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quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

O refúgio do elfo



NARRADORA - Era uma vez um pequenino elfo que foi passear, pela floresta, num dia muito quente de Verão. Saiu de manhã bem cedo, com uma aragem fresca. Estava tão encantado com tudo o que viu pelo caminho que foi andando e…perdeu-se.
ELFO – Ai! Está tanto calor! Como é que saí tão cedo com a fresca, e agora está um calor…ufa! Como é que eu andei tanto? Mas…onde é que eu estou? Andei tanto que não sei onde estou! Óh! Onde vim parar? Será que estou muito longe de casa? Nada me é familiar. Óh…e agora? Ai, ai, ai…! Acho que vou perguntar a alguém. Eiii…alguém…! Será que não vive aqui ninguém? Onde estão todos? Devem estar recolhidos por causa do calor.
(Um macaco malandreco, faz uma careta barulhenta ao Elfo e ri-se, pendurado na árvore)
MACACO (a rir) – Olha, olha…um orelhudo, de orelhas em bico, com medo! Ih, ih, ih…
ELFO – Estás a falar comigo?
MACACO (a rir) – Há mais alguém aqui orelhudo, de orelhas em bico?
ELFO – Acho que te referes a mim.
MACACO – Pois claro.
ELFO – Mas que atrevido…não estás a ser muito simpático.
MACACO – Ora essa…não tenho que ser simpático com toda a gente…muito menos, com quem não conheço. Tu és novo aqui, não és?
ELFO – Sim, sou.
MACACO – Huummm…fazes-me lembrar alguém…! Assim de repente…Huummm…umas miúdas jeitosa que às vezes aparecem por aqui. Umas com asas…
ELFO – Acho que estás a falar das minhas primas fadas.
(O macaco endireita-se, e desce)
MACACO (espantado) – Óh, isso mesmo…as fadas. Espera aí…tu conhece-las?
ELFO – Claro que conheço. E tu?
MACACO (sorri) – Óh, sim, com muito gosto. Mas…tu és uma fada?
ELFO – Não…sou um elfo. Sou homem.
MACACO – Homem?
ELFO – Sim, homem.
MACACO – Estou a ver…
(Passa um coelho a correr e grita)
COELHO – Bom dia!
OS DOIS – Bom dia!
MACACO – (grita) Força…Vai amigo! Enquanto está fresco!
COELHO (sempre a correr) – Sim, hoje o dia promete. (e acelera)
MACACO - Lá vai o pé de speed fazer a maratona dele de manhã como sempre… (ri) É um grande desportista este coelho.
ELFO – Sabes dizer-me onde estou?
MACACO – Estás no vale das palmeiras.
ELFO – Vale das palmeiras?
MACACO – Sim.
ELFO – Mas eu não conheço este sítio!
MACACO – Tens a certeza?
ELFO – Tenho.
MACACO – Disseste que te perdeste, não foi?
ELFO – Acho que sim.
MACACO – E porque é que te perdeste?
ELFO – Acho que me distraí com tantas coisas bonitas que vi pelo caminho!
MACACO – Mas não sabias onde vinhas?
ELFO – Não…eu não tinha pensado para onde vinha…apenas…vinha por aqui! Mas parece que andei demais.
MACACO – Mas onde moras?
ELFO – No vale dos cristais.
MACACO – Huummm…esse nome não me é estranho, mas acho que nunca lá fui.
ELFO – Podia ter perguntado ao coelho.
MACACO – Pois era, de certeza que ele sabia.
ELFO – Achas?
MACACO – Sim…anda sempre por aí…parece que está ligado à electricidade…até faz impressão. Fico cansado só de o ver passar a correr. Detesto correr, e tu?
ELFO – Eu também…quer dizer…às vezes também corro, mas geralmente ando ou voo.
MACACO – Áh…pois…tu tens asas, eu não. Onde as arranjaste?
ELFO – Já nasci com elas…
MACACO – Áh!
(O coelho pára mais adiante, de repente. Volta para trás muito intrigado e vai ter com o elfo)
MACACO – Então…? Hoje o teu motor não dá mais? Acabou a gasolina?
(O coelho ri)
COELHO – Não. Voltei para trás porque…tens um novo amigo é?
MACACO (sorri) – Este é amigo das fadas…! Aquelas miúdas sexys que passam por aqui.
COELHO (sorri) – Óh, mas que sorte a tua, rapaz…mas, e quem és tu? Nunca te vi por aqui, mas acho que a tua cara não me é estranha.
ELFO – Sou um elfo. Vivo no vale dos cristais. Sabes onde fica?
COELHO – Óh…sim, sei muito bem, vou lá quase todos os dias, e hoje já vinha de lá.
