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segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

A formiguinha feliz na aldeia dos tristes

desenhado e pintado por Lara Rocha 

Era uma vez uma formiguinha que teve de ir viver para outra aldeia, por causa do seu trabalho. Arranjou rapidamente uma casinha onde ficar, indicada pela sra. Fina, uma abelha rainha dona de muitas casas que alugava e vendia. Não era má, mas não sorria, talvez por ser rainha e por ter de ser séria. A formiguinha instalou-se e acomodou as suas coisas. Petiscou, e foi para a janela ver a paisagem. Estava uma lua cheia lindíssima, mas não se via ninguém. De repente passou um coelho a correr, e parecia assustado.
- Boa noite! - Diz a formiguinha sorridente
O coelho correu ainda mais.
- Áh! Mas porque é que ele está a correr tanto? Nem me respondeu.
Passou uma raposa a caminhar devagar e a farejar.
- Boa noite! - Diz a formiguinha
A raposa olha para ela, e responde sem sorrir:
- Não te conheço, mas...boa noite!
- Sou uma formiga, a nova residente desta casinha. Vim de outra aldeia para aqui, por causa do meu trabalho. Vives aqui?
- Áh! Muito gosto. Sim, vivo aqui. Estou à procura de comida, hoje não fiz as refeições todas.
- Porquê?
- Porque dormi muito.
- Porquê?
- Passei a noite acordada, e dormi de manhã.
- Porquê?
- Porque não tinha sono!
- Porque é que não tinhas sono?
- Não sei!
- Queres comer alguma coisa?
- Tens alguma coisa para me dar?
- Entra e vê, pode ser que tenha.
A raposa fica à porta.
- Entra! - Diz a formiga
- Com licença...
- Já te dei! Porque estás a fazer tantas cerimónias? - Diz a formiga
- Eu? Cerimónias...? O que é isso?
- Parece que estás com vergonha de entrar.
- Áh! Não é bem vergonha...é que...não estou habituado a entrar na casa dos outros.
- Porque não?
- Aqui ninguém faz isso.
- Senta-te! Vê se alguma destas comidas te agrada.
A raposa escolhe alguns pedaços de carne, e bebe um chá com a formiga.
- Então, e de onde vens, formiga? Hummm...esta carne é deliciosa!
- Venho da aldeia do sorriso. Já ouviste falar?
- Sim! Nunca lá fui, mas conheço animais de lá, quando nos encontramos de vez em quando.
- Se se encontram de vez em quando como é que não entras nas casas dos outros?
- Aqui nesta nossa aldeia não.
- Mas qual é o problema?
- Não sei. São regras.
- Na minha aldeia, somos como família, vamos a casa uns dos outros, oferecemos coisas uns aos outros, convivemos e partilhamos o que temos.
- Aqui não fazemos nada disso. A rainha não quer ser incomodada, por isso acha que quem está à sua volta também não pode andar por ai.
- Mas que rainha tão egoísta, e má! Ela não pode fazer isso... quem é ela?- Diz a formiga zangada
- É a que te abriu a porta desta casa.
- É mesmo carrancuda! - Resmunga a formiga
- Carrancuda? O que é isso?
- Que tem um focinho muito comprido, que não sorri.
- O que é sorrir?
A formiga sorri.
- É o que estou a fazer agora, para ti...a sorrir.
- Vejo qualquer coisa de diferente em ti.
- Sim, é normal, estou a sorrir, fico diferente.
- Não sei o que é isso.
- Como não sabes o que é sorrir? Olha para ali, para aquele espelho.
A raposa não sabe sorrir, não consegue.
- Óh, isso deve ser só a tua espécie que faz.
- Claro que não é só a minha espécie, qualquer espécie faz isso!
- A nossa não faz.
- Claro que faz!
- Já nos viste a fazer isso?
