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quarta-feira, 20 de novembro de 2019

Rima para estimular a aplicação de sinais de pontuação


         
Era uma vez uma menina que desenhou um ponto numa folha. 
Não sabia o que desenhar a partir de um ponto. 
    Desenhou um ponto e uma vírgula. 
O ponto e a vírgula deram a mãozinha e uma cambalhota, que parecia um ponto de exclamação, muito comilão! 
A menina desenhou uma carinha redondinha, que parecia estar a piscar o olho. 
Mas ela queria mesmo era desenhar alguma coisa.
Não desenhou.  
Mas para sua surpresa,
          Com o ponto e vírgula, e o ponto de exclamação a menina conseguiu inventar uma canção. 
Ficou tão feliz, que escreveu a letra da canção.
Todas as letras da canção 
deram um chi-coração 
e voaram nas asas de um abelhão. 
Fora da sala, 
O abelhão sacudiu os pontos, as vírgulas, os pontos e vírgulas e os pontos de exclamação 
Para as folhas de um menino que escrevia outra canção. 
Soltou uma grande exclamação 
Por ver tantas letras e palavras, 
E assim com elas, escreveu outra linda canção. 
A canção da menina juntou-se com a canção do menino, 
Mas faltava o refrão. 
Um cão de rua gostou tanto da canção, que uivou.
O uivo do cão, 
Inspirou os meninos para o refrão 
da sua canção. 
Cantaram todos juntos, 
Até o cão participou, 
Ao cantar o refrão. 
De um ponto final, 
De um ponto e vírgula, 
De um ponto de exclamação 
escreveram uma canção, 
E depois, 
Inventaram um conto,
Sobre um ponto, 
Uma vírgula, 
Um ponto e vírgula, 
Um ponto de exclamação 
Uma canção, 
Com um refrão  
E a ajuda do cão. 

 Fim 
Lara Rocha 
20/Novembro/ 2019 

Convido todos os leitores que quiserem, a participar no desafio. Desenhar um ponto numa folha e deixar que a partir desse ponto seja criado alguma coisa: uma canção, um conto, um desenho, o que for. Podem colocar aqui, ou enviar para: lala.rochapsiact@gmail.com 
Pode ser uma atividade engraçada para pais e filhos :) 
Até já 


  

