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domingo, 9 de março de 2014

CONCENTRAÇÃO DE PENAS



    














   Era uma vez um lugar longínquo…muito diferente daquele onde vivemos, sem poluição, sem guerras, sem casas e com uma pequena tribo de índios. 
    Nesse lugar, durante vários dias do ano, os Índios fazem uma festa para cumprir a tradição antiga dos seus antepassados.
    Esta tradição dizia que todos os índios deviam festejar com as penas, que chegavam aos milhares, trazidas ao sabor do vento. 
    Penas de pássaros, penas de pato, galinha, galos, gansos, cisnes, gaivotas, penas de pavão, de águias, de falcões, de corvos, e de muitos outros animais que se juntavam.
    A festa das penas era aguardada com grande felicidade, e preparada com muito cuidado. Não podia faltar nada. Quando as penas começassem a chegar, os índios ficavam apenas a olhar para elas, pois a tradição mandava que as penas não fossem agarradas. Todas deviam voar livremente, leves, soltas. 
    Umas penas eram brancas e deixavam passar os raios de sol, entre os espacinhos…era lindo! Muitas penas voavam e pousavam numa grande bola de vidro, preparada para a hora da magia, outras tantas caíam sobre os índios e as suas casas, eram recolhidas e guardadas com muito carinho, pois eram sinal de boa saúde, e de serenidade, boas produções, e fartura, boas relações e felicidade nos casamentos, nascimentos.
   As índias faziam lindos vestidos para esta festa, arcos de flores naturais, e de motivos marinhos, e neste dia, usavam as melhores joias, faziam-se as melhores comidas, os penteados mais bonitos, usava-se a melhor louça…era como se fossem começar um novo ano, ou uma nova vida. Os homens também aprimoravam os fatos que já tinham, até as crianças vestiam roupas novas e recebiam brinquedos novos.
    Olhavam constantemente para o céu e apreciavam cada pena que viam. Eram momentos de grande paz, que os fazia sorrir e quase voar com as penas…pelo menos voavam com elas no olhar e no pensamento.
    Com a mudança de Lua, a azáfama aumentava, e à medida que as horas passavam. O grande dia estava mesmo a chegar, e todos ajudavam uns aos outros. Tantas penas, de tantas cores e tantos tamanhos, de tantos animais…todas leves e lindas.
    No dia da festa, verificam a bola de vidro, põem as mesas, enfeitam tudo, e há muita música no ar, e alegria. As penas estão paradas, mas todos os índios dançam e cantam, trocam elogios e carinhos, comem e bebem á farta, e de repente faz-se um silêncio arrepiante! Começa a soar uns doces acordes de uma harpa.
  Tudo fica em silêncio com uma enorme lua cheia a brilhar e iluminar todo o espaço, desligam a música, desligam o som, e quase desligam os cérebros. Os corações batem mais forte, de emoção, e todos os corpos vibram de ansiedade. Dão as mãos e formam um grande cordão humano à volta da bola.
    A grande bola de vidro, fica toda iluminada. Todos olham encantados e sorridentes para a luz deliciosa e linda da bola. Cada um pede os seus desejos para si mesmo, sem partilhar com os outros.
    Fazem em coro a contagem decrescente…10…9…8…7…6…5…4…3…2…1…0… A bola explode e acontece uma grande chuva de penas. Todas as penas que foram lá parar, acariciam e tocam os índios, eles abrem as mãos, e as penas caem, os índios oferecem penas às suas apaixonadas, e a outras pessoas que amam, como a família. 
    Dançam uns com os outros, ao som da orquestra das fadas. Outros índios usam penas para se declararem às meninas por quem estão apaixonados, e pedi-las em namoro. As penas que esperavam pousadas no lago e na praia, acordam e dão um espetáculo de dança, todos se deixam levar pela música e acompanham-nas lentamente, flutuam, rodopiando no ar, e a festa dura até ao amanhecer.
   Todos se sentem muito livres e leves, com muita paz por todo o lado. Mas para que esta sensação dure todo o ano, na noite seguinte, mandava a tradição que tomassem banho no grande lago, com as penas.
    É mais uma noite linda e divertidíssima de lua cheia no lago, onde parecia que voltavam a ser crianças, a brincar na água, com muita dança e amizade, e alegria. Sentiam-se mesmo bem! 
  No fim da festa, cada um levava uma pena de cada espécie para alcançar todos os seus desejos. E era mesmo assim! Até á nova chegada de milhares de penas, sem dia certo! Quando chegavam, tudo voltava ao mesmo. 
   Mas atenção: a liberdade deles tinha regras bem definidas que não podiam escapar. Eram mesmo para ser cumpridas. Não podiam fazer tudo o que desejavam. A única liberdade total existe apenas na mente de cada um de nós, nos sonhos e na imaginação, onde na verdade não existem barreiras, nem perigos reais para nós e para os outros, ao contrário da nossa sociedade, onde tudo são barreiras à nossa liberdade.


