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sábado, 21 de junho de 2014

O que fazemos?

                                           BONECOS E FOTO TIRADA POR MIM 
                                             (GONÇALO E MARIA LUÍSA) 

NARRADORA - Era uma vez dois irmãos: um menino que se chamava Gonçalo e uma menina que se chamava Maria Luísa. Foram passear pelo campo, e começaram a brincar e a correr, a rebolar na relva. Correm tão rápido e tão felizes que não repararam que estava um grande tronco de madeira, redondo. Deram uma grande cambalhota e caem em cima de um fardo de palha. 
GONÇALO (gargalhadas) – Ai…ficamos sem travões!
MARIA LUÍSA (a rir) – Pois foi! Ainda bem que estava aqui este fardo de palha, se não, esborrachávamo-nos no chão como as frutas estragadas que caem das árvores.
GONÇALO (a rir) – Pois era! Nem sei em que é que tropeçamos!
MARIA LUÍSA – Acho que foi neste tronco.
GONÇALO – Áhhh…pois foi!
MARIA LUÍSA – Podia ter sido muito pior.
GONÇALO – Pois.
MARIA LUÍSA – Olha…está aqui qualquer coisa a brilhar…um fio de palha?
GONÇALO – Não me parece que seja um fio de palha mais claro que os outros.
(Maria Luísa pega no fio)
MARIA LUÍSA – Áh…não é um fio de palha mais claro que os outros. É um fio de ouro!
GONÇALO – De gente.
MARIA LUÍSA – Claro que é de gente. É parecido com o da mamã.
GONÇALO – Áh! Pois é! Será que é dela?
MARIA LUÍSA – A mamã costuma trazer fios, para o campo, não se trouxe hoje.
GONÇALO – Eu também não reparei se trouxe. O que fazemos? Deixamos aqui o fio ou levamos?
MARIA LUÍSA – Levamos para ver se é da mamã.
GONÇALO – Está bem. E se não for? Ficamos com ele?
MARIA LUÍSA – É claro que não ficamos com ele. Perguntamos à mamã se ela sabe de quem é.
GONÇALO – Isso. E se a mamã não souber de quem é?
MARIA LUÍSA – Perguntamos à mamã o que fazemos.
GONÇALO – É! A mamã sabe sempre tudo! Mas, e se…
MARIA LUÍSA – Pára de fazer perguntas. A mamã vai saber o que fazer.
NARRADORA – Os meninos pegam no fio, e vão para casa. Pelo caminho vão muito atentos para ver se alguém poderá estar à procura do fio.
GONÇALO – Olha mamã…encontramos o teu fio!
MÃE (surpresa) – O meu fio? Qual fio?
OS DOIS – Este.
(Mostram o fio)
MÃE – Este é parecido com o meu…mas não é meu!
OS DOIS – Não?
MÃE – Não. Hoje não o levei para o campo.
MARIA LUÍSA – E não o levaste o outro dia?
MÃE – Levei no outro dia, mas está ali. Na minha mesinha.
MARIA LUÍSA – Tens a certeza, mamã?
MÃE – Absoluta. Mas onde encontraram isto?
MENINOS – No campo.
MARIA LUÍSA – Lá fora, no nosso campo.
GONÇALO – Tropeçamos num tronco que estava no chão quando íamos a correr, e caímos em cima de um fardo de palha.
MARIA LUÍSA – Sim, e depois vimos alguma coisa a brilhar, pegamos, e vimos que não era um fio de palha mais claro que os outros, era um fio de ouro, de uma pessoa.
GONÇALO – E pelo caminho viemos sempre atentos, para ver se alguém o procurava.
MARIA LUÍSA – É. Mas não apareceu ninguém.
GONÇALO – É um fio igual ao teu, por isso pensamos que era mesmo o teu.
MARIA LUÍSA – Pois, por isso é que o trouxemos, para ver se era o teu.
MÃE – É parecido, não é igual, mas é parecido. Às vezes podia ser o meu, mas não é.
MARIA LUÍSA – Não sabes de quem possa ser?
