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sexta-feira, 22 de junho de 2012

De onde vem as músicas (peça de teatro infantil, para todas as idades)

De onde vem as músicas?


VOZ - Era uma vez uma linda borboleta, muito atraente, doce, simpática, que vivia num jardim de uma grande casa. Essa casa ficava situada na aldeia, onde vivia D. Fernanda, uma senhora de meia-idade, divorciada, com os seus animais. 
        Durante a semana, a senhora estava sozinha, sem os filhos e netos, pois estes viviam nos arredores, embora a fossem visitar muitas vezes, e ao fim-de-semana juntavam-se todos. 
    Apesar disto, nunca se sentia sozinha, porque tinha sempre saídas com amigas e coisas imensas para fazer fora de casa. Era uma senhora que vivia feliz.
      Recentemente, a Dona Fernanda andava a ouvir umas músicas suaves, lindas, melódicas, e de embalar, que a relaxavam muito, e até a faziam sonhar. 
     Embora gostasse muito das músicas, não sabia de onde vinha…o som era de muito perto, mas quando ia à janela nunca via nada. E era estranho porque os animais também mostravam agrado pelas músicas, e não ficavam agitados.

         Dona Fernanda começou a ficar seriamente preocupada consigo mesma…vai á janela quando ouve a música, e pensa alto:

DONA FERNANDA - Será que estou a ouvir coisas…? Não sei…talvez seja eu a imaginar por estar sozinha. (p.c) Mas que disparate, estou para aqui a dizer…?! Eu não estou sozinha…os bichinhos estão comigo, tenho os meus filhos…as minhas amigas…e os meus vizinhos…! (p.c) Mas será que estou a ficar louca? E…a ouvir coisas? (p.c) É que…se os animais ouvissem a música davam logo sinal, e logo eles que são tão sensíveis, e que ouvem tudo…estão tão calmos! E eu a ouvir a música. (p.c) Acho que vou ter que ir ao neurologista…devo estar com algum problema. (p.c) Que música tão bonita! (p.c) De onde virá? (p.c) Parece-me tão perto…mas ainda ninguém comentou comigo sobre música…será que só eu é que a oiço? (p.c) Isto é um meio pequeno, se ouvissem eu já sabia! (p.c) Quem tocará assim tão bem?! (p.c) Não vejo ninguém. Está tudo tranquilo! (p.c) Pensando bem…acho que não vou ao neurologista…pode dar-me alguma coisa para eu deixar de ouvir o que não existe…e se deixo de ouvir estas músicas tão bonitas, e passo a ouvir coisas piores?! (p.c) Não…! (p.c) Já me bastou ouvir coisas horríveis daquele monstro…! (p.c) Eu quero continuar a ouvir estas músicas, nem que pareça que estou a ficar louca! (p.c) Só irei se sentir outras coisas estranhas, e a ouvir coisas feias. (p.c) Ai, mas é muito assustador, ouvir a música e não saber de onde ela vem. (p.c) E também estou preocupada por ouvir música, e os animais não reagirem…se calhar não ouvem…mas é muito estranho! (p.c) Já revirei a casa toda a ver se será de algum brinquedo das minhas netas mas não… (p.c) nenhum dos bonecos e brinquedos que deixam aqui tem músicas. (p.c) É melhor nem dizer aos meus filhos e amigas que oiço as músicas, se não, vão achar que estou pirada da cabeça e mandam-me para a casa de saúde…ou que me estou a deixar influenciar pelas minhas netas…! (p.c) Ai, que aflição…querer partilhar esta dúvida, e não ter com quem…sim, quer dizer, eu tenho com quem partilhar…poderei contar às minhas netas, ou aos meus filhos e amigas, mas tenho a certeza que ninguém vai acreditar, e ainda me irão julgar mal! (p.c) As minhas netas, como são crianças, até poderão acreditar, mas…não…acho que não vou contar… (p.c) Ai…só que eu tenho que saber se estou com algum problema na cabeça, ou se existem mesmo estas músicas e outras pessoas as ouvem! (p.c) Ai…mas não posso contar…não…não…! Só se…abordar o assunto, como quem não quer a coisa…e averiguar se mais alguém ouve! (p.c) Óóóhhhh…! Alguém me ajude…! (p.c) É melhor não pensar muito nisto. Vou às compras e depois logo se vê.

Dona Fernanda pega na carteira, ajeita o cabelo, espreita os animais e diz-lhes:

DONA FERNANDA – Até já meus amores. (Eles ladram e miam de volta da dona, ela acaricia-os) Não demoro nada! Tomem conta da casa! Lindos…!

VOZ – Os animais acompanham-na até à porta, e voltam para o jardim. Eles também ouvem as músicas e é por isso que ficam calmos e não reagem. Mas também eles não sabem de onde vem a música. Nesse dia, a gata Mirró tem uma suspeita, e está decidida a encontrar a origem da música. Olha em volta para ver de onde lhe parece vir o som e fica a ouvir atentamente. A gata Lua interrompe a concentração da amiga e pergunta:

LUA – Ei, amiga…tudo bem?

