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quinta-feira, 6 de abril de 2017

FILIPA DE CHOCOLATE

     

 Era uma vez uma linda menina, filha de um casal vindo de Angola, pele muito morena, cabelos pretos, compridos, aos cachinhos, olhos castanhos cor-de-mel (entre o castanho claro, o amarelo e o verde). Já tinha nascido em Portugal, frequentou a creche, o infantário e agora estava na escola primária.
        Era uma menina muito meiga, simpática, atenta, boa aluna, aplicada, dedicada, curiosa, e com muito bons sentimentos, estava sempre pronta a ajudar, e muito bem comportada.
        Mas nem todos os meninos eram como ela, e às vezes até eram maus, pois em vez de chamar pelo seu nome, que era Filipa, chamavam-lhe nomes feios, pela sua cor de pele, por exemplo «preta».
       Inventavam cânticos que a ofendiam, e ela ficava triste, acusavam-na de coisas que outros faziam, riam-se dela quando ela respondia, não queriam estar à beira dela, só quando a professora ralhava e obrigava.
    No recreio não a chamavam para brincar, e riam-se das brincadeiras que ela própria inventava, dançava sozinha, cantava, e fazia muito boa companhia aos adultos professores. Fazia queixa à professora, e esta só lhe dizia para não ligar, porque era uma menina muito querida, bonita e especial.
      Um dia, Filipa cansou-se de ser ofendida, fez queixa à professora e disse que queria sair da escola. A professora ficou muito zangada e decidiu acabar com a palermice dos meninos racistas, através de umas conversas muito sérias, e a dar respostas.
     Levou roupa de cor preta, e vários objetos da mesma cor. Chamou a Filipa e pediu aos meninos que olhassem bem para os objetos com muita atenção. Perguntou-lhes:
- De que cor são estas roupas e estes objetos?
- Pretos! – Respondem todos em coro
- Para que servem? – Pergunta a professora
- Para vestir. – Dizem todos
- As roupas pretas são para vestir, o chapéu preto é para…?
- Proteger do sol! – Respondem todos
- E estes lápis pretos? – Pergunta a professora
- Para escrever! – Diz um menino
- Para desenhar! – Diz uma menina
- Para pintar! – Diz outro menino
- Para fazer contas! – Diz outra
- E para atirar aos outros, ou para roer, não é? – Pergunta a professora
- Não! – Respondem todos
- Mentirosos! – Diz a professora
- Ááááááhhhh… - Exclamam todos
- Não sei porque é que estão tão espantados, com o que eu disse! Não é o que vocês fazem? – Pergunta a professora
- Às vezes! – Diz a Filipa
- Olha a preta a fazer queixinhas….- Comenta um menino
- O pote de café! – Acrescenta outro menino
- Pote de alcatrão! – Goza uma menina
- Já levaste com algum, Óh, preta queixinhas?
- É preta em tudo!
            Todos riem.
- Parou! – Grita a professora – Acabamos de falar na cor preta! A Filipa é um objeto, ou uma roupa, um chapéu ou sapatos? – Pergunta a professora
- Não! – Respondem todos
- O que é a Filipa? – Pergunta a professora
- É uma menina! – Responde outra menina
- E vocês, o que são? – Pergunta a professora
-Meninos e meninas! – Dizem todos
- São palermas! – Diz a professora
- Ááááááhhhh… - Exclamam todos
- E se eu agora, em vez de vos chamar pelo nome, vos chamasse por alguma coisa que têm de diferente? Por exemplo: óh tu, de óculos…óh tu orelhudo, óh tu desajeitado, oh tu preguiçoso…óh tu que não lês bem…óh tu da crista…óh tu das tranças, óh tu das sardas…óh tu baixote, óh tu gordo, óh tu trinca espinhas…gostavam?
            Faz-se silêncio na sala, e as caras ficam tristes.
- Não respondem? Eu perguntei se gostavam que vos chamasse pelo que têm de diferente, em vez de vos chamar…Nuno, Francisco, Gonçalo, Isabel, Sara, Rita, Paula, Pedro, André, Miguel, Joana, Rafaela, Raquel, Hugo, Daniela, Frederico, Rui, Abel, Marco, Mariana, Luísa, e Neusa?
            O silêncio continua, tal como as caras tristes.
- Então? Estou á espera! Vai responder um por um…e rápido! – Insiste a professora
- Não!
- Não!
- Não!
            Todos respondem não!
- E se eu vos oferecesse chocolate? – Diz a professora
- Áhhhh…Siiiimmmm! – Dizem todos
- Acham que merecem? – Pergunta a professora
- Sim! – Dizem todos
- Desavergonhados! Pensem bem se merecem! – Ordena a professora
- Merecemos! – Dizem todos
- Essa não merece. – Comenta uma menina
- Eu? – Pergunta a professora
- Não…- Dizem todos
- A professora merece. – Diz uma menina tímida
- Essa preta que está à sua beira é que não merece. – Acrescenta um menino desafiador
- De que cor estamos a falar? – Pergunta a professora
- Do preto! – Respondem todos