terça-feira, 12 de novembro de 2019

o gato e a abóbora


foto de Lara Rocha 

Candeeiro de Lara Rocha 
           
        Era uma vez uma noite de Outono que mais parecia Inverno. Fria, muito chuvosa e ventosa. Um gato estava na casa dos seus donos, deitado em cima de almofadões à beira da lareira, dado à preguiça, e a saborear a ventania, o crepitar do lume, o calor. As pessoas da casa já se tinham deitado, e o gato ficou no mesmo sítio. Era o seu sítio preferido.
       Naquele ambiente, olhou para a janela e embalado pelos sons que o envolviam, deu um grande salto quando viu olhar para ele uma abóbora com uns olhos enormes e parecia que dava luz. Ficou todo eriçado. Nunca tinha visto tal coisa.
- Mas que espécie de animal é aquele? Credo! Parece um filme de terror, ou que me vai devorar com aqueles olhos e a bocarra. Deixa-te estar, gato. Tu aqui, e ela lá fora. Só espero é que ela não olhe para mim, e que vá embora. Não quero encontrar-me com aquela criatura da noite.
      De repente o gato ouve passos. É a sua dona adulta que vai à janela, apaga a vela, e mete a abóbora rapidamente dentro de casa.
- Bital, não estragues esta abóbora, está bem? É para os meninos levarem amanhã para a escola.
       A dona acaricia o pelo do gato, ele mia, e devolve carinho.
- Áh, que quentinho que estás aí. Não precisas de mais nada pois não…? Não. Boa noite, e porta-te bem. Já sabes. Os donos gostam muito de ti.
      O gato deixa a dona subir as escadas. Olha para a abóbora, está sem luz.
- Mas o que é que aconteceu? Não é a mesma…ela chamou-lhe...abóbora? Bital é um nome, o meu nome, é musical, mas abóbora...porque é que ela lá fora estava a dar luz, e agora não está.
      A abóbora abana. O gato fica gelado, ronda a abóbora com medo, devagar, levemente, cheira-a, e ouve um bocejo.
- Aqui está bem melhor. - soa uma voz da abóbora
     O gato apanha um grande susto, recua, e fica muito quieto nos seus almofadões. Pelo interior da abóbora espreita um pequenino morcego que se tinha abrigado do frio da noite. O gato solta um miar de medo. O morcego estica as asas.
- Ui, tanta luz. (boceja) Ali ficou muito frio de repente, estava mais quentinho há bocado. Um gato neste espaço todo…? Mas, onde estou? Está aí alguém?
- Eu… - diz o gato com medo
- Onde? Não te estou…(cheira) Hummm… já sei, estás ali onde há muita luz.
- É uma lareira. Tu quem és?
- Ora, não me conheces? Sou mundialmente conhecido, eu e os meus. Sou um morcego.
- Áh. Sim, desculpa. E o que tens a ver com essa abóbora?
- Aproveitei-a para me abrigar do frio e da chuva. E tu, vives sozinho neste espaço?
- Não. Há muita gente nesta casa. Mas estão lá em cima, eu é que durmo aqui.
- Ah! Que sorte.
- Aproxima-te mais de mim…
- Para quê?
- Para conversarmos um pouco.
- Está bem, mas não me vais atacar pois não?
- Não.
- Eu também não.
       O morcego e o gato tornam-se logo grandes amigos, conversam durante toda a noite, riem muito, contam aventuras, partilham água quente, conversam deitados no chão, depois deitados nos almofadões, e quase ao amanhecer, o morcego dorme com o gato, escondido entre as costas e o almofadão, envolvido nas suas próprias asas.
       As crianças da casa estão eufóricas, e o gato de olhos fechados mas acordado, ouve dizer:
- Mamã: temos de levar a nossa abóbora. Tens alguma luz?
- Está aí dentro, é só acender a vela.
- Ainda bem que a puseste cá dentro! - diz o menino
- Claro, se ficasse lá fora, ficava toda melada.
- Boa! - gritam os dois
- Está linda. - diz a menina
- Tenho a certeza que vai ser uma bela festa! - diz a mãe
       As crianças acendem a vela e a abóbora fica toda cor-de-laranja. O gato abre os olhos, e vê a imagem que tinha visto fora da janela. Pensa para si próprio:
- É isto, que era tão assustador? Aquilo que olhava para mim com uns olhos e uma bocarra tão grande que me parecia que ia devorar. Está diferente! O meu amigo tinha razão…visto de noite, e visto de dia é muito diferente. De noite é assustador, parece muito maior, muito mais escuro. Hum, que engraçado. Ainda bem que ela guardou aqui a abóbora, porque assim conheci um amigo.
       Ele procura discretamente o amigo.
- Áh, estás aqui.
- Xau, Bital... hoje temos festa no colégio, é por isso que vamos levar esta abóbora.
- Xau, Bital, ainda bem que não a comeste. Ela está assustadora, não está? Mas não faz mal, é só para brincar.
      O gato mia e ri. Os meninos saem a correr com a abóbora na mão.
- Até logo, Bital. Lindo bichinho. Porta-te bem...
      O marido sai a correr, com os outros dois filhos ainda a dormir, até se esqueceu do gato. A seguir desce a filha mais velha, toma o pequeno almoço e sai.
- Será que vai tudo para a festa da abóbora? E eu, não vou? Porquê? Se não estivesse a chover ia atrás deles espreitar. Gostava de saber como é essa festa. E depois, o que fazem com a abóbora? Será que há mais abóboras, ou é só aquela?
      O meu amigo deve saber. Mas vou deixá-lo dormir, e depois quando ele acordar, de certeza que me vai responder.
      O dia do gato foi como o de sempre, o seu amigo desperta ao fim do dia, e os dois divertem-se muito. O morcego conta ao gato como é essa festa da abóbora. Os meninos chegam a casa e contam a festa toda ao gato, prometeram que fariam uma festa na sua casa, e ele estaria presente. A abóbora foi para a panela da mãe e fez uma rica sopa.
      O morcego não abandonou mais o seu amigo gato. E assim se cumpriu mais uma festa da abóbora, que primeiro assustou o gato, mas também lhe deu um amigo, o morcego!
                                                             
                                                            Fim
                                                       Lara Rocha 
                                                  12/Novembro/2019


   

domingo, 3 de novembro de 2019

O que ficou lá atrás (monólogo de um refugiado)


O QUE FICOU LÁ ATRÁS
(Monólogo de um refugiado)
                   


