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quinta-feira, 24 de março de 2016

os olhos do coração



Personagens:
- Príncipe
- Princesa
- Rei
- Rainha
- Monstro
- Velha
- 2 Fadas
- 1 Árvore falante
- 1 Boneco falante
- 1 Menina

Cenário: Floresta

Cena 1
Música, abrem-se as cortinas, luz amarela para o palco, em cena já está a árvore falante e no fim da música entra a princesa com uma cesta na mão e o boneco dentro da cesta, entra aos saltinhos e a cantarolar.
MENINA – Lá, lá, lá, rá, lá, lá, lá, larararara…!
ÁRVORE – Isso, minha linda canta…canta enquanto podes…
MENINA – Bonequinho lindo…ouviste alguma coisa?
BONECO – Acho que… (frase interrompida)
ÁRVORE – Xiu! Está calado! Faz de conta que não ouviste nada.
(O boneco fica admirado a olhar para a árvore)
MENINA – Então, meu lindo?
ÁRVORE – Diz que não ouviste nada! Não me ouviste a falar.
BONECO – Mas vou mentir-lhe…e não posso fazer isso com a minha mãe!
ÁRVORE – Cala-te…não me faças perguntas e diz que não ouviste nada…!
BONECO – Não…não…não ouvi nada! Quer dizer…ouvi só…os passarinhos, os grilos, os sapos, os macacos…! E tu?
MENINA – Eu…também ouvi esses, mas acho que ouvi qualquer coisa…de…diferente desses animais!
BONECO – Hummm…eu…acho que não ouvi nada de estranho…pelo menos…que me apercebesse…ouvi os sons do costume! Deve ser a nossa imaginação.
MENINA – Estás com medo?
BONECO – Bem…tenho que ser sincero…sim…algum medo! E tu?
MENINA – Bem…eu não muito…já conheço esta floresta há muito, sei que não há nada de mal…mas às vezes há barulhos um bocadinho assustadores. Mas fica descansado…estás comigo! (p.c) Estamos juntos, não temos medo, certo?
BONECO (sorri) – Certo.
MENINA – Pareceu-me ouvir alguém a falar.
(O boneco volta a olhar para a árvore)
ÁRVORE – O que é que estás a olhar, com essa cara de pateta...já te disse para não dizeres nada, senão quem paga é ela.
BONECO – (para a árvore) Mas estou a mentir…que horror…que maldade…! (para a menina) Alguém a falar…? Só…só falei e tu…! Acho eu.
ÁRVORE – Pára de olhar para mim, estás a pôr-me envergonhada.
BONECO – Mas o que é que tu vais fazer?
ÁRVORE – Cala-te…fala com essa…a tua mãe ou lá o que é…!
MENINA – O que é que eu vou fazer…?
BONECO (sorri) – Sim…! O que é que tu vais fazer agora, aqui?
MENINA – Vou passear! Acho que vou apanhar umas flores para a minha Avó. O que é que achas?
BONECO – Eu acho que ela vai ficar muito feliz. Mas temos de ter cuidado com os grandes animais que habitam por aqui.
MENINA – Mas que grandes animais é que há aqui?
ÁRVORE (gargalhadas) – Ai…valha-me Deus…a tua dona é estúpida que nem uma porta (p.c) Tens que lhe ensinar o que são os grandes animais…e os bichos pequenos!
Cena 2
(A menina segue caminha a falar com o boneco, dá uma volta ao palco, olha para a paisagem, apanha algumas flores, com música, e anda ao som da música. rápido blackout, o lobo esconde-se atrás da árvore).
MENINA – Ai, estou cansada. Acho que me vou sentar à sombra.
(A árvore faz uma careta ao boneco e à menina, e o lobo faz cócegas à árvore, ela abana-se toda e ri-se).
MENINA – Boneco, será que está a chover?
ÁRVORE (a rir) – Ela é mesmo um soco…burra que nem uma porta.
BONECO (grita à árvore, zangado, a menina não ouve) – Pára de dizer essas coisas à minha mãe…! Estás a ofende-la e a ofender-me…! (para a menina) Não está a chover, olha para o céu…está limpíssimo. Não há uma nuvem para amostra… (riem).
MENINA – Deu-me a impressão que caiu qualquer coisa.
BONECO (sorri) – Não deve ter sido nada…! Descansa…tu tomas conta de mim, e eu tomo conta de ti.
(O lobo manda um grande espirro, a árvore abana toda e começam todos a gritar…estátuas com o susto).
