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segunda-feira, 23 de julho de 2012

As vindimas na casa dos Avós
















foto de Lara Rocha 


     Setembro é época de vindimas em muitas aldeias. Esta aldeia fica no Douro, uma zona lindíssima, muito verde, de vinhas pequeninas, em campos enormes, onde se produzem uvas, maçãs, peras, castanhas, nozes e amoras.
        A Carolina, o Gonçalo, o Gabriel, a Diana, a Sofia, o Hugo e o Diogo, são primos, e vivem numa grande cidade, mas ao fim-de-semana e nas férias vão muitas vezes para a aldeia, no Douro, onde vivem os Avós.
        É uma grande alegria quando vão para a aldeia, pois lá não falta espaço para correr, jogar à bola, saltar, brincar, fazer muitas coisas divertidas, mas principalmente pelo ar puro e pela água fresca, pelo contacto com os animais e mexer na terra…que divertido!
As mães é que não acham muita piada ter de lavar a roupa que fica muito suja, mas é saudável.
As crianças estão eufóricas, pegam nos sacos e brinquedos, levam para o carro e vão a cantarolar, a falar e a rir com os pais durante toda a viagem.
Chegam à aldeia dos Avós, os Avós estão igualmente felizes por ter a casa cheia, cumprimentam-se alegremente, pousam as coisas em casa, e as crianças: Carolina, Gabriel, Diana, Sofia, Hugo e Diogo vão a correr de mãos dadas à quinta, cumprimentar os animais.
Acariciam os bodes, as cabras, os cabritos, as ovelhas, os cães, os coelhos, os pintainhos, as galinhas, as vacas que ainda estão na corte, os vitelos, os porcos, os cavalos, as éguas, os póneis e alguns gatos.
Os pais chamam-nos…dão mais uma corrida e vão ter com os adultos a casa. A Carolina pergunta à sua mãe:
- Mamã, podemos ir brincar?
A mãe ri e responde:
- Sim, podem ir apanhar aquelas folhas que estão no chão!
        As crianças protestam:
- O quê?
        O Gonçalo faz-se de cansado e tenta a sua sorte a ver se se livra do trabalho:
- Óh mãe…eu não vou apanhar folhas! Estou cansado!
        A mãe e a Avó riem, e a Avó responde:
- Sim, querido acredito mesmo…coitadinho do menino…está a ser explorado!
        A mãe do Gonçalo acrescenta:
- Já nasceu cansado! Quando começares a apanhar as folhas, o cansaço passa-te!
        O Gonçalo reclama:
- Óh mãe…
        A mãe relembra-o:
- O que é que combinamos em casa, seu preguiçoso…?! É para ajudar a Avó.
        Huguinho incentiva o primo:
- Anda lá, Gonçalo, vai ser divertido.
        Dioguinho provoca:
- Vou-te ganhar…vou ser eu que vou apanhar mais folhas.
        Diana está entusiasmada:
- Avó, podemos dançar em cima das folhas?
        Sofia tem outra ideia:
- Avó, podemos atirar as folhas ao ar?
        A Avó ri e responde:
- Sim, queridos, podem fazer tudo o que quiserem mas depois deitam as folhas nos baldes está bem?
        Todos respondem:
- Está bem!
        A Avó estimula-os dizendo:
- Depois haverá uma sobremesa especial.
        As crianças saltitam de alegria e gritam:
- Iééééé…!
        O Gonçalo está curioso:
- Avó o que vai ser essa sobremesa?
        A Avó ri e responde:
- Tu depois vês…
        O Gabriel concorda com a Avó:
- Claro que a Avó não vai dizer agora se não deixa de ser surpresa!
        Todos estão de acordo e respondem em coro:
- Pois é!
        A Avó começa a andar e chama-os:
- Vá…venham.
        A Avó pega nos três baldes e Gabriel quer saber como vai apanhar as folhas:
- Avó como é que vamos apanhar as folhas?
        A Avó sorri e responde:
- Com as mãozinhas, queridos!
        Gabriel fica chateado e resmunga:
- Com as mãos…? Que nojo…vamos sujar as mãos todas!
        Todos riem e a Avó lembra:
- Que problema sujares as mãos…! Quando jogas à bola também te sujas…e não é só as mãos! (p.c) Além disso, há muita água nas torneiras, sabonete e toalhas…!
        As meninas riem. A Avó encaminha-os para o átrio meio coberto que está cheio de folhas arrastadas pelo vento. Eles nem querem acreditar no que estão a ver. Soltam uma grande exclamação:
Todos – Eeeeeeeeeeeiiiiiii…!!!!
        A Carolina surpresa diz:
- Quem é que fez isto?
        Sofia responde:
- Deve ter sido o vento!
        A Avó ri e responde:
- Sim, claro que foi o vento. Quem mais poderia ter sido?
        Gabriel, Hugo e Diogo lançam hipóteses:
- Podiam ter sido os cavalos que ao correr atiraram para aqui as folhas…
