Número total de visualizações de páginas

quarta-feira, 11 de agosto de 2021

Ninhos na poluição

         


           









         foto de Lara Rocha 


   Era uma vez dezenas de pássaros que voaram vários quilómetros de uma aldeia, porque tiveram de fugir para a cidade, a pensar que lá, o ar estaria mais leve, mas estavam enganados! Na aldeia, pelo caminho, na cidade, tudo estava igual: um céu que metia medo, vermelho, laranja, cinzento, um calor insuportável. 

        Estavam rodeados de incêndios, e em alguns lugares viam as chamas de cima. Quase não se via um palmo à frente dos bicos, um ar irrespirável, repleto de fumo, muito pesado; isso fê-los tossir, espirrar, outros desmaiaram e caíram desamparados no solo, sem que os outros se apercebessem dos que ficaram para trás, pois não se conseguiam ver, muito menos ao solo. 

    Também não sabiam o que estava realmente a acontecer, mas pressentiam que era grave. Os pobres pássaros ficaram tão aflitos que se desorientaram e aterraram no primeiro sítio onde lhes pareceu mais ou menos seguro! Em jardins, próximos de água, onde foram mergulhar para se refrescar e matar a sede. 

        Quando mergulharam nem queriam acreditar no que estavam a ver e a sentir...a água estava cinzenta e preta, saíam faúlhas das suas penas, o que os deixou muito assustados. Olharam uns para os outros para ver se tinham as penas todas, ou se havia partes do corpo sem penas. 

        Mergulharam várias vezes enojados, beberam muita água, tossiram, espirraram, limparam os bicos e as narinas, pentearam as penas, e encontraram restos de comida, lixo que os humanos desperdiçaram e deixaram no parque. 

        Encontraram flores com pétalas abertas, que sabiam o que estava a acontecer e convidaram-nos a abrigar-se daquela poluição. À sombra, um lugar fresco, muitas flores de espécies diferentes libertaram das suas pétalas um cheirinho tão bom, que cada pássaro instalou-se rapidamente na que mais gostou.

        Que bem que estavam, protegidos e instalados confortavelmente, dormiram um sono reparador, até ao dia seguinte, de tão cansados que estavam. Nem se aperceberam que as pétalas quase fecharam à noite, aconchegando-os, aquecendo-os e guardando-os do ambiente poluído. 

        E assim continuaram mais uns dias, mas gostaram tanto do sítio, do carinho e simpatia das flores que de dia voavam por outras paragens, e ao anoitecer, regressavam, cada um para a flor que escolheu, e conversando alegremente com elas. Apesar da poluição, encontraram um ninho perfeito. 

Fim 

Lara Rocha 

11/Agosto/2021 

terça-feira, 10 de agosto de 2021

Os pássaros da Vila (exercício de relaxamento por imaginação/ história)



foto de Lara Rocha 

   Era uma vez uma Vila com muitos poucos habitantes, perdida num recanto de um vale.  
  Ficava longe da cidade, onde se respirava ar puro, via-se uma paisagem indescritível, tal como as cores. 
 A Vila estava rodeada de vários tons de verdes, castanhos, amarelos dourados, às vezes cinzas e brancos, ou laranjas, e vermelhos conforme as tonalidades do céu, se havia nuvens, ou estava azul, se chovia ou estava sol. 
     Viam-se as estrelas, a Lua nas suas diferentes fases. A Vila estava repleta de lendas, e era um lugar tão mágico, tão especial que os inspirava a criarem muitas outras, a partir do que a imaginação ditasse, com tanta magia. 
    As águas dos ribeiros, riachos, cascatinhas naturais, recebiam as mesmas variedades de cores, parecia que alguém tinha andado lá com pincéis e tintas a tingir a água. 
    Era de perder de vista! Cheia de grutinhas para descobrir as suas belezas raras, as montanhas geladas no Inverno, os laguinhos e tanques vidrados no Inverno, e aquele frio cortante a que os habitantes já estavam habituados. 
  Os perfumes das flores, o cheiro de eucalipto dos pinheiros, invadiam as almas e enchiam de serenidade. Ouvia-se a chuva, os seus suspiros e cantos, guinchos, lamentos, que a água fazia pelos diferentes sítios onde passava, tal como a trovoada quando havia. 
  Conheciam de cor todas as variedades de sons, e o mesmo acontecia com o vento que parecia fazer música quando passava por entre as agulhas dos pinheiros, entre o milho, e até a passar nas pétalas das flores, as pessoas conseguiam ouvir os risinhos delas. 
   O silêncio às vezes era aterrador, tanto que alguns habitantes queixavam-se, queriam mais barulho, não aquele da cidade, mas outros agradáveis, por exemplo, tinham muitos animais, que quebravam o silêncio, mas não havia pássaros. Imaginavam como seria agradável ouvir pássaros. 
    Reuniram-se, partilharam essa vontade, e pensaram durante algum tempo, o que poderiam fazer, como fazer para atrair pássaros. A primeira ideia, foi deixar comida para eles nas beiradas das janelas.      Os pássaros chegaram lá, comeram, e foram embora, deixando apenas algumas penas, bonitas, os habitantes sempre na expectativa que voltariam para ficar. 
     Passaram-se vários dias, deixavam comida, os pássaros comiam, e levantavam voo, nem se ouviam cantar, alguns ainda os viram pousados, que lindos que eram, mas logo que as pessoas abriam as janelas, os pássaros levantavam voo, e deixando de presente algumas belas penas. 
   Decidiram fazer outra coisa: construir uma grande gaiola, com comida, bebida e ninhos confortáveis, esta estratégia só funcionava ao fim do dia, e noite, onde os pássaros recolhiam, abrigavam-se, aconchegavam-se nos ninhos, alimentavam-se, e saiam, mas as pessoas não se aproximavam, pois se o fizessem, fugiriam no mesmo instante. 
    Mas que alegria, ouviam o seu chilrear contínuo, sonoro, em coro, conseguiam ver uma enorme variedade de espécies, pássaros que nunca tinham visto, cada qual o mais raro e bonito. 
   Tiveram outra ideia, para tentar que os pássaros pousassem mais próximos deles: mantiveram a grande gaiola, sem portas, para poderem entrar e sair quando quisessem, e cada um na sua casa, plantou pequenas árvores que cresciam rápido, e eram frondosas. 
   Quando estas cresceram, os pássaros voavam entre a gaiola grande, e para alegria de todos, pousavam nas árvores, o que permitia aos moradores ver ao pormenor toda a beleza de cada pena, dos diferentes pássaros, e quebrar a solidão, ao deliciar-se com os cantos, que pareciam diálogos entre eles.         
   Os habitantes não podiam aproximar-se, para não fugirem, mas aos bocadinhos, foram-se aproximando, e os pássaros habituaram-se a eles, tanto que também pousavam nas janelas. Recebiam comida, bebida e mimos dos humanos. 
    Tornaram-se quase família das pessoas, a voar dia e noite, a cantar e a encantar, pousando nas janelas, nas árvores, e na grande gaiola, às centenas. 
     Os habitantes aprenderam que deviam deixar os pássaros livres, e tinham a sua amizade, companhia garantida, se os prendessem para apreciar, eles fugiriam e foi uma maneira de quebrar tanto silêncio que às vezes entristecia os habitantes da Vila. 
        Era mais um som mágico, a juntar a todos os outros, ainda mais especiais, e mais uma fonte de inspiração para as lendas. 