MÃE – Deixem-me ver…quem poderá ter estado hoje lá? Deve ser de algum caseiro dos Avós. Mas não me lembro quem estava com fios, hoje.
GONÇALO – O que fazemos agora, mamã?
MÃE – Agora voltam a pô-lo lá! Pode ser que alguém sinta a falta dele e o procure.
MARIA LUÍSA – Mas…
MÃE – Não ficamos com ele! Não é nosso, e a pessoa que o perdeu deve estar com certeza muito triste…se o encontrar, vai ficar feliz e agradecida a quem mão ficou com ele.
MENINOS – Pois é. Está bem.
MÃE – Além disso, se aparece a dona ou dono do fio, e vê-vos com o fio, ainda vai pensar que foram vocês que o roubaram!
MENINOS – Ui, não!
MARIA LUÍSA – Isso é muito mau.
MÃE – Pois é.
OS DOIS – Já voltamos.
NARRADORA – E os meninos voltam a pô-lo em cima do fardo de palha. De repente, aparece a filha de um dos caseiros da Avó dos meninos, a chorar muito, com a sua mãe. Estão a olhar para o chão, e para todo o lado, entre as árvores, nos riachos…
MÃE 2 (resmunga) – Pára de chorar e procura como deve ser. Se o perdeste aqui, está por aqui…mas que irresponsável. Merecias umas sapatadas.
MARIA LUÍSA – Nunca perdeu nada?
MÃE 2 – Olha a pirralha!
MARIA LUÍSA – Porque está a gritar tanto com ela?
MÃE 2 – Não te metas, pequena.
MENINA 2 (a chorar) – Perdi o meu fio…
GONÇALO – Como era o teu fio?
MARIA LUÍSA – Nós ajudamos-te a procurar.
GONÇALO – Espera…será este?
NARRADORA - Os meninas e a mãe vão ao fardo de palha onde está o fio, e quando a menina o reconhece salta de alegria, ri, e grita:
MENINA 2 – Sim, é este o meu fio! É este…
MÃE 2 – Foram vocês que o roubaram?
OS DOIS – Não!
GONÇALO – Encontramo-lo aqui, no fardo de palha.
MARIA LUÍSA – Nunca ficaríamos com uma coisa que não é nossa!
GONÇALO – E nunca roubaríamos.
MÃE 2 – Obrigada. Este fio é mesmo valioso para ela.
MARIA LUÍSA – Nós também teríamos ficado muito contentes se perdêssemos alguma coisa, e alguém a tivesse encontrado.
GONÇALO – E devolvido! Ou pelo menos, deixado onde encontrou.
MÃE 2 (sorri) – Muito bem! Eu também já encontrei coisas na rua, que não eram minhas, e fui entregá-las na esquadra da polícia…não sei se a dona foi lá procurar ou buscar, mas pelo menos, eu fiquei descansada, porque não fiquei com elas.
GONÇALO – Pois! A mamã também nos ensinou a fazer isso.
MÃE 2 (sorri) – E muito bem.
MARIA LUÍSA – Então porque é que pensou e perguntou-nos se tínhamos sido nós a roubar o fio dela?
MÃE 2 (embaraçada) – Desculpem!
GONÇALO – Não tem nada que desconfiar de nós.
MÃE 2 – Pois é…têm razão. É que fiquei nervosa por ela o ter perdido.
MARIA LUÍSA – Nunca perdeu nada, a senhora?
MÃE 2 – Sim, também já perdi.
MARIA LUÍSA – E encontrou-as, ou devolveram-lhas?
MÃE 2 – Umas sim, outras não.
MENINA 2 (sorri) – Muito obrigada, meninos! Se todos os meninos e papás ensinassem isso, e fizessem isso, éramos todos mais felizes.
OS DOIS – Pois era.
NARRADORA – As duas mamãs e os três meninos ficaram felizes e orgulhosos pelo que aconteceu. A menina porque encontrou o fio que tinha perdido, e muito valioso para ela; o Gonçalo e a Maria Luísa porque devolveram e não ficaram com uma coisa que não era deles, e as mães, pela boa acção dos meninos. E vocês? Já devolveram alguma coisa que encontraram e não era vosso, ou ficaram com ela? O que encontraram?