ÁRVORE (resmunga) – Que porco que tu és…! Não sabes pôr a pata na frente dessa bocarra…?!
LOBO – Porco…eu…? Houve um porco que espirrou além de mim?
ÁRVORE – Não…estou a falar contigo!
LOBO – Desculpa…então não me estás a reconhecer…? Sou o teu amigo Lobo…!
ÁRVORE – Isso é maneira de espirrar…? Acho que nem os porcos animais fazem isso…! Cruzes…!
(O lobo dá outro espirro espalhafatoso. A árvore abana toda outra vez, gritam outra vez, e a menina desata a correr e sai do palco. O lobo espirra de forma escandalosa, mais duas vezes. A árvore ri-se).
LOBO – Olha lá minha desgraçada…que raio é que tu tens…ou puseste nos teus ramos para eu espirrar desta maneira…?
ÁRVORE (ri, às gargalhadas) – Eu…? Nada…! (p.c) Achas que eu ia perder tempo a pôr coisas nos meus ramos para apanhar com esses teus chuveiros de espirros…? (p.c. gargalhadas) Pode ter sido um mosquito que pousou no teu nariz e entrou-te para ele… (ri)
LOBO (chateado) – Fizeste de propósito! Que mazinha…!
ÁRVORE (ri) – Eu…? De propósito…? Achas…?! Claro que não.
LOBO (chateado) – O que é que eu te fiz, para me fazeres espirrar?
ÁRVORE (ri) – Nada…és meu amigo.
LOBO – Pois…também acho. Se não querias que eu me encostasse a ti, dizias logo. Escusavas de pôr coisas nos teus troncos para eu espirrar…ainda por cima chamaste-me porco…coisa que eu não sou!
(A árvore ri)
ÁRVORE (ri) – Desculpa…! Não te queria ofender…mas não gostei daquele teu espirro. (p.c) Garanto-te que não pus nada nos meus troncos para te afastar. (p.c) Não precisava disso…sei que se te dissesse directamente, tu respeitavas-me. (p.c) Além disso, gosto dos teus abraços...são…quentinhos…e felpudos…quer dizer…macios… (riem).
LOBO (ri, vaidoso) – Sua atrevida…ai, se não fosses de madeira…!
(Os dois dão uma gargalhada)
ÁRVORE - Olha à tua volta, e encontrarás a resposta…vais ver como tenho razão.
(Ouve-se o som de um mosquito…o lobo segue o barulho com os olhos e de repente para por uns segundos e o lobo dá uma grande estalada nele próprio, ouve-se o som de uma estalada sonora…o lobo cai, e o mosquito conseguiu escapar. Ri-se na cara do lobo).
ÁRVORE (às gargalhadas) – Estou rodeada de idiotas…o careca parecia um paspalho a olhar para mim… (p.c) a mãe dele…coitada…parecia que não tinha miolos…nem parecia deste planeta…só dizia disparates…! (p.c) E agora…este grandalhão…só tem tamanho grande, de resto…põe-se a andar atrás de um ser minúsculo que o fez espirrar...e acha que com um estaladão destes vai matar o mosquito…! (p.c) ai…que ignorância.
LOBO (ainda deitado, uiva) – Aaaaaaaaaaaaaaaaúúúúúúúúúúúú…! (p.c) Tu hoje…estás…aii…nem sei o que dizer…só…dizes coisas…más…! (p.c) Ainda por cima…ris-te na minha fuça…eu aqui todo amassado…e tu aí a gozar de fininho…e a chamar-me coisas…!
ÁRVORE (a rir) – Estás a queixar-te…? Ninguém te manda ser pateta.
LOBO – Aaaaiii…ajuda-me a levantar, por favor…! (p.c murmura) Deve ser mudança de Lua, hoje…o teu veneno está refinado…! À flor da casca…! (p.c) Desgraçada…!
ÁRVORE (ri) – Levanta-te, seu fiteiro…!
LOBO – Anda lá…deixa-te de bruxices e ajuda-me…!
ÁRVORE (a rir) – Dá outra chapadona em ti, outra vez…a ver se ganhas juízo. (p.c) Olha, vem aí a bombeira de duas patas…a velhota do costume…! Ela gosta tanto de ajudar, pede-lhe com jeito que te levante.
LOBO – Estás tola…? Ainda a mato de susto.
ÁRVORE – Se pedires com jeito ela ajuda-te…tenho a certeza.
LOBO – Tu deves ser bem mais velha que ela…!
