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sábado, 15 de novembro de 2014

O DESEJO DA RAINHA


                                     foto de Lara Rocha 

Era uma vez uma rainha invejosa, má, fria, arrogante e vaidosa, exigiu de um empregado seu uma aquisição muito diferente. Ela estava à janela e viu o arco-íris no monte, por isso, pensando que o arco-íris era uma coisa que se podia levar, mandou um dos seus criados para lá.
- Vai, e não voltes sem aquilo! – Ordena a rainha
- Mas…
- Cala-te. Não há mas, nem meio mas…vai.
- Eu lamento, mas esse seu desejo é muito difícil.
- Não quero saber…arranja-te! Eu quero os arco-íris e ponto final. Rápido.
- Mas…
- Despacha-te, antes que seja noite, eu quero ainda hoje…se não vieres com os arco-íris hoje…vou castigar-te!
- Senhora…
- Cala-te! Vai.
            O pobre criado não falou mais e segui. Não queria desiludir a sua rainha, mas ele achava difícil apanhar um arco-íris, só que não podia confessar isso com a rainha. Para ela ficar contente e não o despedir, pôs pés ao caminho e segui para o monte. Pelo caminho viu o arco-íris, mas quando chegou…e de repente…o arco-íris desapareceu.
- Óh…ainda não cheguei lá, e o arco-íris já desapareceu…
            Ele ia tão distraído que escorrega numas folhas e cai num buraco depois de rebolar várias vezes. Um burro salta para o buraco, manda um coice e atira-o pelo ar. Ele grita, e o burro sai do buraco a rir-se.
- Olha, em vez de te estares a rir, ajuda-me.
- Amigo…rir é bom!
- Eu não achei piada nenhuma.
- Rir, alivia a dor.
- Pois, pois…deve ser.
- É verdade! Olha que eu sou burro, mas sei umas coisas.
- Sim…sim…podes levar-me ao monte por favor?
- Ao monte? Eu…não vou para lá, mas se me disseres o que vais lá fazer, pode ser que eu vá.
- Vou lá buscar o arco-íris para a rainha.
- O quê?
            O burro desata às gargalhadas, e o rapaz ri-se por contágio, por ouvir as gargalhadas do burro.
- Desculpa… (ri outra vez)
- Estás bem-disposto! – Diz o rapaz a rir
- É que…isso tem muita piada.
- O quê?
- A rainha quer…um arco-íris…áh, áh, áh, áh… (recomeça às gargalhadas)
- Mas porque é que te estás a rir tanto?
- Porque ela nunca vai conseguir ter o arco-íris.
- O quê?
- Pois. Ai ela não sabe?
- Não sei…
- Ela não sabe que o arco-íris aparece e desaparece, e não se pode tocar nele?
- Não…?
- Também não sabes? Vais perder tempo a ir ao monte buscar o arco-íris. Nunca vais apanhar um…a não ser nos teus sonhos de olhos fechados…ou abertos…ih, ih, ih…
            O rapaz fica pensativo, e aparecem outra vez outros arco-íris.
- Agora vou apanhar aquele…
- Vais? Boa sorte… (desata a rir)
- Leva-me lá por favor.
- Está bem. Sobe
            O rapaz sobe para o lombo do burro, e quando chegam ao monte, o arco-íris desaparece. Volta a aparecer, e o rapaz faz tudo para o apanhar. O arco-íris aparece e desaparece.
- Mas estás a brincar comigo…?
- É mesmo assim, elas não estão a brincar…
- Mas…e agora como é que vou levar um arco-íris àquela mulher…? Ela lembra-se de cada uma…
- Acho que vais ter de a enfrentar e dizer-lhe a verdade…
- Verdade? Ela mata-me.
- Mas vais ter de dizer, porque na verdade, nunca vais conseguir apanhar nenhum arco-íris…ele só existe com luz do sol e água…é…ilusão. Não se pode tocar, nem agarrar, nem meter num frasco ou num saco.
- Não?
- Não!
            O rapaz fica desiludido e com muito medo da rainha. Quando chega ao palácio, conta a verdade à rainha, muito envergonhado e cheio de medo.
- Incompetente! – Grita a rainha quase a explodir.