FIM
Lálá
(17/Junho/2014)







segunda-feira, 16 de junho de 2014

A FADINHA DA CURA E O PESTANA


Era uma vez uma fada que ajudava pessoas doentes, enviando cura através de misteriosas ofertas, como: borboletas, flores, bolas de sabão, pó mágico que o João Pestana entregava, e muitas outras maneiras.
            Nunca ninguém a tinha visto, mas ela existia e curava realmente muita gente. Apanhava todas as energias dos pensamentos positivos que as pessoas enviavam nos seus pedidos e fazia porções mágicas.
            Um dia, viu uma mulher, a tirar a sua roupa de trabalho que era ajudar pessoas a ficar felizes, e fazê-las rir, mas quando olhava para o espelho…dos seus olhos caiam lágrimas. O seu sorriso desaparecia.
            Estava realmente triste, como acontecia muitas noites, porque um dos seus olhos não via, o outro via mal. A fada pequenina já a tinha visto várias vezes, e sempre triste.
- Olá! – Diz a fada
            A mulher estremece e procura a voz
- Quem está aí? – Pergunta a mulher
- Sou eu! Mesmo à tua frente. – Responde a fada
- Não te vejo!
- Sei que sou pequena, mas olha para a tua frente…estou mesmo diante dos teus olhos.
            A mulher olha para a frente, e vê a luzinha da fada.
- Aqui! Não vês uma luzinha?
- Áh! Sim! Sabes, é que eu vejo muito mal de um olho, e do outro não vejo mesmo.
- A sério? Porquê?
- É um problema de saúde.
- Áh! Desculpa, não sabia.
- Não faz mal. Já estive muito pior.
- Que bom seres positiva.
- Claro…não me adianta nada ser negativa, não me vai trazer a vista de volta, e sou assim para ter força e aguentar a minha cruz.
- Claro, e fazes muito bem. Rir, ajuda. Mas, estás triste não estás?
- Bom…sim…
- Pois!
- Mas como é que entraste aqui, pequena?
- Entrei!
- Sim, já percebi que entraste, mas por onde?
- Eu sou uma borboleta. Entrei pela janela a voar, como todas.
- Não te vi!
- Pois não! Não estavas cá.
- Invadiste a minha casa!  
- Desculpa, tens razão. Não devia ter entrado sem te pedir.
- Não faz mal. Estou a brincar! (ri)
- Áh! Que susto! Mas terias toda a razão em pôr-me daqui para fora…estou a ser um intruso.
- Nada disso. Fica. (p.c) És tão bonita. Mas o que fazes aqui?
- Vim visitar-te!
- Visitar-me? Mas…porquê?
- Porque precisas de mim!
- Preciso de ti? Tu és uma borboleta, e és bonita…gosto de borboletas, e tu…tens luz! Mas…não estou a perceber porque me vieste visita, nem porque é que preciso de ti!
- Tocaste no tema principal…eu tenho luz! Sim, foi por isso que vim até aqui.
- Por causa da tua luz?
- Sim, isso mesmo!
- Mas eu tenho luz em casa, felizmente e não tenho medo do escuro.
- Eu sei! Mas a minha luz é diferente.
- Diferente? Por ser mais pequena? Ai…desculpa!
- (ri) Não tens que pedir desculpa! Eu sou mesmo muito minúscula.
- Então porque vieste?
- Porque vim trazer-te a minha luz.
- Está bem…se dizes que vens trazer luz…obrigada. Mas eu não preciso.
- Esta minha luz não é uma luz qualquer.
- Pois não! É tua! Eu se tivesse luz, ela também era a minha luz, e não outra qualquer…tudo o que é nosso, tem sempre mais valor e é sempre melhor do que outra coisa qualquer de outra pessoa qualquer.
- Tens razão, mas…tu vês mal, certo?