            Estou aqui em segurança. Sim, eu sei e agradeço aos Deuses por estar aqui. Não tenho raiva de ninguém, nem de nada, porque não fui eu que inventei a maldita guerra que me fez deixar tudo para trás. A mim, à minha família e a todos os que vieram comigo.
A minha caminhada até à paz não foi fácil. Talvez até tenha sido mais difícil do que a guerra que eu tinha no meu país. O meu país! Era o meu país, a minha cidade, onde eu tinha a minha casa, os meus pais, os meus irmãos, os meus animais, o meu quarto, todo o conforto, e o amor. Esse era o principal cimento da nossa casa.
Um amor que os malditos invejavam, porque nos seus corações só havia ódio. Ódio, ódio por todos, ódio por dinheiro, ódio por armas. Odeio esses, sim, odeio! Odeio os que se matam e destroem por dinheiro, os que são infelizes e acham que os outros do bem têm obrigação de ser como eles.
Odeio todos os o que ficaram lá atrás, no meu país, onde eu tinha tudo. O meu país, que agora não passa de um amontoado de pedras, tijolo, vidros, pedaços de coisas queimadas, partidas, como ficaram os nossos corações.
Nossos, aqueles que somos do bem, que queríamos viver lá, no nosso país, onde nascemos do amor dos nossos pais, aquele país que nos formou…como pôde formar e ao mesmo tempo deformar tantos milhares? Pergunto-me muitas vezes, o que levou esses malditos que odeio, a escolher o caminho do mal, e a levar os do bem para o fim do mundo.
Do mundo inteiro, talvez não, mas do nosso mundo, onde eu tinha os meus sonhos, os nossos sonhos. A minha cidade, que ficou lá atrás, para onde quis voltar muitas vezes ao longo do caminho.
Vimos a nossa casa reduzida a escombros. Não sobrou nada. Apenas areia e chamas. A dor. No meio da paz do sono, fomos acordados por um monstro. Só tivemos tempo de sair, sem pensar no que estava a acontecer. Fora de casa, é que percebemos o que tinham feito… um pesadelo real. Felizmente estávamos todos juntos, abraçados.
Ainda hoje consigo ouvir os nossos choros, e os choros dos meus vizinhos que estavam ao lado, os gritos de raiva e dor. Ficamos petrificados sem saber para onde ir. Havia uma voz dentro de cada um de nós que nos dizia que tudo aquilo que estávamos a ver era um pesadelo. Mas não. Até a voz estava iludida. Era tudo bem real.
Eram estrondos por todo o lado, cheirava a medo em cada milímetro de pó, de chão, de paredes. Gritos, correria, sangue, dor, morte, destruição. Estávamos entre a espada e a parede… ou ficávamos ali e desaparecíamos juntamente com a casa e a nossa cidade, ou fugíamos e procurávamos um outro lugar seguro para continuar a viver e realizar os nossos sonhos.
Decidimos fugir. Não sabíamos para onde. As palavras desapareceram, e o caminho foi percorrido com lágrimas e gritos. Andamos sem rumo, só por andar. O peso que tínhamos nos pés era o mesmo que o peso da nossa raiva no coração, mas também talvez fosse esse peso monstruoso que nos segurava a vontade de continuar.
Fraquejamos, paramos muitas vezes, conseguimos comida, e água, de almas generosas que nos compreendiam. Dormimos em grutas, dunas no deserto, convivemos com feras que tinham mais medo de nós, do que nós deles.
Eramos aos milhares. Não tínhamos destino, mas também não queríamos aquele futuro, do nosso país que estava em pó. Todo o corpo doía, mas ainda mais doía a revolta dirigida a quem destruiu tudo o que nos pertencia, sem que tivéssemos nada a ver com isso.
Pelo caminho, sempre em lágrimas, muitos queriam desistir, voltar para trás, mas não sabíamos sequer onde estávamos. Tudo o que nós eramos estava a ficar muito lá para trás.
Não sabíamos onde, mas não era certamente ali, nem em nós. A nossa alma tinha ficado lá, com as nossas casas, na nossa cidade. Olhamos muitas vezes para o céu, à procura de um sinal, de uma estrela guia, de uma luz. A principal estrela era a nossa vontade de viver.
Muitos tentaram destruir-se em linhas de comboio, em falésias, em pontes por onde passamos. Mas o grupo não deixou. Eramos do bem, tínhamos o coração perdido, mas ainda dispúnhamos de mãos. Esses gestos davam-nos uma força renovada para continuarmos a acreditar que a nossa caminhada ia valer a pena.
Não foi fácil. Houve muito desespero. Demos muitas vezes as mãos, mesmo a quem não conhecíamos, mas estavam connosco, tal como nós, tinham deixado tudo lá atrás, com a dor e a tristeza.
O darmos as mãos dava-nos uma força que não sabíamos de onde vinha, apenas sentíamos, e uma esperança nunca antes sentida. Até que um dos nossos caísse e quisesse desistir.
Às vezes era uma vontade comum: voltemos para trás! Gritavam uns. Não quero continuar! Gritavam outros. Não aguento mais! Vou desistir! Continuem amigos, eu fico aqui.
Foi o que ouvimos constantemente, mas nesses momentos, talvez houvessem anjos à nossa volta, que nos serenavam a dor, e que nos davam força. Anjos que não víamos, mas estavam, acreditávamos que sim, porque se não estivessem, teríamos mesmo desistido.
A dor, e o choro sufocavam-nos. Levantávamo-nos e seguíamos, estávamos juntos com o mesmo propósito. Encontrar a paz, reconstruirmo-nos por dentro. Recomeçar. Queríamos, mas a incerteza nem sempre nos permitia seguir em frente. Parávamos, alimentávamos o corpo, rezávamos e continuávamos.
Não nos deixamos dominar por ela. Seguimos. Andamos milhares de quilómetros, por desertos, ruas, sempre com os olhos abertos a olhar para todo o lado. Passávamos discretos, nem sempre. Sentíamos que todos nos olhavam de canto, comentavam, afastavam-se.
Se eles soubessem! Se eles tivessem deixado tudo lá atrás como nós, compreenderiam. Não sabiam como doía. Todos nós, que víamos casas, lembrávamos a nossa casa, que agora já não existia, tudo o que tínhamos, tudo o que era nosso.
