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quinta-feira, 19 de setembro de 2013

A TROCA



            Era uma vez uma linda fadinha, pequenina, de olhos verdes, e cabelo preto muito comprido. Viva no reino das fadas, mas saía todas as noites para a cidade, e recolhia os dentinhos que caiam aos meninos.
            Uns meninos ficam felizes e orgulhosos, outros, como a Mafalda, ficam muito tristes e assustados, quando cai o seu primeiro dentinho. 
- (a chorar) Óh mamã…o meu dentinho caiu! Ai…e agora? – Pergunta Mafalda.
- Óh filha, não faz mal, não tardará muito e aparece outro. Cai outro, e nasce outro.
- (a chorar) Mas…e agora como é que eu vou comer?
- Ora essa…vais comer como antes! Não é por te cair um dentinho que vais deixar de poder comer…tens muitos mais dentes! – Responde a mãe a rir-se.
- Óh…eu não queria que o meu dentinho tivesse caído! – Suspira Mafalda.
- Ele volta a nascer! – Diz a mãe a rir.
- Mas ficou aqui um buraco! – Diz Mafalda.
- (ri) Claro que ficou um buraco, mas vai voltar a fechar, quando o outro nascer…! Não percebo qual é a tua preocupação em ter caído o dente…! – Diz a mãe.
- Óh mamã, a ti também te caíram dentes?
- (ri) Pois caíram…com certeza! Não sou diferente dos outros…sou mais velha, mas já fui da tua idade, e também me aconteceu o mesmo! – Responde a Mãe.
- E a ti, Avó, também te caíram?
- Claro que sim…a tua mãe acabou de dizer que caem a toda a gente. Eu sou gente! – A Avó explica-lhe – Tu deves é ficar contente por te ter caído o dente…agora…mete-o debaixo da almofada, e amanhã terás uma surpresa muito boa!
- Ai é? A minha mãe nunca me falou da fada dos dentes. – Pergunta Mafalda muito surpresa.
- Sim! A fada dos dentinhos gosta de recolher os que caem.
- Porque é que ela gosta tanto de dentinhos? Faz colecção? – Pergunta Mafalda.
- (ri) Não. É porque todos os dentinhos que ela recolhe são transformados em brinquedos, roupas, sapatos, cobertores, camas, livros e muitas outras coisas, para dar aos meninos mais pobres, que mais precisam! – Explica a Avó.
- Ai é? - Pergunta Mafalda sorridente.
- É. Mas ela só recolhe os mais bonitos!
- Assim como os meus?
- Sim. Os teus, ela vai levá-los todos, se os lavares sempre bem, no fim das refeições, e se os tratares com carinho.
- Para onde vão?
- Para a fábrica do Pai Natal para ele os transformar com a ajuda dos seus duendes traquinas, mas muito dedicados e trabalhadores.
- Mas como é que sabes disso, Avó?
- Porque ela contou-me, um dia!
- Tu já viste a Fada dos dentinhos?
- Sim, algumas vezes.
- Onde?
- No meu quarto!
- Áhhh…que sorte! Como é que ela é?
- É muito bonita…tem uns longos cabelos pretos, e olhos verdes.
- Áhhh! Deve ser mesmo bonita…eu quero vê-la!
- Não sei se ela te vai aparecer! Ela geralmente só recolhe os dentes quando os meninos estão a dormir, porque ela tem sempre muito trabalho e chega tarde.
- Áh! Espero ter a sorte de a ver! Então os teus dentinhos também eram bonitos?
- Sim. Muito bonitos. E ela deixa-te uma prendinha, que fica no lugar do teu dentinho.
- Ai é? (sorri) A ti também te deixou uma prendinha?
- Sim!
- O que é que ela te deixou?
- Deixou uma boneca de pano!
- E tu tinhas-lhe pedido alguma coisa?
- Não, mas ela deixou-a lá para mim, para agradecer o meu gesto bondoso!
- Áh! Que bonito! – Sorri a Mafalda.
            E a Mafalda vai colocar o seu dentinho debaixo da almofada. Nessa noite, Mafalda adormece e sonha com a Fada. A Fada entra silenciosamente pela janela do quarto. O gatinho levanta-se muito assustado. A Fada diz-lhe para ele não miar e diz baixinho:
- Olá gatinho…xiu! Não faças barulho se não acordas a menina. Não lhe vou fazer mal, nem a ti! Sou a Fada dos dentes! Só vim buscar o dentinho…!
O gatinho respira de alívio, sorri e fica a ver a Fada, encantado! Ela pega no dentinho, devagar, e sorridente, e deixa lá uma prendinha muito especial. Ela sopra estrelas para a menina e para o gato.
- Obrigada! Boa noite! – Diz a Fada ao gato.