- Infelizmente sim. Não me vais chamar coitadinha, pois não? Já fiquei sem ver dos dois…agora vejo de um…
- Não! Não és coitadinha…és uma linda mulher. Que vê mal…isso não te torna menos mulher, ou menos bonita, mas com certeza gostarias de ver bem. É por isso mesmo que estou aqui.
- Estás aqui porque eu vejo mal, ou porque sou mulher?
- Principalmente porque vês mal.
- Vais oferecer-me uns óculos?
- Não! Mas vou oferecer-te a cura para os teus olhos.
- Como assim? Por muito boa vontade que tenhas…nem os médicos conseguem, quanto mais uma fada…!
- Os médicos são humanos, não são máquinas, ou super-homens…os médicos não sabem muita coisa, e conhecem muito mal o ser humano, como pessoa! O corpo humano até podem conhecer mais que todos nós, mas o ser humano, é muito diferente. Isso… eles não conhecem, o que é uma pena. Mas eles não têm a culpa toda…os grandes mestres que os ensinam, também não sabem…devem achar que é perda de tempo. É por isso que muitos doentes ficam piores, em vez de se curarem. Mas as fadas têm esse poder! E é por isso que Estou aqui.
- Tens poder? (ri-se) Que sorte! Quem me dera ter poder.
- Para que querias ter poder?
- Para voltar a ver.
- E tens!
- Se tivesse…ou se dependesse da vontade, eu já tinha voltado a ver bem!
- Porque estás a dizer isso?
- Porque estou farta de pedir, e não acontece nada…estou sempre na mesma.
- Estás farta de pedir? Nunca te ouvi!
- Claro…porque eu não peço aos gritos. E se és assim tão poderosa como dizes, devias ter ouvido os meus pedidos.
- Não ouvi! De certeza que nunca me pediste.
- Nunca te vi antes, não sei se te vi e se foi a ti que pedi.
- A quem pediste?
- Ao Superior.
- Quem é o Superior?
- O Todo Poderoso que me ensinaram a ver, a ouvir e a pedir a Ele para me ajudar.
- Sei de quem estás a falar.
            A mulher levanta-se e deita-se. Pousa a cabeça em cima da almofada, sente algo duro, levanta-se e vê uma chave.
- Ai, o que é isto?
- Uma chave! – Responde a fada
- Sim, a minha cabeça já sentiu uma coisa dura…foste tu que puseste aqui esta chave?
- Fui!
- Para me castigar?
- De quê?
- Não sei…tu é que sabes! Se calhar disse alguma coisa que não devia.
- Claro que não! Eu nem castigo.
- Para que é que eu quero esta chave?
- Já viste o que diz na chave?
            A mulher olha.
- Diz…A…ACRE…ACRE? O quê?...Áh…será ACREDITAR?
- Isso mesmo! Essa chave é para te lembrar que tens…ou pelo menos deves…acreditar!
- E o que é que eu vou fazer com ela?
- Põe-na aí, na tua cabeceira. Mas primeiro segura-a na tua mão, fecha os olhos e diz…ACREDITAR! Abre os olhos só quando disser…até eu dizer, diz sempre…de olhos fechados e com a chave na mão…ACREDITAR.
- Está bem!
            A mulher pega na chave, fecha os olhos, segura-a e repete a palavra ACREDITAR, até a fada mandar parar. A mulher não vê, mas da chave que ela segura saem lindos e enormes raios de luz, que atravessam a pele das pálpebras, entram nos olhos, e só param dentro da cabeça.
- Está bom! – Diz a fada
            A mulher abre os olhos.
- E agora?
- Agora…deita-te e deixa a chave na cabeceira.
            A mulher deita-se, pousa a chave na cabeceira e pergunta:
- Mas…eu tenho que acreditar em quê?