         (Mirró abre os olhos lentamente e chateada responde)

MIRRÓ – Xiu…! Cala-te!

LUA (surpresa) – Ai, desculpa! Estavas a descansar?

MIRRÓ – Não. Estava a concentrar-me. Cala-te por favor. Não me interrompas outra vez!

LUA – Mas, estás a concentrar-te para quê?

MIRRÓ – Outra vez…? (p.c) Pára de me fazeres perguntas, e deixa-me concentrar, ok?

LUA – Mas…vais à caça é?

MIRRÓ – Sim, vou à caça.

LUA – E não me levas contigo?

MIRRÓ – Não.

LUA – Que grande amiga!

MIRRÓ – Olha, eu gosto muito de ti, e sou tua amiga, mas isto tenho de fazer sozinha, entendes?

LUA – Óóóhhhh…! (fica triste)

MIRRÓ – Agora está calada! Preciso de me concentrar…por favor! (p.c) Depois explico-te.

LUA – Está bem, desculpa.

VOZ – A Gata Mirró volta a fechar os olhos, inspira e expira, e espeta as orelhas, gira a cabeça de um lado para o outro. A música continua a tocar. Mirró dá uns passinhos a cheirar de olhos fechados, e segue o som, abre os olhos e sem saber bem como foi ter às flores.

MIRRÓ – Ááááááhhhh…a música vem daqui! Mas…não sinto cheiro algum. Humm…!

(Pergunta à sua amiga Lua e aos seus amigos Xuxu e Pipinho):

MIRRÓ – Lua…anda cá, se faz favor.

(Lua vai ter com ela, ainda um pouco triste)

LUA – Boa! Já me vais dizer o que estavas a fazer de tão misterioso e tão importante, que até me mandaste calar?

MIRRÓ – Sim! (p.c) Já vais perceber como o assunto é sério! (p.c) Tu estás a ouvir esta música não estás?

LUA – Qual música…? Não estou na tua cabeça para saber que música estás a ouvir.

MIRRÓ – Estás a ouvir uma música ou não ouves?

LUA – Sim, oiço uma música, bem bonita por sinal. Mas não sei de onde vem! Agora…parece-me aqui nas flores. Só que…não vejo nada que dê música, como um rádio, ou um brinquedo das meninas…!

MIRRÓ – Pois, também estou a ouvir uma música! E vem daqui das flores, mas não há cheiro algum! Nem a humano, nem nada.

LUA – Não me parece que sejam as flores a tocar! Acho eu!

MIRRÓ – Claro que não. Isso podia acontecer na imaginação das meninas. (p.c) Será que a nossa dona também ouve esta música?

LUA – Eu tenho a sensação que sim.

MIRRÓ – E eles? Também ouvem?

LUA – Acho que sim…óh amigos Xuxu e Pipinho…estão a ouvir alguma coisa?
(Os cães respondem em coro, e as gatas também em coro):

CÃES – Sim, música.

GATASNós também.

XUXU – Eu já ando a ouvir músicas há uns dias, mas não dizia nada, porque achava que talvez mais ninguém ouvisse! (p.c) Só não sei de onde vem!

PIPINHO – Talvez seja de algum brinquedo das meninas.

XUXU – Eu também já me lembrei disso! Mas fui procurar por aí e não vi brinquedo nenhum…só que as músicas continuam a tocar…e sempre diferentes.

PIPINHO – Eu também já procurei e não vi nada…e não pode ser de um brinquedo, porque são músicas diferentes.

XUXU – As meninas têm um brinquedo que dá músicas diferentes, mas tenho a certeza que não são estas que oiço.

TODOS – Pois é!

PIPINHO – Esperem aí…pode vir de uma casa aqui do lado…! Algum brinquedo, ou algum humano que toca instrumentos.

LUA – Se é um humano…toca tão bem…! Faz-me sonhar! São sempre melodias tão suaves!

MIRRÓ – Essa era a minha ideia inicial, mas se fosse de um humano, mesmo que estivesse noutra casa aqui nas redondezas…sentíamos…cheiro…certo? E não sentimos cheiro algum.

TODOS – Pois…! Bem lembrado!

MIRRÓ – O som vem daqui…das flores! Ora…cheguem aqui mais perto!

(Os dois cães e as gatas reúnem-se à volta das flores, de onde ouvem as músicas).

PIPINHO – Isto é muito estranho!

VOZ – De repente a música para. Os bichos ficam quietos e em silêncio, de olhos muito abertos. Eles ainda não sabem, mas vive no seu jardim, dentro de uma linda flor fechada, uma borboleta maravilhosa, cheia de cores, e é ela que toca as músicas deliciosas que todos ouvem. A borboleta é um pouco tímida, e não sabe que os bichos da casa estão de volta dela. Eles veem uma flor fechada a abrir uma pétala, e em silêncio ficam na expectativa a olhar para ver o que vai acontecer. A borboleta sai da flor e os animais nem querem acreditar no que veem…estão tão encantados que parece que ficaram hipnotizados. Nunca tinham visto uma borboleta assim, nem por ali, nem por outros sítios onde andaram. A borboleta assusta-se e fica tão envergonhada por estarem todos a olhar para ela que volta para a flor. As gatas e os cães seguem-lhe os movimentos todos, e quando ela fecha a flor, eles olham-se pasmados.