            E vai recolher mais dentinhos pelas outras casas, metendo-os num saquinho. De manhã bem cedo, a Fada entrega os dentinhos ao Pai Natal para ele transformar em brinquedos e noutras utilidades para os meninos pobres.
            Quando a Mafalda acorda, olha para o lado e vê que não está lá o dentinho.
- Ááááhhh…A Fada dos dentes esteve mesmo aqui no meu quarto! Óh…que chatice! Estava a dormir…não a vi! E a prenda! Ááááááhhhh… que lindo! Está embrulhada.
            Mafalda desembrulha a prenda e está lá um lindo e enorme búzio do mar, com um maravilhoso brilhante, quando ela abraça o búzio, soa uma voz doce…uma sereia que lhe diz:
- Encosta o búzio ao teu ouvido!
            Mafalda tenta ver de onde vem a voz, mas a sereia está bem escondida.
- Encosta e ouve…! – Diz a sereia.
- Ouço o quê? – Pergunta Mafalda.
- Faz silêncio e ouve o búzio!
- Ele fala?
- Fala! Ouve…
            Mafalda encosta o búzio ao ouvido e ouve o som do mar.
- Ááááhhh….parece que o mar está aqui dentro! Que lindo!
            Ela sacode o búzio, a sereia grita, e cai de lá o brilhante.
- Ai, não me sacudas. Põe-me na água, se faz favor! – Diz a sereia.
            A menina coloca o búzio num aquário pequeno onde antes vivia um peixinho, e a sereia começa a cantar; docemente e feliz. A Mafalda fica encantada a ouvi-la!
- Que linda voz! – Diz Mafalda.
- Obrigada! Cantarei muitas mais vezes para ti! – Diz a sereia.
- Como vieste aqui parar?
- Vim com a Fada dos dentes. Sou uma prenda para ti, porque o Pai Natal gosta sempre de retribuir a bondade dos meninos…e por isso…deixa sempre uma prendinha! – Explica a sereia.
- É mesmo verdade que a Fada dos dentes leva os nossos dentes para o Pai Natal, que os transforma em prendas para os meninos pobres?
- Sim! Totalmente verdade! Muitos meninos ficam muito tristes quando lhes cai um dentinho, mas deviam ficar felizes, porque com eles, muitas crianças e até adultos, que não têm nada, vão poder ter o que mais precisam!
- Eu estou muito feliz, sereia! Ontem fiquei triste, mas a minha Avó disse que a fada ia deixar lá uma prendinha. Mas o Pai Natal dá sempre o mesmo presente a todos os meninos?
- Não! Dá sempre presentes diferentes.
            E as duas têm uma longa conversa. Todos os dentinhos que lhe caíram, a Mafalda ficava muito feliz porque já sabia que ia receber a linda fada no seu quarto, uma prendinha, e principalmente porque ia ajudar muitos outros meninos da sua idade, ou maiores, a ter o que precisam, pelas mãos artísticas e cheias de bondade, do Pai Natal e companhia.
            Afinal…ela não tinha que ficar triste por lhe caírem os dentinhos, pois logo a seguir nasciam uns novos.

FIM
Lara Rocha
(19/Setembro/2013)


terça-feira, 3 de setembro de 2013

A CIDADE E A FESTA DA FOLHA


















foto de Lara Rocha 

                Era uma vez uma grande cidade, onde viviam milhares de pessoas. Todos os dias era uma grande agitação…um movimento louco de carros que passavam a alta velocidade, famílias que saiam a correr de casa com os filhos. Havia fumo e nuvens no ar, gritos dos vendedores na rua, que tentavam vender os seus produtos…roupas, bugigangas, guarda-chuvas, gorros, luvas, meias, chapéus e boinas…e frutas, legumes frescos nas bancadas dos pequenos supermercados que haviam nas ruas, buzinas de condutores desesperados nas intermináveis filas de carros que eram obrigados a parar por causa dos semáforos, aviões ruidosos e pessoas que quase chocavam umas com as outras, mal se olhavam e não sorriam…não olhavam para o que se passava à sua volta, só para o relógio, e falavam ao telemóvel a gritar nervosos. Nesta agitação toda…esquecem-se que chegou uma nova época…uma nova estação do ano…o Outono. Uma menina abre a janela, quando se prepara para ir para a escola e grita:
- Mãe…chegou…!
- Quem, filha…?
- A princesa Outono!
Áh…está bem! Deixa-a estar. (murmura a mãe) Deve ser alguma boneca de algum desenho animado…
Olha, Mãe, e veio com o vestido das folhas.
Quem?
A princesa Outono.
Sei lá quem é essa…! - resmunga a mãe 
Olha para a janela. Está aqui, mesmo diante dos nossos olhos.
Imagina o que quiseres, mas não me leves contigo para esse teu mundo de fantasia. - responde a mãe, zangada 
Óh mãe…porque é que estás a falar assim comigo?
