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sexta-feira, 9 de março de 2012

A FLOR DO CAMPO VAI Á CIDADE…

Personagens:
Menina
Jardineira
Flor do campo
Flor da cidade 1
Flor da cidade 2

Numa bela tarde de Verão, uma menina adolescente recebeu uma linda e vistosa rosa vermelha, de um rapaz de quem ela já gostou muito, mas ele não gostava dela.
Com a rosa ele pretendia pedir uma segunda oportunidade.
A menina recebeu a rosa mas não aceitou o pedido.
Muito chateada, triste e nervosa ao passar no pequeno jardim poluído, situado por cima do túnel da cidade, com flores bonitas porque uma jovem jardineira cuida delas.
A menina olha para a flor muito triste e diz:
– Estúpido! Depois do que eu sofri por tua causa… a única coisa que eu quero de ti é distância! (p.c) Não quero ter nada que me faça lembrar de ti! Esta flor… está doente… com o teu veneno, pateta! (Olha para a flor) Sabes flor… Tu és muito bonita e atraente…com a tua cor… seduzes qualquer um que te vê (p.c) Despertas o fogo da paixão… mas como foi aquele ser… que me deu… não te quero!
Atira violentamente a flor para o jardim. A flor cai quase em cima de outra (f1 da cidade), e grita:
– ÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁHHHHHHHHHHHHHHH
         Uma flor da cidade grita:
– Ei…Cuidado!
         A outra flor da cidade (f2) ri-se e dá a entender que a flor caiu porque está bêbada:  
– Áh, áh, áh… (ri – se) O que é que te deram de beber? Já nem acertas com o caminho…
         Mas a flor do campo não acha qualquer piada e resmunga:  
– Bruta!
         As flores da cidade perguntam em coro:
– Quem, eu?
         Uma flor da cidade (f1) quer sentiu-se ofendida e diz: 
– Tu é que quase caíste em cima de mim.
         A outra flor da cidade (f2) quer saber quem é a nova visita e pergunta:
– Quem és tu?
         A flor do campo, está de cabeça quente, chateada, triste mas reconhece que exagerou e pede desculpa:  
– Desculpa, não estou a falar de ti.
         A outra flor da cidade (f2) diz:
- Ahh…estou mais descansada…é que se não ias já daqui para fora!
         Uma flor da cidade (f1) resmunga:
– Além das porcarias que nos atiram para aqui, ainda temos que aguentar com uma clandestina!
         A flor do campo fica preocupada e pergunta à flor da cidade (f1):  
– Estás a falar com quem?! Sou o quê?
         A outra flor da cidade (f2) concorda com a amiga e diz:
– Realmente…nunca te vi por aqui, nem nas redondezas…
         Uma flor da cidade (f1) está confusa e pergunta à flor do campo:  
– Nem sequer sabes quem és?
         A outra flor da cidade (f2) pergunta à flor do campo:
– De onde é que vieste?
         Uma flor da cidade (f1) faz outra pergunta à flor do campo:
– Como é que vieste aqui parar?
A flor do campo tosse
- Cof, cof,…cof, cof…, cof…cof…
         As duas flores da cidade não sabem o que é tossir e pensam que essa é a maneira da flor do campo falar:
– Tens uma maneira muito estranha de falar, rapariga!
– Acho que ninguém fala assim…
         A flor do campo irritada tosse ainda mais e pergunta:
– Cof, cof… cof, cof..., cof, cof… Que sítio nojento é este?! Cheio de coisas estranhas á nossa volta… cof, cof… cof… tanto barulho irritante…cof, cof,…cof, cof…(grita) Socoooooooooooorro….!
         A outra flor da cidade assusta-se com os gritos da flor do campo e pergunta-lhe:
– Porque é que estás sempre a gritar? Responde mas é ao que nós te perguntamos.
         A flor do campo responde muito triste:
– Vim do campo! (p.c) Cof, cof… e isto não me parece o campo… o lugar onde estava e para onde quero voltar.
         As duas flores exclamam muito escandalizadas:
– Áááááááááhhhhhhhh!!!!
         As duas flores colocam mais questões (f1; f2):
- Cof…cof…?!
- O que é isso?
- Não sei…sei que ela diz muito isso…!
- Deve ser a linguagem dela…
- Não…a linguagem dela não deve ser, porque já falou connosco…!
- Pois foi…então…
- Será um código?
- Não sei de quê…!
- Ou um nome dela…?
– Que nome tão estranho.
- Pode é ser o nome do sítio onde ela veio…!
- Não me parece…nunca ouvi falar nisso.  
– Onde é isso?
– É muito longe daqui?
         A flor do campo responde triste:
– Se é longe ou perto…não sei! (p.c) Sei que lá … cof, cof… não havia estes barulhos insuportáveis … nem… estas coisas sujas espetadas na mesma terra deliciosa e fofa que nós…! (p.c) Eu quero água!
         Uma flor da cidade (f1) pede-lhe um favor:
- Olha, importaste-te de falar a nossa língua…?!
         A outra flor da cidade (f2) explica:
- És estrangeira?
         A flor do campo responde:
- Eu estou a falar a mesma língua que vocês…! Acho eu…!
         A outra flor responde:
- Desculpa, mas tu dizes…cof…cof…milhares de vezes na mesma frase…não sabemos o que quer dizer…!
         A flor do campo explica:
- Cof…cof…? Eu não digo isso…!
         As duas flores da cidade dizem em coro:
- Ai dizes, dizes…
         Uma flor da cidade argumenta:
- Nós ouvimos!