- É igual a essa sombra que tem ao seu lado…abutre! – Acrescenta outro menino
- Não estou a ver nenhum abutre nesta sala! Vai ver ao dicionário o que quer dizer a palavra abutre e copia para o caderno, que a seguir já conversamos. Os outros meninos vão procurar o que é a cor preta, o que é uma menina, o que é Angola, e como são os Angolanos, como trabalho de casa.
- Perguntamos a essa coisa que tem ao seu lado…ela sabe, ela é de lá. É preta de Angola.
- Agora olhem para a Filipa.
- É feia. – Diz um menino
- É preta! – Diz outro menino
- É mal-educada. – Diz outro
- De que cor são as pessoas? O que é que falamos ontem sobre as pessoas?
- Umas são brancas, outras são morenas, outras mais escuras… - Diz uma menina
- De cabelo, pele e olhos somos todos diferentes, de muitas cores. – Diz outra menina
- E os corações? – Pergunta a professora
- É vermelho! – Dizem todos
- Não tem cor! – Diz uma menina
- A cor do coração depende dos sentimentos que cada pessoa mostra, leva nele, e dá aos outros! – Responde Mariana
- Muito, muito bem! Excelente resposta. Mariana, anda cá escrever essa frase! Aqui no quadro, em letras bem grandes…até vamos fazer um cartaz com ela.
            Mariana levanta-se, sorri, passa pela Filipa, abraça-a carinhosamente, e dá-lhe um sonoro beijo, faz-lhe um carinho na cara, dá a mão à Filipa, escreve a frase sobre o coração, orgulhosa. Um menino comenta:
- Que nojo!
            Mariana da mais um abraço a Filipa, e esta retribui com outro abraço e outro beijinho com umas lagriminhas a cair dos seus olhos.
- A Filipa sabe a chocolate, e linda, tem olhos de amêndoa, e um coração lindo, cheio de cor, de todas as cores, porque carrega muitos sentimentos bons. Gosto muito dela, e nunca brinquei muito com ela, mas já vi muitas vezes o coração dela. É muito fofinha. Todos temos inveja dela, porque no Verão vamos para a praia e queremos ficar da cor dela, queimamos a nossa pele e gostamos de ver...ela tem esta cor o ano todo. - Diz a Mariana 
- Muito bem!  Temos aqui dois lindos corações. - Aplaude a professora.
- Sim, professora. Temos um chocolate e um chocolate branco, o chocolate é a Filipa, e eu sou o chocolate branco. - Diz Mariana a rir 
- É verdade! - Diz Filipa a rir 
- Mesmo! - Confirma a professora 
             Todos riem. 
- Todos os meninos e meninas são chocolates quando são doces, outros são chocolates amargos, com licor, quando são bons, e quando são maus uns com os outros. Mas nenhum destes meninos e meninas estava a ser chocolate. Nem doce, nem meigo, nem simpático. Parece que nem estiveram na sala ontem a ouvir o que dissemos. A partir de agora, ai do menino ou menina que volte a chamar outro nome que não seja Filipa. Não quero voltar a ver a Filipa sozinha no recreio, e ai do menino ou menina que não queira ficar com a Filipa nos trabalhos, ou jogos. Terão todos logo negativa. Estamos combinados? - Diz a professora com cara zangada 
- Sim! - Dizem todos tímidos 
- Não ouvi! - Diz a professora 
- Sim! - Gritam todos 
- E preto, ou preta é uma cor, não é uma menina, nem menino. Agora...um por um...vão pedir desculpa à Filipa. - Manda a professora 
               Quando os meninos iam contrariados, a professora mandava sentar, levantar outra vez, e pedir desculpa à Filipa. A professora mandou que cada um se levantasse e fosse abraçar como devia ser, a menina. 
- É verdade! A Filipa é mesmo parecida com chocolate, e deliciosa como chocolate. 
- É linda! - Reforça um menino 
- Pois é. - Concordam todos 
           A Filipa ficou muito feliz, e quando os meninos começaram a conhecer mesmo a menina, e o seu povo no trabalho que fizeram, a sua cultura, e a maneira como era, perceberam que estiveram sempre errados. Afinal ela era mesmo uma menina linda, doce, meiga, simpática, bondosa, brincalhona, sensível, amiga de todos, aplicada, e aprenderam a gostar dela. Aprenderam a gostar dela, a brincar com ela, a respeitá-la, a integrá-las nas brincadeiras. 
          Filipa tornou-se a mascote da turma, uma menina muito solicitada, até lhe deram o nome de Filipa de Chocolate, que para ela era um nome muito carinhoso, e o seu riso era tão bonito, sincero e feliz que por onde passava, com todos os meninos com quem brincava, que contagiava todos. 
          Aprenderam a abraçá-la, com sinceridade, e a tratá-la com muito carinho. Adoravam-na, e ela a eles. Diziam a toda a gente que ia lá à sala, com os olhos a brilhar, e um sorriso cheio de carinho, que Filipa era A NOSSA FILIPA DE CHOCOLATE. 