                                                                            FIM 
                                                                        Lara Rocha 
                                                                        10/Agosto/2021 


sábado, 7 de agosto de 2021

As rotinas do sol

     

pintado a óleo por Lara Rocha 

      Era uma vez um Sol, que desceu de paraquedas muito lá de cima, até à Terra, onde ainda estava muito escuro, mas sabia que a hora de despertar se aproximava. Esta é uma rotina que ele adora! Começa sempre com o aterrar numa praia gigante, deserta, exótica, daquelas que parece que nem existe, e não. Só o Sol sabe dessa praia, só ele é que vai para lá, acordar partes do mundo! 

      Quando aterra, espreguiçou-se, estende todos os seus raios e abre um sorriso tão grande que espalha brilhantes por todo o lado. Boceja com tanta vontade que salpica o mar, com a sua luz, que ao pousar na água ganha muitas cores, umas mais claras, outras mais escuras. 

      Levanta-se lentamente, e começa a saltitar na água como se fosse um balão vermelho num elástico. Enquanto continua a levantar lentamente,  olha para a paisagem, aprecia os pescadores em alto mar e na costa a recolher o peixe fresco. 

     Vê e ouve as gaivotas esfomeadas, cheias de energia, a esvoaçar à procura da primeira refeição, a mergulhar em busca de alimento. Vê pessoas à janela de casas, outras a caminhar pela rua, a passear cães nos passadiços e na própria praia, ainda quase a dormir em pé, e outras de carro, a correr de um lado para o outro. 

      Fica cansado de ver tanta agitação e de ouvir tanto barulho, que regressa à praia. Saltita na areia, deita-se, rebola, enche os raios de areia, pega nela, acaricia-a, sorridente, clareando toda a praia, e porque brinca na areia aquece-a. 

      Como fica cheio de areia, vai tomar banho ao mar, que ainda está gelado, mas depois de brincar com a água, aqueceu-a. Uma série de amigos marinhos vem logo cumprimentá-lo, e alguns humanos, como surfistas, desportistas que adoram treinar logo de manhã, e artistas fotógrafos ou pintores, para aproveitar toda a beleza que espalha. 

       Também gosta de conversar com o vento marinho que não resiste à sua passagem, e os dois ainda dão umas boas gargalhadas, passeando-se pela praia e abraçando as amigas palmeiras que adoram senti-los. 

       É o sol que as desperta, e o vento que as penteia..bem...ele acha que penteia, mas a maior parte das vezes, despenteia. O que vale é que elas não ficam zangadas, porque gostam do carinho do vento, dizem que acordam com uma nova energia, bem dispostas e frescas. 

    Depois de tudo feito, volta a subir e fica próximo da Terra, até a sua amada Lua chegar, para trabalhar, sempre maravilhosa, linda, com o seu vestido em tons brancos e azulados, e brilhante, umas vezes mais curto outras noites, mais comprido. Mas sempre elegante. 