MIRRÓ – Óóóhhhh…uma visita!  

LUA – Uma vizinha nova…! Humm…

XUXU – Pelos vistos veio para aqui viver!

PIPINHO – Como é que ela veio aqui parar?

MIRRÓ – Eu não dei por nada!

TODOS – Nem eu!

LUA – Pode ter sido num momento em que estávamos distraídos ou a dormir.  

XUXU – Eu não sei se a nossa dona vai gostar.

MIRRÓ – Eu tenho a certeza que vai gostar.

LUA – Viram aquilo…? É tão bonita!

TODOS – Sim.

MIRRÓ – Mas eu acho que a assustamos!

LUA – Pois…ela entrou tão rápido na flor…!

XUXU – Mas espera aí…nós estávamos à procura das músicas, não era de uma borboleta…ou será que…

PIPINHO – Espera…não estás a querer dizer que…é dela que vem as músicas…?!

XUXU – E porque não?!

LUA – Sim, pode ser…um rádio que ela tenha.

MIRRÓ – Ela será surda…?

TODOS – O quê?

MIRRÓ – Sim, se ela tem a música naquelas alturas…que toda a gente ouve, fora da flor…deve ser muito surda.

(todos riem)

LUA – Vamos ver se ela sai outra vez…pode ter ido buscar qualquer coisa que se esqueceu…!

(Entretanto, a borboleta ainda assustada, e envergonhada dentro da flor murmura a olhar pelas frinchas das pétalas):

BORBOLETA – Mas…que susto! (p.c) Eu não acredito que tenho animais como vizinhos…como é que eu não reparei…?! (p.c) ainda por cima cães…e gatos…! (p.c) Mas que pouca sorte a minha! (p.c) Como é que eu vou sair agora…com aqueles todos a olhar para mim…? (p.c) Ai…raios…! (p.c) Alguém me ajuda!

(Aparece uma fada, amiga da Borboleta)

FADA – Então, borboleta…chamaste-me?

BORBOLETA – Óh, sim querida amiga! (p.c) Que bom que apareceste!

FADA – Já sabes que estou sempre presente! Sou tua amiga! (p.c) Mas…estás tão nervosa…o que aconteceu?

BORBOLETA – Ai, senta-te! (p.c) Queres tomar alguma coisa ou comer?

FADA – Não, obrigada! (p.c) Mas conta então o que aconteceu?

BORBOLETA – Olha…como tu sabes, eu instalei-me aqui…porque gostei muito deste sítio (p.c) Estou aqui há poucos dias, e toco muitas vezes as músicas para ensaiar para os meus espetáculos. (p.c) Nas minhas, muitas…saídas, eu estava à vontade! Não havia no jardim ninguém para me ver sair…mas hoje…há bocadinho…ia sair e estava um ramalhete de olhos espetados em mim…e bocarras enormes abertas viradas para mim (p.c) Fiquei muito assustada

FADA (ri) – Eles não te iam fazer mal, tenho a certeza! Só ficaram curiosos para saber quem és! (p.c) É normal, nunca te viram por aqui! (p.c) iam dar-te as boas-vindas…não precisavas de ter fugido!

BORBOLETA – Tu sabes…eu não gosto de ser vista.

FADA – Mas nos teus espetáculos és vista por milhares de animais! (p.c) Eles ouvem as tuas músicas, e vêem-te.

BORBOLETA – Mas nos espetáculos é diferente, estou mascarada…estou concentrada nas minhas músicas e nos meus instrumentos…quase nem vejo a plateia! E amo o que faço, estou segura de mim…! Esqueço tudo o resto. (p.c) Mas no dia-a-dia não sou assim…gosto de sair à vontade, de passear…claro que há sempre alguém que repara em mim, e pedem-me autógrafos…mas gosto mais de estar sossegada.

FADA – Claro que toda a gente repara em ti…é impossível não reparem em ti…tão bonita, com essas cores todas! (p.c) É bom que conheças os teus vizinhos, pelo menos cumprimenta-os. É que ainda podes precisar deles alguma vez…em algum dia, para te ajudarem! (p.c) Se não falares com eles, nunca te irão ajudar.

BORBOLETA – Mas eles têm um ar tão assustador!

FADA – É só aparência, tenho a certeza! E já não são assim uns seres tão estranhos para ti, pois não? Já lidaste muito com cães e gatos…qual é o problema?! (p.c) Não tens amigos, e admiradores cães e gatos?

BORBOLETA – Tenho, claro. E gosto deles.