- Em ti, na tua vontade de ver, em mim, na minha luz e na tua cura.
- (sorri) Eu gostava!
- Não digas…gostava! Diz…eu acredito! Eu confio nesta luz poderosa, eu  quero a luz, eu acredito na luz. Eu quero a cura, eu acredito na cura!
            A mulher repete tudo.
- Não senti força nessa tua frase! Diz outra vez.
            A mulher respira e repete.
- Outra vez! – Diz a fada
            A mulher repete a frase.
- Está melhor! Agora com mais força.
            A mulher repete com mais força.
- Boa! Mais uma vez…com toda a tua força e sinceridade.
            A mulher repete com mais força e mais vontade.
- Isso mesmo. Mais uma vez! – Pede a fada.
            A mulher repete com mais força e mais vontade até que repete, outra e mais outra vez, aos gritos.
- Perfeito! – Diz a fada a rir.
- E agora?
- Agora…dorme descansada!
- Está bem. Podes ficar por aqui no quarto. Obrigada pela visita, e pela tua intenção de me ajudar.
- Voltarei mais vezes! Boa noite.
- Boa noite!
            A mulher fecha os olhos, adormece e a fada chama discretamente o João Pestana. Ele entra com um saquinho cheio de pó mágico, brilhante, e muito leve.
            A fada e o João Pestana despejam o pó mágico por cima das pálpebras da mulher, que o absorvem e espalham-se toda a noite, entre os olhos e a cabeça por dentro.
            Fizeram isto várias noites, e de dia, o pó mágico da cura era soprado para os olhos da mulher, pela borboleta da fada que a rondava a todo o momento. A mulher nem se apercebia.
            Todas as noites, a mulher repetia a frase da fada, a segurar a chave na mão, e cada dia com mais força.
            Passados alguns dias…a mulher acorda de manhã…e…surpresa! Ela podia ver tudo…com os dois olhos. Ela abre um e fecha o outro…
- Áh! Eu estou mesmo a ver?
- Sim! – Responde a fada sorridente
            Tapa o outro olho…
- Uau! Estou mesmo a ver…também? Áh! Eu estou mesmo a ver bem! Tudo nítido! Áh! Fadinha…estou a ver-te!
- Sim. Eu disse-te para acreditares em mim, na tua força e na tua vontade de cura.
- Como é que isto aconteceu?
- Aconteceu porque tu acreditaste, e porque quiseste. Confiaste na minha luz e deixaste-a entrar nos teus olhos! – Explica a fada
- Que maravilha! Nem sei como te agradecer, fada!
- Não disse que tinhas de me agradecer.
- Não! Mas eu acho que te devo agradecer.
- Não te preocupes com isso.
- Renasci! – Diz a mulher a sorrir, feliz.
- Não tenho dúvidas disso…sempre que te sentires a piorar…segura na chave do acreditar e pensa com força! Acredita na tua vontade e na tua força.
- Muito obrigada, fada! Muito obrigada, Mundo! Sou uma nova mulher…eu vejo! Eu vejo! Que bom que é ver. Que saudades que eu tinha de ver!
            A mulher arranja-se toda, vai contar a novidade aos pais que a abraçam e beijam e rezam muito felizes. Trocam muitos carinhos, e vai trabalhar feliz. Ela estava realmente a ver tudo e nítido.
            Muitas vezes, a força do nosso querer, da nossa vontade e do nosso acreditar…fazem autênticos milagres.
            Há luzes interiores que são tão boas e tão bonitas, que funcionam melhor que muitos medicamentos, que curam mais do que mil médicos.
            É proibido desistir, e não acreditar em nada.