      O sol gosta de a ver, enquanto ela está a trabalhar, sentado na Via Láctea, da janela do seu quarto onde se deita e descansa numa nuvem macia, ou debaixo de uma grande árvore feita de estrelas cintilantes, no jardim, onde se senta confortavelmente até voltar ao trabalho, despertando o Mundo às mesmas horas, ou a horas diferentes, sempre feliz, enchendo-nos a todos que o vemos, com a sua energia, alegria e calor. 


                                                                                FIM 

                                                                             Lara Rocha   

                                                                            7/Agosto/2021 

sábado, 31 de julho de 2021

Amor de Verão e amores a sério (para adolescentes e adultos)



Mulheres falam entre si, de amores de Verão e de relações mais adultas. 

M1 - Dizem que amores de Verão enterram-se na areia. Vivem-se, e esquecem-se. Eu acho que não é bem assim, vivem-se e recordam-se para sempre, mesmo que seja só aqueles poucos dias, se forem intensos, já vale a pena. 

M2 - Quem nunca os teve? 

M3 - A extraterrestre da minha prima. 

(Riem) 

M4 - Se calhar essa também teve, mas não diz. 

M5 - Eu acho que não existem. 

M1 - Porque é que achas que não existem? 

M5 - Acho que é pouco tempo para construir uma relação. 

M2 - Pode ser pouco tempo, mas são coisas que não conseguimos controlar. Eu pelo menos não resisto, se tiver um homem jeitoso a desfilar diante de mim, e se mostrar interesse, eu respondo. 

M4 - O quê? Também nunca os tiveste? 

M5 - Não! 

M6 - Não sei como conseguiste não ter nenhum. 

M7 - Eu quando vou de férias, aproveito tudo o que vem à rede! Tudo a que há direito. 

M5 - E depois quando regressas a casa, se ele é doutra cidade? 

M1 - Agora existem as novas tecnologias que aproximam. 

M5 - Sim, há outras maneiras de contato, mas não é a mesma coisa que o cara a cara, e a proximidade física. 

Todas - Claro. 

M8 - Podes curtir só com alguém, sem grande ligação. 

M2 - Isso! Apesar de eu achar difícil não te envolveres, não sentires nada, e curtires só porque sim. 

M3 - Isso também concordo. 

M4 - Eu acho que não chega a ser Amor...talvez...atração.

M7 - Sim, mas também não tens que ter obrigatoriamente alguma coisa com eles, só porque gostas do aspeto. Alguns também não querem nada, só aproveitar o momento, a oferta para se sentirem muito machos. 

M5 - Depois de acabar, o que fica? 

Todas - Nada. 

M8 - Fica a baixa auto-estima! 

(Todas riem) 

Todas - É verdade. 

M2 - O nojo, no meu caso!

M4 - Sentiste nojo do teu ex? 

M2 - Senti. Foi um amor de Verão que eu imaginava ser para a vida toda. Tanta fantasia minha! 

M7 - Essa é a fantasia de qualquer mulher. 

Todas - É. 

M1 - Às vezes ficam filhos indesejados. 

Todas - Também. 

M2 - Ou alguma IST. 

Todas - Pois. 

M1 - Mas, eu que acabei de chegar de férias, vivi um amor que começou no Verão, sim, este mês...aquele príncipe que desfilou diante de mim, foi com a minha cara, gostou do meu ar, e fez tudo para cativar a minha atenção. Eu não queria que ele percebesse, mas a mim também me agradava ao olho. Não facilitei, mas essa minha defesa durou poucas horas, porque no dia seguinte, na piscina meteu conversa comigo, e eu caí, feita pata, agora estou numa depressão profunda, porque ele falhou com a promessa dele. Que desilusão. Curtimos, de forma escaldante, ele beijou-me como se não houvesse amanhã, e eu deixei-me levar, saímos algumas noites para os bares, e claro, aquela música a rebentar com tudo, dançamos, e fomos descansar para a praia. O que aconteceu na praia, foi fixe, mas só curtimos. Passados uns dias, qual não é o meu espanto… vejo a mulher dele e 4 filhos a chegar, crianças ainda pequenas, lindas como ele, a mulher carregada de coisas, e ele passou por mim, como se não me conhecesse, um seco bom dia, e boa tarde. Eu, claro, como não queria escândalo, fiz o mesmo, mas que vontade de o esganar. Maldito. Disse-me que era solteiro. Senti-me uma sucata, usada, com nojo de mim mesma. 

Todas - A sério? 

M1 - Sim. Aquela explosão de hormonas, apagou logo que vi a mulher dele com os filhos. Que nojo. Apetecia-me chibá-lo, mas tive pena da respetiva e das crianças… porque se fosse eu a esposa dele, com filhos e alguma outra me viesse dizer na fuça que o marido, pai dos 4 filhos andou com outra enquanto a escrava trabalhou, que até teve de ir mais tarde… 

M2 - É só fogo de vista. Mas acontece. Eu na minha adolescência tive uma pequena curte com um rapazito, que já nem me lembro da cara dele, nem do nome, às tantas até já nos cruzamos pelo mesmo sítio e nem nos reconhecemos. 