MACACO (ri) – Eu não te disse que ele sabia? Eu disse…!
COELHO (ri) – Claro que sim…eu ando sempre por aí. Tenho de fazer a minha ginástica. E tu, rapaz…o que fazes por aqui?
ELFO – Vim passear, e acho que estou perdido.
MACACO – Os seus olhos ficaram presos na paisagem!
ELFO – Como assim? Os meus olhos estão no sítio.
MACACO (ri) – O que eu quero dizer é que ficaste tão encantado com a paisagem que viste pelo caminho, que te distraíste…e os teus olhos queriam ficar naqueles sítios.
ELFO (sorri) – Áh, sim! É verdade. Mas, então podes-me indicar o caminho de volta para casa.
COELHO – Claro que sim, mas porque não descansas um pouco, refrescas-te e vais quando estiveres retemperado?
ELFO – Sim, acho que tens toda a razão! Sabes onde posso fazer isso?
COELHO – Sei. Ali, no morangal.
ELFO – Huummm…no morangal?
COELHO – Sim, é onde as tuas primas se refugiam.
ELFO – Áh! É?
COELHO – Sim, é…às vezes estão lá às centenas.
ELFO – E o que fazem lá?
COELHO – Ai, isso é com elas! Sei que já as vi a descansar, a tomar chás e refrescos de morango, sempre às gargalhadas, descansam, dançam, brincam…e não sei o que mais!
ELFO – No morangal?
COELHO – Sim. É um sítio fabuloso. Está-se lá que é uma maravilha.
ELFO – Estou a ver os morangos.
COELHO – São deliciosos, e lá é um local fresco. Quando quiseres ir para casa, chama-me e eu levo-te.
ELFO (sorri) – Muito obrigada.
COELHO – Até já.
ELFO – Até já.
COELHO – Descansa.
NARRADORA – E o elfo vai para o morangal. Quando entra, fica deliciado com o que vê…morangos enormes, cheios de sumo, com folhas gigantes, frescas que fazem sombra, uma fonte de água. Ele dá uma trinca num morango apetitoso e come maravilhado. O morango grita:
MORANGO - Ai, que bruto!
ELFO – Huummm…que delícia. Óh…desculpa. Estou cheio de fome e sede, e és tão delicioso, apetitoso…
MORANGO – Eu sei que sim, e já estou habituado às dentadas, mas podias ser mais delicado a dar a dentada! Se fosses uma fada, tudo era diferente.
ELFO – Era diferente porquê? Elas são fadas, eu sou elfo!
MORANGO – São da tua família, não são?
ELFO – Sim. Mas o que é que isso quer dizer?
MORANGO – Quer dizer que devias ser mais delicado como elas a dar as trincas em mim e nos outros.
ELFO – Elas dão-te trincas?
MORANGO – Dão. Bem carinhosas.
ELFO – São meninas.
MORANGO – Pois, faz toda a diferença, mas podes aprender com elas.
ELFO – Não. Não quero aprender com elas, nem tenho nada que ser como elas.
MORANGOS – Não sabes o que perdes. Se fosses mais como elas, conquistavas todas as meninas que querias!
ELFO – Achas?
MORANGO – Tenho a certeza.
ELFO – Huummm…vou pensar nisso! Depois de descansar, está bem?
MORANGO – Está bem.
NARRADORA – Que rica soneca que ele dormiu! Quando acordou, o coelho já lá estava e foram juntos para o vale dos cristais, a conversar alegremente e a rir. Finalmente o Elfo regressa à sua casa, com a família já preocupada, e convidam o coelho para entrar. O coelho entra e é apresentado a toda a família. Depois de lanchar, volta para casa. A partir deste dia, o Elfo vai todos os dias para o seu refúgio no morangal, onde se encontra com as suas primas e amigas, onde descansa e refresca-se em paz, relaxa, e dorme a sesta na relva fofa debaixo dos morangos. Às vezes também vai para lá pensar, reflectir, tomar decisões importantes e difíceis, e escrever. Todos juntos, fazem serões neste refúgio, muito divertidos, poéticos, artísticos, e musicais. Todos temos necessidade de nos refugiarmos um pouco…desligarmo-nos da agitação do dia-a-dia, e passearmos um pouco, em paz, sem pressa, pelo nosso refúgio secreto, umas vezes verdadeiro, e acessível, outras vezes…mais distante ou criado por nós, ditado pela nossa criança interior. E o vosso refúgio, como é?