FADA – Então porque é que agora estás a avaliá-los sem falares com eles…só porque têm aquele aspeto…?! (p.c) É o aspeto deles…não podemos ser todos lindíssimos como tu, ou como eu…mas por terem garras grandes, pelos e dentes grandes, não quer dizer que não tenham coração…certo?! E tu sabes que estou a dizer a verdade!

BORBOLETA – Sim, eu sei…tenho amigos com ar ameaçador, mas são bons. Mas eles olharam para mim de uma maneira…assustadora! Com um ar muito estranho…uns olhos…

FADA – Mas o que é que tem os olhos deles…? São os olhos deles…como os nossos…uns azuis, outros verdes, outros castanhos…têm a cor que têm…! Eu até acho os olhos deles bem bonitos e meigos.

BORBOLETA – Meigos…?! Estes…? Duvido!

FADA – Claro que são. Despacha-te…sai da tua bela casinha e vai conhecer os teus novos vizinhos…! XÔÔÔÔÔ…fora da toca…! Não te deixes levar pelo ar deles.

BORBOLETA – Está bem, eu vou…mas por favor…fica por perto, para já está bem?

FADA (ri) – Está bem…vai…!

(As duas riem).

VOZ  – A borboleta sai devagar e a fada fica a ver. Os cães e as gatas olham-na e dizem em coro.

CÃES E GATAS – Bom dia!

VOZ – A borboleta fica gelada, estremece, mas disfarça o nervosismo. Sorri e falam uns com os outros:

BORBOLETA (sorri) – Bom dia!

LUA – És nova aqui não és?

BORBOLETA (sorri) – Sim, cheguei há muito poucos dias, e vocês…? Já estão aqui há muito tempo?

TODOS – Sim.

MIRRÓ – Há mesmo muito tempo.

XUXU – Como é que vieste aqui parar?

BORBOLETA – Vim…a voar…!

TODOS – Claro…(riem)

PIPINHO – O que queremos saber é…como descobriste esta casa?

BORBOLETA – Olha…estava a voar, e adoro jardins…vi muitos deliciosos, e lindos…mas este…não sei explicar como…foi onde me senti melhor!

LUA (sorri) – Sentiste a nossa energia não foi?

BORBOLETA – Sim! Acho que foi isso.

MIRRÓ – E vives nesta flor?

BORBOLETA – Sim!

TODOS – Porquê?

BORBOLETA – Porque experimentei várias, mas foi nesta que me senti melhor…mais aconchegante. E vocês onde vivem?

TODOS – Aqui.

BORBOLETA – Mas não têm uma casa para cada um?

TODOS – Não.

LUA – Dormimos todos onde calha…quando está frio ou a chover, abrigamo-nos todos no abrigo…ali…!

MIRRÓ – E de vez em quando, temos a sorte de dormir ali na sala…com a nossa dona.

BORBOLETA (sorri) – A vossa dona é simpática?

TODOS – Sim!

PIPINHO – Muito boa senhora…trata-nos como membros da sua família.

XUXU – Sim, o seu marido foi-se embora de casa.

BORBOLETA – A sério…? Mas porquê?

LUA – Era um verdadeiro monstro…chegamos a atacá-lo várias vezes, porque ele batia na nossa dona, insultava-a, magoava-a…e a nós também tentou magoar-nos, mas não permitimos.

BORBOLETA – Mas isso é horrível. Ainda bem que vocês estavam presentes e que esse anormal saiu.

XUXU – E os teus pais?

BORBOLETA – Ficaram na floresta!

PIPINHO – Mas…porque é que não vieram viver contigo para aqui?

BORBOLETA – Porque eu toco muitos instrumentos musicais, e os meus pais não têm obrigação de aguentar o barulho dos meus ensaios…!

(Os animais perguntam em coro):

TODOS – Tocas instrumentos?

BORBOLETA – Sim. Muitos. Querem ver?

(Ela abre uma pétala e mostra vários instrumentos musicais diferentes. Ficam todos boquiabertos).

TODOS – Uaaaaaauuuu…!

LUA – Tu tocas isto tudo?

BORBOLETA – Sim. Umas vezes em separado…um de cada vez, outras vezes uso mais que um ao mesmo tempo.

MIRRÓ – Então…as músicas que ouvimos…vêm daqui?

BORBOLETA – Vocês…ouvem músicas?

TODOS – Sim.

LUA – Já há vários dias que ouvimos muitas músicas, lindas…mas não víamos ninguém, nem sabíamos de onde vinham.

BORBOLETA – Então…devem ser mesmo as minhas…! Mas…faço muito barulho?

TODOS – Não.

XUXU – As tuas músicas são uma doçura!

BORBOLETA (sorri) – Obrigada.

MIRRÓ – Olha, podes tocar para nós…um instrumento de cada vez?

BORBOLETA – Claro que sim…com todo o gosto. Querem ver as diferenças?!

TODOS (sorriem) – Sim.