M3 - Claro, esquecem-se rápido. E os teus pais souberam? 

M2 - Não, a minha geração era muito controlada pelos pais. Sofri em silêncio, chorei às escondidas, disfarcei a minha dor. Nem ficamos com o contato um do outro. Mas ele era giro, ainda éramos talvez pré-adolescentes. 

M4 - Às vezes esses namoricos inocentes deixam boas recordações. 

M6 - Tu tiveste algum? 

M4 - Tive. (ri) Começou com a mesma rapidez que acabou, e não sofri, porque na verdade acho que não sentia nada por ele, era só aquela coisa de...atração. Quisemos experimentar. 

M7 - Deram asas à fantasia. 

M4 - É. Foi isso. Foi giro e tal, mas parecia uma cena de novela. 

M1 - Eu acho que quando escolhes que não queres nada sério, e alguém te dá troco, pensando da mesma maneira, até podem viver momentos escaldantes, mas logo que o fogo apaga, vês que eles ficam na maior, e a mulher às vezes fica mal. 

M2 - Eu acho difícil estares com alguém por quem não sentes nada. 

M6 - Eu também acho, e não seria capaz, mas sei de muita gente que consegue. 

M8 - Depois devem ficar mal emocionalmente. 

Todas - Claro. 

M3 - Acho que alguns adolescentes só curtem para imitar o que veem nas novelas. 

M6 - Claro, e andam com praticamente tudo de fora, reveem a matéria de ciências e biologia, fazem os testes na prática e tudo. 

M5 (a rir) - Está muito bem visto. 

M7 - Para muitos adolescentes, umas curtes de Verão, quando acabam, parece que ficam no fim do mundo, com tanta tristeza. Uns tempos depois já não se passou nada, a não ser, contar aos outros que são muito pretendidos e desejados. 

M8 - Sim, eles acham que sabem muito, mas muito do que pensam saber, vão buscar à Internet, o que não é a melhor forma de aprenderem. 

M2 - Pois, quando passam para a prática, é só asneirada. 

M4 - O pior ainda é praticarem, a achar que sabem muito, e sem proteção! Depois...ai, o que aconteceu... 

Todas - Pois é. 

(Todas riem) 

M1 - É preciso maturidade, e às vezes não existe na idade adulta, quanto mais na adolescência. Mas eu acho bem que os adolescentes vivam essas ilusões, mesmo que não passem de ilusões. Eu na minha geração, também teria vivido se me dessem mais liberdade. 

M3 - Concordo, mas fomos de um extremo ao outro, nesse ponto. 

M5 - Realmente. Eu vejo fazer coisas, agora, que se fosse na nossa geração, levávamos logo uma tareia. 

Todas - Mesmo.

M6 - Havia mais respeito, e mais cuidados. Agora banaliza-se a palavra namoro, e amor, relações, intimidade e outras. 

M7 - Uns tios meus, começaram por ser namorados de Verão, encontravam-se todos os anos, são de cidades vizinhas, mas foi uma coisa mais séria, começaram com uma curte, trocaram contatos e perceberam que era mais que um amor de Verão, passaram a falar-se todos os dias, encontravam-se ao fim de semana, e depois foram para a mesma universidade. Continuaram o namoro. 

Todas - Que máximo. 

M1 - E achas que eles foram fiéis? Hummm...tanto tempo...? 

M5 - Duvido. 

M2 - Eles na altura eram mais fiéis, e não havia tanta oferta. 

Todas - Pois. 

M4 - A minha mãe diz que eu fui feita num amor de Verão, e o meu pai não assumiu, mas depois entenderam-se uns anos mais tarde. 

M3 - Uns primos meus, ficam bué de deprimidos quando voltam de férias, porque conhecem meninas, e travam amizades com elas, mas são de longe, ou são da mesma cidade, mas é como se não fossem. E agora têm outras possibilidades de contato uns com os outros, lá com as redes sociais e telemóveis. 

M8 - Os meus tios gozam à brava, quando os meus primos sofrem depois das férias, por causa de miúdas que conhecem, como se fosse uma relação muito séria, às vezes nem têm coragem de se envolverem com elas, ou trocam uns beijitos e já acham que é para a vida toda. 

(Riem) 

M1 - Coitadinhos, Santa Inocência. Nós na idade deles, não tínhamos hipótese. 

M5 - Eu não tive porque era muito tímida, e acho que também não reparavam em mim, mas lembro-me que as minhas primas tiveram para aí uns amores de Verão, que hoje lembram-se e dizem não perceber o que tinham visto naquilo. 

(Riem) 

M3 - Pois, também já me aconteceu. Mas isso faz parte. 

M2 - Eu acho que com aquela euforia do fogo de vista, nem pensam no que pode vir a acontecer, e passam por cima dos sentimentos. Isso pode ser bom, mas talvez tenha as suas consequências, dependendo da idade. 

M4 - Eu tive várias desilusões antes do meu amor recente. 

M8 - E conseguiste voltar a apaixonar-te? 