FIM
Lálá

(16/Junho/2014) 

A CRIANÇA






















       Era uma vez uma atriz, animadora de rua que estava com um grupo a atuar nas ruas da cidade. Todos davam muitas gargalhadas, aplaudiam, dançavam e interagiam com ela. Ela cantava e brincava com toda a gente. 
    Na plateia havia uma menina pequenina, com uns lindos olhos e cabelos escuros, que não falava, mas tinha qualquer coisa de muito especial. Não falava com palavras, mas falava com o olhar e com o sorriso.
  A atriz reparou que a menina não tirava os olhos dela e começava a sorrir. No momento em que os olhares das duas se trocaram, a atriz sentiu uma coisa muito boa e muito especial.
    Não sabia o que era! Nunca tinha visto aquela menina antes, mas talvez fosse o seu sorriso ou a doçura da sua expressão que a encantavam, ou simplesmente porque era uma criança.
   A menina foi enviada por uma rapariga bruxa, muito boa, que sentia quando as pessoas precisavam de ajuda ou de cura, mas não queria ser reconhecida, porque achava que era um dom, que ela tinha de respeitar, e cumprir. 
    Fazia o bem com todo o seu coração, pureza e simplicidade, usava o amor e o carinho que a menina transmitia. Como as pessoas ficavam curadas, sem saber que era a rapariga bruxa boa, pensavam que se tratava de um milagre, da imagem que estava pousada no monte. 
    A bruxa não se importava com isso. Ela queria simplesmente ajudar. A menina segue todos os passos e movimentos da atriz, e de repente, acontece uma coisa muito estranha! 
    Os olhos da menina mudaram de cor…passaram de escuros, a azuis com rajadas brancas. Eram de uma cor tão bonita que quase hipnotizavam quem olhava. A atriz tinha problemas de visão. Quando se aproximou da menina, a luz dos seus olhos atravessou os olhos da atriz, sem magoar.
- Que olhos mais lindos, os teus…pequenina! – Diz a atriz, acariciando o rosto da menina.
   A menina sorri e lança mais raios luminosos. A atriz começa a ver tudo à sua volta! As cores, as formas, os objetos, as pessoas, os sorrisos, e a menina linda, que continuava a enviar luz, mesmo sem a atriz se aperceber.
   O que ela sabia era que estava a ver bem, e que aquela criança tinha alguma coisa de muito especial. Por isso, mesmo sem saber que tinha sido a criança que a curou, pega nela ao colo, abraça-a e beija-a, carinhosamente, sorri e brinca com ela, feliz.
- Foste tu, não foste minha linda? – Pergunta a atriz
- Sim! – A menina responde com um sorriso.
- Eu sei que foi a tua pureza, inocência, carinho e amor, que me devolveram a visão! Eu sei…és muito especial…adoro a tua energia. Muito obrigada, meu anjinho.
- Eu não sou um anjinho…sou só uma criança!
- Uma linda criança, cheia de poder e magia.
- Não. É tudo amor, carinho, sinceridade e simplicidade. Estás feliz?
- Claro que sim…muito feliz!
- Eu também! E tu mereces, porque fazes muita gente feliz, também.
- Achas? Quer dizer…eu tento, mas não sei se consigo.
- Consegues, sim…porque também és uma criança como eu, mascarada de grande!
- Áh! Que frase tão bonita…
- Foi o meu coração que disse.
- O teu coração fala?
- Fala! Todos falam…o teu também.
- Nunca o ouvi…
- Porque nunca te viste ao espelho…mas agora que já vês, podes olhar mais para o espelho e ouvir o que diz o teu coração.
- Áh! Ai é? E como é que eu falo com ele?
- Olha para os teus olhos.
- Mas…não é o coração que fala?
- É. Mas para o ouvires, tens de olhar para os teus olhos.
- Áh! Entendi.
- Ele agora está a dizer que está feliz.
- Ai sim?
- Sim! E tem todas as razões para estar feliz.
- Então…eu quero que passes a trabalhar comigo…e que me ensines a ouvir o coração.
- Está bem! Eu ensino-te…
     As duas trocam carinhos, a bruxa fica feliz e orgulhosa, porque mais uma vez curou uma pessoa com o seu coração, o seu carinho, a sua energia, bondade e amor. As duas nunca mais se separam, e como a menina tinha prometido, ensina a atriz a falar e a ouvir o coração, olhando para os seus olhos no espelho. 
      A atriz sofre uma grande transformação, para melhor, com a ajuda da preciosa menina, e as duas trabalham juntas em espetáculos. Realmente…sempre que fazemos pedidos sinceros, somos recompensados.  