                                            Cena 3
(A árvore dá-lhe com um cano no lombo. Ele grita, mas deixa-se estar deitado. Rápido blackout, música, e som de animais e de vento. Entra a velha, o lobo continua no chão a uivar). 
VELHA – Óh, pobre bichinho…estás ferido?
(A velha vê-o de cima a baixo, passa-lhe a mão pelo pêlo, o lobo uiva)
VELHA – Coitadinho!
(A velha ajuda-o a levantar e ele deita a língua de fora em sinal de agradecimento).
VELHA (sorri) – Ora…não precisas de agradecer…!
(Ouve-se outra vez o barulho do mosquito, o lobo segue outra vez o som com os olhos e a velha sacode-o).
VELHA – Sai, bicho chato…!
LOBO – Aaaaaúúúúú…!
VELHA – Não és tu, meu bichinho, lobinho. Estou a falar do chato do mosquito.
(A velha acaricia-o, dá-lhe beijinhos no pêlo…)
ÁRVORE – Estás a ver, desgraçado? Tiveste sorte…a velha vai com a tua fuça…! Se fosse eu a pedir…podia estar totalmente careca, seca, a morrer de sede, que a velha pouco se importava…deixava-me tal e qual como eu ficava!
(O lobo ri-se)
LOBO (para a árvore) – Ela pode ser velha, mas tem coração, de carne como eu…e tu…se tens coração…é de pau…é por isso que és tão má.
ÁRVORE (indignada) – Há animais com sorte! Os vegetais…que são os mais importantes para a vida das pessoas, tratam-nos assim. Não gostam de nós, mas esquecem-se que nós, de madeira é que lhes damos o ar que respiram, e aquecemo-los, no frio…quando nos cortam pedaços e atiram para o fogo…! E servimos de sombra…no calor… (p.c) Da bicharada…toda a gente gosta, e cuida… (p.c) estão capazes de os enfiar nas camas onde dormem só para não apanharem frio… (p.c) o lobo…como tem olhos lindos…um pêlo saudável, bonito, viçoso, macio…toda a gente o louva, (p.c) e nós, desgraçadas das árvores…que sofremos com todas as intempéries… (p.c) os nossos troncos…servem de sanita para os cães… (p.c) levamos com o xixi deles…e outras coisas… (p.c) suportamos fedores…porque também o raio dos pássaros usam-nos para casa de banho, e fazem outras judiarias connosco… (p.c) temos de aguentar tudo, e toda a gente passa indiferente…! (p.c) Na época de incêndios, levamos com fogo…não temos hipóteses de fugir…como os outros animais…e mesmo assim…toda a gente nos ignora. (p.c) Há tanta injustiça…!
VELHA – Anda meu lindo, vou cuidar de ti.
(A velha sai com o lobo de braço dado. A árvore sai do palco. Blackout, fecha-se a cortina, abre-se a cortina, música e aparecem no palco: o rei, a rainha e a princesa). 
Cena 4
(A princesa está muito assustada, pensativa, o rei e a rainha estão a falar um com o outro, e estranham o silêncio da filha).
RAINHA – Então, filha…estás muito calada.
REI – Aconteceu alguma coisa…?
PRINCESA (assustada) – Aiiii…papá e mamã…estou muito assustada!
REI – O que foi…? Sonhaste outra vez…ou imaginaste outra vez o lobo mau…? Querida…já te dissemos que ele não existe.
PRINCESA – Há bocado ouvi a Mariana, a filha da nossa empregada, a contar o que lhe aconteceu na floresta. Ela estava muito assustada.
REI – Óh, não acredites nela…Ela também deve ter imaginado…
RAINHA – O que é que assustou tanto a Mariana?
REI – Com certeza foi algum animal que apareceu de repente.
PRINCESA – Não, papá…ela estava a contar que foi à floresta apanhar algumas flores e que uma árvore espirrou, riu-se, deu-lhe banho…que parecia uma pessoa, mas não estava ninguém.
REI (gargalhadas) – Óh, óh…óh minha filha, que disparate! (p.c) E tu acreditas nisso?
RAINHA – Também acho querida! Não deves acreditar nessas histórias, ela se calhar é que inventou essa história toda só para chamar a atenção de toda a gente…e porque estava com medo…! (p.c) Nós já te dissemos que quando estamos com medo…às vezes…até imaginamos coisas que não existem.
REI – Claro…ou até…pode ter-se deitado na floresta e sonhou isso…depois…achou que isso aconteceu mesmo.
PRINCESA – Mas…
RAINHA – Não penses mais nisso…vai brincar. E não te ponhas a ouvir atrás das portas…além de ser feio…só ouves mentiras.