M4 - Sim, sem problema. Depois de passar a dor, pensei que ele estava bem, já tinha outra, e eu ia ficar no fundo do poço? Ele não me ia lá buscar. Eu é que tinha de sair de lá, e tinha o mesmo direito de arranjar outra pessoa, melhor do que ele. Este é mesmo melhor do que ele. E não demorei muito a sair da tristeza. Por acaso...começaram os dois no Verão, e acabaram no Verão, o primeiro durou 2 anos, e este, dura há 6 anos. 

M7 - O meu atual foi o meu amor de Verão este ano, dura há algumas semanas. Vamos ver se vou enterrá-lo na areia, no fim do Verão, ou se vou continuar. 

(Todas riem) 

M2 - Hoje nada é certo. 

M7 (ri) - Por isso é que estou a dizer. 

M3 - Mas tiveste algum amor de Verão, na tua adolescência, ou idade adulta? 

M7 - Não. Na adolescência, tive algumas ilusões, mas nunca me envolvi com nenhum, porque eles eram de outras cidades, e na verdade não estavam interessados em grande coisa. Não houve tempo.  Entretanto construí amizade com três deles, de quem gosto muito, e falo com eles muitas vezes. 

M5 - Pois, eu acho que é preciso tempo para construir amizades, ainda mais para construir uma relação de amor, séria, segura, que na prática pode não ser assim tão séria, nem tão segura, mas pelo menos, que haja alguma garantia. 

Todas - Claro. 

M6 - A paixão dura poucos segundos a poucas horas, só serve para aproximar, depois, passa a ter outra intensidade e outros nomes. A atração é a primeira coisa que surge numa relação. 

Todas - Sim. 

(M1 para M5): 

M1 - E o teu primeiro amor, foi de Verão? 

M5 - O meu primeiro amor...a amizade começou no fim do Verão, mas o namoro já começou no Outono. Ele era de outra cidade, mas encontrávamo-nos 1 vez por semana, e falávamo-nos todos os dias, víamo-nos pela web cam, até eu conhecer a família dele, onde passei alguns dias, e ele também veio à minha casa, mas eu passei mais tempo na casa dele, do que ele na minha. 

M1 - O teu namoro durou muito tempo. 

M5 (ri) - E podia ter durado muito mais...ele é que não quis. 

M3 - É porque ele não tinha que ser para ti. 

M6 - Pois, e o que ficou depois disso…? 

M5 - Boa pergunta. Não sei bem! Raiva...tristeza...cheguei a sentir...ódio e nojo...um vazio interior, uma tristeza...senti-me desrealizada e despersonalizada. Tive algum acompanhamento psicológico, que ajudou, mas foi um processo longo. 

M8 - É quase um luto, não é? 

M5 - Sim. 

M2 - Mas já ultrapassaste…? 

M5 - Acho que sim. Nunca mais se volta a ser a mesma pessoa. 

M1 - Não voltaste a ter alguém? 

M5 - Não. Não voltei a apaixonar-me. 

M1 - Mas isso é muito tempo. 

M2 - Eu não vou buscá-los. Sabes que a nossa educação era diferente da de agora. 

Todas - Claro. 

M8 - Então se calhar não fizeste bem esse luto. 

M5 - Não sei. Acho que fiz, mas cansei de amores não correspondidos e de desilusões. Parece que ficou um glaciar dentro de mim. 

(Todas riem) 

M6 - Vais ver que quando menos esperares, ou quando for o momento certo, alguém vai aparecer, e provar-te que há diferentes. 

M5 - Isso era o que toda a gente me dizia, mas eu não acreditava. E acho que agora continuo a não acreditar. Realmente apareceu alguém que provou ser diferente, e que gostou de mim, apareceu quando não esperava, e quando já tinha desistido...mas não sei se vai voltar a aparecer. Acho que não acredito muito nisso. Perdi a magia toda, o romantismo todo, e a capacidade de acreditar. 

M8 - Acho que as relações são difíceis de construir. 

Todas - Claro que sim. 

M1 - E atualmente, todos têm muita pressa em construir relações, como aquelas amizades que duram a vida toda.

M4 - Não sei se ainda existem essas relações. 

M5 - Eu acho que podem existir, mas é mais raro. Dá muito trabalho conhecer alguém em quem acreditas que podes confiar, e há sempre a possibilidade de não seres correspondida. 

M2 - Sem dúvida. 

M8 - Mas isso até nas amizades, as desilusões acontecem. 

Todas - Claro. 

M6 - Mas nas amizades que desiludem acho que é mais fácil ultrapassar do que uma relação a quem te entregas e depois desiludes-te. 

M1 - Acho que a dor deve ser ela por ela. Sim, mas acho que tens razão. 

M7 - É pena. 

Todas - É. 

M8 - Acho que na verdade, são opções que se fazem, e cabe a cada um assumir o sim, ou o não, o querer ou não querer, o envolver-se ou não ou o esperar para ver o que dá. Hoje talvez não estejam dispostos e dispostas a esperar, mas quando corre mal...o que fica...? 

Todas - O nada! 

M1 - O nojo. 

M2 - A raiva. 

M3 - A frustração.  

M4 - A desilusão.

M5 - O vazio e o medo! 

M6 - As lágrimas, e o gelo, até à próxima paixão, atração, ilusão e desilusão. 