         A flor do campo responde:
- Áááhh…o cof…cof…(tosse)
         As duas flores respondem em coro:
- Sim, isso mesmo…
         Uma flor da cidade acrescenta:
- Acabaste de dizer agora!
         A flor do campo responde:
- Acho que quer dizer que estou a ficar…doente…!
         As duas flores da cidade ficam assustadas e dizem em coro:
- Doente…?
         Uma flor da cidade protesta:
- Então…devias ter ficado na tua casa…
         A outra flor da cidade acrescenta:
- Pois! Não tinhas nada que vir para aqui contaminar-nos.
         Uma flor da cidade comenta:
– Deve ser mesmo muito longe daqui… e… uma terra muito estranha!
         A flor do campo choraminga e implora:
– Tirem – me daqui!
         A outra flor da cidade pergunta-lhe:
– Para que é que vieste para aqui?
         A flor do campo responde triste e chateada:
– Eu não vim… trouxeram – me! Cof, cof, cof, cof, cof… Que cheiro horrível!
         As flores da cidade não compreendem e perguntam:
– Mas como?
         Uma flor da cidade (f1) informa:
– A nós também alguém nos trouxe para aqui!
         A flor do campo explica:
– Um rapaz… arrancou – me sem dó nem piedade e ofereceu – me ao amor dele, aquela menina que viram… foi ela que me atirou…cof, cof… para este sítio… atchim… Imundo! Cheia de coisas sujas…cof, cof, cof… só porque… Atchim… atchim… estava magoada com o rapaz! (p.c) Tirem – me daqui.
         As duas flores da cidade (f1; f2) falam entre si:  
– Não sei o que é isso de…rapaz… mas deve ser uma coisa séria… muito má!
– É! Também acho! (p.c) Deve magoar muito.
– Isso soa – me a… instrumento… se calha com coisas aguçadas, e que cortam…
         As duas estremecem e dizem em coro:
– Uuuuuuuuuuuiiiiiii…
– Nem quero imaginar!
– Até as minhas pétalas se encolhem!
Aparece a jardineira com um grande sorriso e a empurrar o carrinho das coisas de jardim. As duas flores da cidade (f1; f2) ficam contentes quando vêem a jardineira a chegar e dizem:
– Chegaste em boa altura…!
– (sorri) Olha a nossa amiga!
         Uma flor da cidade (f1) tranquiliza a flor do campo e diz:
– Não te preocupes. Ela vai cuidar muito bem de ti.
A flor do campo tosse aflita. A jardineira cumprimenta-as simpaticamente, a sorrir:
– Bom Dia, minhas lindas…
         As duas flores respondem a sorrir:
– Bom Dia, amiga!
         A outra flor da cidade (f2) informa a amiga jardineira:
– Chegaste na altura certa, querida.
         A jardineira sorri e pergunta:
– Já estavam com saudades?
         As duas flores respondem em coro:
– Siiiiiiiiiim…
         Uma flor da cidade (f1) completa:
– Mas não só! (p.c) Precisamos de ti.
         A flor do campo grita aflita:
– Socorro! Cof, cof… Atchim…tira – me daqui!
         A jardineira olha para a flor do campo e diz:
– Uma nova amiga…?! Olá linda!
         A outra flor da cidade (f2) informa a jardineira:
– Diz que veio de um sítio muito estranho…com um nome muito estranho…cheio de estranhas coisas á volta dela!
         A flor do campo grita:
– Eu vim do campo! Atchim, cof, cof… tira – me deste sítio insuportável. Cof, cof… estou a ficar doente.
         A jardineira fica com pena da flor do campo e pergunta-lhe:
– Óhhh… Coitadinha! Vieste de tão longe…porquê?
A jardineira ajeita a terra, aduba e rega, vaporiza sobre as flores, elas riem e abanam contentes, enquanto a flor do campo explica outra vez o que aconteceu com ela:
– Um rapaz cortou – me e arrancou – me sem dó nem piedade! (p.c) Para me dar á amada dele!
         A jardineira sorri deliciada e responde:
– Áh, que gesto bonito, mas podia ter sido mais delicado a colher – te!
         A flor do campo concorda com a jardineira mas ficou magoada:
– Mas ela não gostou…
         A jardineira não compreende muito bem a rejeição da flor e diz:
– Ááááááhhhh… mas tu és tão bonita…
         A flor do campo explica com mais pormenor:
– Ela atirou – me para aqui de qualquer maneira. (p.c) à bruta mesmo…Disse que não queria nada que lhe lembrasse o palerma que me tirou da Paz da minha casa! Cof, cof… Deitou – me fora para eu não a lembrar de coisas… Detesto este lugar!
          A jardineira agora compreende o desespero da flor do campo e diz com pena dela:
– Coitadinha…! A menina deve ter ficado mesmo muito triste por causa dele… mas não te devia ter tratado assim! (p.c) Tu não tens culpa!
         A flor do campo responde triste:
– Pois não…
A jardineira pega nela com todo o cuidado e carinhosamente, e exclama:
– Que maldade…! (P.C) Mas não fiques triste. Vou levar – te para a minha casa e tratar muito bem de ti… eu também sou do campo!
         Uma flor da cidade (f1) pergunta:
– Então conhece – la?
         A jardineira conhece parecidas com a flor, porque também vive no campo e responde:
– No meu jardim tenho lá muitas iguais a ela.
         A outra flor da cidade (f2) quer saber mais pormenores e pergunta:
– Olha, … como é esse sítio estranho?