E vocês? Conhecem meninos ou meninas como a Filipa de Chocolate? Gostam de brincar com elas, e eles? 
                                                                    FIM 
                                                               Lara Rocha 
                                                             (6/Abril/2017)  

  





sábado, 1 de abril de 2017

O passeio do Gugas e do Golfinho


Era uma vez um menino pequenino, com 5 anos, a quem chamavam Gugas, mas o seu nome verdadeiro era Gonçalo. Muito simpático, brincalhão, cheio de energia, e vivia numa casa em cima da praia.
Adorava acordar e sempre que não tinha de ir para o colégio, ia logo com os seus Avós (pai da mãe e pai do pai), e o seu Pai que eram pescadores, para a praia, mas ficava em terra com a mãe e as Avós (mãe da mãe e mãe do pai).
Enquanto os adultos trabalhavam, ele andava livre pela praia, a brincar com os seus primos, e amigos, na areia, e a ver o mar, a correr, a saltar, e a falar com a natureza à sua volta, como lhe tinham ensinado. Era uma criança feliz.
Um dia sentou-se ao pé do mar que estava calmo, e um golfinho foi ter com ele. Este foi um encontro que o deixou muito surpreso mas feliz, embora ele já conhecesse golfinhos, não era muito comum vê-los ali tão perto, ainda por cima, este golfinho convidou-o para um passeio.
O Gugas aceitou logo, e subiu para as costas do golfinho.
- Onde me vais levar? – Perguntou o Gugas                          
- Já vais ver! – Diz o golfinho
E este entra outra vez no mar, e parece que o rasga como quem rasga papel, quando vai a nadar, até chegar a um lugar não muito longe da costa, por trás de uma grande rocha, onde o menino nunca tinha ido. O mar parecia um lago, não tinha ondas, era transparente, e via-se o fundo.