- Sorrir...chama-se...sorrir! A ti ainda não vi, à tua família também não, ao coelho que passou aqui também não, passou a correr, nem boa noite me disse. Aquela vossa rainha também não a vi sorrir.
- Pois não. Ela não faz isso que tu fizeste.
- Porque não?
- Não sei. Nunca vi ninguém aqui na aldeia fazer isso! - Diz a raposa pensativa
- Não pode ser!
- Queres ver...? Anda comigo, vamos passear por aí, e vais ver como ninguém faz isso!
A formiga fica muito intrigada e pensativa. As duas saem, e passeiam pela pequena aldeia. Em todas as casas por onde passam, não se vê ninguém a sorrir.
- Mas será possível que ainda não tenha visto um sorriso, além do meu?
- O que é isso que acabaste de dizer?
- Sorriso! Foi o que fiz há bocado...dei um sorriso, sorri.
- Eu não sei fazer isso.
- Parece que aqui realmente ninguém sabe!
A formiga tem uma ideia. Vai de porta em porta a sorrir, e tenta perguntar aos vizinhos se são felizes, e porque não sorriem. Todos os vizinhos lhe fecham a porta no focinho, sem responderem, nem sorrirem.
- Áh! Não posso acreditar. Mas que antipáticos, grossos... isto não se faz! Óh, não...(triste) onde é que eu vim parar...? Acho que vou mudar de aldeia.
- Porquê?
- Porque não gosto de ver tanto animal sem sorriso! Não gosto de antipáticos.
- Mas... (a raposa deixa escapar umas lagriminhas)
- O que foi? - Pergunta a formiga
- Vais-te embora...?
- Vou!
- Óhhh...agora que eu tinha alguém com quem falar e passear, já vais embora?! Aqui somos mesmo assim, tristonhos, mal falamos uns com os outros, só nos conhecemos de vista, bom dia, boa tarde, boa noite, às vezes nem isso! Aqui choram muitas vezes.
- Não admira que chorem! Não sorriem! Não gosto de estar aqui, não falam comigo, fecharam-me a porta no focinho, e não sorriem.
- E eu vou ficar sozinha?
- Já deves estar habituada não?
- Estou com a minha família, mas somos todos assim.
- Sem sorrisos!
- Sim.
- Que tristeza. Eu sou sorridente, adoro sorrir, adoro ver sorrisos, adoro que sorriam e riam para mim, adoro que falem comigo...aqui ninguém faz isso. Não gosto disto!
- Mas...por favor, não vás!
- Vou!
- Não!
- Vou!
- Não!
- Porque não? Se eu estou num sítio onde não sou feliz, vou procurar outro, onde encontre sorrisos, onde me sorriam, onde falem comigo!
- Por favor...não vás...sem antes me ensinares a sorrir!
- O quê? Acho que não posso fazer isso. O sorriso não se aprende, é natural, vem dos nossos olhos, do nosso coração, da nossa cabeça.
- Vá lá! Tenta! Eu quero saber como tu fazes.
- Se queres sorrir...se calhar...tens de vir comigo para outro sítio, onde vejas sorrisos.
- Óh...mas...vou ter de deixar a minha família?
- Não precisas, podes ir e voltar.
- E achas que posso aprender a sorrir?
- Sim. Queres ver? Anda!
- Mas por favor, fica mais um dia.
- Vou pensar.
As duas saem e vão para a aldeia da formiga. Pelo caminho cruzam-se com muitas formigas que param para a cumprimentar, com sorrisos abertos, e trocas de abraços. Ela apresenta a sua amiga raposa, que também recebe sorrisos, olás e abraços. A raposa fica tão feliz que naturalmente, e sem pensar, abre um grande sorriso.
- Áh! Boa! Já consegues sorrir, estás a ver?
- A sério? Estou a fazer o que tu fizeste?
- Estás! Todas com quem me cruzei sorriram, fizeram o que eu fiz, e são minhas amigas, simpáticas!