- Ou um gato que subiu às árvores e atirou para aqui as folhas…
- Ou uns pássaros que andaram à luta, e abanaram as árvores…e…as folhas caíram.
        A Avó ri-se, e diz:
- Quero ver isto tudo muito limpinho. Não pode ficar uma única folha a ver-se.
        Sofia questiona a Avó:
- Porquê Avó?
        A Avó explica:
- Porque assim fica feio, e depois, as folhas com a chuva desfazem-se e estragam o chão, ganham bichinhos…
        As meninas ficam enojadas:
- Lhec! Que nojo…!
        Diana reforça:
- Não queremos bichos Avó…vamos limpar isto tudo. Fica descansada.
        Hugo está ainda assustado com a quantidade de folhas e protesta:
- Avó…temos de apanhar isto tudo…mesmo?
        A Avó responde com um sorriso:
- Sim! Se não não há sobremesa especial.
        Hugo parece que de repente apanhou um choque eléctrico e responde:
- Vamos apanhá-las todas…eu vou ser o que vou apanhar mais.
        Diogo ainda tenta dar a volta:
- São tantas…nunca mais vamos acabar.
        A Avó ri-se e incentiva-os:
- São muitas, mas vocês também são…vão ver que vão apanhar isto tudo num instantinho.
        Gabriel lembra-se:
- Só se chamarmos o super-homem, ou o Peter-Pan…!
        Sofia tem outra sugestão:
- Não, não…esse não faz nada! Mas a gata borralheira podia ajudar-nos, ela já deve estar habituada, e usa a vassoura…
        Carolina prefere outras personagens para ajudar:
- E os anões da Branca de Neve!
        Diana é a favor de um castigo para o responsável por todas aquelas folhas no chão:
- Naaa…quem devia apanhar isto tudo era o vento! Se foi ele que deixou esta lixeira toda aqui, tinha que ser ele a limpar.
        As meninas concordam, mas Sofia questiona-se:
- Mas óh Diana, onde é que ele ia deitar as folhas?
        Diana responde rapidamente:
- Então…? Deitava nos baldes como nós vamos fazer!
        Sofia não fica convencida e coloca outra pergunta:
- Mas…ele não tem dedos nem mãos…como é que ia ser…?
        Diana relembra:
- Não tem dedos nem mãos, mas tem sopros fortes que servem de dedos e mãos não é Avó?
        A Avó está deliciada a ouvir a conversa das meninas, ri-se e responde:
- Sim, é verdade. Todas têm razão…mas não precisam de chamar ninguém. Vocês todos juntos são muito mais fortes e muito mais rápidos do que esses amigos todos que disseram. Vá…toca a apanhar.
        Estão todos prontos para apanhar as folhas, mas Diogo tem um pedido especial para fazer à Avó:
- Avó, antes de deitarmos para aqui as folhas, deixa-nos brincar um bocadinho com elas…
        A Avó sorri e autoriza:
- Está bem. Podem saltar em cima delas, atirá-las ao ar, mas metam-nas aqui nos baldes…!
        Todos saltitam de alegria, e saltam felizes em cima das folhas, atiram-nas ao ar, e uns aos outros, riem muito, e vão metendo todas as folhas nos baldes. A Avó aprecia-os deliciada, a sorrir, e pergunta-lhes:
- Meninos…vejam a quantidade de cores que as folhas têm…digam lá quais são as que vêem…! Cada um apanha uma folha e diz a cor. A primeira é a Carolina:
- Verde.
        Gabriel encontrou outra diferente:
- Esta é castanha.
        Diana grita:
- Olhem, encontrei esta Amarela…
        Sofia tem outra cor:
- A minha é vermelha.
        Hugo remexe nas folhas e encontra no meio das repetidas, uma com duas cores:
- Ei, esta é muito gira…tem duas cores…é verde e amarela.
        Diogo mostra outra misturada:
- Esta ainda é mais gira…verde e vermelha!
        Carolina encontra outra diferente:
- Olhem esta…cor-de-laranja…!
        Gabriel tem outra:
- Vermelha e amarela…!
        E vão dizendo as cores de cada folha que encontram e põem nos baldes, reparando também nos seus tamanhos e formas, e comparando-as. A Avó está babada a olhar para a felicidade das crianças e para o entusiasmo com que apanham as folhas, mas tem de ir para o campo. Por isso, ela avisa os netos:
- Queridos, vou para o campo. Continuem…estão a ir muito bem. Quando acabarem este lado, vão para aquele…e para aquele…está bem?
        Todos respondem em coro sem tirar os olhos das folhas:
- Sim.
        A Avó faz outro aviso:
- Quando estiverem os baldes cheios chamem está bem?
        Todos respondem em coro:
- Está bem Avó!
        A Avó sai e as crianças ficam entretidas a apanhar as folhas. Quando os baldes já estão cheios, eles gritam pela Avó. A Avó vai ter com eles, e todos gritam:
- Avóóóó…já estão cheios!
        A Avó sorri e elogia-os, orgulhosa:
- Ááááhhh…! Muito bem! Ficou mesmo bonito…! Estão a ver como foi rápido, e como conseguiram fazer isto tudo num instante…? Nem precisaram de chamar ninguém.
        Elas sorriem, orgulhosas e vaidosas. Gabriel responde sorridente:
- Foi muito divertido Avó!
        Os primos concordam:
- Pois foi!
        Diana acrescenta:
- E vimos folhas de muitas cores, de muitos tamanhos…
        Sofia acrescenta:
- Sim, algumas folhas eram pequeninas, outras grandes e umas eram recortadas, outras só eram metade…
        Carolina dá a sua opinião:
- Eu adorei Avó! Nunca tinha visto folhas tão bonitas, e tantas…!
        A Avó ri e responde:
- Estão a ver…?! Fizeram um óptimo trabalho. Vão ter direito a sobremesa especial.
        Já estão todos com água na boca e cada um dá os seus palpites do que será…Diana acha que:
- Eu acho que essa sobremesa vai ser…bolo de nozes…
        Carolina gosta dessa sobremesa, mas acha que vai ser:
- Eu acho que vai ser bolo de chocolate…com nozes…!
        Diogo não aguenta tanta curiosidade e resmunga:
- Óh…óh Avó diz lá o que vai ser…!
        Sofia resmunga com ele:
- Não sejas chato Diogo…! Avó não lhe digas.
        Todos protestam:
- Nhéééé…!
        A Avó ri-se e pergunta:
- Pronto, não precisam de discutir. Querem vir agora comer alguma coisa, ou beber?
Todos respondem em coro:
- Sim!
        Sobem com a Avó a falar alegremente para a cozinha. A Avó parte umas fatias de bolo para cada um e dá-lhes sumo natural de amoras que fez. Eles comem e bebem deliciados:
- Huuummm…que delicia!
        Diana reforça:
- Avó…está mesmo bom este bolinho!
        Carolina concorda, mas também elogia o sumo:
- Sim, está mesmo muito bom, mas o sumo também está!
        Hugo quer saber mais:
- Avó, onde apanhaste as amoras para fazer este sumo tão bom?
        A Avó responde:
- Foi ali no campo de baixo!
        Diogo quer saber outra coisa:
- Avó, e onde foste buscar estas nozes do bolo?
        A Avó responde:
- Também são ali do jardim.
        As crianças fazem mais algumas perguntas à Avó, e esta responde a todas, sempre com um sorriso. Chega a hora do almoço, e juntam-se todos na cozinha.
Estão regalados com o petisco da Avó, e fazem um almoço com conversas animadas e muitas gargalhadas, regada com bom vinho e produtos caseiros, incluindo a sobremesa.
No fim do almoço todos dormem uma sesta e quando acordam voltam para o campo. As crianças querem fazer alguma coisa e Gabriel pergunta à Avó:
- Avó…o que fazemos agora?
        A Avó sugere-lhes:
- Olhem, podem ir para os campos ajudar a apanhar maçãs, peras, castanhas e o que houver mais.
        Todos saltitam de alegria e vão a correr para o campo onde está o Avô no tractor e os pais e os tios a ajudar.
Primeiro, as crianças ficam em cima do tractor e põem as frutas que os pais lhes passam nos baldes, alegremente.
Depois, descem do tractor e apanham castanhas, abrindo os ouriços com os pés e tirando as castanhas. Estão encantados com o que vêem e põem as castanhas nos baldes.
Ainda lhes sobra tempo para correrem pelos campos, e apanhar flores silvestres para a Avó e para as mães.
À noitinha regressam todos a casa, estafados e esfomeados, por isso deitam-se cedo mas antes de dormir as crianças ainda brincam uns com os outros, com os brinquedos que levaram.
Na manhã seguinte, as crianças meninas, ajudam as mães, as tias e as Avós a fazer sobremesas especiais com nozes, castanhas, amoras…numa grande alegria, enquanto os meninos foram com os pais, os tios e os Avós às compras.
Depois de um bom almoço, as crianças ainda brincam ao ar livre, até voltarem para casa.
        No fim-de-semana seguinte, juntam-se novamente na aldeia, e desta vez é para colherem as espigas. As crianças participam activamente nesta tarefa, desfazem algumas espigas (separam as bolinhas do milho) para os animais, e o resto espalham as espigas no sobrado para secarem.
As crianças deitam o milho aos animais, acariciam-nos e brincam com eles, riem divertidos, correm livres e soltos, andam montados nos cavalos e póneis orientados pelos adultos, enquanto na cozinha a Avó faz pipocas e prepara pratos apetitosos para o almoço. Todos comem deliciados, e depois de mais um dia em cheio, voltam para casa…até ao fim-de-semana seguinte.