         A jardineira fala desse sítio com muito orgulho e carinho, e a flor do campo confirma tudo o que a jardineira diz, até acrescenta mais informações sobre o campo:
– (a sorrir) Áh…! É um sítio sossegado.
– É! Não há este barulho doentio.
– (sorri) Pois não. É muito raro passarem carros.
– Cof, Cof,.. Nem há este cheiro horrível no ar.
– (a sorrir) Pois não! Lá só há cheiros bons e doces, frescos puros… naturais…cheiro de flores, de frutos, … há sempre uma brisa suave e agradável, há um ar puro, sem poluição… os únicos barulhos que se ouvem são as pessoas a falar e o da alegria dos animais: dos passarinhos, dos cãezinhos, das ovelhinhas, dos cavalos, das vaquinhas e dos boizinhos, dos porquinhos, todos os animais andam livres e felizes.
– Cof, Cof… lá… Cof, Cof… toda a gente nos trata muito bem… (p.c) Dão – nos muita atenção, muito carinho, alimentam – nos, com coisas deliciosas, e não há destas coisas nojentas espetadas na terra onde comemos e vivemos…
– (sorridente) É muito bom viver no campo.
– Não sei como aguentam viver aqui.
         As duas flores (f1; f2) já estão conformadas com esse sítio e respondem:
– Já estamos habituadas.
– Mas também não gostamos muito deste sítio!
– Realmente o sítio onde tu vives deve ser bem melhor do que este…
         A jardineira confirma a sorrir:
– Sim!
         A flor do campo faz um convite às flores da cidade:
– Querem vir também para o campo?
         As duas flores da cidade (f2; f1) estão muito curiosas em conhecer o campo e respondem:
– Acho uma proposta irrecusável.
– Também acho, mas não sei se me habituo a viver lá!
         A flor do campo reforça:
– Porque é que não experimentam para ver como é mesmo muito bom e muito diferente deste sítio nojento?
         A jardineira sorri e diz:
– Não tinha pensado nessa! (p.c) Também vos posso levar, querem?
         As duas flores da cidade não hesitam e respondem em coro a sorrir:
– Siiiiiiiim…!
         De repente uma dúvida invade uma flor da cidade (f1) e pergunta:
– Mas… e se não nos habituarmos lá?
         A jardineira tem a solução:
– Isso não é problema. Volto a trazer – vos!
         A flor do campo responde contente:
– Siiiiiiiim…Venham! Quando conhecerem o meu sítio, não vão querer outra coisa.
         As flores da cidade estão convencidas e perguntam à jardineira a sorrir:
– Levas – nos?
         A jardineira leva-as com todo o gosto e responde:
– Levo! Venham.
         A flor do campo assegura um dos benefícios de as flores da cidade irem para o campo:
– Vão ser muito mais bonitas, muito vistosas, muito mais saudáveis e muito mais bem tratadas… muito mais felizes!
         A outra flor da cidade (f2) pode constatar os resultados através da flor do campo e diz:
– Realmente és muito bonita… atraente, vistosa…
A jardineira e as flores vão para o campo contentes. A jardineira planta – as, rega – as, acaricia – as, e elas estão muito felizes. As duas flores (f1; f2) trocam impressões uma com a outra:
– Áh! Realmente tinhas razão!
– É muito diferente daquele sítio onde estávamos.
– Sim. Já não se ouvem as irritantes buzinas a toda a hora, e… já não temos a porcaria dos cigarros espetados na mesma terra que nos alimenta, nem papéis…
– Nem nos tratam mal.
– Nem temos aquele fumo enjoativo sempre a vir ter connosco…!
- Elas tinham razão!
- Sim, toda a razão…
- Sinto-me muito melhor aqui!
- Eu também!
- Gostava de ter um espelho para ver se realmente estou mais bonita…!
- Acredita em mim…estás mesmo muito mais bonita…e eu, como estou?
- Tu também!
- Estes perfumes que se sentem no ar são mesmo muito agradáveis…!
- Sim! Também acho!
         À felicidade das duas flores da cidade junta-se a flor do campo, e as três a sorrir abanam-se e gritam felizes:
– Uuuuaaaaaaaaaaaaauu….!
Riem as três flores felizes e agradecem em coro à jardineira:  – Muito obrigada querida amiga!
A outra flor da cidade (f2) diz a sorrir:
– Salvaste – nos!
         A flor do campo suspira de alívio e de alegria, e grita entusiasticamente:
– ÁÁÁÁÁHHHHHH… É tão estar de volta a casa… e é tão bom vocês estarem comigo!
Dão todas as folhas com um sorriso de pétala a pétala e a jardineira diz a sorrir:
– Viva a Maravilhosa NATUREZA! VIVAM AS LINDAS E DELICADAS FLORES! VIVAM TODOS OS RIOS LIMPOS! VIVAM TODOS OS JARDINS VERDES E LIMPOS. VIVAM TODOS OS ANIMAIS QUE A HABITAM!
         As flores gritam em coro felizes:
– Viva!
         A jardineira recomenda:
– Não maltratem a natureza; nem poluam o ambiente! Lembrem – se que há sítios próprios para deitar o lixo! No chão, nos jardins, ou em cima das flores…
         A jardineira e as flores gritam em coro:
– Não!
         A jardineira acrescenta:
– Claro que todos queremos viver com saúde e num sítio onde nos sintamos bem! Isso só é possível se não houver poluição! Lembrem – se: todo o mal que fizerem á Natureza, ela devolver – vos – á!
         As flores dizem em coro, a sorrir:
– Natureza limpa, sim! Poluição Não!