Despacha-te…! Ainda tenho que te levar à Avó…lá podes continuar a imaginar o que quiseres. - grita a mãe 
Ai, Mãe…estás tão má.
Deixa-te de conversas, e veste-te rápido ou vai de pijama…! - grita a mãe, nervosa 
- Estás tão nervosa…!
E tu ainda me estás a irritar mais, com tanta conversa, a perder tempo a olhar para a janela, e a imaginar coisas…despacha-te…tens dois minutos. - grita a mãe quase a explodir
Eu vou a pé…! Vai…para o teu trabalho, se ele é mais importante que eu! Eu estou a mostrar-te coisas bonitas, para ires mais bem-disposta para o teu trabalho, mas tu não queres ver, só queres gritar comigo.
           A mãe não responde, mas fica pensativa, e vai arrumar o resto das coisas em silêncio. A menina veste-se e arranja-se sozinha, triste.
Tomas o pequeno-almoço na Avó, está bem?
Sim, está bem…vai lá para o teu trabalho…sempre trabalho, sempre trabalho, sempre trabalho…! Um dia destes acabo com o teu trabalho.
- Sem trabalho não te posso alimentar. - responde a mãe 
Mas não alimentas o meu coração triste. - suspira a menina 
O quê?
Sim, a Avó é que diz que o coração também precisa de ser alimentado…! Com amor, com carinho, atenção, sorrisos, abraços…e tu não me dás nada disso…! Só pensas em trabalho…
         A mãe fica sem resposta. Estaciona o carro em cima do passeio, em frente à casa da sogra, e larga a menina, chateada, sem lhe dar a mão, e sem dizer nada. Toca á campainha e aparece a Avó da menina, ainda nova.
Bom Dia…! - Cumprimenta a Avó sorridente 
Ela não tomou o pequeno-almoço…estou com muita pressa, e ela ainda se pôs a empatar-me com historinhas e invenções de princesas Outono, e vestidos não sei quê…! Ature-a…até logo. - responde a mãe, de forma seca e agressiva 
Bom Dia de trabalho… e vai com calma a conduzir. - recomenda a Avó 
Para si que não trabalha é fácil… - responde agressiva 
          A Avó não responde, e fica triste, a menina ainda mais.
Mãe… - chama a menina 
O que é que foi…? Que chata. - grita a mãe nervosa
Bom Dia…amo-te mãe…até logo. - diz a menina de forma ternurenta e sincera
        A mãe entra no carro e não lhe responde, nem olha mais para ela. A menina desata a chorar, muito desiludida e triste. A Avó também fica triste, abraça a neta, e acaricia-a.
- Óh Avó…a minha mãe não quer saber de mim…não me ama…não ouve o que eu digo…só pensa no trabalho, no trabalho…é só trabalho…! - diz a menina a chorar 
Claro que te ama, filha, mas está preocupada com outras coisas. - diz a Avó igualmente triste 
Eu pensei que era a coisa mais importante para ela…! - lamenta a menina a chorar 
Não és a coisa…és a pessoa mais importante para ela!
Não sou nada…
Olha…vamos tomar o pequeno-almoço. Aquilo passa-lhe. - Sugere a Avó 
        A menina entra muito triste, com a Avó. As duas preparam o pequeno-almoço, a menina sempre a chorar.
Sabes quem chega hoje? - pergunta a Avó 
A princesa Outono, com os seus vestidos de folhas…!
Sim, é mesmo…! - sorri a Avó 
Eu já a vi hoje, mal abri a janela. E mostrei-a à minha mãe, mas ela nem olhou…nem reparou…mandou calar-me, e arranjar-me depressa…e disse que eu estava a imaginar…aquelas coisas todas, feias…! - desabafa a menina 
Mas tu viste a princesa, e isso é o que importa. - diz a Avó a sorrir 
Sim. Óh Avó…porque é que a minha mãe é tão má?
Ela não é má…está só um bocado…cansada e nervosa…mas aquilo passa-lhe!
Não gosto nada de ver a minha mãe assim.  diz a menina 
Olha…um dia ela vai lembrar-se de ti…
Eu só queria que ela também alimentasse o meu coração, como tu, o Avô e as tias fazem…!
Sim, essa alimentação é muito importante, mas a outra…esta do pequeno-almoço e outras, são ainda mais…! E para isso, ela tem de trabalhar.
E nunca tem tempo para mim. - lamenta a menina, triste 
Vais ver que daqui a uns tempos…ela vai ter tempo para ti. Mas podes ter a certeza que ela ama-te muito. - garante a Avó 
Não acredito.
Sabes que festa vem aí?
