Outonia fazia, era dar uma volta pela montanha, sem pressa com o seu namorado Ventónio, apanhar a fresca, respirar ar puro, e apreciar a paisagem para esticar as pernas da longa viagem. Toda a natureza se transformava para a receber.
 Depois, enquanto tudo dormia, com os primeiros raios de sol, ao amanhecer, a Princesa Outonia adorava passear de balão. De repente abre o balão e chovem folhas de árvores vermelhas, verdes, amarelas, castanhas, cor de laranja e roxas, que se espalham por toda a montanha em cima da erva.
O gado fica eufórico de felicidade quando se apercebe do balão: os cavalos, as vacas, as ovelhas, os cabritos, carneiros, galos, galinhas, e cães que tomam conta deles, desatam a correr por cima das folhas, escorregam felizes e às gargalhadas, rebolam, atiram folhas uns aos outros, e acordam os habitantes.
Quando saem de casa, vêem a chover ainda mais folhas, que dançam e descem levemente, e rodopiam ao sabor do suave vento que acompanha a princesa…e caem delicadamente na relva.
- Chegou a princesa…chegou a princesa… - Grita um papagaio
- Sim! – Gritam todos os habitantes
- Olá princesa Outonia! – Gritam em coro com um grande sorriso
- Olá! – Responde a princesa sorridente
        E chovem mais folhas. Depois da chuva de folhas, as crianças da aldeia têm uma missão muito importante: receber e segurar na gigantesca cesta de frutas deliciosas que a princesa oferece! As crianças chegam-se à frente, o balão começa a baixar, e quase perto do solo, a princesa abre o balão e larga a cesta.
        As crianças seguram-na e agradecem em coro:
- Muito obrigada, princesa.
        A princesa sorri, e este ano oferece também belos vestidos feitos em tons de laranja, rosa, branco, roxo, amarelo, vermelho e azul claro, para que as senhoras vestissem.
  Sempre que esta princesa chega, os habitantes fazem uma enorme festa, com desfiles dos vestidos, banquetes com os produtos da terra, as deliciosas castanhas, romãs, uvas, pêssegos e nêsperas, nozes e figos, sopa de abóbora, manteiga e iogurtes caseiros, queijos de leite de vaca e de leite de cabra, arroz de feijão, sopa de legumes, caldo verde, e muitos mais. Tudo muito saboroso. Vinho para os adultos, e sumo de frutas para as crianças e senhoras.
A festa dura dia e noite, e todos cantam, dançam, fazem fogueiras, e brincam com a princesa e com o seu namorado. Depois deste dia de festa, os habitantes aproveitam tudo o que a princesa lhes dá: umas vezes vento forte, outras vezes apenas uma aragem…quase não se sentia…outras vezes frio, e outras vezes vento forte e quente. Umas vezes sol, outras vezes nuvens e chuva. Umas vezes céu azul, outras vezes céu escuro, entre o cinzento e o azul-escuro, e mesmo um brinde surpresa: trovoadas.
         A Princesa Outonia é misteriosa e bonita. Em Dezembro vai passar férias para outro lado, e a visitante seguinte da montanha é a Princesa Invernia. Mais fria, mais distante por ser tímida, mas não menos bonita e não menos especial que todas as outras.
   Todas as princesas que visitam esta montanha, têm as suas belezas próprias, cores diferentes, oferecem coisas diferentes, e todas são especiais, não é?
FIM
Lálá
(1/Setembro/2014)