VOZ - Sentam-se todos, e ouvem atentamente a borboleta a tocar um instrumento de cada vez…deliciados…sorridentes…embalados…batem palmas, no fim de cada demonstração. A borboleta sorri e explica.

LUA (sorridente) – Que instrumentos tão lindos! (p.c) Nós chegamos a pensar que as músicas seriam de algum brinquedo das meninas, mas não víamos brinquedo nenhum.

MIRRÓ (sorridente) – Estes instrumentos são muito mais bonitos, e fazem uma música muito mais bonita do que os brinquedos das meninas todos juntos.

TODOS (sorriem) – Sim, é verdade!

PIPINHO – Olha…não querendo abusar de ti…podes tocar uma das músicas para nós?

BORBOLETA (sorri) – Sim, claro…! Com todo o gosto! E querem com um só instrumento, ou com vários…?

TODOS – Com vários.

LUA (sorri) – Se não te importares, claro!

BORBOLETA (sorridente) – Claro que não me importo!

VOZ – E a simpática e linda borboleta toca uma deliciosa música com vários instrumentos. Todos ficam encantados, sorridentes, e batem palmas.

TODOS (sorridentes) – Óóóhhhh…que linda música…!

LUA (sorri) – Até arrepia…fiquei comovida!

BORBOLETA (sorri) – Muito obrigada.

VOZ – Chega a Dona Fernanda, e vê os bichinhos todos reunidos de volta da flor, divertidíssimos, e ouve uma das músicas. Chega mais perto, e muito surpresa vê a borboleta e pergunta-lhe:

DONA FERNANDA – Mas, mas…o que é que se passa aqui? (p.c) Que linda borboleta! (p.c) Nunca vi igual…

BORBOLETA (sorri) – Bom Dia…a Sra. Deve ser a dona da casa, não?

DONA FERNANDA – Sim…!

BORBOLETA (sorri) – Desculpe eu ter invadido o seu jardim…mas gostei muito dele. Aqui senti-me muito bem, e posso ensaiar à vontade. Não se importa que fique?

DONA FERNANDA – Ensaiar…?

BORBOLETA – Sim…eu toco música.

DONA FERNANDA – Tocas músicas...?! (ri-se)

VOZ - Os bichos reagem, como que a confirmar, e a borboleta toca uma música. A Dona Fernanda nem quer acreditar! A música que acaba de ouvir era uma que já tinha ouvido, e não sabia de onde vinha. Dona Fernanda ouve deliciada e embalada, sorridente. Bate palmas no fim, completamente seduzida e rendida aos encantos da borboleta e da sua música.

DONA FERNANDA (sorri) – Então as músicas vinham daqui! (p.c) Que maravilha! (p.c) Fartei-me de procurar de onde vinham as músicas…e até pensei que estaria a ficar louca…a ouvir coisas…ou que seria um brinquedo das minhas netas…e afinal…eras tu…uma obra perfeita da Natureza! (p.c) É incrível…tão bonito e tão bom ouvir-te! (p.c) Fica à vontade…o jardim é todo teu.

BORBOLETA (sorri) – Obrigada. Espero não a incomodar.

DONA FERNANDA – Não incomodas nada…! Vou mostrar-te às minhas netas. Elas vão adorar.

VOZ – Todos estão felizes. A Borboleta, os cães, as gatas e a Dona Fernanda tornam-se grandes amigos. A borboleta continua a ensaiar e a dar espetáculos, a tocar e a brincar com os novos amigos e como prometido, a Dona Fernanda chama as netas e apresenta-as à borboleta. As netas ficam maravilhadas, e também passam a brincar com a borboleta. E afinal…as lindas músicas que se ouviam, vinham de uma linda e mágica borboleta que tocava música, naquele jardim.

(Aparecem no final, todas as personagens a dançar alegremente umas com as outras ao som de uma música da borboleta que toca).

FIM!!

Lara Rocha 
(15/JUNHO/2012)






 


        
        