- Sinto-me tão diferente! São mesmo diferentes das da minha aldeia.
- Pois, sentes-te feliz, estás a sorrir, sorridente...que linda que estás! Adoro ver-te sorrir.
- E tu também estás feliz, formiga?
- Claro que sim, agora sim, depois de ver tantos sorrisos! Vou levá-los na minha memória para me animar naquele sítio onde vou ficar, só até encontrar um sítio melhor.
A raposa dá saltinhos de alegria, com grandes sorrisos e abraça e lambe a formiga, que primeiro se assusta e depois ri, e retribui. As duas conversam alegremente pelo caminho, de regresso a casa, riem e sorriem. Quando chegam à aldeia, a rainha trombuda vem logo resmungar:
- Que pouca vergonha é esta? A esta hora, e com esse comportamento tão estranho? O que andaram a fazer?
- Aprendi a sorrir, rainha! Estou tão feliz! - Diz a raposa
- O que é isso? - Resmunga a rainha
- É...muito bom. Tem de aprender também! De certeza que vai ficar muito mais bonita. - Diz a raposa
- O que estás a dizer? Que eu sou feia?
- Não! Disse que já é bonita, mas se aprender a sorrir, vai ficar ainda mais. Quer ver...?
A raposa dá um abraço à rainha, e lambe-a. A rainha encolhe-se, e ri por uns instantes.
- Mas o que estás a fazer...? Larga-me...
- Gosto muito de si, rainha linda...! - Diz a raposa 
A formiga ri-se, e as duas conseguem derreter o gelo do coração da rainha que se ri, e sorri.
- Há quanto tempo não ouvia isso...! (sorri) Mas estás a falar a sério?
- Sim, estou muito a sério.
A rainha ri:
- E um abraço destes... Ai, sinto-me diferente!
- Pois sente! Está feliz e está a sorrir!
A rainha abana as asas, sorridente, e fica toda luminosa. As duas (formiga e raposa) aplaudem a sorrir:
- Que linda! Uau!
- Vamos ensinar aos outros...? - Sugere a rainha
- Claro que sim! - Dizem as duas
As três engancham os braços, e vão a cantarolar, sorridentes, bater de porta em porta. Quando abrem, ficam completamente surpresos, e as três dizem:
- Sorriam!
- Nova regra para todos... sorrir! Assim, como nós as três! - Diz a rainha
- Aprendam! - Diz a raposa
As três distribuem abraços, sorrisos e beijos por todos, que sem darem por isso, sorriem, até parece que dão luz. O carinho das três, com o sorriso, derretem o gelo e a tristeza que todos os habitantes transmitiam, mas como foi ordem da rainha que depois disso não parou mais de sorrir a toda a gente, de falar com toda a gente e ser simpática com todos, todos se tornaram sorridentes, simpáticos, aprenderam a conviver uns com os outros, a rir, a ir a casa uns dos outros, a partilhar e a brincar, a dar e receber carinho! A formiga estava orgulhosa, e porque agora tinha ensinado um povo tão carrancudo e antipático, a sorrir, e a abraçar, continuou feliz naquela aldeia. A aldeia nunca mais foi a mesma. A formiguinha era quase outra rainha, querida por todos, e a aldeia ganhou vida, alegria, sorrisos, amizades.Sorrir é mesmo bom, deixa-nos mais bonitos, mais felizes, fazemos mais amigos.