As lágrimas caiam e só ouvíamos o soluçar uns dos outros, um coro enorme e comum, no silêncio, de dor, quase ao mesmo ritmo do arrastar dos nossos pés pesados, que poucas vezes obedeciam à nossa necessidade e vontade de continuar a lutar. Pareciam colados e que transportavam tudo aquilo que já não eramos, as nossas recordações.
Enquanto caminhávamos não pensávamos no futuro, a incerteza não nos deixava, nem no passado, mas era impossível que ele não nos acompanhasse. Para não perdermos a força de continuar, não pensávamos nem no passado nem no futuro.
A nossa preocupação principal era o presente, apenas as formas de nos salvarmos, de conseguirmos força. Como conseguíamos? Não sabemos. A luta pela sobrevivência, talvez. Mas nem sabíamos para que sobreviveríamos, não sabíamos o que nos esperava.
Acreditávamos que encontraríamos algo melhor, mas não tínhamos a certeza. Só medo! Mesmo assim, uma força desconhecida, levou-nos a seguir. O grupo começou a dispersar-se, uns ficaram em cidades que os apanharam e acolheram porque estavam doentes e precisaram de assistência. Outros gostaram do sítio, sem saber o que iam encontrar.
Nós continuamos. Sempre com mil olhos abertos, sempre com o coração muito apertado, sempre sem rumo, e com a incerteza se íamos conseguir. Nunca nos abandonamos uns aos outros.
Escondemo-nos muitas vezes, apanhamos grandes molhas, tempestades, protegemo-nos em grutas, apanhamos tempestades de vento que nos chicoteavam dos pés à cabeça, mas nem esse era mais doloroso do que a nossa dor de termos deixado tudo para trás.
Chegamos a Portugal. O paraíso. Sim, aqui estamos bem. Fomos recebidos com carinho, arranjaram-nos uma casa, com todas as condições, deram-nos trabalho, dinheiro e alimentação, roupas.
Aqui estamos felizes, em paz. Temos paz. Um privilégio, a compensação da destruição que deixamos lá atrás. A família está comigo, entendemo-nos bem, mas a noite… a noite é o pior.
Não, não há guerra, aqui, mas há os medos que trouxemos, os traumas como dizem por aí. Mal fechamos os olhos começamos a ouvir outra vez os estrondos, as bombas, os choros, os gritos, vemos as chamas, a destruição…o nosso coração fica outra vez inquieto.
Dizem que é da nossa cabeça. E tem razão. Acendemos a luz, e tudo está bem! Respiramos fundo, que alívio. Mas porque é que isto não ficou lá atrás? O medo, mesmo quando está tudo bem, os pesadelos a noite toda. Será que alguma vez vai deixar-nos?
Isso gostaríamos que tivesse ficado noutro lugar qualquer, e nós, que tivéssemos ficado lá, lá atrás, na nossa cidade, no nosso país, em paz, sem guerra, na nossa casa, com as nossas coisas por que tanto lutamos, e de repente tudo ficou reduzido a nada, misturado com a dor e a tristeza.
Mesmo estando muito agradecidos, claro que as lágrimas continuam a cair, elas não ficaram lá, sempre nos acompanharam, e vieram. Claro que temos saudades, e às vezes vontade de voltar, mas não para o nosso país como está agora. Seria para recomeçar do zero. Isso fizemos aqui, em Portugal, neste recanto de paz, com boa gente.
Ainda assim, os Portugueses não podem ir lá atrás buscar tudo o que ficou. Nem nós. Mas aqui, já podemos pensar um bocadinho num futuro, e tentar esquecer o passado! Será que conseguimos? A dor é muito grande! É a vontade misturada com a saudade.
A raiva e o ódio estão muito presentes, contra quem nos destruiu. Cada um de nós nunca mais vai ser o mesmo. Até a nossa maneira de ser, ficou lá, ainda não sabemos quem somos, nem quem seremos daqui para a frente. Chegamos aqui vazios! Como é difícil renascer, deixar tudo para trás, à procura de melhores condições, de paz… e recomeçar.
E vocês que não têm do que reclamar, fartam-se de reclamar e exigir mais, e mais. Vão à nossa cidade, ao nosso país, ver se precisam realmente de mais, de tudo o que pedem?
Vão ver os hospitais de lá, as escolas, os supermercados, tudo! Vocês têm tudo, principalmente paz. Agradeçam por tudo o que não tem de deixar para trás. Agradeçam por não terem de fugir, agradeçam por terem tudo o que querem, e não levarem com bombas.
Agradeçam por não ouvirem gritos, choros, sangue, dor, desespero! Tudo o que deixamos lá atrás, nunca mais será nosso, nunca mais poderemos recuperar, a não ser na nossa memória, enquanto também ela não fica lá atrás.
Vocês visitam o lá atrás porque querem, para recordar memórias felizes, mas quando nos criticarem, ou quando criticarem o vosso país, a vossa cidade, tentem procurar o nosso país, a nossa cidade, e pensem se vale a pena recuperar o que deixaram lá atrás, ou se é preciso quererem tanto!
Vão ver tudo o que deixamos lá atrás, nós, os que fugimos, e pensem como são felizes! Eu não quero voltar lá atrás, se voltasse iria buscar o que ficou enquanto o ódio de muitos, e a ambição pelo dinheiro, o amor pelas armas, não falou mais alto. Para quê?
Ódio, guerra, destruição, dinheiro, armas? É isso que somos? E onde fica o que somos? O que temos de melhor?
Vão lá atrás e vejam tudo o que ficou. Nada! A única coisa que ficou foram estilhaços de nós, dos nossos sonhos, tantos que tínhamos para realizar, a nossa felicidade, pessoas, casas…tudo ficou no chão de uma guerra sem fim. 
          O mar mediterrânico, suspira, chora e traz à superfície os gritos das almas que se perderam, nas suas profundezas! É lá que procuram a vida que sempre desejaram. Não era isso que eles queriam, aqueles que deixam tudo para trás. Mas foi no mar, onde não há guerra, nem fome, onde só há silêncio e paz.
          O vento enraivece-se, pela impotência de não poder impedir tanta desgraça. O mar revolta-se por tanto indiferença, e grita para despertar consciências. Mar cruel…mar revolto, mar sem culpa, mar com dor. Mar Mediterrânico.
Demos agora as mãos, a quem está ao nosso lado, uns aos outros, e façamos uma grande corrente de paz. Para que tudo o que ficou lá atrás, volte em forma de amor para todos.