sexta-feira, 9 de março de 2012

A menina dos cabelos musicais


Era uma vez, uma Vila da Cidade Paraladoespelho, que talvez já tenham ouvido falar noutras alturas…onde vive uma menina chamada Diana.
Aparentemente, é igual a muitas outras meninas: muito bonita, simpática, brincalhona, pequenina, sonhadora…mas com uma diferença: tinhas uns lindos cabelos que davam música!
Sim, é isso mesmo! Sempre que ela mexia os seus longos cabelos ondulados e loiros, e por onde ela passava…aconteciam coisas maravilhosas!
Mas…nem toda a gente conseguia ouvir a sua música…algumas, apenas sentiam os seus efeitos!
Não acreditam? Perguntem à Mamã que vão ver a seguir…!
Uma linda rapariga, muito nova, acabou de ter um bebé, quer dizer…não foi neste minuto que ela teve o bebé…foi há muito poucos dias…saiu do hospital, e como acontece nas Vilas, toda a gente se conhece e há amizade entre as pessoas.
A mãe desta menina mágica, que se chama Natacha, comprou umas prendinhas, e fez umas roupinhas lindíssimas para um bebé chamado Dioguinho que é filho da sua vizinha, Lúcia.
Diana sabe que vai visitá-lo e está em pulgas. A mãe pergunta:
– Diana…estás pronta?
        A Diana responde contente, a sorrir:
– Sim, Mamã!
        Natacha responde:
– Vamos então!
Diana dá a mão á mãe e vai a saltitar, feliz.
Pelo caminho está um casal de namorados e discutir, a Natacha acelera o passo porque não quer que a filha oiça.
Diana pede à mãe que espere um bocadinho:
– Espera, Mamã…porque é que eles estão zangados?
        Natacha responde para despachar:  
– Não sei, nem quero saber! É problemas deles…vamos embora.
Diana não fica satisfeita e com um grande à vontade pergunta-lhes directamente:
– Óh totós…porque é que estão a discutir?!
        O rapaz responde chateado:
– Olha a pirralha!
        Natacha resmunga:
– Vê lá como falas com a minha filha…se estás de trombas, ela não tem nada a ver com isso!
Diana mexe nos cabelos e diz:  
– Vocês não são namorados?
        Os dois respondem em coro:
– Sim…
Diana mexe outra vez nos cabelos e comenta:
– Não parece nada! (p.c) E amam-se?
        O rapaz goza de fininho:
– Olha-me esta…parece um padre…
        A rapariga sorri deliciada e diz:
– Tão linda!
        Mas respondem em coro:
– Sim. Amamo-nos!
Diana mexe outra vez nos cabelos e volta a dar a sua opinião:
– Não parece nada!
        O casal pergunta em coro:
– Porquê?
Diana mexe nos cabelos e explica:
– Porque estão a discutir um com o outro…se se amassem não estavam a discutir um com o outro.
A mãe ri e murmura:
– (a rir) Santa inocência.
        O rapaz não acha piada e resmunga com a pequena:
– Cala – te pimpolha…não percebes nada.
        Natacha ri-se e diz:
– Olha, falou o roto do esfarrapado! (ri-se)
        A rapariga explica:
– Por estarmos mais zangados um com o outro, não quer dizer que não nos amemos!
        Diana mexe nos cabelos e diz:
– Nunca outra vi…! A mim os meus Avós sempre me disseram que quando se ama alguém não se trata mal…
        O rapaz responde:
– Eu não estou a tratar mal ninguém!
        A rapariga acrescenta:
– A verdade é que também não me estás a tratar bem. Mas ele só está a falar mais alto comigo, fofinha.
        O rapaz quase que destrói toda a inocência da criança quando lhe diz:
– Os teus avós mentiram-te…porque qualquer casal discute e amam-se!
        Mas Diana não se deixa ficar, e responde:
– Só se foi o teu avô que te mentiu, porque o meu Avô nunca me mente.
        A rapariga sorri e comenta:
– Para que é que lhe estás a dizer essas coisas? Olha a idade dela…achas que ela percebe alguma coisa de relações? (p.c) Para ela é tudo cor-de-rosa! Como era para mim…e como era para ti na idade dela. Até conhecer a triste realidade.
        O rapaz não assume que também era assim na idade de Diana e responde:
– Eu na idade dela queria lá saber de relações…! Queria era bola e carrinhos. Nunca vi nada cor-de-rosa, nem vermelho…nem de outra cor qualquer…!
        A mãe ordena à Diana:
– Vamos embora…Diana!
        Diana não gostou do que viu e diz:
– Eu não saio daqui enquanto eles não fizerem as pazes e enquanto não derem um abraço…ou um beijinho…!
        A mãe ri-se e diz:
– Querida…não te metas…deixa-os lá. Eles que se entendam e é se querem. Se não se entenderem é problema deles.
A pequena mexe outra vez nos cabelos e ouve-se uma música suave. Ela olha para o casal. O casal sorri deliciado, pedem desculpa um ao outro, dão um abraço e um beijinho…a Diana sorri deliciada. A mãe fica intrigada e sorri também.
Natacha insiste:
– Anda filha, já viste o beijinho e o abraço, eles já fizeram as pazes…vamos!
        Diana antes de ir embora responde sorridente:
– Muito bem, é assim mesmo! E se se amam mesmo, não voltem a discutir!
Todos disfarçam o riso e dizem que sim. O casal segue, de mão dada e feliz! Ouviram a música dos cabelos da Diana. A Diana segue caminho com a mãe e falam uma com a outra:
– Mamã…porque é que os adultos que são namorados discutem? (p.c) Isso não é sinal de amor pois não?
– (sorri embasbacada) Óh…óh querida, o facto de os casais discutirem, não quer dizer que não se amem! (p.c) Os adultos às vezes zangam-se…mas passa rápido… (p.c) Só não há amor quando os casais se zangam e batem uns nos outros…!
– E há casais que batem uns nos outros?
– Infelizmente sim, querida!
– Mas se não se amam e se batem um no outro para que é que estão juntos e porque é que não vai um para cada lado? (p.c) Se não gostam um do outro, nem precisam de se falar, certo?
– Claro, filha…mas eles não entendem assim!
– Se eles não sabem isso, alguém lhes devia dizer essas coisas…para não estarem juntos se não gostam um do outro não era?
– (sorri) Sim…pois era! (p.c) Mas ninguém se quer meter entre marido e mulher!
– Se andam à luta, não há quem os separe?
– Não…! Quase nunca há quem os separe.
– Porquê?! (p.c) A nós estão-nos sempre a dizer que quando vemos dois à luta, devemos separá-los e dizer-lhes para que se entendam a bem…sem se magoarem…e aos grandes não podemos fazer isso?! Eles podem magoar-se é?!
– (sorri, não sabe o que responder) S…sim…isso seria bom…mas infelizmente não acontece! As coisas não são assim tão simples!
– Porquê?
– (sorri) Quando fores grande vais perceber certas coisas! – Tu e o papá não andam à luta! Mas se andassem, eu separava-vos…! (p.c) Se isso acontecesse era sinal que não se amavam!
– (sorri) Sim, sim…!
– Toda a gente diz que quando se ama, não se magoa…mas isso não acontece pois não mamã?
– Acontece em alguns casais, noutros não!
– Porquê Mamã?
– Não sei…! (p.c) Porque…há gente má…!
– Mas se há gente má, devia ficar sozinha!
– Sim, tens razão…no meio do mato…das silvas…
– E porque é que há gente que se aproxima desses maus?!
– Não sei!
– Eu não gosto de gente má…nem me aproximo dela…não consigo perceber porque é que há quem se aproxime…
– Também não sei Diana! (p.c) Chegamos a casa da Lúcia…já sabes…porta-te bem!
– Sim, já sei!
Lúcia está desesperada! O bebé Diogo ainda não parou de chorar, mesmo depois de várias tentativas da mãe para o calar. Natacha bate à porta. Lúcia abre a porta com o bebé ao colo a chorar. Cumprimentam-se, Diana mexe nos cabelos e o Dioguinho começa a serenar. Lúcia convida para entrar:
– Entrem…Olá Diana querida…Olá Natacha…
        Natacha fica encantada com o bebé e elogia:
– (sorridente) Que coisa tão linda! (p.c) Parabéns…como estás?
Enquanto as mães falam, Diana mexe nos cabelos e ouve-se uma música suave…o bebé fica embalado com a música, pára de chorar, fica de olho aberto, a Diana brinca com os caracóis dos cabelos e o bebé adormece.
A Lúcia respira de alívio e diz:
– Finalmente adormeceu! Só chorava…fiz tudo e mais alguma coisa, e não se calava! (p.c) Vou deitá-lo. (p.c) Sentem-se! (p.c) Querem alguma coisa?
        Mãe e filha respondem em coro:
– Não, obrigada!
As duas mães conversam, o bebé dorme. De repente passa uma rapariga muito triste, solitária pela janela. Diana espreita e cumprimenta-a.
– Olá!
        A rapariga cumprimenta e começa a desabafar:
– (triste) Olá! (p.c) Quem me dera ser do teu tamanho e da tua idade!
– Porquê?
– (triste) Assim não tinha que ver os meus pais chateados!
– Não lhes ligues…se eles se amam mesmo, vão fazer as pazes!
– Para ti é tudo muito fácil e muito bonito!
Diana mexe nos cabelos. A rapariga consegue ouvir a música. Fica deliciada e comenta, as duas continuam a falar uma com a outra:
– Tu…és uma boneca que falas?
– Eu…? Não…não sou nenhuma boneca…sou de carne e osso. Porquê? Tenho muitas bonecas e elas não são iguais a mim.
– Tu…dás música…! Eu estou a ouvir música muito perto…só pode vir de ti.
– O quê? Eu não dou música…não sou nenhuma boneca para dar música, nem nenhum instrumento musical…também não toco nada…nem tenho nenhum rádio.
A rapariga aproxima-se mais de Diana, a Diana mexe nos cabelos e a música soa suavemente…a rapariga fica contagiada pela música alegre que ouve e dança contente.
Diana solta uma grande exclamação, não está a perceber nada do que está a acontecer com a rapariga:  
– Ááááhhh…! Coitadinha…a rapariga está…a sonhar…eu não ouço música nenhuma.
– (sorridente) Tens uma música muito fixe. Anda dançar comigo!
– Como é que eu vou dançar contigo, se não ouço nada…? Estou a ver-te dançar e está-me a apetecer dançar também!