FIM.
LÁLÁ

quinta-feira, 8 de março de 2012

A centopeia doméstica

A CENTOPEIA DOMÉSTICA
Foto e boneco de Lara Rocha 

PERSONAGENS PRINCIPAIS:
- UMA JOVEM RAPARIGA – SUSANA 
- UMA CENTOPEIA

OUTRAS PERSONAGENS
- MACACOS – TUCAS; MIQUINHO
- UMA COELHINHA – NÁNÁ
- FLORES
- COGUMELOS
- CARACÓIS
- FIGURINOS DA FESTA (animais, anões…)

Era uma vez uma jovem rapariga, chamada Susana, que vivia sozinha, numa linda, verde, e fresca floresta. A sua casa era pequenina, simples, acolhedora e muito bem decorada.
Era uma vez uma centopeia que teve de fugir da sua casa, um prédio em obras, e andou, andou, andou…até que foi ter à floresta.
Numa tarde de imenso calor, e muito sol, a Susana saiu para fazer umas compras. Nessa mesma tarde, a centopeia estava muito triste, chorou o caminho todo, andou devagar, e ficou tão cansada que assim que viu uma casa subiu para a janela. Espreitou, suspirou e disse:

CENTOPEIA – Que calor sufocante! (p.c) Ufff…nem sei onde estou, mas vou ficar por aqui. Ááááhhh…que casa tão bonita! Quem viverá aqui? Está tão bem decorada. (p.c) Espero que seja uma boa pessoa, para me deixar ficar aqui.
Deita – se, e adormece em seguida. A pobre centopeia está exausta. Os cogumelos, os caracóis, e as flores à porta de casa da Susana seguem – na com os olhos, enojados.

GIRASSOL 1 – Quem é esta…?
GIRASSOL 2 – Não faço ideia.
       
MARGARIDA – Será amiga da Susana? Hum...acho que não…não a conheço.

    O Malmequer que conhece bem quem lá vai, também está desconfiado:

MALMEQUER – Família também não me parece que seja.

      Dois cogumelos estão mais interessados em saber outra coisa: 

COGUMELO 1 – É masculino ou feminino?
COGUMELO 2 – Não sei…está tapado.
GIRASSOL 1 - Tem muitas curvas, deve ser…feminino.
GIRASSOL 2 – O que é que ela está aqui a fazer?

     Margarida ainda a observa desconfiada e comenta:

MARGARIDA – Tem um ar muito estranho. Parece um extra terrestre…ou um monstro saído de alguma toca…lá bem para baixo…lhec. 
GIRASSOL 2 – Acho que está doente!

        O Cogumelo preocupado lembra:

COGUMELO – Então se está doente, é melhor não a deixarmos ficar ali.

        Os dois Girassóis não têm coragem de lhe tocar:  

GIRASSOL 1 – Lhec. Eu não lhe mexo. Deixa – a estar ali, que quando a Lálá vier, decide o que fazer.
GIRASSOL 2 – Nem eu…ainda nos pega alguma coisa má…Ui…até me arrepio. Os meus pais pelo menos sempre me disseram que quando encontrasse um animal doente, não lhe tocar.
MALMEQUER – Não sei o que veio fazer aqui.
MARGARIDADA – Se está doente, o que veio fazer para a rua?
GIRASSOL 1 – Para mim ela é vadia…e deve ter vindo ver se encontrava um doutor ou doutora para a tratar.
TODOS – Enganou – se.
GIRASSOL 1 – Pois, aqui não há nenhum doutor…nem doutora.
CARACOL 1 – Não há doutor, nem doutora, mas há uma boa rapariga, e eu tenho a certeza que ela a vai ajudar.

     O Malmequer tem dúvidas que apesar da bondade da menina, ela aceite aquele bicho. 