FIM
Lálá
(19/Dezembro/2013)



quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

No campo da Lua




 foto de Lara Rocha 

         Era uma vez uma menina que foi passear até à Lua. Na Lua, encontrou-se com as estrelas que a levaram até um sítio nunca antes descoberto. Nesse sítio que era enorme…parecia vários campos de futebol juntos, o chão era feito de pedaços de rocha de vulcões adormecidos há muitos milhões de anos, por isso, eram de cor escura.
Espalhadas por todo o lado, estavam umas grutas, e rochas de vulcão com crateras onde repousavam unicórnios pequeninos, póneis, cavalos e outros animais que não existem na terra. Alguns animais eram muito estranhos, mas todos mereciam ser vistos e acarinhados. Eram meigos.
A menina brinca com uma espécie de animal, que parecia um cão, mas tinha rabo de porco, e pelo branco, olhos de lobo, orelhas de coelho e focinho de gato, com uns cornos. Apesar de ser…não muito bonito, era simpático e muito educado, brincalhão e saltitão, traquina.
Logo aparece outro muito ciumento, que tinha corpo de vaca, patas de pato, pelo de ovelha e orelhas de cão, que a levou a conhecer as suas crias…parecidas com dálmatas.
Pelo caminho cruza-se com unicórnios grandes e cavalos altos, de pelo brilhante, patas elegantes…lindos! Montou numa linda unicórnio, azul, e cavalgaram para um jardim cheio de flores lindas, umas grandes, outras pequenas, umas estavam com as pétalas abertas, outras tinham as pétalas fechadas.
Porque estavam elas fechadas? A unicórnio respondeu à menina que umas estavam fechadas porque estavam a dormir, outras estavam fechadas porque eram envergonhadas, outras, porque guardavam segredos e tristezas, desabafos das pessoas da terra, e outras para proteger borboletas.
Ainda encontrou flores que voavam em cima de pipocas. Quer dizer…para a menina eram pipocas, mas na verdade, eram os carros das flores, feitos de estrelas que se desfizeram há muito tempo. Outras flores, voavam pelo espaço sem pressa, sem rumo, só para…descansar, meditar, e relaxar, porque eram flores reformadas., algumas já velhinhas, e outras quase sem cor.
Além das flores, e dos animais estranhos que viviam lá, também havia umas lindas casas, feitas de estilhaços de planetas que explodiam, pedaços de estrelas e pedras da lua. Nessas casas viviam umas fadas, centenas delas, e duendes, elfos, bruxas e até feiticeiros que tinham ficado desempregados na terra.
Depois, a menina dá um mergulho com as fadas num lago com água cor-de-rosa, quente. Todas saltitaram e brincaram na água, com golfinhos que faziam habilidades.
Foi-se secar à praia de areia branca, com sol, e uma temperatura muito agradável. Refrescou-se à sombra de uns anéis de metades de planetas, que de vez em quando soltavam pequenos salpicos de água morna para a menina, que bem que sabia. Um belo sereio serve-lhe uma água com limão. Huummm…que fresco…que bom que estava.
De repente…o céu fica escuro, e forma-se uma violenta tempestade. A menina regressa à Terra e grita.
- O que foi, filha? – Pergunta a mãe da menina.
- O que foi isto?
- Está a começar uma tempestade lá fora…!
- Mas…eu não estou na Lua?
- Na Lua? Não…estás na terra, na tua casa!
- Óhhh…eu não saí daqui?
- Não…onde querias ir?
- Eu ainda agora estava lá em cima...a apanhar sol, mas de repente…o céu ficou muito escuro, e formou-se uma tempestade.
- Lá em cima, onde?
- Na praia da Lua.
- Onde é isso?
- É no Universo…lá em cima, onde moram as estrelas, e a Lua.
- Áh! (sorri) Já percebi. Estavas a sonhar!
- Estava a sonhar?
- Sim. Tu adormeceste.
- Óh…mas…eu até andei numa unicórnio azul… (a menina descreve tudo à mãe) Óh. Foi só um sonho?
- Sim, claro, filha…foi só um sonho! Mas foi um sonho muito bonito! A tempestade é que te fez acordar.
- Pois foi! Óóóhhh…parecia tão real. Eu gostava muito que tivesse sido real.
Não faltava nada, naquele cantinho do Universo…havia piscinas, campos de animais e de cultivo, jardins, igrejas, escolas, consultórios e hospitais, restaurantes, supermercados, lojas, centros comerciais…tudo! Mas que grande agitação…parecia quase uma grande cidade do planeta terra, cheias de trânsito, em hora de ponta, a todo o minuto. Ou…um batalhão de formigas que procuravam alimento desesperadas. A única diferença é que aqui não havia buzinas de carros, nem maus cheiros, nem fumos, nem gritaria. Não havia Guerra, porque todos os seus habitantes sorriam uns aos outros, quando se cruzavam, abraçavam-se e beijavam-se, davam apertos de mãos e diziam bom dia! E tudo não passou de um sonho!       