M7 - Até ao amor real. 

M8 - Mesmo que não seja para sempre, o amor é sempre amor, e enquanto dura, é bom, aproveita-se, quando acaba, o amor desaparece, e vamos levá-lo para outro lado. 

M1 - Amores de Verão, não precisam de se enterrar na areia, podem ser vividos com segurança, respeito. 

M2 - E não, é não! Mesmo que doa, quando não se é correspondido.

M4 - Amores de Verão podem transformar-se em amizades para a vida. 

M6 - Depende de cada um. 

M8 - Amores de Verão não são posse. 

M5 - Amores de Verão podem ser uma ilusão, ou acabar numa desilusão porque é preciso tempo para ver nascer emoções e sentimentos tão bonitos. 

M3 - Para que sejam memórias inesquecíveis, para a vida. 

M7 - O amor acontece em qualquer altura do ano, e quando é verdadeiro, é melhor que um amor de Verão. 

M1 - Amores de Verão...quem os não teve…? Talvez não fosse de verdade, amor...mas uma fantasia, uma paixoneta na idade da inocência. 

M2 - Amores de Verão, são eternos, na nossa memória. 

Todas - Amores, 

M5 - Amores...de Primavera, Verão, Outono e Inverno.  

M8 - Amores quando acontecem. 


Debate: 

M6 - O que é para vocês, cada um de vocês, um amor de Verão, e um amor verdadeiro? 


                                                                FIM 

                                                            Lara Rocha 

                                                           30/Julho/2021 

quarta-feira, 7 de julho de 2021

Monólogo: como é bonito um rosto natural

  


   
    Como é bonito um rosto que se expressa em toda a sua plenitude, natureza e clareza. Como é bonito um rosto que se deixa ler e se mostra ao outro, aqueles rostos que revelam a sua verdadeira essência, o acontece no interior de cada um de nós, reforçada pelas curvinhas próximas da boca e nos cantos dos olhos. 

        As rugas que tanta gente quer esconder, parecem rastos de estrelas cadentes, brilhantes quando sorrimos com a alma, revelada pela boca toda aberta. Como é lindo esse sorriso e riso que ri connosco, que chora connosco, que sofre connosco, que se angustia, sente raiva, ódio, tristeza, medo, terror. 

        As rugas que são cometas quando estamos mais tristes ou calados, e acompanham a expressão do que sentimos ou do que queremos dizer aos outros. É por isso que se chamam rugas de expressão, e são lindas! 

        Se nascemos com um rosto e temos pele, ela vai mudando, como nós seres humanos alteramos a nossa maneira de ser de acordo com as nossas emoções mais ou menos (in) consciente, as vivências e experiências! 

        Fomos feitos com emoções, nascemos a expressar emoções de forma natural e espontânea, completa, total, pura, com o corpo todo, e todos adoramos ver bebés expressar as suas emoções com todo o corpo. 

        Mas porque há tanta gente que quer transformar toda a natureza e beleza do que são, de como são, o que sentem, em coisas falsas, retas, duras, frias, sem expressão? Para quê sacrificar a pele que nos protege os órgãos internos e que nos permite viver, sentir a magia do toque, do calor dos abraços, dos beijos, das mãos, só porque ganha rugas? 

        Se ela ganha rugas tem como objetivo ajudar-nos a ser mais autênticos, porque reforçam e tornam mais claro o que dizemos com, e sem palavras que às vezes dizem muito mais! Para quê contrariar o que já nasceu connosco, e continua connosco, de formas diferentes? 

        À medida que crescemos, a nossa pele também cresce, acompanha-nos, diferencia-nos uns dos outros, aproxima-nos e afasta-nos...para quê esconder o que nos torna humanos? Claro que a pele muda, mas nem por isso deixa de ser capaz de transmitir toda a nossa beleza interior, tudo o que somos, tudo o que sentimos, a nossa pele e o nosso rosto também sentem. 

        Como é bonito um rosto natural que deixa transparecer tudo o que somos e tudo o que podemos ser, dar aos outros, estar com os outros! 

                                        FIM 

                                 Lara Rocha 

                                                                                                                           7/Julho/2021 

quinta-feira, 27 de maio de 2021

O cheirinho

       



Foto de Lara Rocha  

       Era uma vez um senhor que vivia numa aldeia com mais habitantes. A sua esposa ia vender pão e bolos, legumes,  sopas caseiras de vários ingredientes diferentes, frutas e flores, enquanto ele ficava em casa de volta do forno a preparar os deliciosos bolos, pão, e sopa.  

        Da sua casa era possível sentir quase todos os dias uma mistura de cheirinhos muito agradáveis, de fazer crescer água na boca, mas os seus vizinhos não sabiam o que era, porque a sua esposa saía antes do sol nascer, e o senhor quase nunca o viam fora de casa. 

        Ouviam muitas vezes a assoviar, e a cantar acompanhado de um rádio, e falava com alguém, pensavam que seria consigo próprio, com o locutor da rádio, ou com algum animal que teria dentro de casa. O sr. tinha longas conversas...