MALMEQUER – Ela é boa rapariga, mas duvido que ajude esta coisa horripilante…que não serve para nada.
MARGARIDA (PREOCUPADA E COM MEDO) – É muito perigoso ajudar alguém que não se conhece!
COGUMELO – Tens toda a razão.
GIRASSOL 2 – É melhor ficarmos de olho…!
TODOS – Isso.
MALMEQUER – Sim, ela pode estar a fazer – se de doente, e no fim querer roubar a casa.
TODOS – Pois…

        Margarida acha que conhece muito bem a Susana para saber que ela não vai gostar da visita e diz:

MARGARIDA – Eu tenho a certeza que a Susana não gosta desta coisa feiosa…grudenta…lhec.
GIRASSOL 1 – Que grande ousadia a dela…espetar – se ali na janela de uma casa que ela não conhece, e sem pedir autorização…
TODOS – Também acho.
GIRASSÓIS – Eu corria – a logo.
COGUMELOS – Eu esborrachava – a com um chinelo…
(Todos riem)
COGUMELO 1 – Olhem…vem aí a Susana com o Tucas e o Miquinho…quero ver o que vai acontecer…!

Chega a Susana, com sacos, e uns macaquinhos da floresta que a ajudam a carregar as compras.
Ela olha para a janela e ao ver a centopeia arrepia – se, manda um grito assustada e enojada.
Os macacos guincham e colocam – se em posição de defesa da rapariga.

A centopeia acorda sobressaltada, estremece, arregala os olhos…e pensa para si mesma:
CENTOPEIA – Óh não…já me vai desfazer…! Que pouca sorte a minha…e logo agora que não tenho forças para andar…quer dizer…para fugir.
SUSANA – O que é isto na minha janela…?
A centopeia encolhe – se com medo. Susana aproxima – se dela, observa – a. Os macacos seguem – na, e olham para a centopeia, tocam – lhe. Susana identifica o bicho:

SUSANA – Uma centopeia…mas…esta é diferente…colorida…que engraçada. Assustou – se comigo! (os macacos riem). Podem ir, queridos. Obrigada pela ajuda. Esta não me faz mal.

Os macacos dizem «xau» com as mãos, sorriem, e seguem caminho. Susana e a Centopeia falam uma com a outra:

SUSANA – Olá…
CENTOPEIA (ainda assustada) - Olá.
SUSANA – Desculpa ter – te assustado…mas não contava contigo aqui!
CENTOPEIA (implora a Susana, mas mais calma) - Não me faças mal, por favor…
SUSANA – Está descansada, não te vou fazer mal.
CENTOPEIA – És a dona desta casa?
SUSANA – Sim!
CENTOPEIA – É muito bonita esta casa!
SUSANA (sorri) - Obrigada. E tu, de onde és?
CENTOPEIA – Aaahhh…não sei…! Já estive em muitos sítios.
SUSANA – Como é que vieste aqui parar…?
CENTOPEIA – Vim…andei muito…tive de sair da casa onde estava, porque deitaram – ma abaixo. (p.c, triste) Vão fazer obras lá. (p.c) Andei tanto…nem sei quanto. E como está muito calor, e eu estava tão cansada, vi esta casa tão bonita…que encostei – me aqui. (p.c) Desculpa instalar – me aqui sem te pedir autorização, mas eu prometo que assim que estiver melhor, ponho – me a andar para outro lado.
SUSANA – Óhhh…que história tão triste! Vivias sozinha?
CENTOPEIA – Sim. E tu, também vives sozinha?
SUSANA – Sim. Os meus pais vivem noutro sítio aqui na floresta. Não precisas de procurar outro sítio, podes ficar aqui a viver comigo. (p.c) Deves estar cheia de fome e de sede. Vou dar – te alguma coisa para comer e beber. (p.c) Eu vou entrar, abro as janelas e tu podes entrar está bem?
CENTOPEIA – (sorri) Ááááhhh…tão querida! Muito obrigada.

A Susana entra, abre a janela, e a centopeia senta – se na beirada da janela, encostada. Susana põe a centopeia à vontade e falam mais um pouco. 
SUSANA – Se quiseres, mais tarde, tens ali um lago onde te podes refrescar, tomar banho.
CENTOPEIA – (sorri) Que bom. Obrigada.
SUSANA – (sorri) És uma centopeia bonita…
CENTOPEIA – (sorri) Achas? Obrigada. Tu também és muito bonita. (p.c) Não tens medo de viver aqui sozinha?
SUSANA – Não.
CENTOPEIA – Quem eram aqueles que vinham contigo…tão feios…que me tocaram…?

Susana dá uma gargalhada e explica à centopeia quem são:

SUSANA (sorri) - São dois amigos: o Tucas e o Miquinho…dois macacos que vivem aqui na floresta e que me ajudam sempre a trazer as compras. Eles têm aquele aspeto, mas são queridos, simpáticos e protegem – me.

        A centopeia ri-se. 
CENTOPEIA – Assustei – me com a cara deles.