Quem não se lembra das vindimas…? É sempre uma altura de festa e animação! Crianças…perguntem aos vossos pais como era…!

FIM.
Lálá
(11/Setembro/2011) 
       

         

As viagens da gotinha de água




Era uma vez, uma gotinha de água, que decidiu ir passear. Ao sair de casa gritou, o vento faz outra pergunta e a Gotinha respondeu:
- Vento…leva-me a passear!
- Para onde?
- Por aí…por onde quiseres.
E lá vai a gotinha, de mão dada com o vento suave, bem devagarinho. 

Pelo caminho, vê uma flor tão bonita que disse ao vento para esperar, vai ter com a flor e falam uma com a outra:  
- Olá flor…és tão bonita!
- Olá gota de água…sou bonita também com a tua ajuda, porque me regas e deixas-me fresca… molhas a minha terra…é por isso que fico grande. Mas…de onde vieste?
- Vim da minha casa! Vou passear. Só parei porque a tua cor chamou-me a atenção.
- As tuas amigas e família onde andam? Não voltou a chover!
- Tu querias que a chuva voltasse?
- Não…para já não preciso! Mas está a ficar tudo muito seco! Ouço toda a gente a queixar-se.
- Quando precisares, chama-me!
- Está bem, obrigada…bom passeio.
- Obrigada. Espero que continues assim, bonita. Até à próxima.
– (sorri) Até á próxima.

A gota volta a caminhar com o vento. Mais à frente, encontra um ninho de passarinhos, de biquinho aberto. 

Pára junto deles, mas não é muito bem recebida por eles:  
- Olá, lindos…estão com fome?
         Os passarinhos respondem em coro:
- Sim…
         Um dos passarinhos resmunga com a Gotinha de Água: 
- Vai-te embora! Não te queremos aqui! Tu és fria e deixas as nossas penas uma porcaria.
A gotinha segue, triste e murmura:
- Ainda vão sentir a minha falta, seus mal agradecidos!
Lá continua a passear com o vento. Num banco de jardim está uma rapariga triste, pensativa. A gotinha, devagarinho e suavemente, aproxima-se e pousa no canto do olho da rapariga, e ela chora.
A gotinha escorrega pela pele da menina, a menina limpa com a mão e sacode a gotinha, esta cai numa poça de água e grita:
- Aaaaaiiii…!


O vento fica preocupado e pergunta:
- Magoaste-te?
         A Gota de Água grita e resmunga:
- Que grande bruta. Esta gente humana não tem cuidado nenhum com as lágrimas…uma coisa tão delicada…
         O vento e a Gotinha de Água falam um com o outro:
- Nem as flores tratam bem, quanto mais as gotas…! Se calhar nem sabem que tu existes.
- Não querem saber que eu existo!
- As emoções falam mais alto do que o resto.
- E eu não faço parte das emoções desses seres estranhos?
- Claro que fazes…quando as pessoas choram, és tu que estás lá! Até os alivias…!
- Para a próxima, não saio dos olhos deles!
- Mas depois…se não sais dos olhos das pessoas, elas ficam doentes…
- Quero lá saber! É problema deles…para a próxima que não me tratem mal. (p.c) está decidido. Não saio mais dos olhos das pessoas.
- Mas fazes tanta falta! (p.c) não podes desistir…deves ser mais forte do que os mal agradecidos!
- E como é que eu faço isso?
- Hum…sinceramente…não sei bem…talvez…olha…pensa mas é nas pessoas que gostam de ti, ou nas flores…qualquer coisa que te faça sentir feliz.
Mais uns passos, a gota encontra outras amigas, milhares delas, num lago a dançar e a brincar, risonhas e felizes. Uma das Gotinhas de Água reparou numa semelhante a si e cumprimenta-a alegremente:
- Olá… és das nossas! Junta-te! Anda dançar e divertir-te connosco…!
A alegria das gotas contagiou esta gotinha e fica com as outras, saltam e mergulham, até que ouvem alguém a gritar muito aflita:
- Socorro, socorro… há fogo aqui!

As gotas ficam muito agitadas e assustadas. A pessoa vai ao lago, muito aflita e enche um balde de água, todas as gotas saltam para o balde e juntas ajudam a apagar o fogo.
De repente, uma nuvem chama o vento. A Nuvem faz um pedido e o vento responde:
- Ventooooo… torna-te mais forte e traz-me todas as gotas que puderes. Muitas, muitas… há uma população com necessidade de água.
- Mas…os seres humanos são maus com as gotas e com a água em geral!
- Não penses nisso agora! Elas não merecem, por poluírem a água e maltratarem – na…desperdiçando-a, … espalhando-a por onde não é precisa, sim, concordo, elas são más…mas por favor…temos de esquecer isso e mandar-lhes água! Os animais e as plantas não têm culpa da maldade do homem. Aliás…essa até é uma boa maneira de os castigar…eu preciso é de muitas, muitas gotas!
- Estou a perceber…deixa comigo! 

O vento desata a correr, sopra muito forte, assobia, abana tudo, sacode as árvores todas quase as deita abaixo, e onde há água recolhe todas essas gotas.
As gotas não percebem nada do que está a acontecer. Estão milhares delas juntas e o vento ainda apanha mais.
As pessoas estão assustadas com a presença forte do vento.
A nuvem está deliciada, e o vento devolve-lhe todas as gotas que recolheu. A Nuvem agradece feliz a rir:  
- Excelente trabalho, vento! Obrigada. Continua a mostrar a tua força aos seres humanos!  
O vento continua fortíssimo, e a nuvem enorme, roxa, com uma dimensão assustadora, cheia de gotas desata às gargalhadas.
As gotas começam aos gritos e a nuvem solta-as, elas caem aos trambolhões a gritar no solo.
As pessoas estão recolhidas em casa assustadas porque o vento sopra muito forte, e a nuvem às gargalhadas. Quanto mais ri, mais gotas solta!
Aparece a trovoada para ajudar, também com estrondosos trovões! Forma-se uma terrível e valente tempestade. Que meeeeeeddddoooooooooo….
A Nuvem a rir às gargalhadas comenta:
- E agora, terráqueos? É melhor pensarem duas vezes antes de fazer mal à água…não é?! Se continuam com o mesmo comportamento a poluir e desperdiçá-la descaradamente… não sabem o que vos espera! Quer dizer.já vão tendo oportunidade de saber…! (p.c) Muito cuidado! Depois não digam que não vos avisaram… (gargalhadas da nuvem).