            Ela chama outros criados para lhe irem buscar o arco-íris, mas eles também não conseguem, porque aparecem e desaparecem, não se sabe para onde. Os criados também fazem de tudo e não conseguem nada. Voltam ao palácio e a rainha fica completamente histérica.
Decide ir ela própria ao monte apanhar os arco-íris que quisesse, e tem a certeza absoluta que vai conseguir. Mas quando chega lá…acontece exactamente a mesma coisa: os arco-íris aparecem e desaparecem num instante, e a rainha não consegue tocar em nenhum.
- Mas o que é que se passa aqui? – Pergunta a rainha muito zangada
            O burro desata às gargalhadas.
- Nunca vai conseguir…
- Cala-te! – Grita a rainha – Alguém anda a roubar os arco-íris é? Apanhem o ladrão…- Manda a rainha
            Os criados correm todo o monte, todas as tocas, todas as árvores à procura dos ladrões do arco-íris.
- Mas que gente tão…rara! – Diz o burro às gargalhadas
- Porque é que te estás a rir…? Ajuda a apanhar os ladrões. – Manda a rainha muito incomodada.
- Nunca vão encontrar um único ladrão…- Diz o burro a rir
- Porque não? Eles têm de andar por ai. – Diz a rainha
- (RI) Eles não existem…
- Como não existem? Os arco-íris aparecem e desaparecem, não é sem razão…de certeza que são roubados por alguém.
- Não.
            O burro dá uma longa explicação á rainha sobre os arco-íris. A rainha fica envergonhada.
- Óh…não posso acreditar. Eu queria tanto um arco-íris…
- Mas isso é da mãe…ela não oferece às mãos criminosas do homem…são só para os olhos verem tal beleza…
- É mesmo bonito.
- Sim! Se a mãe permitisse que tocassem ou levassem um arco-íris, uma coisa tão bonita, já não existia…muitos homens já o tinham vendido uma série de vezes, só para fazer dinheiro, outros já o tinham fundido e transformado noutra coisa qualquer. Se fosse possível levar um arco-íris, cada um…nunca ninguém repararia nele…nem que ele é tão lindo. Nem tudo o que existe na natureza é para ser tocado ou comido…há muita coisa que é para ser sentida, e vista com os olhos. Quando tocamos com as mãos…estragamos tudo! – Explica o burro
            O burro ensina a rainha a ver com olhos de ver…a reparar nos mais pequeninos pormenores, sem tocar, apenas…ver…sentir…e a rainha descobre que afinal não conhece nada da natureza. Aparecem passado um bocado, nas nuvens uma série de arco-íris, maravilhosos, com cores nítidas, brilhantes, grossos.
- Ali há água, está a ver…?
- Não.
- Mas há, porque o arco-íris vem de lá.
            Começa a chover e o arco-íris desaparece. A rainha fica encantada.
- Áh! Que maravilha… - Suspira a rainha
- Tem de vir mais vezes passear e sentir a natureza, em vez de fazer pedidos estranhos…- Diz o burro
- Pois, é verdade.
- Venha, vou mostrar-lhe mais coisas.
            A rainha vai montado no burro, e este mostra-lhe tudo. A rainha parecia outra vez criança, ou que nunca tinha visto aquilo tudo. Correu, saltou, riu, rebolou na relva, brincou com os criados, feliz nos campos, andou descalça, apanhou flores, fez fios e arcos de malmequeres, pôs girassóis no cabelo, chapinhou em lagos, bebeu de fontes…estavam todos encantados com ela.
A rainha percebeu que o desejo dela era impossível de realizar, mas para compensar, quando tentou apanhar o arco-íris, descobriu muitas coisas novas, sentiu-se livre e muito feliz. Pediu desculpa aos criados pelo pedido tão estranho, e ofereceu-lhes uma bela cesta de frutas que mandou apanhar para cada um…enorme, cheia de frutas dos seus campos, frescas e suculentas.
A rainha teve na mesma os arco-íris…mas nos seus olhos!