A festa da folha! - diz a menina com um grande sorriso 
Isso mesmo. Temos de ver se o teu vestido do ano passado ainda te serve…mas quase de certeza que não…! - diz a Avó a sorrir 
Ai, Avó…tem de servir, se não…como é que eu vou à festa? - preocupada 
Óh rapariga…se não te servir, faz-se outro…qual é o problema?! - diz a avó às gargalhadas 
Mas dá tempo? - pergunta a menina, preocupada 
Claro que dá! - diz a Avó a rir 
Gosto tanto desta festa! E as tias vão? - comenta a menina a sorrir 
Vão, de certeza que sim (sorri).
Boa…! As minhas tias preferidas…Adoro-as…! - diz a menina feliz 
Sim, elas também te adoram…mas uma mais que a outra. (ri) 
Eu sei! Ela também é a minha preferida…mas não digas às outras. Olha, e vais fazer os sumos, e os bolos?
Sim, é mesmo, já me estava a esquecer…ajudas-me? - pergunta a Avó 
Claro, Avó. 
            A Avó e a neta tomam um belo pequeno-almoço, enquanto conversam sobre vários assuntos, e riem. No fim vão experimentar os vestidos e fazem uns ajustes, divertidas. A cidade é muito agitada, mas tem uma festa muito bonita, todos os anos, e muito típica: a festa da folha. Nessa festa, a cidade não dorme. Dia e noite, no fim-de-semana, há muita música por todo o lado, danças, os carros são desviados do centro, e as ruas são apenas para as pessoas, que se vestem e desfilam com lindos vestidos, saias, capas…feitos de folhas misturadas: umas são amarelas, outras vermelhas, outras castanhas, outras verdes, e outras de cores misturadas.         Além destas lindas roupas, come-se e bebe-se frutos da época…bebe-se sumo de uvas brancas, uvas pretas, uvas bordo, uvas roxas, uvas azuis escuras, que são muito deliciosas, vinho branco, vinho tinto…outras pessoas gostam de as comer a partir dos cachos enormes. Come-se romã, melancia, sumo de amoras, e de outras frutas. 
          Há sopa de cabaço, de abóbora, caldo-verde, cabrito, vitela, frango, batatas fritas, arroz de feijão, arroz de legumes, saladas frescas de pepino, alface, azeitonas, salpicão, chouriços, pão caseiro, broa. 
       Para a sobremesa, há bolos de noz, de amêndoas, de castanhas, castanhas assadas, pipocas, espigas de milho fritas, e muitas outras delícias da Terra. Mas uma festa não tem só comida e bebida…também, tem muita dança, cantares…gargalhadas, abraços, beijos…reencontros, encontros românticos, namoricos…muita brincadeira, muitas folhas que decoram os locais, pelo chão, e nas paredes, ou troncos...junto de poemas alusivos ao Outono, algumas escorregadelas, concursos, e prémios. 
       Todos festejam até amanhecer, até porque na segunda-feira não há aulas. Embora a menina já estivesse mais calma, e mais contente com a Avó…decide escrever uma carta ao presidente do trabalho da mãe. 
            Uma carta onde diz ao presidente, a sua tristeza com ele, por ter a sua mãe tanto tempo no trabalho, e estar a dar cabo dela! Falou-lhe nos gritos e nos nervos da mãe, disse-lhe que ficava muito triste, porque o seu coração não era alimentado, e ela ficava doente muitas vezes por causa disso…Disse tudo o que sentia, e convidou-o para ir à festa da folha. 
           Pediu-lhe que reduzisse as horas de trabalho, a carga de trabalho, e que até pusesse umas horas por dia, para terminar mais cedo, e poder estar com ela. Aconselhou-o a fazer o mesmo, para que os filhos dele, não passassem o sofrimento que ela estava a passar…e falou na importância que ela achava que tinham os pais para as crianças. Pediu à Avó que lesse, e que corrigisse. A Avó fica comovida com as palavras da neta.
Muito bem, filha…muito bonita! 
É o que eu sinto mesmo, Avó.
E está muito bem.
Sabes onde é o trabalho da mãe?
Sim.
Então…vamos lá deixar essa carta…! Pode ser?
Está bem…! - ri à gargalhada 
            A menina vai com a Avó ao trabalho da mãe, e entrega à secretária do chefe.
Eu quero vê-la entregar a carta, nas mãos desse vampi (interrompe) … quer dizer…desse senhor. - diz a menina 
            A secretária pega na carta da menina, muito intrigada, e leva-a com ela pela mão.
Sr. Dr.…tenho uma carta para si. - anuncia a secretária 
É você…? É médico…? - pergunta a menina 
Não…não sou médico. Não podem entrar aqui crianças…! - responde o presidente, surpreso 
Eu disse, mas… - diz a secretária 
Parece que quer ser despedida. - comenta o Presidente 
            A menina larga a mão da secretária, pega na carta, e avança em direção ao Presidente, a olhá-lo fixamente nos olhos.