                                                                                 FIM
                                                                                 Lálá     

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

O bolo especial

NARRADORA – Era uma vez uma ilha selvagem, perdida numa praia selvagem. Nessa ilha vivia uma grande comunidade de Índios, que nunca tinham ido á cidade, nem tinham comunicado com outras pessoas. Esses índios vestiam muito pouca roupa, e não tinham nada que fosse pré-fabricado. Eles próprios construíam os utensílios de cozinha, os instrumentos de defesa, os medicamentos com produtos naturais, roupas, a comida era a própria terra que dava, e o que plantavam. As famílias eram muito numerosas e viviam em tendas cobertas de cabaninhas de palha para se protegerem da chuva e do calor, embora chovesse muito pouco. Não lhes faltava nada. Davam-se todos bem. Numa noite com uma Lua Cheia que iluminava tudo, uma fada Luísa sobrevoou essa ilha, quando já todos dormiam. Estava lá outra fada residente, pousada numa árvore muito velha, a tocar uma música muito suave com a sua harpa, como era costume.  
FADA LUÍSA – Olá, boa noite!
FADA LUZ (sorri) – Olá!
FADA LUÍSA (sorridente) – Tocas tão bem…! Continua, por favor.
FADA LUZ (sorri) – Agora é hora do silêncio. Entra na minha casa, para conversarmos um pouco…!
(As duas entram na velha árvore)
FADA LUZ – Esta é a minha humilde casa…bem-vinda!
FADA LUÍSA – Áh! A tua casa é linda! E tu também.
FADA LUZ (sorri) – Obrigada. És nova aqui, não és?
FADA LUÍSA – Sim. Estou só a sobrevoar a zona…e tu? De onde és?
FADA LUZ – Eu vivo aqui, desde que nasci. Os meus pais vivem naquele cogumelo ali adiante, muito perto daqui, vou lá todos os dias, e eles vem cá, mas quis algum espaço só para mim. Faço música para trazer paz à ilha, e para os adormecer. E tu, o que vieste fazer para além de sobrevoar?
FADA LUÍSA – Vim ver como era esta ilha, com a Luz da Lua.
FADA LUZ – É linda…esta ilha é um sonho…de dia e de noite, com qualquer lua. Sabes, aqui todos vivem bem, mas falta uma coisa que…talvez nós as duas possamos ajudá-los a ter!
FADA LUÍSA – O quê?
FADA LUZ – Sorrisos!
FADA LUÍSA (muito surpresa) – Sorrisos?
FADA LUZ – Sim! Sorrisos…eles não sorriem, nem riem!
FADA LUÍSA – Porquê?
FADA LUZ – Deve ser a sua maneira de ser. Estão sempre com cara de pau.
FADA LUÍSA – Cara de pau? Mas eles não têm pele, como nós?
FADA LUZ – Têm pele, como nós, claro, mas estão sempre sérios…
FADA LUÍSA – Sérios…? Huummm…porquê?
FADA LUZ – Não sei, parecem sempre aborrecidos, ou chateados, ou…tristes!
FADA LUÍSA – Porquê?
FADA LUZ – Não sei. Acho que nem sabem o que é sorrir, ou rir.
FADA LUÍSA – Mas como é que isso é possível?
FADA LUZ – Este povo vive muito isolado, nunca contactou com outras pessoas.
FADA LUÍSA – Nunca foram à cidade?
FADA LUZ – Não, nem os da cidade vieram aqui. Os visitantes passam sempre de longe.
FADA LUÍSA – E como é que conseguem ter as coisas que precisam?
FADA LUZ – Aqui, têm tudo! Só lhes falta sorrir, e rir.
FADA LUÍSA – Mas sorrimos desde que nascemos!
FADA LUZ – Nós, sim, mas não somos todos iguais! Nós sorrimos desde que nascemos, porque os nossos pais sorriem-nos, e amam-nos, mas talvez estes pais não sorriam, nem riam para os filhos!
FADA LUÍSA – Será que não gostam dos filhos, como os nossos pais gostam de nós?
FADA LUZ – Acredito que gostem dos filhos, mesmo sem lhes sorrir. Talvez tenham outra maneira de lhes mostrar o amor que sentem!
FADA LUÍSA – Mas se não lhes sorriem é porque não ficam felizes por ter os filhos no colo!