                                                                        Fim 
Lara Rocha
3/Novembro/2019

quinta-feira, 10 de outubro de 2019

pequenina história - a aldeia onde não havia dinheiro

                                                 A aldeia onde não havia dinheiro



            










           




foto de Lara Rocha 



              Era uma vez uma aldeia pequenina, feita de casas pequeninas, janelas pequeninas, portas pequeninas, jardins e quintais pequeninos. Todos os habitantes eram pequeninos em tamanho, mas enormes em bondade, simpatia, sorrisos, coragem, amizade, abraços, carinhos.             
           Nessa aldeia, ninguém tinha dinheiro, mas não lhes faltava nada. Tudo o que precisavam era pago com estrelas, e o mais caro, pagavam com cometas. Os trocos eram dados com estrelas ou cometas de acordo com o que compravam.
            Tinham alimentos que os próprios cultivavam, e ofereciam aos que não tinham esses alimentos, em troca de outros que lhes faziam falta.
            De vez em quando, recebiam pequenas prendinhas oferecidas por anjos que se esmeravam, como forma de agradecimento por terem corações tão bonitos. Não eram prendas materiais, mas bem mais especiais.
            Umas vezes, eram lindas enormes, leves e mágicas borboletas, de asas cheias de cores e finas, nunca antes vistas, que deixava todos maravilhados. Outras vezes recebiam flores vistosas com salpicos de brilhantes.
            Na Primavera, os anjos ofereciam uma paisagem natural que parecia um sonho. Cheia de cor, flores, cheiros leves e agradáveis, um sol que sorria sem parar, porque até ele ficava encantado com tanta beleza, cestas de fruta da época à porta de cada casinha, e sementes de alimentos.
            No Verão, os habitantes reuniam-se num pequeno largo, com candeeiros habitados por minúsculas fadas que acendiam as luzes, e assistiam a concertos de cigarras, grilos, e peças de teatro do grupo dessa aldeia, ouviam poesia e conversavam sobre elas. Eram noites recheadas de muitas gargalhadas. Tinham à sua disposição sumos de fruta da época, e nas noites de Lua Gigante, havia um baile mágico que parecia um sonho.
             No Outono, os anjos ofereciam uma nova paisagem à aldeia. Espalhavam tapetes de folhas de muitas cores, por todo o lado, aquelas que vemos nas árvores, castanhas, nozes, maçãs suculentas e bonitas, uvas grandes, de várias cores, peras, à porta de cada habitante.
             No Inverno, os anjos ofereciam um gigante manto de neve, leve e macia, que durava até à Primavera, e não derretia com o sol. O Natal deles era muito bonito. Reuniam-se todos num parque da aldeia, protegido da chuva e do frio, com lareiras, cheio de felicidade, cores, música, canções, brincadeiras, partilha de presentes feitos com coisas da Natureza e da terra.
             E era assim, a aldeia onde não havia dinheiro como o nosso, mas onde não faltava nada, e tinham o principal: amizade, carinho, abraços, simpatia, sorrisos, mais os presentes dos Anjos.
                                                         