Não vai ser despedida coisa nenhuma…fui eu que quis entrar, e esta carta fui eu que escrevi! É para si…seu monstro vampiresco, ladrão de mães… - diz a menina firme, e zangada 
O quê…? Sua pirralha…fora daqui já…vai para o infantário. - grita o presidente, nervoso 
Eu ando na escola primária. Eu respeito os mais velhos, mas você não merece qualquer respeito…! Olhe muito bem nos meus olhos…e leia a carta! Era só o que faltava! - responde a menina, zangada 
Achas que eu não tenho mais o que fazer…? - pergunta o presidente 
Leia a carta…e olhe bem para os meus olhos… - grita a menina, como se fosse uma mulher adulta 
Mas o que é que tem os teus olhos…? São escuros… - diz o presidente 
O senhor tem filhos…? - pergunta a menina 
Sim, tenho…
Não parece…! Então quando ler, lembre-se deles…eles também lhe dizem isso.
Mas que raio… - resmunga o presidente, nervoso 
Na minha frente…! Já…! Agora! Ou quer que o prenda na cadeira e leia eu...? - pergunta a menina, imponente 
            O Presidente olha a menina de cima a baixo…e ela está muito zangada. Ele lê a carta, em silêncio, e começa a ficar entalado…com as lágrimas nos olhos, e no fim chora mesmo. A secretária fica preocupada.
Doutor…está bem…? Precisa de alguma coisa…? - pergunta a secretária, preocupada 
Ai…isto nunca me aconteceu antes…traga-me um copo de água por favor…! - pede o presidente, a chorar 
E então…? - pergunta a menina 
Eu…não sei o que dizer…estou…sem palavras! - responde o presidente, a chorar 
Não acha que tenho razão? Eu estou a falar por todos os filhos, de quem trabalha aqui…e para si ainda mais…! - pergunta a menina 
Óh…! Esta carta…destroçou-me…! - admite o presidente, a chorar 
E como é que acha que os filhos se sentem…?
Nunca tinha pensado que seria assim…tão… - responde o presidente a chorar 
Mau…sim, é mesmo muito mau! (Ele bebe água) O que vai fazer agora…?
Eu…tenho de pensar…vá…saiam…! - recomenda o presidente 
            As duas saem, e a menina vai ter com a Avó. A Avó fica muito surpresa.
Esta menina…pôs o presidente a chorar…nunca o vi assim…e ela fez com que ele lesse a sua carta. - comenta a secretária 
(Todas riem)
Vamos ver se adiantou alguma coisa…obrigada…até á próxima. - diz a menina a sorrir 
- Até à próxima. E apareça nas festas da folha. 
          As duas voltam para casa. O Presidente ficou tão comovido e tão perturbado, com a carta da menina, que introduziu uma série de alterações nos horários, e na forma de trabalhar, que todos os funcionários, incluindo a sua mãe, nunca souberam porquê, nem como. 
Mas adoraram as mudanças, porque passaram a ter muito mais tempo para os filhos, muito mais calmos. 
       Quando a mãe percebeu as mudanças no seu trabalho, ficou muito mais calma, pediu desculpa à sua mãe e à filha, por ter ralhado tanto com elas, e pôde finalmente apreciar a festa da folha, a princesa Outono, as cores, os vestidos, brincar com a filha, dançar, ler e contar histórias, desenhar, fazer refeições juntas, passear e trocar mimos, principalmente porque o chefe da empresa da mãe nunca mais foi o mesmo. 
        Tornou-se mais compreensivo, mais carinhoso, mais delicado, também ele aproveitou muito mais tempo com os filhos, que não cabiam em si de felicidade. tal como a menina. 
Até fechou a empresa nos dois dias da festa da folha, onde todos se encontraram, brincaram, riram, dançaram, comeram, beberam, e divertiram-se. 

E vocês, meninos…também fazem a festa da folha?
Como recebem o Outono?
O que comem e o que bebem no Outono?
O que vêem no Outono?
A vossa cidade também é como esta?