O golfinho acompanha o Gugas, sempre à superfície, e aí ele vê coisas tão lindas! Algas com formas estranhas, cores variadas, que estavam presas na areia, mas mexiam-se, umas compridas que pareciam cabelos, outras mais pequenas, umas mais grossas, outras mais finas.
 Gugas sentou-se na areia, e ficou com água até à barriga, estava quentinha, tocou nas algas e sentiu que eram macias, escorregadias, e faziam cócegas, os dois riram-se.
Viu ao fundo do mar, sereias a saltar, a mergulhar, e pousadas nas rochas a abanar as caudas. Viu várias lindas estrelas-do-mar mesmo à sua frente, a mexer-se à procura de alimento, e outras estavam encostadas às rochas, outras pousadas, e outras desfilavam pela água sem pressa, cada uma mais bonita e exótica que dava gosto.
O Gugas ficou com vontade de levá-las todas para a sua praia, mas sabia que não podia, então, ficou só a encher os olhos com todas aquelas cores, e tentou imaginar o que cada uma iria fazer…pensou que umas estariam a comer, outras à procura de alimento, outras na hora da sesta a descansar, outras procuravam um lugar à sombra, ou iriam ter com amigas, outras talvez fossem só passear ou às compras.
Gugas molhou-se com a água, quis chapinhar e teve de dar um mergulho. Quando voltou
à superfície, olhou para o lado esquerdo e viu passar um cortejo de dezenas de peixes estranhos, mas tão bonitos, que ele nem imaginava alguma vez existirem. 
Uns tinham cabeça de peixe, mas as barbatanas pareciam asas de borboletas, que abriam e fechavam ao sabor da corrente da água, e dependendo do sítio para onde se queriam deslocar, cheias de cores diferentes. 
Outros eram pequeninos, compridos, com escamas vermelhas, brancas, amarelas, verdes, roxas, prateadas, douradas, azuis, e de cores misturadas e nadavam devagar.
Atrás desses peixes veio um batalhão de peixes, veio outro de Plutão de tartarugas pequeninas de carapaças verdes, umas mais claras, outras mais escuras, atrás de uma grande.
O Gugas ainda conseguiu tocar nelas, quando passavam, e achou muito engraçado a forma como elas nadavam, a dar às patinhas e que rápidas que eram.
Nadou para outro sítio, e aí encontrou milhares de pedras, conchas e búzios, de todos os tamanhos, formas engraçadas que pareciam estátuas, outras pareciam pessoas, outras não tinham formas definidas. 
Os búzios e as conchas eram perfeitos. Gugas nadou por cima delas, e tocou em todas, mas a sua vontade era mesmo levá-las consigo.
Entretanto, do outro lado viu sair de umas toquinhas na areia, que quase passavam despercebidas, dezenas de caranguejos pequeninos e grandes que nadavam rapidamente, mas pareciam estar perdidos, uns foram para um lado, outros foram para outro, cruzaram-se, sem chocarem uns com os outros, e o Gugas achou muito engraçado.
Nadou mais um bocadinho e parou num sítio onde estavam muitos golfinhos a nadar, a saltar no ar, cheio de corais de sonho, com plantas submarinas exóticas, lindas, muito coloridas, de onde saiam peixes de rara beleza, que ele nunca tinha visto. 
Peixes que pareciam monstrinhos, peixes que pareciam ter uma cara misteriosa, lulas, polvos, leões-marinhos, peixes compridos e feios, focas, cavalos-marinhos.
Plantas e pequenas árvores marinhas, parecidas com palmeiras e arbustos redondos, de muitas cores diferentes e feitios, animais que nem sabia bem se eram peixes, se eram aves marinhas, que conseguiam respirar debaixo de água, umas pareciam pavões que abriam as asas e mexiam-nas, com grande elegância, delicadeza e arte, mostrando os seus padrões de cores e círculos das penas.   
Viu bailados de peixes variados que nadavam em conjunto, muito certinhos, de um lado para o outro, peixes diferentes dos que ele conhecia. 
Isto fez-lhe lembrar o bailado dos pássaros, das gaivotas na praia que ele estava habituado a ver e a acompanhar todos os dias ao fim da tarde, e de manhã, quando acordava com o barulho que elas faziam à espera do pequeno-almoço.  
Depois no mesmo sítio, viu uma rocha pequena misteriosa. Uma sereia que estava refastelada em cima dessa rocha, entrou na toca, e tirou de lá algumas pérolas para o Gugas ver: pérolas de ostras brancas e conchas. 
O Gugas sentiu que eram duras, frias, lisas, leves e encantadoras, e ficou também encantado ao ver o reflexo do sol na água, que dava a impressão que eram fios de cristais brilhantes a boiar na água.
De outras tocas viu sair milhares de bolas de água, como se fossem bolas de sabão, mas não descobriu como apareciam, não sabia se eram feitas por peixes a respirar ou se eram correntes de água. De uma toca ao lado saíram peixes muito atraentes, mas o golfinho meteu-se à frente e avisou o Gugas que eram perigosos e venenosos.  
O Gugas estava a gostar tanto do que estava a ver, mas de repente lembrou-se que não tinha dito à mãe, ou à Avó ou aos primos que ia passear. Já deveriam estar preocupados à procura dele. Então, pediu ao golfinho que o levasse de volta à sua praia, com muita pena dele, porque aquele sítio era mesmo especial, e teria com certeza muito mais para ver, mas ficou preocupado com a sua família.
Gugas acertou…já todos andavam loucos à procura dele, a mamã em pânico, e as Avós, a chamar por ele, a correr tudo de um lado para o outro, os primos no mar e em terra, e do Gugas nem sinal. Até os cães ladravam nervosos e farejavam.
Quando o veem a chegar, respiram de alívio, mas mesmo assim, não se livrou de uma palmada, e de um ralhete. Ele pediu desculpa, e explicou que tinha ido passear com um golfinho, a um lugar muito bonito que já muitos conheciam mas ele não, e que se esqueceu de avisar, mas prometeu não voltar a fazer isso, e percebeu que todos tinham ficado preocupados.
O golfinho ficou triste por ver o Gugas levar um ralhete e uma sapatada. Foi à sua zona, pediu a uma sereia para lhe fazer um ramo de conchas, búzios e algas para oferecer à mãe do Gugas, e mais dois para as Avós dele. 
A sereia ainda meteu algumas pérolas brancas nos búzios, e fez uns lindos ramos.
O golfinho voltou à praia onde vivia o menino com os ramos nas costas, presos com umas folhas de árvore marinha às patinhas, só para não caírem. 
Chamou o menino, e ele abriu um grande sorriso, mas ficou logo triste porque se lembrou que estava de castigo:
- Óh, amigo, adorava ir contigo outra vez, mas estou de castigo por ter deixado a minha mãe e as minhas avós preocupadas. É que esqueci-me de lhes dizer que ia contigo… - explica o menino
- Eu sei, eu ouvi. Mas a culpa também foi minha. Por isso, pedi a uma sereia minha amiga que fizesse uns ramos especiais para tu ofereceres à tua mãe e às tuas avós. Pega! Elas vão gostar.
- Áhhh…como é que te lembraste de uma coisa dessas?
- Nós também fazemos isso na minha zona.
- Eu nem me tinha lembrado disto, mas acho que elas vão adorar. Muito obrigado, estão lindos. Não sabia que tinhas amigas com tanto jeito.
- Sim, tenho, e para muito mais, mas um dia mostro-te. Gostaste do passeio?
- Adorei. Tens coisas tão bonitas na tua zona! Obrigado por teres vindo e por me teres levado a um sítio tão especial.
- De nada. Voltarei! Quando já não estiveres de castigo. Ainda ficou muita coisa por ver!
- Imagino! E vou querer ver mais. Vai aparecendo por aqui.
- Combinado. Voltarei! Podes tirar os ramos, por favor…?
- Claro que sim! Têm nomes?
- Acho que são todos iguais… um para cada uma.
- Entendo. Muito obrigado, amigo.
Gugas abraça o amigo, e o golfinho canta e sorri. O menino tira-lhe os ramos, e vai oferecer à mãe e às avós. Todas ficam muito surpresas e encantadas.
- Ááááááhhhh! – Exclamam todas
- Que coisa tão bonita… - Exclama a mãe
- Está fabuloso! – Diz uma avó
- Que lindos… - Diz a outra avó
- Onde arranjaste? – Pergunta a mãe
- Foi o meu amigo golfinho que pediu a uma sereia amiga dele, para vos pedir desculpa.
- Óh, que simpático! – Diz uma Avó
- Obrigado, meu amor… - Diz a mãe
- Que doçura! – Diz a outra avó
- Obrigado. – Dizem todas
Abraçam e beijam o menino, e o golfinho assiste feliz.
- Um dia destes levo-vos lá! É um sítio muito especial. – Diz o menino
- Iremos! – Dizem todas  
- Com muito gosto! – Diz a mãe.   
- Eu quero conhecer essa sereia tão jeitosa. – Diz uma avó
- Tem umas mãos de fada! – Comenta a outra avó
- Acho que até lhe vou encomendar uns raminhos para oferecer…  - Pensa alto, a mãe
- Ótima ideia! – Concorda a Avó
E uns dias depois, o golfinho levou o Gugas, a sua mãe e as suas Avós para conhecer o lugar onde vivia. Elas ficaram deliciadas, encantadas com tanta coisa bonita e diferente, conheceram a sereia artista, agradeceram-lhe e pediram-lhe encomendas.
O golfinho era o moço dos recados, e com todo o gosto. Passou a andar sempre entre a sua zona e a zona do Gugas, onde brincava com ele e com os seus primos, e até ajudava os seus familiares pescadores.
Que grande passeio deu o Gugas, não foi?