                                                                   Fim
                                                                   Lálá
                                                           10/Outubro/2019

segunda-feira, 12 de agosto de 2019

o espelho

       

     
desenhado por Lara Rocha 

        Era uma vez uma concha com uma pérola muito bonita. Parecia igual a todas as outras conchas com pérolas, mas esta só algumas pessoas conseguiam abri-la. As que tivessem uma alma bonita, as bondosas, as que amavam a natureza. 
         A pérola da concha, cansada de ver almas escuras, decidiu retirar-se uns dias da superfície. Nesses dias em que esteve a descansar, também pensou muito, principalmente porque é que as pessoas andavam com as almas tão escuras.
         Viajaram até Angola, Moçambique, e Índia. Viram a miséria que lá havia, mas ao contrário do que elas imaginavam, muitas almas conseguiram abrir a concha, e ver-se ao espelho. Algumas eram tão bonitas que até apareciam pequeninos pontinhos brilhantes, de minúsculas fadas que cintilavam com a beleza das almas. Outras vezes apareciam arco-íris.
Elas não sabiam porque é que isso acontecia, até que decidiram perguntar a uma menina:

- Menina, desculpa a nossa pergunta: mas...como é que as vossas almas são tão bonitas numas cidades como estas, tão pobres, que não tem quase nada, vocês mal podem comer e viver?

- Concha, essa pergunta é fácil! É que nós temos tão pouco, mas temos o que nos faz mais felizes, e mais bonitas. Um coração generoso, os nossos mais velhos ensinam-nos o que é preciso. Temos casa, temos roupa, temos calor, temos comida, natureza que nos dá tudo o que precisamos para viver, temos família, temos amor, e saúde.

- Mas os outros povos têm muito mais do que vocês, e as almas deles são feias, escuras, infelizes! - diz a pérola

- Claro, são ricos em material, mas eternamente insatisfeitos. Quanto mais têm, mais querem, mais exigem. Como podem ser felizes com mais, se não acham suficiente? Talvez lhes falte o principal…

- E o que é o principal? - pergunta a concha

- É a felicidade nas pequenas coisas, nas mais pequenas, como poder ver, ouvir, cheirar, sorrir, ter braços e mãos para ajudar, trabalhar, abraçar, e fazer tudo o que queremos. É a felicidade de ter pessoas que sabem muito, com idade, mas corações enormes, mãos vivas, olhos felizes. Os outros povos não sabem o que é isso! Não têm de buscar nada, não veem nada do que é realmente bonito.
Como podem ser bonitos e com almas claras, se não veem...a felicidade e a paz. Os abraços, os carinhos e os sorrisos. - Explica a menina

- Áhhhh! Que bonito! - Dizem as duas a sorrir encantadas

- Muito bonito, e verdadeiro. Foi o que me ensinaram, a mim e ao meu povo! - diz a menina

- Mas que maravilhosa lição. Muito obrigada. - Diz a concha

- Muito bom. Obrigada.

- Já vão embora? - pergunta a menina

- Sim, vamos ensinar esta lição às almas escuras. - diz a concha

- Vão iluminá-las…? - Acrescenta a menina

- Isso! - Dizem as duas

- Mas voltamos! - promete a pérola

- Até já!

- Até já e boa viagem.

            A concha e a pérola regressam aos outros povos onde as almas eram infelizes, e em vez de só permitirem que as almas bonitas as abrissem, deixaram que as almas tristes pudessem ver-se e ao mesmo tempo, quando se viam no espelho da concha, a pérola irradiava luzes de todas as cores, que tornavam as pessoas mais felizes.
           E sempre que precisavam de luz, voltavam aos povos que eram mais pobres, mas mais felizes. Mesmo assim, havia pessoas que não conseguiam mudar para cores claras. Para essas, a concha fechava rapidamente, pois achava que elas não queriam ser felizes.

         Se fossem vocês, a concha abriria? Que cores veriam no espelho?