FADA LUZ – Não acredito muito nisso! Somos todos diferentes, aprendemos muitas coisas iguais, mas não concretizamos o que aprendemos, todos da mesma maneira. Uns são mais expressivos, outros mais reservados, mas acredito que tenham na mesma os sentimentos e que haja amor entre eles.
FADA LUÍSA – Eles brincam?
FADA LUZ – Não.
FADA LUÍSA – Eles abraçam-se e beijam-se?
FADA LUZ – Não.
FADA LUÍSA – Por isso é que eles andam sempre tristes!
FADA LUZ – Sim, pode ser…todos precisamos de abraços e beijos, isso faz-nos bem, e sentimo-nos felizes…
FADA LUÍSA – Há bocado disseste que talvez pudéssemos ajudá-los…como?
FADA LUZ – Sim, podemos! Queres ajudar-me?
FADA LUÍSA – Está bem! Se eu souber como fazer…! Qual é a tua ideia?
FADA LUZ – Claro que sabes! A minha ideia é fazermos um bolo grande, para todos, com uns ingredientes especiais, que os vão fazer sorrir e rir muito!
FADA LUÍSA – Um bolo? Huummm…parece-me uma excelente ideia! Mas tem de ser apetitoso.  
FADA LUZ – De chocolate! É o ingrediente principal…além de ser delicioso, traz felicidade e boa disposição.
FADA LUÍSA – Sim, é verdade. E mais?
FADA LUZ – A massa vai ter…sorrisos, em pétalas, abraços e beijos em pó, gargalhadas em fermento…Huummm…mais…umas estrelas…bolinhas de riso…e…acho que não me estou a esquecer de nada!
FADA LUÍSA (sorri) – Huummm…que bom! Já estou com água na boca!
FADA LUZ (sorri) – Eu também! Já comeste esse bolo?
FADA LUÍSA (sorri) – Sim, já comi muitas vezes. Sempre que estou alterada, triste, chateada ou nervosa.
FADA LUZ (sorri) – Eu também. Então…mãos à obra.
FADA LUÍSA – Mãos à obra! Espera…onde vais buscar todos esses ingredientes?
FADA LUZ – Anda comigo!
NARRADORA – As duas fadas dão a mão, e vão para a praia buscar todos os ingredientes para o bolo que estão guardados num baú, dentro de uma árvore velha.
FADA LUÍSA – Ááááhhh…Nunca tinha entrado aqui!
FADA LUZ – Eu já! Entro muitas vezes.
FADA LUÍSA – Que linda!
FADA LUZ – Só eu sei deste lugar e do que aqui está!
FADA LUÍSA – É o teu refúgio?
FADA LUZ – Sim! Vá…ajuda-me a levar a caixa. Pega daí desse lado! Vamos precisar de tudo o que está aqui.
FADA LUÍSA – Está bem. Onde é a cozinha?
FADA LUZ – Vais já ver.
NARRADORA – As duas fadas transportam a caixa para uma cozinha entre rochas, e a fada acende a fogueira, debaixo do pote preto, antigo, onde vai ser feito o bolo. A fada está encantada.
FADA LUÍSA – Áh! Que cozinha tão linda!
FADA LUZ (sorri) Nunca tinhas entrado aqui?
FADA LUÍSA – Não!
FADA LUZ – Esta é uma cozinha comunitária, dos Índios, mas quase nunca vem aqui gente.
FADA LUÍSA (sorri) – É linda!
FADA LUZ (sorri) – Sim, é. Vamos lá então fazer o bolo.
NARRADORA – A Fada Luz começa a deitar os ingredientes, um por um, com muito carinho e delicadamente, mexe-os com elegância, e a outra fada ajuda. Enquanto as duas conversam alegremente, o bolo cresce, e deixa um aroma delicioso no ar, as fadas estão radiantes e saltitam de alegria. O bolo cresce ainda mais…
FADA LUZ – Está quase pronto.