FIM
Lálá

(3/Setembro/2013) 

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

O BRILHO DA ESTRELA

NARRADORA - Era uma vez uma estrela que vivia numa galáxia, que se sentia incompleta, e muito sozinha, apesar de viver com a família e ter muitos amigos. Como já estava crescida, queria encontrar alguém especial, que a completasse, e que a fizesse sentir-se especial. Já há muito tempo que ela esperava, mas não encontrava…ela não queria um qualquer igual a si…isso tinha lá, na sua galáxia, milhões deles, amigos dela, com quem ela era muito feliz, e às vezes até namorava, mas não a preenchiam, porque queriam tudo muito rápido, e ela achava que o amor não era para pressas, nem tinha prazo de começar, muito menos de acabar. Era muito romântica, e sonhadora, como as meninas da sua idade. De há uns tempos para cá, ela sentia-se estranha, sentia qualquer coisa de estranho à sua volta. Andava muito pensativa, e tinha voltado a sonhar com alguém que ela conheceu, e que amou de verdade…não era bem uma estrela, o seu verdadeiro amor…era…um homem, do planeta terra. Esse rapaz com quem ela sonhava, existia mesmo, mas ela ainda não se tinha encontrado com ele. Apenas andava a sentir a sua presença, mas não sabia que era ele, com quem sonhava todas as noites, com quem imaginava de dia e de noite, momentos românticos, com alguém que a completasse. Andava sempre atenta, a olhar para o espaço, à procura dele. Ele não aparecia. Ela esperava, esperava, esperava…suspirava, sonhava, imaginava…e nada…tudo não passava de sonhos, desejos que ela tinha, como tem qualquer outra jovem da sua idade, com um príncipe. Um dia, perdida nos seus sonhos, de olhos abertos, sentiu uma vibração estranha, e assustou-se. Estremeceu e ao seu lado estava um planeta.
PLANETA - Ei…acorda!
ESTRELA - Olá… (sorri) Desculpa…estavas aqui há muito tempo?
PLANETA - Eu estava. Tu é que não!
ESTRELA - Eu também já estou há muito.
PLANETA - A tua mente anda por aí…a vaguear, tipo alma penada…estrela sem rumo…por onde andas…?
ESTRELA - Por aqui mesmo! – Responde um pouco embasbacada.
PLANETA - Pois, claro…já percebi que não me queres contar. Está bem, não faz mal.
ESTRELA – Desculpa…mas há coisas que só a cada um de nós diz respeito.
PLANETA – Não sabia que tínhamos segredo, mas está bem…passamos a ter.
ESTRELA – É…só um sonho…mais nada.
PLANETA – Está bem…então não contes.
ESTRELA – Óh, não fiques chateado comigo.
PLANETA – Eu não estou chateado. Também não te conto os meus sonhos, pelo menos, aqueles mais… especiais.
ESTRELA (sorri) – Vês…? É isso mesmo, não te posso contar, porque é um sonho muito especial.
PLANETA – Sim, sim…e queres que ele se realize…já conheço essas coisas todas. Está bem, respeito-te! Espero, do fundo do meu núcleo que se realize. É um bom sonho, de certeza, para ficares com esse brilho! (Ela sorri embaraçada) Escusas de te denunciar tanto, eu já percebi tudo…ai, ai…!
ESTRELA – Olha…vamos mas é ter com eles…!
NARRADORA – O Planeta sorri, e os dois juntam-se aos amigos. A estrela continua a sentir uma presença…forte. Ela procura, e à noite, quando olha para a Terra murmura…
ESTRELA – Sinto que estás perto…muito perto! Não sei quem és…não conheço o teu rosto, nem sei nada de ti, mas sei que existes…e que…estás perto. Como saberei quem és, se um dia nos encontrarmos?
NARRADORA – Em baixo, no planeta terra está um rapaz jovem a olhar para as estrelas, deitado no solo num descampado.
RAPAZ – Quem me dera que aparecesses! Só te sinto…nos meus sonhos…sei que não existes…ou…talvez existas noutra cidade…não conheço o teu rosto, sei apenas o teu brilho, e sinto apenas a tua presença! Será que um dia nos vamos encontrar…? Ou…estarás entre a multidão de raparigas?
NARRADORA – A estrela fica estarrecida, e brilha intensamente, com o seu coração a bater muito depressa, a olhar para o jovem depois de o ter ouvido.
ESTRELA – És tu…? Serás…?
NARRADORA – O rapaz fixa-se na estrela, maravilhado.
RAPAZ (sorridente) – Áhhh…que linda estrela! Uau! Brilhante…
ESTRELA – Preciso de ter a certeza se és mesmo tu…!
NARRADORA – Enquanto o rapaz fica a olhar para a estrela, encantado, a estrela transforma-se numa mulher linda, e atravessa a atmosfera para a Terra, em forma de estrela cadente. O rapaz sorri e quando fecha os olhos para pedir o desejo, a estrela para em frente a ele, transparente. Ele sente a sua presença.
RAPAZ – Uau, até a pedir o desejo sinto a tua presença. Mas…que coisa estranha…Óóóhhh…acho que tudo não passa da minha imaginação…!
(A Estrela sorri, e o jovem vê um lindo brilho à sua frente, a piscar)
RAPAZ – O que é isto? Estou a delirar…?
ESTRELA – Olá…boa noite!
RAPAZ – Ai…estou mesmo a imaginar coisas…lá está a presença forte, e especial…misteriosa…outra vez…mas onde…? Eu ia pedir-te às estrelas, mas não cheguei a fazê-lo…óhhh, é mesmo só a minha vontade de te ter…mas que brilho lindo é este?