        Um dia, umas crianças da aldeia, de várias idades, estavam a brincar ao ar livre e sentiram a mistura de cheiros. Mas entre esses cheiros havia um em particular que até lhes abriu o apetite, e para se distraírem da fome, cheios de curiosidade, não queriam invadir a casa, então, fizeram um jogo, em que cada um tentou adivinhar ao que pertenciam os cheiros. 

        Como conheciam os cheiros dos alimentos cozinhados, nas sopas, conseguiram acertar todos, mas aquele especial...huuummmm....era a bolos. 

        Não resistiram. Foram silenciosamente até à casa do vizinho, ficaram à porta, os cheiros tornaram-se mais fortes, e cada qual o mais apetitoso. 

        Espreitaram discretamente pela janela com cortinas, e perceberam que se mexia de um lado para o outro, ouviram a música, e o senhor a falar. 

       O sr. percebeu que estava a ser observado, e discretamente, abriu a janela. As crianças esconderam-se rapidamente, como puderam, para não serem apanhados, mas foram vistos e não repararam. 

       O sr. riu e fez de conta que não viu. Continuou o seu trabalho, as crianças voltaram a espreitar, e ele viu as sombras das cabecitas. Desta vez não tiveram tempo de se esconder, foram apanhados em cheio. 

- Oláááááá! - diz o Sr. simpático 

- Olá! - respondem todos mais vermelhos do que pimentos 

- Estavam a espreitar não era...? 

- Era! - respondem em coro 

- Precisam de alguma coisa? 

- Desculpe, não queríamos ser atrevidos, mas cheirava tão bem. - explica um mais crescidinho 

- É. Não resistimos! - acrescenta outro 

- Mas estávamos a tentar ver o que estava a cheirar tão bem. - diz outro 

            O Sr. dá uma gargalhada: 

- Não precisavam de espreitar. Bastava baterem à porta. Entrem para ver o que cheira bem. 

- Não queremos invadir a sua casa, nem atrapalhá-lo. - comenta outro 

- Não, não tem problema. Entrem, vamos conversar um bocado. 

O Sr. abre a porta, dá um aperto de mão a cada criança. 

- Bem-vindos à minha casa... 

           Mostra a casa toda, e conversa com os pequenos, depois leva-os para a cozinha, cheia de farinha, fermento, pedaços de massa, o forno a trabalhar, e o rádio. 

         Um bolo de chocolate crescia no forno, e o Sr. conta a sua vida, o seu trabalho, mas sempre a trabalhar, a amassar, a fazer bolinhas de pão, a mexer as sopas no fogão, a deitar farinha e fermento, sementes e sal. Falou da sua esposa, do seu trabalho, dos filhos, dos netos. As crianças estavam boquiabertas e maravilhadas com o senhor. 

- Querem experimentar fazer a massa, e as bolinhas de pão? - sugere o sr. 

- Sim. - respondem em coro 

           Eles seguem atentamente o que o Sr. faz e diz, repetem tudo, e fazem várias bolinhas de pão enquanto o Sr. trata das sopas, e conversam alegremente uns com os outros. Há muita gargalhada, e trabalho. 

- Muito bem! Agora... vai sair do forno o que cheira tão bem. Sentem-se! - Diz o senhor 

          Estão todos em pulgas para saber o que é. O Sr. abre o forno e tira de lá um grande bolo de chocolate. Os olhos das crianças quase saltam de órbita ao ver um bolo com tanto chocolate a acabar de fazer, e os olhos brilham. 

- Huuuuummmmm... - dizem todos, a lamber a boca

- Vamos experimentar. - convida o Sr. 

           Corta uma fatia para cada um. 

- Provem, e se quiserem podem comer mais. 

            Enquanto as crianças se deliciam com o bolo de chocolate, o Sr. mete as bolinhas do pão, e desliga as sopas. Pega numas caixinhas e oferece sopas diferentes a cada menino, perguntando quantos eram em cada casa. 

            As crianças agradecem, e vão para casa encantados com aquela experiência e com o Sr. As sopas não podiam estar melhores, e os pais vão agradecer pessoalmente a casa do Sr. A partir desse dia,  os habitantes foram buscar sopas, e às vezes pão, bolos, flores, para o ajudar. As crianças também iam fazer-lhe companhia, ajudá-lo a fazer massa de pão, e às vezes como recompensa levavam um pedacinho de bolo. 

Afinal, aquele cheirinho diferente dos que eles já conheciam, era a bolo. 

E vocês, que cheiros sentem à vossa volta? Sabem de onde vem? 

Podem escrevê-los aqui, se quiserem....


                                                                    FIM 

                                                                    Lara Rocha 

                                                                    27/Maio/2021

terça-feira, 18 de maio de 2021

Passeio imaginário - história para todas as idades/ relaxamento

Imaginem que vão a passear calmamente, sem pressa…num dia cheio de sol, quente, mas com uma brisa suave…que ao bater na vossa carinha sabe mesmo bem. Entram numa floresta, muito verde, agradável, com árvores que quase formam túneis, e vocês passam pelo meio delas. Pelo caminho ouvem os passarinhos nas árvores a cantar…e que bonito que é ouvi-los! Vocês sentem paz!