FIM
Lara Rocha 
(1/Abril/2017)

E vocês?
Acham que o Gugas fez bem em ter ido com o golfinho sem avisar a família?
Acham que a mamã e as Avós do Gugas fizeram bem em tê-lo posto de castigo? Porquê?  
Acham que o Gugas fez bem em ter oferecido alguma coisa para pedir desculpa?
Gostavam de ir para um sítio tão bonito como este?
Se fossem passear com um golfinho, onde iriam?
O que veriam?





segunda-feira, 27 de março de 2017

A TRANSFORMAÇÃO DO GRANIZO

                                                              foto de Lara Rocha 

Era uma vez uma senhora de meia-idade, com uma grande família de filhos, que vivia sem o marido, pois este deixou-a com os 8 filhos e foi para o estrangeiro viver com outra senhora, ter outra família, sem nunca mais querer saber desta.
A senhora não se sentia sozinha, era corajosa, sorridente, embora às vezes à noite ficasse triste, e até lhe fugissem umas lágrimas dos seus lindos olhos azuis. Mas não se entregou à tristeza, e conseguiu juntar sempre, trabalhar, brincar e rir. Não lhes faltava nada.
Num dia de muita chuva, a senhora estava sozinha em casa, sentada a fazer malha, e de repente, quando olha para a janela vê um brilho diferente no vidro. Pensou que era impressão sua.  
Mas algo bateu no vidro, e fez muito barulho. Era uma tempestade de saraiva, pensou. Só que uma coisa muito estranha aconteceu: quando abriu a porta, as bolas que estavam no chão não lhe pareciam gelo. E não eram mesmo.
Quando pegou numa bola que pensava ser de gelo, esta era mole, de gelatina. Pegou noutra e sentiu que não era gelo, mas sim de borracha. Outra bola era de vidro, outra de pedra, outras de cristal de várias cores e outras de gelo transparentes com água.
Ficou muito surpresa e maravilhada com o que viu. As surpresas não acabaram aqui…levanta-se um vento muito forte, e com ele vem uma linda mulher que ela nunca tinha visto, que lhe diz para ela usar aquelas bolas todas, porque eram especiais.
A senhora quis saber mais, mas a mulher tinha desaparecido, deixando um rasto de arco-íris com as cores a cintilar.

- Mas…o que é que acabou de acontecer aqui? Quem era ela? Quem mandou estas bolas? Como é que eu as vou usar? Para quê? Porque é que ela desapareceu…ei…volta! – Diz a senhora assustada

A linda mulher aparece novamente com uma caixa de linhas, agulhas e fios.
- Áh! Voltaste…obrigada. Podes explicar-me o que aconteceu aqui? Quem mandou isto?

A mulher sorri.