                  FIM
             Lara Rocha 
                    (27/Fevereiro/2014)  

            

A LAGARTA




    Era uma vez uma lagarta magra, e cheia de fome e sede. A pobre lagarta voltava de uma grande caminhada e estava muito cansada, fraca, já quase não se segurava de pé. 
    Era Inverno, e na Terra onde ela tinha estado, o lugar que inicialmente tinha ver de e comida e bebida à farta, agora só se via neve! 
    Por causa de tanta neve, a lagarta ficou sem alimento e desceu a montanha pelo riacho, aos trambolhões à procura de algum sítio onde houvesse o que comer.
- Pobre lagarta…! Vais chegar lá abaixo? – Pergunta um passarinho
- Vou…tenho de conseguir! – Responde a lagarta quase sem força
- Acho que nem a meio chegarás…pobre bicha. – Diz um peixinho do riacho
- Obrigada pelo apoio. Verás! – Diz a lagarta
- Boa sorte! – Dizem os passarinhos  
- O que é que lhe terá dado na cabeça para fazer esta caminhada toda? É louca! – Comenta outro peixinho
- A fome! A necessidade…a luta pela sobrevivência! – Diz a lagarta
- Desculpa…acho que essa tua luta não vai valer de nada… - Diz um peixe grande do riacho
- Obrigada… - Diz a lagarta
- Não lhe dês ouvidos, lagarta…segue a tua força! – Incentiva outro peixe grande
- Será que ela quer um empurrãozinho? – Pergunta o peixinho pequenino
- Não. Obrigada. – Responde a lagarta
- Deixa-te ir ao sabor da água… - Diz outro peixinho
- Força! – Diz o peixinho pequenino
- Tu consegues! – Acrescenta o outro peixinho pequenino
- Sim, consigo! – Garante a lagarta
- Boa viagem! – Gritam todos
     A lagarta lá segue o seu caminho, a suspirar e quase sem forças. Não encontrou nada. Ela bem olhava para todo o lado, mas só via branco…e gelo! Até o riacho tinha bolas de gelo e partes congeladas.
- Que pena o gelo não se poder comer. Espera…não serve para comer, mas serve para me transportar.
     E salta para cima de uma bola de gelo, até chegar ao término do riacho. A lagarta nem queria acreditar no que os seus olhos inchados e quase a sair de órbita, estavam a ver.
- Áh…será que…estou mesmo a ver isto? Ou será que…estou a…delirar e a sonhar acordada…com tanta fome?
     Os sapos e as rãs que viviam na margem do riacho olham para ela.
- Que nojo! – Diz um sapinho pequeno
- Ele está a falar de mim? – Pergunta a lagarta para si mesma
- O quê? – Perguntam os pais
- Aquilo que está ali na água!
- Sim…é mesmo de mim…olhem-me o pirralho! Se não estivesse tão cansada, ele ia ver o que era o nojo! – Comenta a lagarta
- Óh! É uma lagarta…onde está o nojo? – Explica a mãe rã
- Nele mesmo, é claro. Nunca deve ter olhado para ele! Coitadito… - Murmura a lagarta
- Filho, respeita a diferença…não é nojo…é um animal…um ser vivo, inofensivo! Ele pode dizer o mesmo de nós. – Explica o pai sapo
- Com certeza! – Diz a lagarta para si mesma. Pega que já almoçaste…pirralho metido a grande… (suspira) Ai, até eu já almoçava mas era comida a sério. – Murmura a lagarta
- Não quero saber o que ele pensa de mim…eu sou muito mais bonito.