ESTRELA – Estou aqui…
RAPAZ – Espera…eu conheço este brilho…e…a presença está à minha frente…és tu…? Sim…és tu…! És tu… (ri) aparece…! És rapariga?
ESTRELA (sorri) – Sim, és tu…a presença que eu sentia…muito perto!
RAPAZ (feliz) – És tu, a rapariga dos meus sonhos…! Eu sentia esta presença…esta energia…eu não via o teu rosto, mas via este brilho…sim, és tu…és tu…! Tu existes mesmo…!
ESTRELA (sorridente) – Sim, és tu…! Sim, sou eu! Mas sou uma estrela.
RAPAZ – Uma estrela…?
ESTRELA – Sim, era por isso que não vias o meu rosto, e eu não via o teu, mas sentia a tua presença!
RAPAZ – Tu…também sonhaste comigo?
ESTRELA (sorri) – Sim, muitas vezes…mas não te via…assim, como és!
RAPAZ – Óh…não posso acreditar…! Eu só me apaixono por pessoas impossíveis…! Até nos sonhos, e dos sonhos para a realidade…são amores impossíveis…!
ESTRELA – Porquê?
RAPAZ – Porque…eu sou homem, e tu…não existes…quer dizer…existes…em forma de…presença…de luz…!
ESTRELA – Estás a dizer que eu não existo…? Existo, sim…tu viste-me, e tu sentiste-me…tu vês-me, e eu vejo-te…!
RAPAZ – Mas…um homem não pode namorar com uma estrela.
ESTRELA – Ei, que pressa…sentimos a presença um do outro, sonhamos um com o outro, mas não quer dizer que seja para sermos o que chamas de namorados…! A nossa energia cruzou-se, gostamos um do outro, mas só porque nos encontramos, não quer dizer necessariamente que sejamos já namorados…!
RAPAZ – Como assim?
ESTRELA – Então…eu sou estrela, não sou mulher…o amor não nasce assim de um segundo para o outro…de um encontro de energias…! O amor não tem data para começar nem para acabar… começa naturalmente, e não acaba…aliás…foi o que aconteceu comigo e contigo…num tempo indeterminado…apaixonamo-nos, amamo-nos…desaparecemos, mas a energia do nosso amor, não desapareceu! Voltou a encontrar-se…! Vamos deixá-la livre, por favor…como foi o nosso amor…! Assim seremos mais felizes.
RAPAZ – Como é que sabes isso?
ESTRELA – Não sei explicar! Apenas…sinto que foi isso que aconteceu.
RAPAZ – Mas isso não faz sentido nenhum.
ESTRELA – Então como é que tu sonhaste comigo, e não me vias, mas identificaste-me pelo meu brilho, disseste que conhecias o meu brilho, e que era eu…sim, sou eu, aquela com quem sonhaste sem ver o rosto, mas viste e sentiste a minha presença e a minha luz.
RAPAZ – Que mistério…mas assim, eu nunca vou ser feliz no amor…não me correspondes…
ESTRELA – Só queres o amor carnal…! Enquanto quiseres apenas o amor carnal…o desejo…o sentir a pele…não nos encontraremos mais, e é claro que não serás feliz.
RAPAZ – Porquê?
ESTRELA – Porque o amor é luz, é energia, não é só carne, como toda a gente pensa…! Claro que o carinho faz parte, e o contacto físico, mas não é por si só, o amor…! O amor que procuras existe, tens de o conquistar sem pressa. Sem ansiedade…!
RAPAZ – O quê?
ESTRELA – Sim, foi isso mesmo que ouviste…enquanto não te entregares à minha luz, à minha presença, e enquanto tiveres pressa no prazer, na carne…no desejo ardente…não apareço em forma de gente.
RAPAZ – Mas…
ESTRELA – Sim, vou aparecer em forma de gente, mas não é já…
RAPAZ (impaciente) – Mas o que é que eu tenho de fazer…?
ESTRELA – Tens de me conquistar sem pressa…! Tens de me descobrir aos bocadinhos…! Saborear a minha alma…
RAPAZ – Isso não é justo! Andei tanto tempo a desejar conhecer-te, à tua procura…agora…quase te encontro…ou…acho que te encontrei…e tu, já estás a fugir…?
ESTRELA – Eu não estou a fugir…só estou a ajudar-te…!
RAPAZ – Não acredito!
ESTRELA – Se acreditas neste amor…luta por ele…conquista com calma, sem pressa…com delicadeza…explora aos bocadinhos…sente a minha luz, a minha presença…conquista-me…entrega-te…mas é o amor que tens de conquistar…a minha energia… a minha luz…!
RAPAZ – Não sei se vou aguentar…
ESTRELA – Claro que vais…! Eu acredito que sim.
RAPAZ – Estou farto de esperar…! É só esperar, esperar, esperar…
ESTRELA – Vais desistir?