FIM
Lara Rocha 
(16/Junho/2014) 

quarta-feira, 11 de junho de 2014

MISTERIOSA LUZ


                Era uma vez uma casa perdida numa floresta, entre árvores gigantes, com troncos tão largos que quase pareciam casas. Era uma casa pequena, muito pobre, onde vivia uma família muito numerosa (6 filhos), mas ninguém sabia que viviam lá, pois raramente ia alguém àquele sítio.
            Os seus habitantes viviam à vontade, andavam descalços, mas vestidos e limpos. Os adultos eram muito trabalhadores, e os pequenos também já davam uma mãozinha no que podiam.
Um dia, um casal foi acampar com os seus dois filhos para muito perto dessa casa. Depois de se instalarem foram passear e repararam na casa.
- Óh mãe…vive ali alguém? – Perguntou o menino
- Achas que sim…? Olha para a casa…está toda velha! – Responde a menina
- Não sei, até pode viver lá alguém. – Diz a mãe
- Mas como? – Pergunta o pai
- A casa só tem as paredes de pé…- Acrescenta a mãe
- Pois.
- Parece uma casa de um filme de terror. – Comenta a menina
- Eu não vivia ali. – Diz a mãe, segura
- Eu também não. – Respondem os filhos em coro
- Eu até era capaz de viver ali, mas se fizesse umas grandes obras! – Diz o pai
- Pois! – Diz a mãe
- Eu acho que aquilo não tem condições para viver…deve chover lá dentro e tudo… - Diz o pai
- Com certeza! – Diz a mãe
            E continuam a passear, fazem um piquenique para jantar.
- Meninos…não se afastem! – Grita a mãe dos 6 filhos
- Está bem! – Dizem em coro
            E começam todos numa gritaria, a correr e a rir felizes, cruzam-se com os visitantes, sorriem-lhes e dizem:
- Boa Noite!
- Boa Noite! – Respondem em coro
- O que estão a fazer aqui a esta hora? – Pergunta o pai
- Ainda por cima sozinhos… - Acrescenta a mãe
- Não há perigo. Vivemos ali. – Responde a criança mais velha apontando para a casa velha.
- Os vossos pais? – Pergunta o menino
- Estão em casa. – Responde o segundo mais velho
- Onde é a vossa casa? – Pergunta a menina
- Ali!
- Naquela casa a cair? – Pergunta a mãe
- Sim! – Respondem em coro
- Não pode ser… - Exclama o pai
- Está a cair…! – Diz a menina
- Sim, o aspeto exterior da casa não é bom…mas é que não temos dinheiro para as obras. Enquanto isso, vivemos assim, e já nos sentimentos muito felizes por termos uma casa. – Diz a criança mais velha
- Pois…há muitos meninos que vivem na rua, e nós pelo menos temos um tecto. – Diz a segunda criança mais velha
- A nossa é uma verdadeira casa. – Gaba-se o menino
- Tens sorte…que bom para ti…mas para nós, esta casa está óptima. – Responde o terceiro mais velho.
- É…e as árvores também nos protegem. – Diz outra criança
- Quantos são? – Pergunta a mãe
- Oito…com os nossos avós às vezes somos dez.
- E cabem todos? – Pergunta o pai
- Cabemos. – Respondem todos
- Mas chove lá dentro, não?
- Não! – Respondem as crianças
- Podemos visitar a vossa casa? – Pergunta a mãe
- Claro que sim…venham.
            Todos vão a casa dos seis meninos. São muito bem recebidos, de forma muito simpática, e os pais dos dois meninos ficaram tristes com a miséria que encontraram. Não tinham luz, nem televisão, nem aquecimento…só a lareira, quase não tinham móveis, um frigorifico, uma arca congeladora que tinha sido oferecida, e um fogão. Não tinham camas…estas eram caixotes de madeira, partidos, cartões, almofadas e lençóis e cobertores.
- Nunca passamos frio. Não nos falta roupas, e temos a lareira… – Garante a mãe das crianças.
- Onde tomam banho? – Pergunta a menina
- Ali, como toda a gente…aquecemos a água na lareira ou no fogão e tomamos banho com água quente. – Explica o pai.
            As crianças tinham brinquedos construídos por elas, pelo pai e pelo Avô. Muito diferentes dos meninos da cidade.
- Mas nem brinquedos têm… - Diz o menino