- Éh lá…a parvalheira começa cedo, nestes animais…! Pobre mãe! – Murmura a lagarta  
- Mas que grande convencido! – Diz outro sapinho pequeno
- Também acho! – Concorda a lagarta
- É verdade! – Diz o sapinho
- Nunca vi nenhuma coisa destas por aqui, mamã… - Diz uma rã pequenina
- O quê? Estás a precisar de óculos…diz outra rã pequenina
- Não estou nada.
- Elas vêem-se bem!  
- Andas sempre com a cabeça na luz, não vês nada, mas elas existem aqui mesmo ao nosso lado. – Diz a rã
- São de comer? – Pergunta a rã pequenina
- Que disparate! – Comenta a lagarta para si mesma
- Não! – Respondem os pais sapos
- Até o mais burro dos burros sabe que não somos de comer. – Comenta a lagarta
- São para deixar em paz. – Diz outro sapo
- Sim…claro que são para deixar em paz! Ai…quero comer. – Diz a lagarta
- Ela não me parece muito bem-disposta. – Comenta uma rã
- Pois não! – Respondem todos
- Ei…- Diz um sapo
     A pobre lagarta quase cai na água. Os sapos e as rãs ficam muito preocupados e ajudam-na a sair da água.
- Coitadinha! – Dizem em coro
- Parece estar doente! – Comenta uma rã
- Amiga…estás bem? – Pergunta outra rã
- Ai…! – Suspira a lagarta
- Não te preocupes! Estás a salvo. – Diz o sapo
- Vão-me comer? Quero… - Diz a lagarta
- O quê? – Perguntam em coro
- Não! não te vamos comer…fica descansada. – Assegura outro sapo
- Acho que ela é que quer comer! – Diz uma rã pequenina
- Sim! – Responde a lagarta – Muito fraca…fome…comida! – Responde a lagarta
- Áh! Queres comer? – Perguntam em coro
- Sim, por favor! – Pede a lagarta
    Os sapos e as rãs juntam logo muita comida para a lagarta, que come deliciada, cresce e ganha força. Ainda tem fome. Come mais, e ganha barriga.
- Hum…que delícia! – Exclama a lagarta – Boa! Afinal os meus olhos estavam mesmo a ver, o que eu achei que tinham visto.
- O quê? – Perguntam todos
- Eu vim pelo riacho abaixo. Só via gelo…mas…quando parei, achei que vi belas folhas verdes, mas depois pensei que tudo era imaginação minha…mas não! era tudo verdade! Óh! Muito obrigada. – Explica a lagarta.
- E porque é que estavas assim com tanta fome? – Pergunta um sapo pequenino
- Já venho a andar há muito tempo.
- De onde vens? – Pergunta outra rã
- Venho da montanha muito alta, onde estava tudo congelado. Não havia nada para comer! – Diz a lagarta
- Aqui não te falta comida! – Diz uma outra rã
- Parece que não! – Diz a lagarta
- Deves estar muito cansada, não? – Pergunta outro sapo
- Sim! Muito cansada. Posso ficar por aqui? – Pergunta a lagarta
- Claro que sim! À vontade! – Respondem em coro
- Se quiseres comer mais…serve-te à vontade! – Informa outro sapo
- Mais tarde! – Responde a lagarta
   A lagarta boceja e deita-se ao sol, em cima de uma grande folha. Dorme um belo sono, e acorda outra vez cheia de fome. Vai à horta, e come uma série de molhos de folhas…até que ficam com uma barriga tão grande…mas tão grande…gorda…que quase não se consegue mexer. Os sapos e as rãs ficam muito assustados com o seu tamanho.
- Isto não é uma lagarta…! – Comenta uma rã assustada