FIM 
Lara Rocha 
18/Setembro/2009 

As luzinhas do jardim


         Era uma vez uma pequena aldeia que ficava entre o campo e a praia. Era uma vez quatro meninas: Sofia, Raquel, Mara e Nara que viviam com os pais numa pequena vivenda de campo, onde havia um grande jardim a toda a volta da casa, cheio de árvores de fruto, flores e legumes. Além disso havia também um laguinho, e animais como quatro cães, quatro gatos, periquitos e tartarugas.
         As meninas viviam felizes neste sítio, porque podiam brincar no campo, ao ar livre, e sempre que queriam também iam para a praia, quase à porta da sua casa. Aliás, o mar e a praia viam-se do terraço de casa delas.
         Numa certa noite de Verão, estava tanto calor que todos tinham dificuldade em dormir…mesmo com tudo aberto. Os animais estavam molengos, sonolentos, sossegados, mas com certeza sempre atentos porque davam sinal, ao mais pequeno ruido.
         Porque não conseguia dormir, Mara vai para o terraço, amuado, levando consigo a sua amiga inseparável…a boneca bolota, a almofada e um lençol. Estendeu-a na cadeira de praia, que até era confortável e deitou-se. Deu voltas e mais voltas à procura de posição e não havia maneira de dormir…coitadinha! Onde andaria o João Pestana?! Ela chamou-o tantas vezes e ele não apareceu! Que chatice!
         De repente, ela ouve os cães a passar rapidamente para o jardim. Fica assustada e espreita para ver o que teria acontecido, mas não viu nada. Diz à boneca:
- Estes cães são malucos! Passaram a correr…e agora não fazem barulho! Se calhar foi só algum gato que passou.
         A pequenita ainda não viu, mas os cães estão de volta das flores, a farejar! Porquê? Aparentemente está tudo sossegado, não há barulho…! Pois não! Não há nada de mau…mas…os cães estão a farejar é porque sentiram qualquer coisa de diferente! E não é que têm razão?! É que estas flores têm uma coisa muito especial…xxxiiiiiiiuuuuu…não contem a ninguém meninos…para já! Prometem? É um segredo! Estas flores…dão luz! A sério! Não acreditam? Querem ver…? Continuem a ler.
         Os cães e os gatos finalmente dão sinal…ladram e miam. A menina levanta-se assustada e espreita…vê os cães e os gatosa cheirar as flores e de repente…vê umas pintinhas a brilhar nas flores. Sim…de cima parecem pintinhas a brilhar, mas esperem até ela chegar mais perto…!
Mara não quer acreditar no que está a ver…e solta uma grande exclamação:
- Áááááhhh…o que é aquilo? As flores têm pintinhas brilhantes! (p.c) Será que…caíram ali estrelinhas?! (p.c) Eu…nunca vi flores com pintinhas brilhantes…! (p.c) Mas…se são estrelinhas como é que elas caíram?! (Olha para o céu e pergunta) Ei…meninas aí em cima…caíram algumas estrelinhas?! (p.c) Vejam se não faltam aí algumas…se faltarem…elas estão aqui no meu jardim, está bem? (p.c) Vou chamar a Mamã para ir comigo lá abaixo ver as pintinhas nas flores!
         Ela vai ao quarto dos pais, silenciosa e chega ao pé da mãe, abraça-a e diz baixinho:
- Mamã…!
         A mãe está acordada e responde baixinho:
- Estás acordada, Mara? Tiveste um sonho mau foi?
         O pai resmunga:
- Mara, vai dormir e deixa-nos dormir.
         Ela tenta a sua sorte e partilha com o pai o que quer mostrar à mãe, mas o pai não quer saber do que ela tem para mostrar e resmunga:
- Papá…tens que vir ali ao jardim ver uma coisa!
- O quê? Achas que eu não tenho mais nada que fazer…? Não vou nada ao jardim…a esta hora não há nada para se ver no jardim, está tudo escuro! (p.c) Vai para a tua cama, dormir…e deixa-nos dormir também.
         Mara responde triste, e o pai grita-lhe:
- Óóóóhhh…não consigo!
- É problema teu! Vai brincar ou contar carneirinhos…e deixa-nos dormir.
- Mamã…
- Daqui a pouco levas uma sapatada!
         A mãe levanta-se, dá a mão à filha, e o pai resmunga, a mãe responde-lhe:
- Onde é que vais?
- Vou com a nossa filha…! Dorme!
- O quê? Vais onde?
- Não interessa onde vou. Cala-te e dorme. Nós as duas cá nos entendemos.
- Para que é que vais com ela?
- Ela tem uma coisa para me mostrar! Vou ver o que é!
- Não vês que ela está a fazer isto só para te chatear…?!
- Tu não vais, mas vou eu.
- É tudo da imaginação dela…para que é que vais com ela perder horas de sono e de descanso?!
- Não consigo dormir e não…vou ver o que há!