- Claro…desculpa!

- Não caiu granizo?

- Caiu granizo.

- Mas onde estão as pedras de granizo?

- Estão lá fora.

- Estas não são pedras de granizo. Eu não pedi nada!

- Mas sempre agradeceste o que tinhas, e não tinhas muito.

- Pois não, mas acho que tinha o suficiente: saúde, os meus filhos que agora estão na vida deles, mais longe, mas continuam a passar por aqui, a visitar-me e tenho muito orgulho neles, que mesmo crescendo sem pai presente, sempre foram muito bons meninos, e nunca pediram nada.

- É verdade, sempre foram e são muito educados, respeitadores, trabalhadores, simpáticos. E tu sempre foste uma mãe exemplar, lutadora, generosa, protetora.

- Eu só queria que eles viessem para mais perto de mim, mas compreendo-os, e o que interessa é que eles não se esquecem de mim.

- Claro que não se esquecem. Nem nós nos esquecemos de ti! Foi por isso que te trouxemos isto!

- Mas quem são vocês?

- Somos os seres nos quais acreditas!

- Anjos?

- Sim!

- Fadas?

- Sim.

- Universo?

- Sim, todos fazemos parte do Universo, e tu também.

- Áh! Muito obrigada. Então isto é um prémio?

- Isso mesmo! Um prémio pela pessoa que és, pelas tuas lutas, pelas tuas conquistas, e por tudo o que fazes pelos teus filhos, pela tua coragem. Tudo isto é para te ajudar. Essas bolas são especiais. Tu tens umas mãos maravilhosas, faz tudo o que quiseres, e vende. São bolas da sorte. Tens linhas, agulhas, fios, podes fazer muita coisa bonita.

- Mas vou vender, onde? Agora ninguém compra nada.

- Compram. Quando as coisas são feitas com amor. Não te preocupes com nada…apenas faz! E gosta do que fazes.

- Está bem…

- O que precisares estou aqui. Estamos!

            A mulher desaparece. A senhora põe mãos à obra: apanha todas as bolinhas, volta para casa e começa a imaginar o que pode fazer com aquelas bolas todas. Começa por fazer uma manta de gotas de gelatina, a seguir camisolas, casacos e almofadas com gotas de gelatina, como se fosse renda, e umas fadas pequeninas constroem a manta.
Depois faz uma boneca de pano e olhos brilhantes. Faz brincos, fios, anéis e pulseiras com cristais e pedras de várias cores, pedras transparentes com água, bolas de vidro, para decoração, com bolas de gelatina a boiar.
Quando já tinha muitas coisas, foi para a cidade tentar vender, e para sua grande surpresa, quem passava ficava maravilhada. Num instante, em poucas horas tudo foi vendido e encheram a senhora de encomendas.
As fadas deram uma ajuda, elas próprias, inventaram outros objetos com bolas de madeira muito leve, muito coloridas de formatos diferentes, bolas de vidro transparentes com flores e pétalas e gotinhas dentro, criaram vestidos floridos, coloridos, chinelos de croché que algumas faziam, bordados de cristais, candeeiros de pedras que também desapareceram num instante.
Estavam sempre a inventar coisas novas. A senhora estava mesmo feliz, e passados alguns meses, os filhos voltaram a ficar mais perto dela, encheram-lhe a casa com os netos, com amigos deles e dos filhos, que também compraram muitas coisas e todos os dias, agradecia. Quanto mais agradecia, mais boas ideias tinha, e mais vendia.
É mesmo isso que acontece…quanto mais damos, quanto mais boas pessoas somos, mais coisas boas e especiais recebemos, mais cedo ou mais tarde, às vezes não da maneira que gostaríamos ou como estaríamos a pensar, mas de outras formas.  

FIM
Lálá

(27/Março/2017) 

domingo, 26 de março de 2017

Gigante e pequena

    