RAPAZ – Acho que sim.
ESTRELA – A escolha é tua…é pena que assim seja, mas se é isso que queres, não posso fazer nada. Quando quiseres, ou se mudares de ideias…basta olhares para lá para cima…
RAPAZ – Mas…espera…
ESTRELA – Sim…?
RAPAZ – Eu…preciso de pensar um bocadinho.
ESTRELA – Faz o que quiseres…! Até breve…!
NARRADORA – A estrela volta triste para a Galáxia, e o rapaz não prega olho nessa noite, a pensar e a olhar para a estrela. Na noite seguinte, e depois de andar todo o dia pela cidade, o rapaz decidiu-se…
RAPAZ – Estrela…vou lutar por ti…vou conquistar a tua luz…ou…o teu amor…como lhe quiseres chamar!
NARRADORA – A estrela desce, feliz, e vai ter com o rapaz, sorridente, brilhante.
ESTRELA (sorridente) – Podes repetir o que disseste…?
(O rapaz pega na mão da estrela, e diz, a olhá-la nos olhos)
RAPAZ – Eu vou lutar pelo teu amor, conquistar a tua luz…
ESTRELA (sorri) – Sem tempo…?
RAPAZ – Sem tempo! Vou deixar que as coisas aconteçam, quando tiverem de acontecer…!
ESTRELA (sorri) – Muito bem! Não imaginas como fico feliz!
RAPAZ (sorri) – Dá para ver pelo teu brilho…mais intenso…e…sinto!
ESTRELA (sorri) – Boa! Também sentirás a minha luz…para me conquistar.
RAPAZ (sorri) – Acredita que sim!
NARRADORA – Nessa noite, os dois tem uma longa e agradável conversa. Desde esse dia, o rapaz torna-se um verdadeiro cavalheiro, muito romântico, sensível, paciente, meigo, educado…oferece pequenas lembranças à estrela…dão longos passeios, e têm longas conversas, riem muito juntos, brincam…ao fim de algum tempo, tornam-se verdadeiros amigos, a estrela aparece em forma de rapariga, que deixa o rapaz completamente apaixonado, e encantado, mas não força nada, nem pressiona, nem obriga a nada…e trocam carinhos… adoram estar juntos, e ao fim de bastante tempo, nasce a paixão, namoro, que rapidamente se transforma em amor. Ambos sentem isso…um no outro, e um pelo outro. A estrela corresponde ao seu amor, e decide viver o seu amor com o rapaz, deixando o espaço, mas os dois vão lá muitas vezes, pois o rapaz também ganha poderes. Numa noite de Lua Cheia, os dois olham para o outro, no local onde se encontraram a primeira vez.
ESTRELA – Estou muito orgulhosa de ti.
RAPAZ (sorri) – Eu, nunca pensei que seria capaz de esperar…mas o meu amor era mais forte que a impaciência, e que a vontade carnal.
ESTRELA (sorri) – Sim, soubeste esperar, e conquistaste-me devagarinho…! Conquistaste o meu amor…a minha luz…
RAPAZ (sorridente) – E tu, conquistaste a minha luz…!
ESTRELA (sorridente) – As nossas luzes…foram mais fortes, encontraram-se, e encantaram-se…!
RAPAZ (sorridente) – Sim, é verdade…Foi difícil…mas valeu a pena, porque estou muito feliz contigo…
ESTRELA (sorridente) – Eu também!
RAPAZ (sorridente) – O amor…faz mesmo milagres! Eu transformei-me numa pessoa muito melhor do que era, depois de te ter conhecido.
ESTRELA (sorri) – A sério…?
RAPAZ (sorridente) – Sim.
ESTRELA (sorridente) – Isso foi porque absorveste a minha luz…conquistaste-a…e deixaste-te conquistar por ela, não tiveste pressa…!
RAPAZ (sorri) – Sim, é verdade! És a minha luz…!
ESTRELA (sorridente) – Tu também és a minha luz.
(Uma voz do céu)
LUA (sorridente, e maravilhada, sorri) – Ai, que lindo…quem me dera ver todos os casais assim…! Com um amor tão sincero entre eles…As vossas luzes encontraram-se, viram-se, e fundiram-se, criando uma só luz! Tão linda como a nossa via láctea…o vosso brilho mostra o vosso amor.
OS DOIS (sorriem) – Madrinha…!
LUA (feliz) – Sim, sou uma madrinha orgulhosa…olhem que estou de olho…!
NARRADORA – E os dois falam alegremente com a Lua que foi a madrinha deles. O amor é mesmo isso…é saber esperar, ser paciente, conquistar sem pressa…respeitar, rir, trocar carinhos, oferecer pequenos carinhos, demonstrar esse amor…ver a luz um do outro, e fundir-se nela.  

FIM
Lálá
(29/Agosto/2013)