                                                             Fim
                                                             Lálá
                                                      12/Agosto/2019

quarta-feira, 22 de maio de 2019

o arco-íris perigoso


           foto de Lara Rocha 

Era uma vez uma linda praia, de águas calmas e transparentes, onde dava para ver o fundo e os peixes raros que lá viviam. 
      Tudo corria bem, até que um dia...um grupo de humanos ambiciosos, que só pensavam em ganhar dinheiro com pesca de espécies raras e exóticas daquela ilha, montaram uma armadilha.
      Pintaram um arco-íris na água que parecia natural, mas era na verdade óleo que despejaram nas águas, e brilhava como o arco-íris com o sol. 
      Uns raios de luz do sol com esse falso arco-íris entraram na água e espalharam-se para atrair os peixes.
      Todos os habitantes submarinos acharam estranho. Nunca tinham visto nada assim. Era realmente muito bonito, mas a rainha dos mares, que passava naquela altura, sentiu um cheiro diferente na água. 
      Olhou para cima e viu aquele misterioso arco-íris.

- O que é isto? - Perguntou a rainha

- Não sabemos. - respondem todos

- Há aqui um cheiro estranho. Grisalho...vai lá ver o que é. Com cuidado!

      Grisalho é um peixe guarda da rainha. Rapidamente, vai à superfície e volta.

- Então…?

- Viste alguma coisa?

- Vi, e não gostei nada!

- Como?

- Vi um bando de homens a deitar qualquer coisa nojenta na água. Óh, já sei… era igual a este arco-íris.

- Estão a poluir a água?

- Sim, infelizmente!

- Não posso acreditaaaaaaaaaaaaaaaarrrrrrrrrrrrrrrrrrrr…. - grita estrondosamente a rainha cheia de raiva.

       Todos estremecem e encolhem-se. A rainha pior que furiosa, ganha a forma de um tubarão gigante. Na água apanha todos de surpresa, prende os homens na sua bocarra, eles gritam em pânico, enquanto ela vê de onde vem o arco iris.
       Ela cospe-os com tanta força que eles vão parar quase às dunas da praia, e caem uns por cima dos outros. Olham para a rainha assustados. 
        Ela está gigante, olha-os nos olhos, com os seus olhos que parecem balas de canhões, mostra uns dentarrões e grita-lhes:

- Quem são vocês, malditos?

      A voz da rainha parece um tufão. Eles nem se atrevem a falar.

- Não falam seus covardes? Não saem daqui inteiros se não falarem.

      Ela dá uma sacudidela com a enorme barbatana na areia a olhar para eles nos olhos.

- Para a próxima a barbatana cai em cima de vocês! Vamos…não tenho o dia todo. Expliquem que porcaria é aquela?

- É... óleo. - confessa um dos homens cheio de medo

- Cala-te palerma. - Grita outro homem

- Óleo… - diz a rainha como se estivesse calma, mas com vontade de os esfarrapar - Que óleo? - Grita a rainha

- Óleo… - respondem todos

- Que óleo?

- É...para… para…

- Para quê? - grita a rainha

- É que…nós… - diz outro homem

- Ai, que paciência… - resmunga a rainha e bate com a barbatana na areia - despachem-se - grita

- É que…

- Querem servir de refeição para nós, é? - pergunta a rainha zangada

- Na...na...não.

- Então?

- Nós queríamos levar as espécies tão bonitas que há aqui.

- Mas era só o que mais faltava. Levá-las para onde?

- Para… muitos sítios. Precisamos de dinheiro.

      A rainha explode, desata a bater sem dó nem piedade nos homens com as barbatanas pesadas e gigantes, e grita-lhes:

- Isto foi só uma amostra! Porcos. Vão limpar imediatamente aquela porcaria… ou querem ser almoço, jantar, pequeno almoço, lanche, almoço, jantar, ceia… para o meu povo?

- E como é que vamos limpar?

- Isso não é comigo! - grita - com a vossa língua a ver se gostam. Onde já se viu…? Levem uma garrafinha para meterem pela boca abaixo. Imbecis. Ainda não aprenderam o mal que estão a fazer, a eles próprios, e aos semelhantes! Já para não falar em nós… Vamos… - grita - souberam poluir, agora também tem de saber como tirar aquela porcaria dali, ou eu faço-vos engoli-la. Rápido… antes que eu perca a pouca paciência que me resta…nem consigo olhar para vocês. Que nojo.

      Os homens aterrorizados, recolhem a água poluída com óleo para umas garrafas limpas. A rainha assiste a tudo, e com as suas explosões de raiva, forma redemoinhos no mar para complicar o trabalho dos homens. 