FADA LUÍSA – Uau! Boa!
(As duas batem palminhas)
NARRADORA – E o bolo está pronto. As fadas tiram uma fatia e provam.
AS DUAS – Huummm…!
FADA LUÍSA – Que delícia.
FADA LUZ – Está óptimo, não está?
FADA LUÍSA – Mesmo tentador. E vamos deixá-lo na ilha?
FADA LUZ – Claro.
FADA LUÍSA – No pote?
FADA LUZ – Não…agora vamos pegar nele…tirá-lo do pote, e metê-lo ali na travessa!
FADA LUÍSA – ÁH! Está bem.
NARRADORA – As duas fadas pegam no bolo e põem-no na travessa. Levam-no para a ilha, e escondem-se. Pouco depois, todos os índios são despertados pelo cheiro irresistível do bolo. Reúnem-se à volta deste, e o índio chefe corta o bolo em fatias. Todos comem com vontade e deliciados, mais que uma fatia. Quando já estão satisfeitos, guardam o resto do bolo e de repente, as suas caras começam a mover-se sozinhas, a encolher-se, e a alargar a boca. Olham uns para os outros, muito assustados. Mas inesperadamente, começam a sorrir, a olhar uns para os outros. Depois…sem mais nem menos, atrás do sorriso, vem as gargalhadas, sem motivo, começando num, e os outros a seguir. As fadas riem também com vontade.
FADA LUZ (a rir) Ai, que gargalhadas tão engraçadas, já viste?
FADA LUÍSA (ri) – Pois é! São contagiosas.
FADA LUZ (a rir) – E que lindas, que são!
FADA LUÍSA (a rir) – Sim, são sem motivo, mas verdadeiras…são dadas com sinceridade e naturalidade!
FADA LUZ (a rir) – São mesmo. E essas são mesmo as mais bonitas, que deixam toda a gente realmente feliz…! Quem as dá, e quem as ouve…!
FADA LUÍSA (a rir) – É verdade!
FADA LUZ (a rir) – Aprenderam a rir, e a sorrir.
FADA LUÍSA (feliz) – Sim, foi mesmo!
FADA LUZ (orgulhosa) – O bolo funcionou mesmo.
FADA LUÍSA (orgulhosa) – Pois foi!
FADAS (felizes) – Boa!
(Abraçam-se)
FADA LUZ (sorridente) – Obrigada pela ajuda, amiga!
FADA LUÍSA (sorri) – De nada. Foi um prazer.
FADA LUZ – Aparece mais vezes por aqui.
FADA LUÍSA (sorri) Com certeza que sim! Passarei com muito gosto…e para a próxima, tens de ir também conhecer a minha casa…
FADA LUZ (sorri) Está combinado…é só aparecer por aqui, e dizeres quando queres que vá lá…
FADA LUÍSA (sorridente) Sim, eu venho-te buscar…! Até breve, amiga.
FADA LUZ (sorridente) – Até breve.
NARRADORA – A partir desse dia, as duas fadas tornaram-se grandes amigas, conviveram e brincaram juntas, aprenderam e ensinaram muita coisa uma à outra. A ilha nunca mais foi a mesma, porque os índios aprenderam a sorrir e a rir, com vontade, a brincar e a dançar. As caras de pau, tornaram-se caras de sorrisos, e palhacinhos, risonhos, sempre a trocar beijos e abraços. Tudo ficou muito mais feliz e divertido. Há muitas coisas que precisamos de aprender, ao longo da nossa vida, mas já nascemos a sorrir, e devemos sempre sorrir, assim como rir. Faz-nos bem à saúde, e faz-nos sentir mais vivos, mais felizes. Não se esqueçam de sorrir e de rir sempre! Muitas vezes por dia, sozinhos ou acompanhados, com motivo ou sem motivo. E não se esqueçam de abraçar e de beijar.

FIM
Lálá
23/Dezembro/2013