                                                                                        FIM
                            Lálá
                    (18/Dezembro/2013)

Uma prenda de Natal da Fadinha


NARRADORA - Era uma vez uma pequenina fadinha, que uns dias antes do Natal quis oferecer alguma coisa de muito especial aos meninos que estavam doentes. A fadinha ficava triste, ao pensar que alguns meninos não tinham Natal com as famílias, nem podiam ir para casa. De repente, quando passeava pela floresta, e voava à volta do lago mágico, deixou de ter pena dos meninos e pôs mãos à obra.
FADINHA – Não! Pára! Não podes ter pena delas…penas…têm alguma animal, e a pena…bloqueia-te. A tristeza diminui os teus poderes!
NARRADORA – Aparece a linda sereia de prata, brilhante, e de longos cabelos pretos, com olhos verdes.
SEREIA – Tens toda a razão. Não sei porque estás triste.
FADINHA (sorri) – Ai, que susto.
SEREIA (ri) – Desculpa.
FADINHA (sorri) – Já estavas aqui há muito tempo?
SEREIA (sorri) – Algum.
FADINHA – Ouviste as minha lamurias?
SEREIA (ri) – Sim, é o que eu faço todos os dias…ouvir lamúrias.
FADINHA – E não ficas triste?
SEREIA – Não! Apenas…ouço. Mas…o que fazes por aqui a esta hora, além de…qualquer coisa a ver com penas…?
FADINHA – Vim passear, e pensar um bocadinho sobre umas coisas.
SEREIA – Posso saber que coisas?
FADINHA – Estava a pensar nos meninos que estão no hospital, doentes, que não podem ir a casa.
SEREIA – Sim, deve ser mesmo muito triste. Mas porque te lembraste dessas coisas tão tristes…? É Natal…
FADINHA – Por isso mesmo.
SEREIA – Não. O Natal não é tristeza…quer dizer…pelo menos não devia ser.
FADINHA – Pois não.
SEREIA – Mas, o que te adianta ficares triste a pensares neles?
FADINHA – Eu estava a pensar oferecer alguma coisa muito especial, mas não sei bem como fazer.
SEREIA – Deixa-me adivinhar…uma coisa muito especial, para meninos que estão no hospital…Huummm…a cura deles!
FADINHA (sorri) – Sim, é isso mesmo. Mas não sei médica.
SEREIA – Não precisas de ser médica para lhes dar a cura.
FADINHA – Não?
SEREIA – Não.
FADINHA – Não estou a ver como…!
SEREIA – Não vês? Estarás a precisar de óculos, ou de uma lanterna…?
FADINHA (ri) – Não…acho que vejo bem, só não estou a ver como vou fazer essa cura.
SEREIA – É muito fácil.
FADINHA – O que tenho de fazer?
SEREIA – Primeiro…pede uma bola de água.
FADINHA – Uma bola de água?
SEREIA – Sim.
FADINHA – A quem?
SEREIA – Ao lago! E põe as tuas mãos na água.
FADINHA – Quero uma bola de água.
NARRADORA – A fadinha põe as mãos na água do lago, e pede uma bola de água. Forma-se um grande buraco no lago e de repente um enorme chafariz que projecta a bola.
FADINHA – Áh! Que linda bola! É enorme! Uau! E agora? O que faço com ela?
SEREIA – Agora…vamos enchê-la com várias coisas.
FADINHA – E onde vou buscar essas coisas?
SEREIA – Elas estão aqui! Em ti!
FADINHA – Áh! Em mim?
SEREIA – Sim, em ti. Tu tens poderes…!
FADINHA – Áh. Pois tenho! Já me esquecia…mas não tenho poderes para tudo.
SEREIA (ri) – Esqueceste-te que tinhas poderes? Como?
FADINHA (ri) – É que…eu sou criança e gosto de ser como sou, como as outras crianças…gosto de…brincar como elas, de dar e receber carinho, de saltar, correr, dançar, cantar, gritar, cair, sujar a roupa, rebolar na terra, rasgar a roupa…tudo o que elas fazem.