     As duas riem, e Susana oferece água e comida à centopeia, e a centopeia agradece:

SUSANA – Aqui está a tua água…e…não sei se gostas disto para comer!
CENTOPEIA – Sim, eu como de tudo. Obrigada.
SUSANA – Come e bebe à vontade. Eu vou acabar de arrumar as coisas e já volto. Se quiseres mais diz.

A Susana acaba de arrumar as compras, a centopeia come e bebe com vontade. A centopeia bebe e come deliciada e comenta:

CENTOPEIA – Humm…está tudo uma delicia. A água…fresca assenta que nem uma luva…já estava a desidratar.
SUSANA – Queres mais?
CENTOPEIA – Mais água, se não te importas.

    Susana dá – lhe mais água, e partilha com a centopeia o calor que sente:

SUSANA – Eu também vou beber um copo, está um calor sufocante.
CENTOPEIA – Se está.
SUSANA - Mas…conta – me mais coisas sobre ti…

As duas têm uma longa conversa, e riem enquanto a Susana cozinha para o jantar. Bate à porta uma vizinha: uma linda coelhinha, a Náná, que vive na árvore ao lado. 

Ela chama da porta, cheia de genica e sorridente:  

NÁNÁ – Susaaaaaaaaaaannnnnnnnaaaaa... 
SUSANA - Olá. Entra.

A coelhinha Náná entra contente e pergunta:

NÁNÁ – Estás a cozinhar…hum…que cheirinho. Desculpa estar a incomodar…precisava de umas ervinhas tuas…posso ir buscar…? É que pensei que as que tinha iam chegar, mas não. (p.c) Até fico envergonhada.
SUSANA – Acontece. Vai á vontade.

A coelhinha vai contente ao jardim, apanha ervinhas e volta. Ao ver a centopeia na janela avisa a Susana delicadamente:

NÁNÁ – Eu não te quero assustar, mas…já viste a coisa nojenta que tens à janela?

     Susana ri-se e responde:

SUSANA – Sim, não é coisa nojenta. É uma nova amiga!

A coelhinha fica espantada, a olhar para a centopeia e para a amiga, estremece enojada. 

NÁNÁ – Ãããããhhh…?! Tu tens uma amiga…lhec…centopeia…? Eeeeehhh… nunca me tinhas dito. (p.c) Desculpa, mas eu detesto centopeias. (p.c) Mas…esta é diferente…até é gira.

        Susana sorri e acrescenta:

SUSANA – Conheci – a hoje…há bocado. Teve de fugir de casa, porque deitaram a casa abaixo com obras. Vai viver aqui comigo!

        A coelhinha fica com pena da centopeia e exclama:

NÁNÁ – Óóóhhhh… coitadinha…! Olha, centopeia…eu sou amiga da Susana…chamo – me Náná, qualquer coisa que precises de mim, podes contar comigo.
CENTOPEIA (sorri) – Obrigada.

        A Coelhinha murmura a sorrir:

NÁNÁ – Ao menos é simpática. (Riem) Bem, Susana…obrigada pelas ervinhas. Até logo. (p.c) Até logo…centopeia.
AS DUAS – Até logo.

As duas continuam a falar. As flores, os cogumelos e os caracóis à volta da casa comentam umas com as outras, a nova visita de Susana.

GIRASSOL 1 – Já viram a nova inclina da Susana? 
MARGARIDA (enojada) – Que nojo! Se era eu que enfiava aquela coisa peganhenta na minha casa…
MALMEQUER – Podes crer, nem eu.

        O outro Girassol manifesta o seu desagrado por aquela figura:

GIRASSOL 2 – Aquela coisa medonha…cheia de patas…parece que tem cola…cruzes…até me arrepio.

        Margarida não entende a decisão da Susana: 

MARGARIDA – Eu tinha esperança que a Susana ficasse enojada e a esborrachasse ou a mandasse embora, afinal…acolheu – a! Achei que a Susana tinha bom gosto…gostar daquela coisa…francamente…
MALMEQUER – Sim, e a maioria dos amigos e amigas dela são bonitos e bonitas, mas aquela coisa…

        O Caracol não está a gostar dos comentários dos amigos dirigidos à centopeia e diz:

CARACOL – Lá estão vocês a julgar os outros pela aparência.
COGUMELO 1 – Tu eras capaz de a meter na tua casa? 
CARACOL – Sim.

    O outro Cogumelo também não se imagina a acolher a centopeia e responde ao Caracol:

COGUMELO 2 – A tua casa devia ficar imunda…tu já és pegajoso…ela também é…que nojo.
CARACOL 2 – E lá por sermos pegajosos não somos bons?
TODOS – São…
GIRASSOL 1 – Mas esta é uma desconhecida…não sabes como ela é! Pode ser uma vagabunda…com muito más intenções.

        O Malmequer não é tão extremista e até elogia a centopeia:

MALMEQUER – Esta até é bonita…
CARACÓIS – Pois é!

        Um Girassol pensa alto, perguntando:

GIRASSOL 1 – Será que ela já a conhecia, ou aquela nojice apareceu ali sem ser convidada?