FIM
Lálá
(15/Novembro/2014)





sábado, 11 de outubro de 2014

OS DIAMANTES


          Era uma vez uma série de jardim de muitas casas, num bairro, que da noite para o dia encheu-se de pequeninos diamantes. Havia diamantes na relva, nas pétalas das flores, nas folhas das árvores…era lindo de ver.

As pessoas foram à janela e viram todos aqueles diamantes. Num instante, vestiram-se e foram ver. Quando chegaram mais perto, não viram diamantes.

          Entretanto voltaram para casa, surpresos e pela janela continuavam a ver os diamantes. Os jardins foram rapidamente invadidos por dezenas de passarinhos, formigas, borboletas, abelhas e de outras espécies de bichos que pousaram em tudo o que tinha diamantes e engoliram-nos.

          As pessoas ficaram muito zangadas. Voltaram aos jardins e já não havia diamantes.

- Bom dia, vizinhos! – Dizem todos em coro

- Encontramo-nos todos aqui hoje! Que engraçado. – Repara uma senhora

- Acho que viemos todos ao mesmo! – Diz outro senhor

- Eu vi diamantes pequeninos no meu jardim. Mas cheguei aqui e despareceu tudo! – Comenta uma senhora

- Eu também! – Dizem em coro

- Não acredito! Aqueles malditos comeram os diamantes… - Resmunga um senhor

- Quem? – Perguntam todos em coro

- Os bichos! – Responde o senhor

- Que bichos? – Perguntam todos em coro

- Passarecos, borboletas, joaninhas, formigas…todos os que habitam os nossos jardins. – Explica o senhor

- Como é possível? – Perguntam todos

- Os diamantes não se comem! – Diz uma senhora

- Pois não! – Respondem todos  

- Se os comeram não vão aguentar muito tempo! – Comenta outra senhora

- Mas quem é que terá posto aqui aqueles diamantes todos? – Pergunta uma criança

- Se calhar caíram de algum avião. – Responde outra criança

- Ou será que os diamantes eram de comer? – Pergunta outra menina

- Não há diamantes de comer. – Assegura outra senhora

- Podem ter caído de um saco de alguém. – Pensa alto outro senhor

- Isto é muito estranho. – Diz um senhor

- Devíamos avisar a polícia! – Diz uma senhora

- Também acho. – Respondem todos

          Ouvem uma sonora gargalhada, mas não vêem ninguém.

- O que foi isto? – Perguntam todos assustados

- Uma gargalhada! – Respondem todos

- De onde veio? – Perguntam todos

          Soa uma voz:

- Para quê, chamar a polícia? (Todos olham uns para os outros). A polícia tem mais o que fazer.

- Quem és tu? – Perguntam todos

- Aparece! – Grita um senhor

- Foste tu que puseste aqui os diamantes? – Pergunta uma criança

- Diamantes? – Pergunta a voz

- Sim. – Respondem todos

- Os diamantes que vimos da nossa janela! – Responde outra criança

- E eram diamantes? – Pergunta a voz

- Eram. – Respondem todos

- Não sei do que estão a falar! – Diz a voz

- Foste tu que os roubaste! – Diz uma senhora

- Aparece! – Gritam todos

- Nós pensamos que tinham sido os bichos. – Diz outra criança

- Que bichos? – Pergunta a voz

- Os que vivem aqui nos jardins. – Responde a criança

(A voz dá uma gargalhada)

- Vocês estão a sonhar… - Diz a voz.

- Eu estou bem acordado! – Respondem todos

- Mas estão ainda a sonhar…- Responde a voz

- O que queres dizer com isso? – Pergunta uma senhora

- Os diamantes que viram caíram das nuvens.

- O quê? – Perguntam todos

(Aparece uma fada brilhante com roupa de sol, e um bebé ao colo vestido de gota)

- Olá!

- Olá! – Respondem todos surpresos

- Áh! Que lindas! – Dizem as crianças e as mulheres

(Os homens não acreditam em fadas, por isso não a vêem, apenas ouvem a sua voz)

- Vocês estão loucas? – Pergunta um senhor

- Cala-te! – Responde a sua esposa

- Insensível. – Responde a filha

- Deixem…não se incomodem! – Diz a fada

- Eu quero é apanhar aqueles ladrões dos diamantes…não acredito que tenham caído do céu. – Responde um senhor

- No céu só há chuva. – Responde outro senhor

- E sol! – Respondem todos

- Exactamente. Sol e chuva. Choveu a noite toda, e de manhã deu sol. Eu vim passear com a minha filha, foi por isso que viram tudo a brilhar…! Eu sou a fada do sol, e a minha filha é a chuva. As pétalas das flores, a erva, e todos os sítios por onde passamos, receberam-nos e estivemos a brincar com eles. Para agradecerem a nossa dádiva: o sol e a chuva. – Explica a fada

- Áh! Que lindo! – Dizem as crianças e as mulheres

- Que palermice! – Resmungam os homens.