SEREIA – Sim, está bem, mas todas têm poderes.
FADINHA – Sim, eu sei, mas não gostamos de os usar de qualquer maneira. Só quando é preciso.
SEREIA – Aqui são precisos, por isso podes ajudar. Tu, e as tuas amigas. Há muita gente que gostava de ter poderes, principalmente os bons.
FADINHA – Sim, eu sei. Eu também gosto de os ter, principalmente porque posso ajudar muita gente!
SEREIA – Claro, e vais ajudar as crianças. Vamos lá…começar. Pede o que eu pedir…com as mãos na bola, e pede para ti, só para o teu pensamento.
FADINHA – Está bem.
SEREIA – Fecha os olhos, e concentra-te. (p.c) Preparada?
FADINHA – Sim.
SEREIA – Mantém-te com os olhos fechados.
FADINHA – Entendi.
SEREIA – Água! Minerais! Diamantes! Cristais! Sais! Gotinhas de arco-íris! Sorrisos de bebés! Estrelas! Lavas de vulcão! Pedras quentes! A força do Universo! Lágrimas! Salpicos de amor! Pingas de carinho! Fios de Lua Cheia! (Silêncio) Agora…tudo se vai misturar. Podes abrir os olhos.
NARRADORA – A bola enche-se de tudo o que a Sereia disse, e a Fadinha repetiu em pensamento. A enorme bola, torna-se ainda maior, e tudo no seu interior se mistura, e mexe. A bola rebola de um lado para o outro, como se fosse uma máquina de lavar e pára. A fadinha aprecia, maravilhada, e solta grandes exclamações ao ver tanta luz dentro da bola.
FADINHA (sorri) – Áh! Que lindo! E agora, o que se faz com ela?
SEREIA – Agora…pegas na bola e distribuis nos quartos dos meninos que estão doentes nos hospitais, e às mães. Aí dentro estão bolinhas mais pequeninas, e cada menino vai receber uma.
FADINHA – E eu tenho de tirar as bolinhas daqui?
SEREIA – Não! Só tens de chegar aos quartos, dar um beijo na bola grande, e a bolinha mais pequena sai naturalmente, e abre-se sobre as crianças.
FADINHA – Mas o que têm as bolinhas mais pequenas?
SEREIA – Têm tudo o que essa bola grande tem…tudo o que aí metemos. São bolinhas carregadas de amor, saúde e cura.
FADINHA (sorri) – Áh! Está bem.
SEREIA – Chama as tuas amigas para ser mais rápido.
FADINHA – Isso. Boa ideia.
SEREIA – Vão! Não percam tempo…
FADINHA – Até já…muito obrigada.
SEREIA (sorri) – De nada…até já.
NARRADORA – A fadinha pega na bola gigante, feliz, e chamas as amigas. Todas ajudam a carregar a bola, que é leve, mas vão juntas para a distribuição ser mais rápida. A cada beijo delas, saem as bolinhas, naturalmente, como tinha dito a sereia, e cada fadinha distribui pelos quartos dos meninos, durante toda a noite. Cada bolinha sabe a sua função. No dia seguinte, de manhã, os médicos fazem exames aos meninos, que estranhamente estão felizes, sorridentes, com pele rosada, e uma energia nunca vista. As mães estão surpresas, mas felizes, ainda que não saibam o que se passa. No dia seguinte, os médicos das crianças reúnem-se com as mães, e estão boquiabertos, muito felizes. As mães estão muito nervosas, e com medo.
MÉDICO CHEFE – Queridas mães…temos noticias para vocês, dos vossos filhos!
MÃE 1 – Ai, diga doutor…sejam quais forem.
MÃE 2 – Estou a ficar muito nervosa.
MÃE 3 – Acho que é hoje que me atiro abaixo da janela com o meu filho.