- És pior que ela! (p.c) Nem parece de uma adulta.
         A mãe sorri e ignora, mas responde:
- Cala-te e dorme…deixa o resto comigo!
         Mara está triste, e as duas vão de mão dada ao jardim. Pelo caminho, Mara e a mãe falam uma com a outra:
- Mamã…o papá ficou zangado connosco não foi?
- Não ligues filha…deixa-o lá!
- Mas ele estava a ralhar contigo e comigo!
- Não te preocupes, querida! O pai estava com sono…vou-te contar um segredo…(diz baixinho) o teu pai, com sono é pior que as crianças! Fica insuportável.
         As duas riem baixinho. Mara pergunta, e a mãe responde:
- Acordei-te, Mamã…?
- Não, filha…eu estava acordada!
- Não consigo dormir!
-Nós também não estamos a conseguir dormir…!
- Não sei onde foi parar o João Pestana! Eu…chamei-o…tantas vezes…mas ele não apareceu! (p.c) E também não apareceu para te dar o pozinho do soninho…será que ficou doente?!
- Olha…não sei…não tinha pensado nisso, mas pode ter acontecido!
- Mas ele nunca fica doente pois não…? É um doende…
- É um doende mas também fica doente como nós.
- Óóóóhhh…coitadinho…! Podia ter mandado um amigo!
- Pois…mas se calhar os amigos também estavam muito ocupados e ainda não puderam chegar aqui…! Sabes como é…tanta gente…!
- Espero que fique bom rápido.
- Sim, eu também.
- Sabes Mamã…eu tenho uma coisa muito bonita para te mostrar…lá fora, no jardim.
- Ai sim…?! (p.c) O que é que pode haver de tão bonito no jardim…à noite?
- Vi umas pintinhas brilhantes nas flores…e os cães e os gatos estavam lá a farejar.
- Flores…com pintinhas brilhantes?
- Sim! Nunca tinha visto antes! Já viste algumas flores assim?
- Não…! Mas…que pintinhas eram essas…?
- Não sei! É isso que te quero mostrar para ver se sabes o que é! (p.c) Pensei que pudessem ser estrelinhas que caíram lá de cima…e até disse às que estão lá em cima, se dessem por falta de estrelinhas elas estavam aqui! (p.c) Mas quero vê-las de perto para ver se são mesmo estrelinhas!
- Vamos lá ver então…!
         Mãe e filha aproximam-se e as luzes agora estão mais fortes. Que lindas que estão as flores…com aquelas luzinhas. Umas estão fora, e andam à volta das flores, outras estão mesmo dentro das flores, de um lado para o outro, iluminando cada pétala por onde passam…e outras flores estão fechadas, com uma luz muito bonita por dentro delas…parece que estão ligadas à tomada eléctrica.
Mãe e filha estão maravilhadas e boquiabertas, nunca viram tal coisa. Que lindo…todas asflores com luz…parece uma aldeia de fadas. As duas sorriem deliciadas e soltam grandes exclamações:
- Áááááhhh…!!!
- Que lindo!
- Que lindo, mesmo!
- Já alguma vez tinhas visto isto, mamã?
- Não…! Pelo menos…que me lembre…acho que não!
- Vês…?! São flores que dão luz!
- Sim…e uma luz muito bonita…mesmo estas mais pequeninas são encantadoras!
- O que achas que são estas luzinhas, mamã? (p.c) Eu pensava que eram estrelinhas, mas aqui ao pé, não são estrelinhas...pois não?
- Não…não são estrelinhas porque elas não costumam cair assim! Podem ser…pirilampos…?! Mas cada pirilampo não tem assim uma luz tão forte…só se forem vários pirilampos na mesma flor!
- Pois é! (p.c) Olha…as luzinhas têm asinhas!
- Áááááhhh…pois têm! Muito fininhas!
- Já sei…então são fadinhas, mamã.
- Áááááááhhhh…(sorri) Acho que tens razão!
- Sim…olha para elas…! Tu disseste que as fadinhas dão luz e têm asinhas.
- Sim! (sorri) São mesmo!
- Uaaaauuuu…! (p.c) Pensei que só existiam nas histórias, como diz o papá!
- O papá nunca as viu…por isso diz que não existem nas histórias…mas não lhe ligues! (p.c) Tu estás a vê-las, e eu também…por isso…elas existem!
- Tu já as tinhas visto antes, mamã?
- Sim, aqui…nesta casa, não…mas na casa dos teus avós…da tua idade vi muitas!
- (sorri) São mesmo bonitas como tu dizias mamã!
- (sorri) Pois são…as que eu vi também eram lindíssimas.
- As manas estão a dormir…não sabem o que estão a perder!
- (sorri) Pois não…! (p.c) Vêem noutro dia.
         As luzinhas andam à volta das cabeças da Mara e da Mãe, as duas sorriem e dançam com as luzinhas. Outras flores com luz abrem e fecham as pétalas, e as luzes saem…são muitas…todas juntas a sair e a entrar nas flores brancas e de outras cores. Mãe e filha estão felizes e encantadas com as luzes, e com os seus movimentos. As luzes passam das flores para as árvores, dão as mãozinhas e enrolam-se nos troncos das árvores ao som de umas doces melodias que cantam, suaves, e dançam. Mãe e filha aplaudem as luzinhas e dançam também com elas.