     Era uma vez uma menina que estava a conversar num grupo de amigos, e disse:
- Hoje acordei muito estranha!
- Porquê? – Perguntam todos
- Senti-me um gigante. Tinha dois metros de altura!
- Não pode ser. – Respondem todos
- Isso se calhar era a altura que gostavas de ter. – Comenta uma menina
- Não, não. Era mesmo a altura que tinha quando acordei. Dois metros!
- Como é que sabes?
- Porque fui-me medir à fita que tenho na porta do quarto, mas a fita é pequena. Ficou muito lá em baixo, e eu estava muito, muito lá em cima. A minha cabeça quase batia no teto, e a minha mãe disse que a porta do quarto tem dois metros de altura.
- Não pode ser.
- Vives num castelo?
- Não, vivo num apartamento. Mas a porta do quarto tem dois metros, porque a minha mãe disse, e o que ela diz é verdade. Se eu quase bati com a cabeça no teto é porque também estava com dois metros de altura.
- Mas como podes ter ficado com essa altura, se estás do mesmo tamanho que ontem. – Comenta um menino
- Não sei como, mas sei que esta manhã estava muito mais enorme. Estava gigante.
- O meu pai disse que não há ninguém que tenha dois metros de altura. – Garante um menino
- Lá isso é que há. Uns jogadores de basquetebol, que o meu Avô disse que tinham mais de dois metros, e o meu pai tem amigos que têm quase dois metros de altura, alguns ainda passam. Eu já os vi. – Diz a menina
- E o que fizeste para ficar desse tamanho? – Pergunta outra menina
- Só se comeste alguma coisa que te fez crescer de repente, como aqueles cogumelos dos desenhos animados, que uns fazem crescer, outros fazem mingar. Eu nunca vi ninguém como nós a comer esses cogumelos, muito menos a crescer e a diminuir no mesmo dia.
- Não comi nada, nem bebi nada, acho que também não andava nenhum bicho, nem fada…a não ser que tenha sido um monstro que entrou no quarto e deitou lá alguma coisa, que me fez aumentar e diminuir, mas não vi, só se ele fez isso enquanto eu estava a dormir. – Explica e pensa a menina
- Então o que pode ter acontecido? A mim nunca me aconteceu nada disso! – Garantem os amigos
- A mim também nunca me tinha acontecido antes, mas tenham cuidado porque pode-vos acontecer. – Alerta a menina
- Como é que sabes? – Perguntam todos
- Se aconteceu comigo, também pode acontecer convosco.
- Ou não! – Exclama outra menina
- Podes ter sido escolhida por alguém poderoso, para ver se esses poderes funcionavam em humanos. – Diz outra menina
- Achas? – Pergunta a menina
- Sim. – Responde a amiga
- Mas quem? Se eu não vi ninguém? – Garante a menina
- Não sei. – Diz a amiga
- O que viste lá de cima, com essa altura toda? – Pergunta um menino curioso
- Vi coisas pequenas. Eu era a única coisa gigante que havia, de resto, parecia que estava num quarto de anões.
- Como assim?
- Sim, um quarto onde eu pensava que era tudo grande, e afinal…era tudo muito pequeno. Tentei deitar-me na minha cama, mas não consegui, porque era tão comprida, que se me deitasse ela desmontava-se toda, e se calhar só dava para pousar a minha cabeça.
- E conseguias estar de pé?
- Conseguia, mas via todo o meu corpo com um tamanho gigante. Como aquele gigante dos desenhos animados.
- E o que fizeste? – Pergunta outra menina
- E depois como ficaste outra vez pequenina? – Pergunta outro menino
- São muitas perguntas, e todas muito difíceis de responder. – Responde a menina
- Só fizemos uma pergunta…
- Não. Fizeram duas.
- Não, eu fiz uma, e ele fez outra.
- Pois, por isso são duas…são muitas perguntas. Não sei como fiquei outra vez pequenina. Sei que enquanto estava gigante fiz muitas coisas. Andei por muitos sítios, curei muita gente, fiz os homens pararem com as armas, trocarem abraços, reconstrui casas. Limpei mares e rios, plantei árvores onde não havia, pus água nos desertos por onde passei, fiz aparecer muitos animais que já tinham desaparecido…aqueles lobos, peixes, espécies de pássaros que estavam a desaparecer, criei ventos muito fortes para varrer o lixo de muitas cidades, e eles levaram-no para muito longe. Andei por cima de vulcões, e atirei para lá água fria, para que quando aquelas chamas saíssem não queimassem o que encontrassem pela frente. Brinquei com crianças, fiz rir muitos velhinhos, dancei com outros gigantes, sorri, chorei e zanguei-me…
- Áh! Que lindo. – Exclamam todos
- E como foste para esses sítios todos? – Pergunta uma menina
- A pé! – Responde a menina
- E não se assustaram quando te viram? – Pergunta um menino  
- Não. Até acho que era invisível, mas fiz essas coisas todas e era mesmo gigante. Sentia-me mesmo enorme. – Responde a menina
- Fizeste isso tudo numa noite? – Pergunta outra menina
- Fiz.
- Tiveste muito trabalho! – Comenta outro menino
- Tive.
- Mas foi um trabalho bom e bonito.
- Pois foi.
- E depois como voltaste para o teu quarto?
- A pé! Quando achei que já tinha feito tudo.
- E fizeste tudo?