MÉDICO 1 – Por favor, não diga isso, nem num momento de grande desespero.
MÃE 3 – O doutor não entende o nosso desespero e angústia, por termos um filho tão pequeno, com uma doença daquelas, pois não?
MÉDICO 1 – Sim, entendo. Mas não é caso para tanto…há sempre uma saída.
MÉDICO-CHEFE (sorri) – Calma…tenham calma! Não vai ser preciso chorarem mais, nem pensar no pior, nem passar os dias aqui no hospital.
MÃES (suspiram) – Ai, valham-nos todos os deuses!
MÃE 2 – O que quer dizer com isso, doutor?
MÃE 1 – A situação é assim tão grave?
MÃE 3 - Muito mais do que o que nós pensávamos?
MÉDICO-CHEFE – Não! Muito pelo contrário. As notícias que tenho para vocês não podem ser melhores! (As mães dão as mãos umas às outras) – Os vossos filhos, estão curados! Por incrível que pareça…estão curados! Os valores estão excelentes. Não há qualquer sinal de doença. Os vossos filhos podem ir para casa, e viver as suas infâncias como todas as outras crianças…cheias de saúde, alegria, energia…podem correr, saltar, brincar, rir, cair…tudo!
NARRADORA – As mães suspiram de alívio, felizes, e emocionadas, abraçam-se e beijam-se umas às outras.
MÃES (gritam, sorridentes) – Vencemos!
MÃE 1 (feliz) – Os nossos filhos, venceram, e fizeram-nos vencer.
MÃES (felizes) – Sim.
MÃE 2 (sorridente) – São uns lutadores.
MÃE 3 (feliz) – E o nosso amor por eles, também teve a sua parte na cura.
MÃES – Claro.
(Abraçam os médicos, e beijam-nos).
MÃES – Muito obrigada, doutores.
MÃE 1 (feliz, grita) – Milagre!
MÃE 2 – As nossas preces foram ouvidas.
MÉDICO – CHEFE (sorri) – Nós também estamos muito felizes, e surpresos…não sabemos como é que esta recuperação sem tratamentos aconteceu…e tão rápido.
NARRADORA – Pouco depois, saem com os filhos, orgulhosas e felizes, e o mesmo acontece em todos os outros hospitais por onde passaram as fadinhas. O seu presente foi mesmo muito especial. A fadinha saltita feliz, e ri de alegria. Vai logo a correr contar às amigas e agradecer-lhes a ajuda, e todas felizes, vão agradecer à sereia do lago.
TODAS – Muito obrigada, sereia! E Universo, por atenderem ao nosso pedido.
SEREIA (sorridente) – De nada…tu mereces! Foi um prazer ajudar-te, e contribuir para a recuperação dos meninos.
FADINHA (sorri) – Tu tinhas razão…os ingredientes estavam mesmo aqui. Dentro de nós.
SEREIA (sorri) – Claro que sim.
NARRADORA – E todas festejam alegremente. Para as mães e para os meninos, foi com certeza uma bela prenda de Natal, antecipada, porque ainda faltavam uns dias. Às vezes recebemos presentes inesperados, mesmo quando não é Natal. A saúde é um dos maiores presentes que recebemos, e esse não vem embrulhado em papel, nem é dado por alguém…às vezes, só lhe damos valor, quando infelizmente ela escapa, e ficamos doentes. Devemos cuidar dela, como se fosse um presente de todos os dias, muito especial e muito delicado. Que esta bola de luz chegue a cada menino doente, e que possa curá-los a todos, levando-os para casa e para que sejam felizes, com a sua família…outro dos grandes presentes que podemos receber todos os dias! Que todos tenhamos uma boa saúde, e estes dois maiores tesouros do mundo, que se encontram muito perto de nós! Feliz Natal.

Fim
Lálá
(18/Dezembro/2013)