- Temos! – Respondem os seis meninos.
- São estes…
            E mostram brinquedos muito diferentes.
- Que seca… - diz a menina
- Seca? Porquê? Somos muito felizes com estes brinquedos…adoramo-los! – Pergunta a mais velha
- Não tem nada a ver com os nossos brinquedos. – Diz o menino
- Pois não. – Confirma a menina
- E como conseguem viver sem luz? – Pergunta a mãe dos dois meninos
- Com a luz natural, e…temos luz. – Responde a outra mãe
- Onde? – Pergunta a mãe dos dois meninos
- Não vê claridade?
- Sim, vejo. Mas vem de alguma lanterna?
- Não. Vem do amor que nos une. É por isso que não precisamos de mais nada. Somos felizes, estamos vivos, temos saúde, temos comida, temos um tecto e temo-nos uns aos outros. O resto…é secundário. – Explica a outra mãe
- Áh! – Responde o casal da cidade.
- Que lindo! – Suspira e sorri a menina da cidade
- De que vale ter muitas coisas, se não há a luz do amor e do respeito, e alimentos, ou saúde? – Pergunta a outra mãe
- Isso tem razão…pensando bem! – Diz a mãe da cidade
- Onde há família, amor e respeito…há luz! – Diz a outra mãe
- Essa é a verdadeira luz, a que guia os filhos pelos bons caminhos, pelos valores puros, pela educação e pela paz. – Acrescenta o outro pai
- Sim, é verdade…
- Como vê, não chove aqui dentro, nem passamos frio nem fome…temos tudo o que a terra nos dá de bom, e isso dá-nos saúde.
        Conversam mais um pouco, e os outros pais, quando voltam para o acampamento estão maravilhados, preenchidos, rendidos àquela família tão pobre. Olham para trás, e realmente vê-se luz nas janelas da casa. O casal sorri.
- Será que a nossa casa também tem luz? – Pergunta o pai
- Acho que sim…vamos perguntar às nossas lâmpadas… - Diz a mãe a sorrir
            Os pais chamam as crianças
- Meus amores…acham que a nossa casa tem luz? – Pergunta a mãe
As crianças olham para a casa, encantados.
- Áh! Que linda luz! - Suspiram os meninos a sorrir
- De onde vem aquela luz, se eles não tinham luz? – Pergunta a menina surpresa
- Eles tinham luz! – Assegura a mãe
- Mas não tinham candeeiros, nem lâmpadas, nem nada…como é que aparece luz? – Pergunta a menina
- É a luz do amor! – Responde a mãe
- Áhhh! – Suspiram as duas crianças
- E a luz do amor é assim tão linda? – Pergunta o menino
- Sim, filho! Quando é verdadeiro… - Responde o pai
- Áhhh! – Respondem os meninos, surpresos
- Então…Sim, mamã…na nossa casa há muita luz…- Diz a menina
- Uma luz tão linda como aquela! - Diz o menino
- Claro que sim, filhos… - Dizem os pais em coro
- Agora, vamos pôr as nossas luzes a descansar para amanhã brilharem mais fortes! – Diz o pai
- Mamã…eu tenho medo ao escuro! – Diz a menina
- Nós estamos mesmo ao lado da vossa tenda…não há medos! Há luz…o medo não gosta de luz. – Diz a mãe a sorrir
- Vais acender a tua luz para nós? – Pergunta o menino
- Ela está sempre acesa para vocês, meus pimpolhos… - diz a mãe sorridente
            Abraçam-se, e os pais vão deitar as crianças. O pai diz baixinho à mãe:
- Foi a tua luz que eu vi quando te conheci! Ela era tão bonita, que me apaixonei por ti… E essa luz brilha até hoje, sempre linda como no primeiro dia que te vi!
- Óh…meu amor…que lindo! – Diz a mãe deliciada.
            Trocam beijos e abraços e a tenda das crianças fica toda iluminada de amor. Nos dias seguintes, os pais dos meninos ajudam o casal e os filhos com tudo o que podem, e o pai até ajuda nas obras. E a luz daquela casa, triplicou! Formaram uma segunda família, uns para os outros.
            É sempre bom, e é preciso, os casais terem a capacidade de ver a luz um do outro, e de a tornar mais forte, dia-a-dia para que os filhos sejam também iluminados e tornem-se em cidadãos felizes, saudáveis e humanos.
FIM
Lálá
11/Junho/2014