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segunda-feira, 16 de maio de 2022

A lua e os lobos


foto de Lara Rocha (máquina fotográfica semiprofissional) 

MENINO/A (ADULTO) - Quando a Lua aparece no céu, 

MENINO/A (ADULTO) - os lobos fazem uma vénia, 

CORO - com respeito e encanto. 

MENINO/A (ADULTO) - A Lua sorri, o seu sorriso reflete-se nos olhos dos lobos 

CORO - que se deixam tocar por ele, 

MENINO/A (ADULTO) - sorriem para ela, 

MENINO/A (ADULTO) - uivam baixinho 

MENINO/ A (ADULTO) - e os seus olhos faíscam com a Lua. 

MENINO/A (ADULTO) - Quando os lobos uivam, 

CORO - a Lua cala-se e ouve-os. 

MENINO/A (ADULTO) - Quando a Lua uiva 

CORO - os lobos calam-se, 

MENINO/A (ADULTO) - ouvem-na e uivam com ela, em coro. 

MENINO/ A (ADULTO) - Quando os lobos uivam a Lua dança. 

MENINO/A (ADULTO) - Quando a Lua dança, 

CORO - os lobos ficam em silêncio e dançam com ela. 

MENINO/A (ADULTO) - Quando a Lua ri, 

CORO - os lobos riem com ela, 

MENINO/A (ADULTO) - Quando a Lua chora, 

CORO - os lobos choram com ela, 

MENINO/A (ADULTO) - soltando os seus uivos sonoros, 

CORO - e a Lua cala-se. 

MENINO/A (ADULTO) - Quando os lobos choram, 

MENINO/A (ADULTO) - a Lua envolve-os com a sua Luz, 

MENINO/A (ADULTO) - como se estivesse a abraçá-los, 

CORO - e os lobos calam-se. 

MENINO/A (ADULTO) - Quando a Lua engorda, 

CORO - os lobos apaixonam-se por ela, 

MENINO/ A (ADULTO) - quando a Lua emagrece, 

CORO - os lobos abraçam-na, 

MENINO/A (ADULTO) - e tocam-na com os seus uivos ternos, e suaves, mas sabem que faz parte dela. 

MENINO/A (ADULTO) - Quando a Lua traz uma amiga estrela, 

CORO - os lobos brincam com elas. 

MENINO/A (ADULTO) - Quando a Lua vem sozinha, 

CORO - brincam em conjunto 

MENINO/A (ADULTO) - a correr uns atrás dos outros, a uivar. 

MENINO/A (ADULTO) - Quando está frio, 

CORO - a Lua encolhe-se, 

MENINO/A (ADULTO) - desce para a beira dos lobos,

MENINO/A - e os lobos aquecem-na 

CORO - com os seus bafos, uivos e pelos. 

MENINO/A (ADULTO) - Quando está frio para os lobos, 

MENINO/A (ADULTO) - estes ficam apenas a apreciar a Lua, 

MENINO/A (ADULTO) - recolhidos nos seus abrigos, 

CORO - a ouvir as histórias que ela conta. 

MENINO/A (ADULTO) - Quando os lobos estão tristes, 

CORO - a Lua canta-lhes uma canção de embalar, e envia-lhes estrelas para os animar. 

MENINO/A (ADULTO) - A seguir, os lobos sorriem e uivam de gratidão e encanto por este mimo da Lua. 

MENINO/A (ADULTO) - Os lobos sabem que a Lua está sempre lá para eles, 

MENINO/A (ADULTO) - e ela sabe que eles também estão lá para ela. 

MENINO/A (ADULTO) - Quando a Lua desaparece, 

CORO - os Lobos sentem saudades, 

MENINO/A (ADULTO) - mas rapidamente ela volta, 

MENINO/A (ADULTO) - para uivar, 

MENINO/A (ADULTO) - cantar, 

MENINO/A (ADULTO) - contar histórias, 

MENINO/ A (ADULTO) - ouvi-los, 

MENINO/A (ADULTO) - acariciá-los, envolvê-los. 