- Gente…acho que acabamos de alimentar um monstro! – Comenta um sapo
- É no que dá sermos bons. Não sabemos quem nos bate à porta! – Diz um sapo
- Confiamos nas aparências… - Acrescenta uma rã
- É por isso que eu sou má e antipática, com quem não conheço! É por medo. – Revela outra rã
- Que medo! – Dizem os pequenos.
- Os donos da casa não vão gostar nada disto! – Comenta outro sapo
- Como é que ela conseguiu comer tanto? – Pergunta um outro sapinho pequenino
- Será que ela tinha mesmo assim tanta fome? – Pergunta uma rã pequenina
- Já não devia comer há meses! – Diz outro sapinho pequenino
- Deve ter a bicha solitária… - Comenta uma rã
- Acho que ela vai estourar! – Diz outra rã
      Os donos da casa nem querem acreditar na destruição.
- Mas o que é isto? – Pergunta a senhora chocada
- Não posso acreditar! – Diz o senhor
- Anda aqui toupeira…! Raios…! – Diz a senhora
- Malditas! – Gritam os dois
     A lagarta encolhe-se toda, e tenta enrolar-se sobre si mesma para não ser apanhada, mas não consegue, com tanto que comeu, e de tão gorda e grande que está. A pobre lagarta treme muito, cheia de medo
- Óh, não…porque é que eu comi tanto…porque é que eu sai da montanha…óhhh…que sorte a minha! Agora não me consigo mexer…estou uma bola…ai…que vou ser esmagada! Ai…ai…ai…! Alguém me ajuda! Óh não…! – Lamenta a lagarta
      A senhora olha para o chão.
- Não é toupeira…é uma…cooooooooooooobbbbrrrrrrrrrraaaaaaaaaaaaaaa…ááááááááááááááhhhh….que nojooooooooooo!
- Para de gritar…estás louca…! Uma cobra o quê? É uma lagarta. Foi ela que comeu isto tudo, olha como ela está.
- Uma lagarta? Cruzes…que coisa mais monstruosa…como é que isto apareceu aqui? Claro…só pode ter sido ela que comeu isto…mas como é possível?! Nunca vi. Desgraçada…atrevida…
- Mata-a!
- Não é preciso.
- Eu não quero essa porcaria aqui.
- Ela vai já desaparecer.
    Ele pega na lagarta e atira-a para um lameiro. A lagarta grita e cai numa poça onde estão muitas outras lagartas.
- Visitas? – Pergunta uma lagarta
- Olá! – Gritam todas sorridentes
- Bem-vinda! – Diz a rainha
- Não fechamos a porta a ninguém! – Acrescenta outra lagarta
- (sorri) Olá! Que simpáticas.
- Gostamos de receber bem quem nos visita. – Diz a rainha lagarta
- Eu…acho que vou ficar aqui para sempre…! Posso? – Pergunta a lagarta
- Claro que sim…! Aqui não te faltará nada! – Diz a rainha
- Gosto deste sítio, e ainda agora cheguei. – Comenta a lagarta
- Mas de onde vens? – Pergunta outra lagarta
- Vim da montanha gelada! – A lagarta conta a sua história, todas ouvem, ficam comovidas e cada uma conta a sua história.
- Aqui serás muito feliz, podes ter a certeza! – Diz outra lagarta
- Não falta nada…nem comida. E somos uma verdadeira família.
     E desde esse dia, a grande lagarta continuou a crescer e a engordar com as outras. As outras tinham toda a razão…a lagarta passou a fazer parte de uma verdadeira família, com comida à farta, sem precisar de ir para as hortas destruir as couves. Juntas fizeram muitas festas, brincadeiras e banquetes.