     Ri-se, e quando o trabalho fica completo, ela faz um aviso:

- Ponham-se bem longe! Ai de vocês que vos veja em praias aqui das redondezas… o dinheiro vai pagar a vossa saúde? Vai…claro que sim...vão ver onde vão parar com o que andam a fazer. O que vão comer, quando no nosso e vosso planeta só houver plástico, lixo, e óleo nos mares e na terra, e não houver peixe? Vão sobreviver, a comer lixo? Vão? Vão continuar a pescar peixes bonitos para ganhar dinheiro...e vão comer o dinheiro? E o que fazem aos peixes que levam? Eles vão alimentar-se de plástico e lixo. Vai ser o que vocês vão comer…? Vocês, humanos… e nós, peixes. Pensem nisso, se a vossa ambição pelo dinheiro, pelo vender peixes raros, a poluir, vai dar-vos saúde e matar a fome. Vai? Mergulhem para ver o vosso futuro muito próximo! Desapareçam. E não quero voltar a ver-vos aqui.

        Os homens fogem o mais rápido que conseguem, sem olhar para trás, e quase sem respirar. A rainha volta para o seu reino marinho, conta aos outros o que aconteceu. Todos aplaudem a decisão e coragem da rainha, agradecem, e prometem estar atentos a todos os sinais de poluição.

                                                                          FIM
                                                                          Lálá
                                                                   (22/Maio/2019)
 

           

             

segunda-feira, 20 de maio de 2019

O sol que nasceu por trás da flor

           

            












            





foto de Lara Rocha 


            Era uma vez uma fada bebé, que foi deixada pela mãe atrás de uma flor enorme, dentro de um ovo de cristal, ainda fechado, enquanto a sua mãe foi trabalhar com as outras fadas. Ainda era cedo para a bebé nascer, acreditava a mãe, embora a pequena já fosse comprida, por isso, confiou e deixou-a debaixo da flor, um lugar seguro e quente.

- Olá, boa noite, amiga. Posso deixar a minha princesinha enquanto vou trabalhar? - pergunta a fada

- Óh, boa noite! Claro que sim, com muito gosto. - responde a flor

- Ela ainda não vai nascer já, por isso, é só para deitares uma petalazinha de vez em quando. - responde a fada muito segura

- Vai descansada, querida amiga! Sabes que comigo ela está bem entregue e bem cuidada.

- Sim, eu sei que sim.

- Ela está sossegada como a noite! Que linda. - sorri a flor

- Até daqui a pouco… - diz a fada

- Até já. Boa noite de trabalho!

- Obrigada. Isso é o que não falta.

- Felizmente!

             As duas riem.

- Claro. Mas com uma pequena… é difícil. - suspira a fada

- Pois. Mas está tudo bem! Está quase.

           A mãe sabia que a bebé estava bem entregue. A flor gostava muito de tomar conta de ovos e de bebés, por isso, tudo estava sossegado, tal como a noite, quente, cheia de estrelas e uma lua enorme, cheia, linda.
           O silêncio da noite, foi interrompido de manhã, por uma grande festa. Com o nascer do Sol, a bebé fada fica muito agitada, dá murros, pontapés e cambalhotas dentro do ovo, e este começa a estalar por todo o lado, até que parte.
          A flor, como já tinha muita experiência de vida, primeiro ficou assustada, mas logo se lembrou que tinha diante de si uma bebé fada, dentro de um ovo. Aquela agitação toda, era o nascimento da fadinha, que aconteceu ao mesmo tempo do sol a nascer.
         Tal como o sol foi crescendo e aparecendo por trás da flor, a bebé fada partia mais o ovo, e começava a ficar com o seu corpo à mostra. A flor sorria, esperava pacientemente, e olhava deliciada.

- Vamos, pequenota…- dizia a flor

         Quando o sol estava já estava completo e bem iluminado, chega a mãe fada, e apanha um grande susto.

- Parabéns, mamã… a tua pequena não quis ficar mais lá dentro. Nasceu com o nascer do Sol!

- Áh! Mas ainda faltava tanto!

- Deixa lá isso. O que interessa é que ela está aqui, linda, perfeita. Olha que maravilha!

         A mãe fada, recomposta do susto, pega carinhosamente na filha, sorri, beija-a, abraça-a, a bebé sorri.

- Óh, Fadas, todas poderosas. Muito obrigada! - Diz a mãe fada

- É maravilhosa! - suspira e sorri a flor

- Como nasceste com o sol...vou chamá-la de Sol. O que te parece, amiga?

- Óh… (sorri) perfeito! Faz todo o sentido, o nome encaixa na perfeição.

- Aceitas ser a madrinha dela? - convida a fada

- Mas, mas…eu…

- Vá lá…! É uma escolha que faço com todo o meu coração, amizade e sinceridade!

- Bem…(sorri) estou sem palavras. Se é assim… aceito!

         As duas abraçam-se a sorrir, beijam a pequena fadinha, e trocam carinhos. A bebé anda de colo em colo, todas a abraçam e fazem uma festa de boas-vindas. O ovo é guardado numa gruta onde estão muitos outros milhares de ovos, porque conforme uma lei daquele reino, guardar os ovos dava saúde, felicidade e sorte!
                                                                       
                                                                      FIM
                                                                      Lálá
                                                              (20/Maio/2019)