A Diana e a rapariga dançam alegremente, e a música sai á medida que ela mexe com os cabelos. Passam dois meninos de rua, e dançam também, contentes. O rapazinho a rir diz:
– Que música fixe!
        A rapariguinha concorda e acrescenta a rir: 
– Olha, não queres vir connosco, para nos ajudar a ganhar dinheiro?
        O rapazinho sorri com a ideia, concorda e reforça o pedido:
– Sim…nós dormimos na rua, os nossos pais figuram…e vamos tendo o que comer e o que vestir, porque há pessoas boas que têm pena de nós e dão-nos o que já não precisam!
         A rapariga partilha a sua opinião:
– Olhem…era uma excelente ideia! Eu alinho convosco…danço…
        O rapazinho e a rapariguinha sorriem e dizem em coro:
– Está bem! Obrigada!
        Diana não ouve a música que eles ouvem por isso diz:
– Hum…mas o que é se passa aqui?! Estou surda…?! Toda a gente ouve música, menos eu?! Não percebo nada.
        A rapariga tenta explicar:
– Mas…a música vem dos teus cabelos…
        Diana pensa alto:
– Esta deve estar maluquinha…coitadinha! Os cabelos não dão música…nem tem música…
        O rapazinho pergunta ansioso:
– Mas…podes ajudar-nos ou não?
        Diana fica com pena deles, e embora não saiba o que fazer para os ajudar responde:  
– Aaaaaahh…está bem…mas não sei como…!
        A rapariguinha apresenta uma solução:
– Basta pores a música a tocar…e dançamos!
        Diana continua sem perceber e questiona-se:  
– Mas…que música?
        Todos respondem em coro:
– A tua música!
        Diana repete:
– Mas, eu não canto…nem tenho rádio!
        A rapariga relembra:
– Mas tens uma música muito bonita!
        Diana não percebe nada e comenta:
– Que coisa tão estranha…eu não ouço música nenhuma!
        Todos respondem em coro:  
– Mas tu tens música!
        Diana confessa:
– Não percebo nada!
        A rapariguinha dá a entender que não está preocupada com isso, quer é a presença de Diana, e diz-lhe:
– Óh…! Anda connosco…e danças connosco está bem?
        Diana aceita o convite e avisa a mãe:
– Está bem… (p.c) Mamã…eu já venho!
        A mãe avisa-a:
– Está bem…não vás para longe!
        Diana tranquiliza a mãe dizendo-lhe:
– Está bem! Já volto…
A Diana vai com os meninos e pelo caminho…mexe no cabelo.
Sempre que mexe no cabelo…dá música…e as pessoas que a ouvem dançam também, aplaudem e dão dinheiro aos meninos de rua.
Eles estão felizes.
Passam duas avozinhas (a1; a2) de braço dado, olham para as crianças deliciadas e com um grande sorriso, e falam uma com a outra: 
– Ai, que coisa tão querida!
– Tão graciosas…parecem umas bonequinhas…bailarinas…!
- Onde estão os pais delas?
- Não sei!
- Será que são todos irmãos…?
- Pode ser…!
- Possivelmente estarão a pedir…!
- Coitadinhas…! Isso é maldade com as crianças…
- Pode ser mesmo por necessidade! Para ajudar os pais.
- Ou serão alunos da escola de teatro, ou de bale aqui perto…e estão a apresentar algum trabalho!  
– (sorridente) A música que elas tocam…maravilhosa…embala-nos…! – Que música…?!
– A música deles…!
– Não ouço música nenhuma. Ui será que estou a ouvir mal?
– (sorridente) Na imaginação delas está a tocar uma música…e pelo que parece é muito bonita!
– Ááááhhh…sim…e na tua também!
– (sorridente e entusiasmada) Eu estou a ouvi-la e vou dançar com eles…anda também!
– Se eu não ouço música, vou dançar o quê, e como?
– (sorri) Danças como eles…! (p.c) O teu coração vai ouvir a música delas e tu naturalmente vais dançar ao som dela…! (p.c) Mesmo que a tua música não seja a delas…dança como elas…! (p.c) Eu consigo ouvir a música deles…e o meu coração reconheceu-a…por isso estou a dançar como elas!
– (sorri) E como é que sabes que o teu coração reconheceu a música e está a ouvir a música deles?
– (sorri) Porque estou feliz! (p.c) Experimenta também, ouvir a música deles! (p.c) Se te sentires feliz ao dançar…é sinal que a música foi reconhecida! (p.c) Mesmo que a música não seja a mesma que a tua! (p.c) Deves conseguir ouvi-la! (p.c) Segue o ritmo deles! E diverte-te.
E com a alegria das crianças…toda a gente dança e até as avozinhas conseguiram ouvir a música…o seu coração reconheceu-a!
Toda a gente que passa fica encantada e contagiada com a música dos cabelos da Diana, e até os adultos dançam com elas, dão-lhes bastante dinheiro e divertem-se muito.
Ao fim de algum tempo, Diana volta para a mãe feliz por ter ajudado os meninos de rua a ganhar dinheiro, com a promessa de voltar a ajudá-los nos próximos tempos.

Adultos: não desliguem as músicas mágicas que ressoam do vosso coração de crianças…! Principalmente em momentos de tristeza, desespero ou aflição. Mesmo que não saibam cantar nem dançar.


                                                Lálá







(29/Abril/2011)