                                                           FIM
                                                           Lara Rocha 
                                                           (5/Março/2014)  





quinta-feira, 6 de março de 2014

A menina e a pena

Era uma vez uma menina que foi passear pela praia com a sua avó. Enquanto a avó ficou a apanhar sol, sempre de vigia, a menina foi para a beira da água. Mergulhou feliz nas possecas, e viu uma linda pena, cheia de cores, a pairar sobre o mar e a balançar suavemente.
- Áh! Que linda pena. De onde vens?
- De muito longe, acho eu…pelo menos já ando por cima da água há muito tempo!
- A quem pertences?
- Pertencia a uma ave rara, que foi para um país frio, muito longe daqui.
- E não te levou?
- Não!
- Porquê?
- Não sei…se calhar fazia-lhe peso!
- Mas ela não tinha mais penas?
- Tinha! Tinhas milhares de penas…e muitas caíram pelo caminho.
- Coitadas! Devem ter-se magoado.
- Não. Nós somos leves, quando caímos é devagar, em cima de sítios confortáveis…e mesmo quando caímos em cima de sítios duros, não sentimos.
- Áh! E não ficaste com pena dela?
- Não. Ela nem vai dar pela minha falta.
- Não?
- Não!
- Porque não?
- Porque nós somos como os vossos cabelos…mas das aves.
- Sim, o nosso cabelo às vezes também cai.
- Pois! As penas das aves também.
- Áh! Estou a perceber.
            As duas têm uma longa conversa, riem, e a pena faz desenhos na areia. A mina aplaude e também faz. Na água, a pena mergulha e aparece à menina transformada num peixe, cheia de cores e que nadava rapidamente. A menina nadou atrás dela, e a pena nadou mais devagar para a menina poder acompanhá-la.
            Depois…a pena transformou-se numa linda sereia e brincou com a menina, feliz, agarrada à sua cauda, dão grandes mergulhos e saltos na água, dançam, chapinham, e nadam. Depois, a pena transforma-se num molho de algas de várias cores, escorregadias na mão da menina, que tenta agarrá-las, e a pena deixa-se estar em alga para receber os carinhos da menina.
            Depois…a pena transforma-se num banco de areia para a menina se sentar debaixo da água e flutuar. Era um banco de areia mesmo muito fofa. Depois…o banco de areia desfaz-se em milhares de bolinhas de água que aparecem na superfície e desfilam sem rebentar. A menina vê-as, deliciada, segue-as com os olhos e a nadar.
- Onde estás, pena?
            E a pena aparece transformada numa linda estrela-do-mar, colorida, e brilhante. As duas trocam carinhos, quando a menina nela, e a pena faz-lhe cócegas na mão. A menina ri-se.
Depois, transforma-se num camarão e faz a menina rir, pela forma como ela anda. Andam as duas de gatas pela areia, e por fim…a pena volta a ser pena, porque ouve a voz da Avó da menina a chamá-la.
            A avó chama-a, e ela leva a linda pena.
- Olha Avó…que linda esta pena! Veio de muito longe!
- Áh! É mesmo linda. Onde estava?
- Lá em baixo, à beira do mar.
- Como é que sabes que ela veio de muito longe?
- Ela disse-me. Disse que a ave a quem pertencia era rara…e voou para um país frio, muito longe daqui. Mas ela caiu, como acontece como o nosso cabelo, as penas das aves também caem, sabias?
- Áh! Sim, é normal! – Sorri – Deve ser mesmo rara…nunca tinha visto esta mistura de cores tão bonita.
- Olha, Avó…como é fofinha! Toca, Avó!
            A Avó toca na pena suave e delicadamente.
- Sim! É mesmo muito delicada…fofa…leve!
- Gostavas de ser como ela?
- Gostava, e tu?
- Eu também! Sabias que ela dança?
- Dança?
- Sim, danço…por favor…batam palmas!
            A Avó e a menina batem palmas a ritmos diferentes, e a pena acompanha-as a dançar. Depois a pena desenha na areia, coisas que lhe pedem. A Avó tira fotos maravilhada.
- Filha, agora temos de ir embora. Está muito calor.
- Óóóhhh…pois é! Posso levar a pena para a nossa casa, Avó?
- Podes! Se a pena quiser ir.
- Sim! – Responde a pena a sorrir.
- Boa! – Saltita feliz
            Esta pena era mesmo especial. Tanto era pena, como a seguir se transformava numa linda rapariga, com vestido de penas. Dava meia volta e ficava uma princesa com um chapéu de penas. Quando estava feliz, transformava-se numa pena bailarina, com corpo de golfinho e dava mergulhos fantásticos com a menina nas possecas e no mar.
            Quando a menina tinha frio, a pena triplicava-se e fazia um belo casaco de penas que aquecia, e numa manta muito fofa de penas para cobrir na cama e no sofá. Outras vezes, era apenas uma pena que enfeitava o móvel da menina.
            Ela tinha todos estes poderes para agradar e cativar as crianças, porque sentia-se muito sozinha e queria fazer novos amigos, mas ninguém reparava nela…pois havia muitas penas por todo o lado, ainda que diferentes daquela. Para muitos…as penas metiam nojo, para outros tantos…faziam alergias, e para outros…eram fonte de inspiração para desenhos e pinturas. Para outros, era só mais uma pena. A menina foi a única que reparou nela, por isso, a pena fez tudo para mostrar os seus encantos, como forma de agradecer e reconhecer a amizade.
            A menina e a pena tornaram-se as melhores amigas, passearam juntas, a pena em forma de menina, brincaram e riram, construíram coisas na areia, dançavam…e muito mais!