- Não acreditem nisso. – Aconselha outro senhor

- Nós queremos é que devolvas os diamantes! – Resmunga outro senhor

- Mas que brutos! – Gritam as senhoras

- Isso é maneira de falar com meninas? – Pergunta uma senhora ofendida

- Não vejo senhora nenhuma. – Resmunga o senhor  

          Estoura uma grande nuvem negra cheia de água por cima dos homens, e ficam todos encharcados. A chuva espalha-se pelas flores, pela erva, pelas folhas e por todo o lado.

- Bem-feita! – Dizem as senhoras e as crianças às gargalhadas

- Tiveram a paga pela vossa grossaria! – Responde uma senhora

- Desgraçadas…- Resmunga outro senhor

- São todas iguais! – Gritam todos

- Quem? – Perguntam as senhoras

- Vocês. – Respondem todos zangados.

          Depois de a nuvem esvaziar e ficar tudo molhado, desaparece, e aparece o sol e os diamantes voltam a aparecer.

- Aqui estão os diamantes! – Diz a fada do sol a sorrir

- Áááááááhhhh…! – Exclamam todos

- Afinal os diamantes não existem mesmo! – Diz um senhor

- Existem. Não estás a vê-los? – Pergunta a esposa

- Só vejo gotas de água a brilhar com o sol a dar-lhes. – Responde o senhor

- E são esses. – Diz a fada

- Não quero esses diamantes, quero é os verdadeiros que roubaram. – Insiste outro senhor

- Estes são os verdadeiros diamantes, em estado puro! – Explica a fada

- Mas não são diamantes, não dão para vender, nem para fazer dinheiro. – Resmunga outro senhor

- Mas salvam a tua vida, matam a sede a muitos animais, e alimentam as plantas, fazem-nas crescer…só graças a elas é que tens legumes e flores bonitas, respiras… - Diz a fada

- E o que é que isso me interessa…? Não são diamantes. – Resmunga o homem

- Estes são os verdadeiros diamantes, e não há dinheiro que compre! A beleza da natureza, a vida, o ar…a água e o sol! – Diz uma jovem

- Isso mesmo! – Dizem todas e a fada

- Há coisas que o dinheiro e os diamantes pedras não pagam. – Acrescenta outra jovem

- Pois é! – Diz a fada

- Que ridículo…vou mas é trocar de roupa. – Resmunga outro homem

- Vocês são mesmo idiotas. Acreditam em tudo! – Diz outro homem zangado

- Nisso tens toda a razão. Até acreditei em ti…e depois viu-se! – Responde a sua esposa

- Cala-te. Isso não vem ao caso! – Resmunga o homem

- Acreditam em coisas que não existem! – Diz outro homem

- Também tens razão…- Dizem todas

- Acreditamos no vosso amor por nós! – Diz uma senhora

- É. E esse também não existe, mas nós acreditamos! – Responde outra senhora

          Eles viram costas zangados.

- Muito obrigada pela tua visita, fada! – Diz uma criança

- Muito obrigada pela tua presença. – Diz outra criança

- Muito obrigada por existires, e fazeres parte da nossa vida! – Diz outra criança

- É um gosto! E é a minha função. – Diz a fada

- Desculpa os nossos homens… - Diz uma senhora

- Não se preocupem. Já estou habituada, já sei como são. Eu só apareço a quem me vê, e quem me sente…quem está demasiado ocupado pelo material, não me vê. Não faz mal. Eles na verdade não pensam que acreditam em mim, porque não reparam no que se passa à volta deles, na natureza, mesmo à frente dos olhos deles…só vêem o que lhes enche os olhos…bom, vocês entendem do que estou a falar. – Explica a fada

- Sim! – Respondem todas

- Muito obrigada por estes diamantes nos nossos jardins, nas nossas flores…- Diz outra senhora

- São lindos!

- Ainda mais que os verdadeiros.

- Muito obrigada por tudo o que nos dás.

- Até breve, minhas queridas. Voltarei! – Diz a fada a sorrir

          A fada e a bebé desaparecem a brilhar. As senhoras e as crianças acariciam as flores e vêem o brilho das gotas, os lindos e verdadeiros diamantes. Toda a gente consegue ver estes diamantes! Basta acreditar em fadas e lembrarmo-nos de que há coisas que nem os diamantes em pedra são mais valiosos do que a saúde, a vida e a natureza. As fadas existem em tudo o que é bonito e bom para nós. E não faltam diamantes à nossa volta. A única diferença é que estes diamantes não dão dinheiro nem são para vender. São para ser vistos, sentidos e apreciados…respeitados.

FIM

Lálá

(11/Outubro/2014)