CORO - Os lobos e a Lua, a Lua e os lobos. 

MENINO/A (ADULTO) - Quando a Lua uiva, 

MENINO/ A (ADULTO) - os lobos calam-se, 

MENINO/A (ADULTO) - ou uivam em coro. 


                                           FIM 

                                       Lara Rocha 

                                      16/Maio/2022 

        

sexta-feira, 29 de janeiro de 2021

O mosaico da aldeia



   Era uma vez numa aldeia pequenina, com poucos habitantes, uma parede enorme, muito branca, que nem sabiam muito bem quem a tinha posto lá. 
     Todos os dias, um senhor olhava para aquela parede e sentia uma grande tristeza, um enorme vazio. Não sabia explicar porque sentia isso, mas não gostava daquela parede branca. 
     Um dia, um pintor sentou-se à janela da sua casa e olhou para a parede. Rabiscou uma tela, para tentar inspirar-se, mas não lhe saiu nada de ideias. Passou esse senhor que não gostava da parede branca, e comentou: 

- Não gosto nada desta parede branca! Provoca-me uma grande tristeza e um enorme vazio. 

- Óh, estou a ver. Sabe que eu também não gosto muito desta parede tão branca, mas às vezes quando olho para ela, consigo imaginar umas imagens. E que tal se experimentarmos desenhar aí alguma coisa...? Sem se preocupar se está bem desenhado ou não... 

- Hummm...eu não sei desenhar, mas se diz que não interessa se sei ou não desenhar...acho que consigo riscar ali qualquer coisa. 

- Isso. Força! 

- Vai fazer o mesmo? 

- Sim. Faça primeiro. 

- Com o quê? 

        O pintor dá-lhe um pincel e algumas tintas. O senhor fica a olhar para aquilo, sem saber o que pintar. 

- Arrisque! Não tenha medo, nem pense muito. Olhe para a cor que lhe chamar mais a atenção, ou misture algumas... 

        O senhor sorri. Molha o pincel um bocadinho em cada cor e salpica um cantinho da parede. 

- Que bonito! Deu-me uma ideia... 

          O pintor vai ter com ele, molha o pincel, com as mesmas cores, e faz uns traços soltos. 

- Áh! Parece o arco-íris. 

- Isso. Vamos dizendo palavras, e vemos se surge alguma coisa. 

     Os dois disparam palavras, as mais bonitas que conhecem, que transmitem boas mensagens, e vão desenhando sobre essas palavras, com cores, formas, pintas. 

    À medida que outros habitantes vão passando por lá, apreciam a parede, e o pintor convida-os a participar, dizendo as palavras mais bonitas que conhecem, e a desenhar alguma coisa que gostassem, onde quisessem ao longo da parede. 

      Este desafio é do agrado de todos, participam com entusiasmo, vontade e alegria. Uns fazem desenhos maravilhosamente perfeitos, lindos, outros coisas mais simples de que gostam. 

       Entre salpicos, pintas, riscos, vão nascendo: nuvens, flores, ondas, linhas, pássaros, casas, árvores, casais, crianças, peixes, fontes, cascatas, montanhas, avós, sol, chuva, e outros animais. 

        O pintor completa com a sua perfeição e com novas imagens que lhe surgem ao ver o que está lá. 

        Num instante, a parede fica completa. Uma verdadeira obra de arte, cheia de cor e vida, luz, amor. 

- Como está maravilhosa esta parede! Que orgulho! - suspira o pintor com um grande sorriso 

           Decidem fazer uma festa para inaugurar e apreciar a parede. Todos concordam, reúnem-se com petiscos, o pintor faz um discurso de agradecimento a todos os habitantes, dá os parabéns a todos, chovem fotografias para a parede, palmas, atá vai para o jornal das outras terras, que invadem a aldeia para ver ao vivo e de perto. A aldeia ganhou uma nova vida, e a parede ficou conhecida como o mosaico da aldeia. 

                                                   FIM 

                                             Lara Rocha 

                                                                                                                                 29/Janeiro/2021