        Um Cogumelo questiona-se muito espantado:

COGUMELO 1 – Ela apareceu sem ser convidada?
COGUMELO 2 – Claro que entrou sem ser convidada. Fez – se visita… Eu tenho a certeza…porque quando a Susana chegou, e quando a viu mandou um grito…assustou – se.
MARGARIDA – Mas será que foi um grito de susto…ou de felicidade por encontrar uma amiga, que se calhar já não a via há muito tempo?
GIRASSOL 2 – Eu nunca a tinha visto por aqui.
TODOS – Nem eu.
CARACOL 1 – Estão a dar – se muito bem.
CARACOL 2 - A Susana é boa rapariga. Não se torna amiga dos outros só porque são bonitas ou feias.
TODOS – Nós também não…

        Um Cogumelo relembra:

COGUMELO 1 – Ela vinha muito triste, e a arrastar – se…
MARGARIDA – Sim, isso também reparei…o que lhe terá acontecido?
CARACOL 1 – Se calhar perdeu – se…
TODOS – Humm…acho que não.
GIRASSOL 1 – Quando ela passar aqui perguntamos – lhe.
MARGARIDA – Eu acho que não vou conseguir ser amiga dessa coisa mole…melada…lhec…
CARACOL – Se calhar quando começares a falar com ela até vais gostar.

A Susana tem um plano: fazer uma festa para apresentar a nova amiga. Enquanto a centopeia descansa, ela vai a casa dos amigos convidá – los, e nessa mesma noite há uma grande festa.
A Susana apresenta a centopeia a toda a gente, e a centopeia é simpática com toda a gente, conta a sua história, e num instante todos se tornam amigos dela.
A centopeia fica feliz e no fim da festa, ajuda a arrumar tudo e a limpar, e quando vai dormir pensa feliz:

CENTOPEIA – Tenho de fazer alguma coisa para retribuir a bondade da Susana. Tive muita sorte em vir ter a esta casa! Ela é tão querida…!

A centopeia dá voltas á cabeça e adormece. No dia a seguir, a Susana sai bem cedo. A centopeia acorda, cheia de energia, toma o pequeno-almoço, e limpa a casa toda. 
Aspira, limpa o pó, limpa os vidros, varre a entrada, sempre a cantarolar contente, cumprimenta as flores, os caracóis, os cogumelos…e quem passa fica espantada com ela. Parece uma verdadeira dona de casa.

A Coelhinha Náná está estupefacta com o que os seus olhos estão a ver e muito surpresa diz:

NÁNÁ – Não acredito no que estou a ver!

  A centopeia cumprimenta simpaticamente a Coelhinha e as duas falam uma com a outra:

CENTOPEIA (sorri) - Bom dia!
NÁNÁ – Bom dia! Tu estás a limpar a casa da Susana?
CENTOPEIA – Sim…porquê? Tu não limpas a tua?
NÁNÁ – Sim, limpo, claro…mas…não sabia que tu também limpavas…ainda por cima…tão bem…e tão rápido!
CENTOPEIA – Sim, sempre limpei a minha casa. Não me custa nada limpar a da Susana. É uma forma de lhe retribuir a bondade e agradecer – lhe o espaço. Sou hóspede dela, não seria justo eu não fazer nada para lhe agradecer.
NÁNÁ (sorri) Ááááhhh…está bem!
CENTOPEIA – É a vantagem de ter muitas patas!
As duas riem: 
NÁNÁ – Sim, tens razão. Às vezes dava imenso jeito ter mais patas…fazia – se muitas mais coisas, e muito mais rápido.
CENTOPEIA – (ri) Pois. Compreendo-te…!
NÁNÁ - Queres uma ajudinha…?
CENTOPEIA – Aaahhh…acho que não preciso obrigada!

        A Coelhinha relembra que está disposta a ajudar se a centopeia precisar:

NÁNÁ – Ok. Se precisares a qualquer momento chama. Continuação de bom trabalho…e até logo.
CENTOPEIA – Obrigada. Até logo…

A coelhinha começa a andar, e a centopeia chama – a, quer pedir um favor:

CENTOPEIA – Desculpa Náná…

A coelhinha para, olha para ela:

NÁNÁ – Desculpo de quê…? Fizeste-me alguma coisa de mal…?

        As duas riem:

CENTOPEIA – (ri) Acho que não te fiz nada de mal…(a coelhinha abana com a cabeça) Diz – me só onde posso apanhar flores que cheirem bem…sabes daquelas para enfeitar e perfumar as casas?

        A Coelhinha conhece a fundo a floresta e explica à Centopeia o sítio certo para encontrar o que procura e oferece-se para ir lá buscá-las:

NÁNÁ (sorri) - Aaahhh…sim, sei…eu vou – tas lá buscar.
CENTOPEIA (surpresa, sorri) - A sério…? Não te importas de me fazer esse favor?
NÁNÁ (sorridente) - É para já! Confias nos meus gostos?
CENTOPEIA (ri) - Claro que sim. Confio totalmente! Traz as que quiseres…as que mais gostares.
NÁNÁ (sorri) - Deixa comigo! Já tas trago.
CENTOPEIA (sorri) - Muito obrigada.