E vocês? Se fossem à praia, reparavam numa pena como esta?

Se vissem uma pena na praia…

Como seria? Grande ou pequena?

A quem pertenceria?

Gostavam de ter uma amiga pena?

E se ela se transformasse? Em que seria?   


FIM
Lálá

(5/Março/2014)

domingo, 23 de fevereiro de 2014

O CHAPÉU DA DONA GALINHA

Era uma vez uma galinha vaidosa, que vivia numa casotinha, numa grande quinta com outrasgalinhas.
         Dona Galinha não saia de casa sem estar toda arranjada: penas bem armadas e penteadas, brilhantes, bico bem limpinho, patas e unhas pintadas, e belas roupas.
         Uma tarde, depois de arrumar a sua casa, Dona Galinha, arranjou-se e saiu pela porta da cozinha, mas esqueceu-se do seu chapéu.
         Voltou para trás, abriu a porta da cozinha e pegou no chapéu todo enfeitado. A sua vizinha do lado, a galinha Dona Gracinha diz-lhe:
- Boa tarde, Dona Galinha…boa vizinha.
- Boa tarde, Dona Gracinha…boa vizinha.
         Dona Galinha e Dona Gracinha saem as duas pela porta da sua cozinha.
- Onde vais, Gracinha?
- Vou à lojinha! – Responde a Gracinha – E tu…vizinha?
- Também vou à lojinha.
- O que vais comprar na lojinha, amiga Galinha?
- Vou comprar uns paninhos para a mesinha da minha cozinha. E tu, vizinha? O que vais comprar na lojinha?
- Vou comprar umas panelinhas para a minha cozinha!
- O que vais cozinhar nas panelinhas que vais comprar na lojinha?
- Tudo o que for preciso! E tu, Galinha, o que vais fazer com os paninhos?
- Vou pôr os paninhos nas minhas mesinhas da cozinha, e nas mesinhas do quarto das minhas pequeninas.
- Vamos então nós as duas à loja da Dona Aninhas! – Diz a Dona Gracinha.
         As duas galinhas vão à loja da Dona Aninhas, comprar paninhos para as mesinhas e panelinhas para cozinhar. Pelo caminho, uma rajada de vento forte, tira o chapéu da cabeça da Dona Galinha.
Dona Galinha grita:
- O meu chapéu!
- Foi o vento que to tirou – Diz a Gracinha.
         Elas tentam apanhar o chapéu, mas o chapéu é mais rápido que elas. O chapéu rola, rola pelos campos, levanta e fica preso num tronco de uma árvore. Vem uma andorinha, e leva o chapéu no seu biquinho. Onde irá a andorinha com o chapéu da Dona Galinha no biquinho?
         O chapéu da Dona Galinha vai no biquinho da Andorinha que pousa num laguinho de patinhos para beber. Os patinhos empurram o chapéu com os biquinhos e fogem com ele. Viram-no ao contrário e metem-se lá dentro, como se fosse um barquinho. A Andorinha perdeu o chapéu.
         Os patinhos estavam a brincar no chapéu, e um gatinho que brincava lá perto, gostou tanto do chapéu da Dona Galinha que tentou agarrá-lo.
         Mas o gatinho caiu à água do laguinho e não sabia nadar. Os patinhos saíram do chapéu muito assustados e foram ajudar o gatinho que caiu ao laguinho.
         Os dois patinhos tiraram o gatinho da água, e quando estavam distraídos, outra rajada de vento, leva o chapéu da Dona Galinha para outro lugar.
         Os patinhos e o gatinho também perderam o chapéu como a Andorinha e como a Dona Galinha.
         O chapéu rodou, rodou e saltou pelos campos até chegar à cabeça de uma menina, que estava a andar de baloiço. A menina ficou muito surpresa. Tirou o chapéu da sua cabeça, olhou para ele e para todo o lado.