         O pai aprecia da janela, e murmura:
- Que ridícula, mulher! (p.c) Está a ir na onda da criança…(p.c) É tudo imaginação da pequena, e ela está a ir atrás! (p.c) Pareces uma troglodita! (p.c) Nem parece coisa de uma mulher adulta…mãe de quatro filhas…!
         O pai não vê as luzinhas…só vê mãe e filha a dançar e a rir, e a tocar nas flores e nas árvores. As outras filhas acordam e vão ter com o pai de mãos dadas. Sofia pergunta:
- Papá…estás á janela?
- Sim! E vocês o que estão a fazer de pé?!
         Respondem em coro:
- Não conseguimos dormir!
O pai resmunga:
- Eu também não…! (p.c) Este calor…!
Raquel pergunta:
- Onde está a mamã?
         O pai responde brusco:
- Está ali fora…a fazer figuras tristes!
         Nara pergunta intrigada:
- E a esta hora…lá fora…?!
         O pai responde indignado:
- Sim…está com a vossa irmã Mara lá fora a fazer cenas ridículas!
         Raquel pergunta, o pai volta a responder:
- A fazer o quê?
- Figuras tristes…cenas ridículas…parece uma troglodita!
         Sofia ralha, e o pai resmunga:
- Não chames coisas feias à mamã! (p.c) Ela está só a brincar com a Mara!
- Olhem para aquilo…parecem duas anormais…!
         Sofia não gostou do que ouviu, e leva as irmãs de mão dada, para o jardim, para a beira da mãe. As meninas também vêem as luzinhas, ficam muito surpresas e maravilhadas. A mãe sorri-lhes e diz:
- Óh, filhas…estão de pé?
         Respondem em coro, e Raquel acrescenta:
- Sim!
- Não conseguimos dormir!
         Nara pergunta. A mãe responde:
- Que luzinhas são essas?
- São fadinhas!
         Todas soltam uma grande exclamação, maravilhadas:
- Áááááhhh…Que lindas!
         Nara acrescenta:
- Como é que elas apareceram aqui?
         Mãe e filha respondem em coro. Mara convida as irmãs:
- Não sei!
- Venham brincar com elas e connosco!
         Mãe e filhas divertem-se muito com as luzinhas, e assistem encantadas aos seus movimentos e danças, e com as luzes nas flores fechadas. O pai nem quer acreditar no que está a ver…está irritadíssimo. Já madrugada avançada, a mãe e as pequenas vão deitar-se, e finalmente conseguem dormir. O pai e a mãe ainda discutem baixinho:
- Que ridícula, mulher!
- Estás acordado?
- Não…estou a dormir…!
- Se estivesses a dormir não dizias tanto disparate, com certeza! (p.c) O que é que tu queres? (p.c) Ainda não resmungaste tudo? (p.c) Que chato. (p.c) Não gostei da maneira como falaste com a nossa filha!
- Estás a estraga-las com tanto mimo e tanta atenção.
- Tanto mimo…? Eu…(p.c) A estraga-las…?! Francamente…! Tu é que estás a estraga-las com tanta coisa má que lhes transmites!
- O quê?
- Ainda perguntas…? Que atenção e que carinho é que lhes dás…? Elas precisam! E ficam muito tristes por não lhes ligares.
- Tinhas alguma coisa que ir atrás da catraia?
- Catraia que é igualmente tua filha…como minha. (p.c) Fui atrás dela, claro…e tu também podias ter ido atrás dela…ela ficaria muito contente! Mas não…soubeste apenas resmungar.
- Tinhas alguma coisa que ir com ela, só porque não conseguia dormir…?
- E depois…? Quantas vezes é que eu fiz isso…e noites inteiras…e depois…? Morri por causa disso? Tu a dormir como um porco, e eu é que ia sempre. 
- Iria adormecer sozinha…se não se habitua desde já, em adulta também não se vai habituar.
- Essa agora…! O que é que tem o rabo a ver com as calças…?!
- Andaste-te a cansar só porque ela imaginou qualquer palermice que te foi mostrar…deves ter visto uma grande coisa, deves…!
- Estás preocupado…?! Eu não me preocupei minimamente! Até gostei muito…e não foi invenção dela! (p.c) EU vi o que ela tinha para me mostrar, e foi muito bonito.
- Ui…deve ter sido mesmo lindo. (p.c) Fizeste umas cenas tão ridículas!
- (ri) E eu preocupada com as cenas que fiz. (p.c) Só não foste para lá também porque não quiseste.
- Parecias uma troglodita.
- Sempre é melhor parecer do que ser…!
- Estás a ofender-me…
- Ui, que pena que eu tenho de ti!
- Tu andaste a beber às escondidas foi?
- (ri) É…bebi luz…mas pelo menos não fiquei com uma tromba daqui até à praia como certas pessoas.
- Bebeste o quê?