- Ainda ficou muita coisa por fazer.
- E os mares tinham muito lixo?
- Muito mesmo!
- Como curaste as pessoas?
- Lancei-lhes um raio com muitas luzes.
- E como conseguiste que os homens parassem com as armas?
- Falei com eles, disse-lhes que era muito triste o que eles estavam a fazer, e que era muito mau. Estavam a destruir o mundo e as pessoas, e que isso não se faz. Ordenei que eles parassem imediatamente com as armas, para verem e ouvirem as coisas bonitas da natureza, para verem e ouvirem o riso e as palavras bonitas das pessoas. Disse-lhes que não queríamos guerra, só queríamos coisas boas, e aquilo não era bom, disse-lhes que por causa deles havia muita gente triste. Depois disse-lhes que no fundo eram bons seres humanos, só tinham de parar com as armas, e mostrar que tinham bom coração.
- Mas se fazem mal, se usam armas, não têm bom coração!
- Pois não, mas eu quis mostrar-lhes que eles tinham, para ver se mudavam.
- E mudaram?
- Mudaram. Pousaram as armas, choraram, ajoelharam-se, olharam para o céu, pediram perdão não sei a quem, que estava talvez lá em cima, eu não vi, e abraçaram-se. Disse-lhes que não voltassem a fazer essas maldades.
- E eles?
- Prometeram que não voltariam a fazer mal.
- Achas que isso vai acontecer?
- Acho que sim. Eles prometeram.
- Não sei…
- Acho que não vão deixar de ser maus.
- Eu acho que vão.
- E se não mudarem?
- Vou ter de falar com eles outra vez…ou até…bater-lhes, ou pô-los de castigos.
- Podes tentar ficar outra vez gigante, e transformar as armas deles em alguma coisa boa, se eles voltarem a ser maus.
- Boa ideia.
- E os animais como apareceram outra vez?
- Fechei os olhos, pensei neles, estalei os dedos e eles apareceram.
- De onde?
- Não sei, estava de olhos fechados, não podia ver de onde saíram…só sei que depois de estalar os dedos, e abrir os olhos, eles estavam lá.
- Uau! – Exclamam todos
- Não estás cansada?
- Não!
- Fizeste tanta coisa, que não dormiste.
- É. Mas não estou cansada, nem com sono!
- E tens a certeza que estavas gigante?
- Tenho!
- E como ficaste outra vez pequena?
- Não me lembro. Quando abri os olhos estava gigante, e vi que o meu corpo estava mesmo muito gigante.
- Achas que também podemos ficar gigantes?
- Sim, se forem escolhidos por quem me escolheu…
- E quem te escolheu?
- Não sei. Mas alguém foi porque não ficamos assim gigantes às boas, ou só porque nos apetece.
- Claro, se foste escolhida é porque acharam que podias fazer muitas coisas boas. E fizeste.
- Pois. Se quiserem podem experimentar. Pode ser que algumas destas noites também se tornem gigantes.
- Eu gostava!
- Eu também gostei muito.
- Será que também podemos ficar com dois metros?
- Sim, ou mais. Eu tinha dois metros, mas acho que quanto mais andava e quantas mais coisas fazia, mais aumentava de tamanho.
- Uau!
- Só não sei como fiquei com esses tamanhos diferentes.
- Se te sentiste gigante, é porque aconteceu mesmo.
- Como, não sei.
Aproxima-se a professora e contam logo a novidade:
- Professora, a Mara esta noite ficou gigante.
- Com dois metros.
- E fez muitas coisas boas…
- Foi? Como aconteceu? – Pergunta a professora com um sorriso
- Sim…
E cada um conta o que a menina fez.
- Eu acho que já entendi… - diz a professora
- O quê? – Perguntam todos
- Acho que já sei como te transformaste em gigante e depois ficaste pequenina outra vez.
- A professora também viu?
- Vi.
- Como foi?
- Foi um sonho que tiveste, e sentiste-te gigante por teres feito essas coisas tão bonitas e tão boas.
- Um sonho? – Perguntam todos
- Sim! Quando fazemos coisas boas e bonitas, sentimo-nos gigantes, por dentro, com o coração feliz, e sentimo-nos orgulhosos, sorrimos, mas continuamos do mesmo tamanho por fora, de aspeto. O mais importante não é a altura que temos, mas o tamanho do coração, aquilo que ele tem de bom, e tudo o que sonhaste, Mara, é muito bom, muito bonito. Todos gostaríamos de poder fazer essas coisas todas, mas infelizmente não podemos…só nos sonhos, onde tudo é permitido. – diz a professora
- Óh! – Exclamam todos
- Então não aconteceu mesmo? – Pergunta a menina
- Não! – Responde a professora
- Então…continua tudo na mesma? Com guerra, com doentes, com natureza poluída e espécies a desaparecer…? – Pergunta outra menina
- Infelizmente sim! Mas enquanto sonhamos, as coisas são um bocadinho melhores! – Diz a professora
- Eu pensei que podíamos ser gigantes como nos desenhos animados, e ficarmos outra vez pequenos, e que podíamos fazer coisas boas!
- Podemos fazer coisas boas, mas nem todas, não porque não queremos, mas porque há outras coisas e nem todos os corações são bons. O mais importante é que o nosso coração seja bom, bonito, e gigante como vocês…todos podem ser, e são, gigantes de dois metros, ou mais. Vamos para a sala!
            E as crianças voltam para a sala.
FIM
Lálá
(26/Março/2017)