- Este chapéu não é meu! – Diz a menina.
- Pois não. Sou da Dona Galinha! – Responde o chapéu.
- Quem é a Dona Galinha?
- É a galinha que foi com a sua vizinha, Dona Gracinha, à loja da Dona Aninhas. A Dona Galinha, foi comprar paninhos para as mesinhas, e a Dona Gracinha., sua vizinha foi comprar panelinhas.
- Então, como não és meu…vou levar-te à loja da Dona Aninhas. A Dona Galinha deve estar à tua procura.
- Sim, está de certeza! O vento tirou-me da sua cabeça, uma Andorinha levou-me no seu biquinho…pousou num laguinho para beber, e uns patinhos que estavam lá, fizeram de mim um barquinho. De repente, um gatinho caiu ao laguinho, e os patinhos foram ajudá-lo. Veio outra rajada de vento, levou-me aos trambolhões pelos campos e vim ter à tua cabeça. – Explica o chapéu.
- E agora, vou levar-te à lojinha da Dona Aninhas, para ires com a tua Dona Galinha. Não vou ficar com um chapéu que não é meu! – Diz a menina.
- Muito bem, menina boazinha! – Diz o chapéu a sorrir.
         A menina leva o chapéu à loja da Dona Aninhas, onde está a sua Dona Galinha muito chorosa, à procura de outro chapéu, e não gosta de nenhum. Dona Gracinha, a sua vizinha, vê a menina entrar na lojinha da Dona Aninhas e grita:
- Olha Galinha…o teu chapéu!
         Dona Galinha pára de chorar e vai ter com a menina.
- Foste tu que levaste o meu chapéu?
- Não, Dona Galinha! O seu chapéu veio ter à minha cabeça, e como não é meu, vim trazê-lo à lojinha da Dona Aninhas, caso viesse aqui procurá-lo! – Explica a menina.
- Óh! Que linda menina, tão bondosa, tão graciosa! Muito obrigada! Para te agradecer…escolhe um chapéu para ti, que eu ofereço-te. – Diz a Dona Galinha.
- Óh! Não gaste dinheiro comigo! Só fiz o que os meus pais e os meus avós, me ensinaram desde que nasci…não ficar com o que não é nosso! Sempre que encontrarmos alguma coisa que não é nossa, devemos entregá-la ao dono, ou se não soubermos quem é, deixar em algum sítio perto, porque a pessoa que o perdeu, pode precisar muito dele! – Explica a menina.
- Óh! Mas que pais e que avós tão maravilhosos. Eles têm toda a razão! E tu, aprendeste muito bem, essa bela e muito importante lição! – Diz a Dona Galinha.
- Tens um bom coração! – Diz a Dona Gracinha.
- Sim, é por isso que também te ofereço um chapéu que quiseres, de coração! – Diz a Dona Galinha.
         A menina escolhe um chapéu. Dona Galinha oferece-o, e agradece mais uma vez. A menina volta para casa, feliz, e a Dona Galinha ainda mais feliz por uma menina com bom coração, ter encontrado e devolvido o seu chapéu.
         Dona Galinha comprou os paninhos para as suas mesinhas, e Dona Gracinha, comprou as panelinhas, na loja da Dona Aninhas. Depois das compras…Dona Galinha, com o seu chapéu e os seus paninhos, e a Dona Gracinha com as suas panelinhas, voltam para a sua casinha, e entram pela porta da cozinha.

         E assim...terminou o passeio do chapéu da Dona Galinha.

                                               FIM
                                               Lálá

                                      (23/Fevereiro/2014)