As borboletas sobrevoam as flores…e algumas pousam nos vossos cabelos, no nariz…vocês sopram-lhes e sorriem-lhes…elas continuam o seu passeio. Inspiram e expiram…cheira tão bem…a mentol…dos eucaliptos. Atravessam uma pontezinha de pedra, que passa por cima de um laguinho com patinhos, cisnes, muitas plantas diferentes. Que bonito!

Passam por uma linda cascatinha…de águas correntes, frescas e transparentes, que corre entre as árvores e as pedras. Param e ficam a ouvir o som da água a correr…que bom! Continuam a andar, encantados com a paisagem. Entregam-se totalmente àquele sítio, cheio de coisas lindas. Estão tão absorvidos por esse espaço de sonho, que sem contar, entram num caminho da floresta, estranhamente bonito!

Um lago tranquilo, que reflete tudo à sua volta na água. Humm…soa-vos a mistério! Mas vocês não sentem medo…porque já que chegaram ali, também andam mais um bocadinho. Estão curiosos para saber onde é que aquilo vai dar. 

Ao fundo ouvem uma música muito alegre...onde acaba esse caminho de árvores, aparece um gato deitado ao sol…cheio de preguiça. Ele olha para vocês com aquele ar de…selvagem e aquele olhar penetrante, boceja, e mostra-vos os dentes com um forte miar… Uf…que susto! Pensaram que ele vos ia arranhar ou fazer mal. Ficam quietos…mas não. Ele simplesmente espreguiça – se, e volta a deitar-se. A música está cada vez mais perto.

Vocês, refeitos do susto, avançam mais um pouco. Encontram uma gruta entre rochas. Vocês aproximam-se, espreitam…sim…vê-se tudo. O que haverá lá dentro? Será perigoso entrar…? Será que tem saída? Existirão lá animais perigosos…? 

Estão tão curiosos…e…entram mesmo. Ficam maravilhados e espantados ao ver a gruta. É mais pequenita do que o que vocês imaginaram, mas está vazia. Quer dizer…vocês pensavam que estava vazia, porque não ouviam ninguém, nem viam movimento.

De repente, pouco antes da saída da gruta…apanham um grande susto, porque sem fazer barulho…aparece à vossa frente, um ser muito estranho…misterioso, pequenino, e dourado…com uma chave na mão. 

Vocês ficam gelados, e parece que de repente se transformaram em estátuas. Estão a olhar para ele, fixamente, com a boca e os olhos muito abertos, assustados e a pensar quem é aquele ser, e o que quer de vocês! 

E porque razão vos dá aquela chave, se nunca se viram antes? Ele não é igual a vocês…é muito estranho. Ele levanta a chave, estende-a para vocês e não fala, mas dá-vos a entender que é para vocês. Vocês pegam na chave…ele esconde-se rapidamente num buraquinho da gruta. Vocês ficam com a chave na mão, a olhar para ela e para a parede…sem saber o que fazer.

 A música…que ouviam lá atrás antes de entrar na gruta ouve-se muito alto, parece que está mesmo ali á beira. Será que é aquele ser misterioso que está a tocá-la? Vocês olham em volta…não…o som não vem da parede…saem da gruta, e vão ter a um espaço verde, fantástico. Nunca viram aquilo! Uma montanha, e mesmo à vossa frente dão de caras com um castelo, totalmente diferente do que conhecem dos castelos. Este está num tronco de uma árvore.

Vocês ficam surpresos…e encantados. Parece que estão a sonhar. Encostado ao tronco está um bobo, pequenino, quase da vossa altura, a tocar muito bem, e a cantar alegremente, com um grande sorriso. 

Toca mesmo bem…e é simpático! Vocês batem-lhe palmas. Ele faz uma vénia para agradecer. Vocês olham para a mão e têm a chave. De onde será a chave? Será que o menino que canta e que toca sabe de onde é? Será daqui do castelo? Humm…mas que estranho…a que propósito é que alguém vos ia dar a chave do castelo? 

Vocês resolvem perguntar…o bobo responde-vos afirmativamente, com a cabeça, e estende o braço, indicando-vos a entrada. Vocês nem querem acreditar…como é que vão entrar aqui…se é tudo tão pequeno…? 

E com tantas fechaduras…como é que sabem qual é a que está certa? Bem…vão experimentando…e…ao fim de várias tentativas, a chave entrou. Fixe! Vocês saltitam de alegria. Mas…e agora…como é que vão entrar? 

São tão grandes…e os espaços são tão pequeninos…! Espreitam por uma portinha…está tudo maravilhosamente decorado…mas não veem ninguém. Quer dizer…vocês achavam que não havia ninguém…aparece de repente uma jovem rapariga, pequenina, mas muito bonita…primeiro assustam-se, e depois sorriem encantados com a jovem. 

Ela sopra-vos um pozinho e vocês ficam do tamanho dela. Só assim é que conseguem entrar no palácio, recheado de coisas lindíssimas, muito aconchegante e confortável, acolhedor, onde vivem reis, rainhas, príncipes, princesas…onde há muita música, alegria, dança, banquetes…e tudo o que vocês gostavam de ver nesse castelo.

                                                                            FIM 

                                                                           Lara Rocha 

                                                                            18/Maio/2021