Lá vai a coelhinha aos saltinhos apanhar as flores, e a centopeia acaba a limpeza e a arrumação da casa. 
A coelhinha dá as flores à centopeia. A centopeia fica deliciada:

CENTOPEIA – Que lindas…Huuuummmm…e cheiram mesmo bem!

A coelhinha dá algumas dicas para a casa ficar ainda mais bonita. A Suana chega, fica de boca aberta, deliciada com a arrumação e limpeza e exclama sorridente:

SUSANA – Ááááhhh…que surpresa tão agradável. Mas…quem é que pôs a minha casa tão bonita…fresca…limpa…?
NÁNÁ - Olha, foi alguém com muitas patas…! Melhor que qualquer empregada doméstica…!

        Susana olha para a centopeia e pergunta:

SUSANA - Foste tu amiga centopeia?

        A centopeia responde um bocado a medo:

CENTOPEIA - Sim, fui eu…!

       Susana nem sabe o que dizer...até que responde: 

SUSANA - Tão querida…não tinhas que fazer isso.
CENTOPEIA - Então…foi o mínimo que me lembrei de fazer para te agradecer…!

       Susana, surpresa pergunta:

SUSANA - Agradecer…? Mas…agradecer de quê? Não tens nada que me agradecer.

CENTOPEIA (sorridente) – Tinha que te agradecer sim…porque acolheste – me tão bem, mesmo eu tendo este aspeto…quando mais precisava…foste maravilhosa. Agora é a minha vez de te retribuir.

       Susana sorri:

SUSANA - Mas…era só o que faltava eu não te acolher só por seres diferente de mim! Aliás…eu também sou diferente dos meus amigos…mas isso não impede que sejamos amigos e que nos ajudemos uns aos outros quando mais precisamos…! Não te ia abandonar só por seres uma centopeia. Precisavas de mim, eu ajudei – te…e agora és minha amiga.
CENTOPEIA – Sim. E as amigas podem ajudar…ainda mais quando vivem na mesma casa. Se gostaste da minha arrumação e da minha limpeza, posso fazê – la sempre que quiseres, ou precisares…posso fazer tudo o que pedires.
SUSANA (sorri) – Até fico sem jeito…Muito obrigada! (p.c) Vou fazer o almoço…
CENTOPEIA – O que posso fazer…?
NÁNÁ - E eu Susana, o que posso fazer?
SUSANA - Não preciso de nada, querida…obrigada!
NÁNÁ - Está bem…então até logo…bom almoço!

        As duas respondem em coro:
AS DUAS - Até logo!

     Susana deseja bom almoço, a Coelhinha vai para a sua casa, a Susana aproveita, dá algumas instruções à centopeia e esta ajuda a fazer o almoço, enquanto falam e riem uma com a outra.
Os cogumelos, as flores e os caracóis, nem querem acreditar…e conversam entre eles. Margarida acha que está a sonhar e pergunta aos amigos para confirmar

MARGARIDA - Vocês…viram aquilo?

        O Malmequer também ainda está um pouco em choque com o que viu e diz:

MALMEQUER – Parecia uma máquina…
GIRASSOL 1 (surpreso) – Nunca vi tal coisa…
GIRASSOL 2 – Nem eu…a Susana faz a limpeza, mas esta…!

        Os dois Caracóis tinham razão e dizem:
CARACOL 1 – Estão a ver…?
CARACOL 2 – Calou – nos a todos!

        O Malmequer sente-se um pouco envergonhado e responde:

MALMEQUER – Realmente…

        Os dois Cogumelos também assumem o exagero da sua opinião em relação á centopeia:

COGUMELO 1 – Acho que nos precipitamos em relação a ela.
COGUMELO 2 – Sim apesar daquele aspeto, ela é fantástica!

        Os dois Caracóis comprovaram uma lição antiga sobre as aparências:

CARACOL 1 – É uma boa lição para todos nós…nunca devemos caracterizar os outros por serem bonitos ou feios…porque a verdadeira beleza só se vê por atos.
CARACOL 2 – Às vezes os que são muito bonitos por fora…muito agradáveis aos olhos, não valem nada como pessoas, e ao contrário…os menos atraentes às vezes são os que mais dão de si mesmos, e os que fazem bem aos outros.
TODOS – Sim.

NARRADORA - Pois é queridos! Têm toda a razão! Apesar de ela ter um aspeto um bocado…arrepiante…quem não gostava de a ter como empregada doméstica…?
Ela faz lembrar a mulher…um ser que tem apenas dois braços, mas no seu dia-a-dia mais parece uma centopeia, ou um polvo…parece ter 1000 braços…para dar resposta a tudo, porque sem elas…nada funciona bem!
É casa…é filhos…é trabalho…é dar amor…é ralhar…é…simplesmente ser mulher!
Voltando à história…A partir desta tarde, a vida da centopeia nunca mais foi a mesma: toda a gente a quis contratar para fazer limpezas e para ajudar noutras coisas.
A centopeia tudo fazia com o maior gosto, carinho, sorria, cantava e dançava, punha toda a gente bem-disposta e ganhou muitos amigos e muito dinheiro com isso. Todos ficaram felizes.  


FIM!
Lara Rocha 
(8/Outubro/2010)