- Eu nem vou perder tempo a discutir essas coisas contigo.
- E não achas que tinha razões para ficar de tromba comprida?
- Ai, tu é que sabes…! É problema teu…não tenho nada a ver com isso.
- Eu vi-te a fazer uma coisa parecida com dançar…!
- Eu estava mesmo a dançar, não foi uma coisa parecida com dançar.
- (ri) E onde estava a música?
- Eu ouvi-a! ~
- Não sejas ridícula. (p.c) Ainda és mais criança que elas!
- Não quero saber o que tu pensas sobre isso. Sou mãe das tuas filhas, quer tu queiras quer não…tivemos meninas…! Se queres meninos tenta com outra.
- Pois…se fossem meninos não queriam saber dessas palermices.
- Entendes mesmo de crianças…realmente…! (p.c) Só sabes fazê-los…o resto…passa-te ao lado!
- Que raio é que tu viste?
- Umas luzinhas muito especiais…!
- Ááááhhh…tu não estás bem, mulher!
- Eu…? Estou maravilhosamente bem…! Nunca estive tão bem!
- Luzinhas…francamente! Que luzinhas…? Estás a delirar com certeza! Eu não vi luzinhas nenhumas…
- Não admira meu filho…não vês as pessoas que te amam e que estão à tua volta, quanto mais umas luzinhas lá fora! É por isso que estás cheio de rugas!
- Estás a chamar-me velho?
- Caduco! (p.c) Já te esqueceste de que também foste criança…!
- Eu não era nada dessas paneleirices. Era rapaz. (p.c) Tu estás é louca! Deve ser o calor…ou então avariaste de vez! Devias estar atenta a isso…que isso tem tratamento!
- Eu até te dizia quem…e que tratamento é que alguém precisava!
- Não estou a acreditar que te deixaste levar pela imaginação da pequena!
- E se eu me tivesse deixado levar pela criança…qual era o problema? Isso mata alguém?
- Não és nenhuma criança pequena. As pequenas têm de se habituar que a realidade é muito diferente do floreado mundo delas!
- É por isso que elas são tão felizes, e é por isso que eu fico tão ou mais felizes quanto elas, quando brinco com elas. (p.c) Vão ter muito tempo para isso…deixa-as sonhar e imaginar! (p.c) Eu não imaginei como as pequenas…eu vi a mesma coisa que elas…e foi muito bonito…fiquei muito feliz…já não me sentia assim tão feliz como hoje, há muito tempo! (p.c) Ganhei anos de vida! E desapareceram umas quantas rugas provocadas de te aturar…!
- O quê? (p.c) Ficaste contagiada…! Na tua idade…devias ter vergonha.
- (a rir) Olha…vergonha devias ter tu de seres assim…tão…quadradão…com a mania que és muito macho, tão macho que não pode brincar com as filhas pequenas…vejam lá!
- Que tristeza…! Nunca mais cresce!
         O dia desperta rápido, e as meninas passam o dia felizes como a mãe. Nas noites seguintes, a mãe e as filhas vão sempre para de volta das flores que dão luz, passar momentos divertidíssimos e felizes com as luzinhas. Mara faz um pedido muito especial à mãe em nome de todas as irmãs:
- Mamã…eu e as manas temos medo do escuro!
         A mãe sorri e responde:
- Sim, filha…eu sei, mas também já vos expliquei que o escuro não tem nada…! Eu mando sempre as fadinhas do João Pestana tomar conta de vocês, proteger-vos…por isso, não têm que ter medo do escuro!
Mara insiste:
- Eu sei, mamã…e elas andam pelo quarto mas logo a seguir vão embora! E o quarto fica mais escuro. (p.c) Eu e as manas…gostávamos era de ter uma flor daquelas…cheias de luzinhas, e com luz por dentro! (p.c) Podes por lá uma no nosso quarto, mamã…?! (p.c) Assim as luzinhas, fadinhas vão para essas flores e assim…já não temos medo do escuro! Pode ser mamã?
         A mãe sorri e não resiste ao pedido tão doce, e responde:
- Eu vi logo…! (p.c) Está bem, eu apanho uma flor daquelas para cada um dos quartos.
         A menina abraça a mãe, contente, beija-a e diz-lhe:
- Óh! Obrigada, Mamã…obrigada, obrigada, obrigada…és a melhor mamã do mundo…! Adoramos-te…!
         Trocam sorrisos e carinhos. A mãe vai apanhar uma flor de luz para cada filha e coloca nos respectivos quartos. A partir desse dia, uma luzinha passa a viver dentro de cada uma dessas flores, e às vezes a flor parecia um verdadeiro candeeiro, quando se fechava. Com estas luzinhas no seu quarto, as meninas nunca mais tiveram medo do escuro. O pai era contra isto, mas a mãe não lhe dava troco, e ela própria tinha uma flor que dava luz, na sua janela e na sua mesinha de cabeceira.
         Quem não gostava de ter umas flores que dessem luz?!

FIM
Lálá
18/Abril/2012