PRINCESA – Achas que a Mariana mente?
RAINHA – Não…mas é criança, e imagina coisas, como tu, quando estão com medo, por isso, não deves ligar a tudo o que ela te diz. Vai lá brincar.
REI – E fica descansada, que não há lobos, pelo menos aqui no castelo. (p.c) Nós conhecemos esta nossa floresta desde que nascemos…de trás para a frente, e da frente para trás…e para o lado direito…e para o lado esquerdo…e em todos os sentidos…até de pernas para o ar…quando subimos às árvores… (riem) Este nosso sítio é maravilhoso, sossegado, agradável…como todas as florestas…
RAINHA – O teu pai tem razão, filha. Podes acreditar em nós. Tudo o que as pessoas dizem ao contrário do que tu conheces…essas histórias de príncipes transformados em monstros…e outras coisas…é tudo inventado.
PRINCESA (entusiasmada) – Príncipes transformados em monstros e que se lhe dermos um beijo apaixonado, voltam a ser príncipes?
REIS – Sim.
RAINHA – Mas mete na tua cabecinha que isso só acontece mesmo nas histórias encantadas. Nós vivemos na vida real, e na vida real não acontece nada disso.
PRINCESA – É. Acho que ainda não parei de sonhar!
RAINHA (sorri) – Nem precisas de parar de sonhar, filha…sonhar é bom e faz bem à saúde…mas não te envolvas demasiado…senão…quando acordas, cais de cabeça.
PRINCESA – Ai, não quero cair de cabeça…é muito perigoso…quero sonhar, mas não quero cair de cabeça…posso…?
REIS (sorriem) – Sim, podes.
(Os três continuam a falar e a rir. Blackout, música, acende-se a luz amarela e em palco está a menina sentada no chão, em cima de duas grandes almofadas a brincar com o boneco. A princesa ver ter com ela).
PRINCESA (a sorrir) – Olá Mariana.
MENINA (sorri) – Olá. Brinca um bocadinho comigo e com o boneco.
PRINCESA (a sorrir) – Está bem.
(As duas começam a brincar uma com a outra, e com o boneco).
MENINA – Sabes, há bocado eu fui à floresta e a árvore onde eu estava deitada espirrou, riu-se e gritou…!
PRINCESA – A sério…? (p.c) Ui…que medo!
MENINA – Sim, pois foi. Eu também tive muito medo.
PRINCESA – Mas tens a certeza que foi a árvore, ou…será que foi algum animal que estava por trás da árvore e espirrou…?
MENINA – Era a árvore, eu tenho a certeza. E o meu amigo viu…! Não foi, boneco?
BONECO – Sim. Foi mesmo a árvore.
MENINA – Tu não viste nenhum animal atrás dela, pois não?
BONECO – Não. E a árvore falava.
PRINCESA – Não era um cavaleiro que estava por trás da árvore, ou algum viajante…ou caçador malvado?
BONECO – Não. Era mesmo a árvore.
MENINA – Ela falou contigo?
BONECO – Sim. Logo no inicio, quando disseste que achavas que tinhas ouvido alguma coisa mais além dos bichos…era verdade…eu é que fui obrigado pela árvore a dizer-te que não tinhas ouvido nada! Ela já tinha falado comigo, mas disse-me para eu não te dizer nada. (p.c) Óh, desculpa…eu menti-te…e não gostei nada de fazer isso…foi…quando tu perguntaste se eu estava com medo…!
MENINA – Mas…porque é que ela não queria que me dissesses que falava?
BONECO – Não sei. Ela só me disse para eu fazer de conta que não sabia de nada…que ela falava!
PRINCESA – Mas, então…se ela falava…também…pode muito bem ter espirrado…! Não…?
BONECO – Sim…! (p.c) Não estava lá mais ninguém. Só pode ter sido a árvore.
MENINA – Não sei…nós fugimos. Apanhamos um grande susto.
PRINCESA – Nunca pensei ter uma árvore falante na nossa floresta.
MENINA – Vamos lá as duas agora, queres?
PRINCESA – Sim, vamos…quero ver essa árvore, e ouvi-la.
BONECO – É melhor não.
MENINA – Porquê?
BONECO – Os Reis não vão deixar…! E eles têm razão, é muito perigoso.
PRINCESA – Nós saímos pelo jardim…eles nem vão reparar.
BONECO – Eu não a achei nada simpática…mas pode ser que convosco seja simpática.
MENINA – Mas nós vamos lá agora…se perguntarem alguma coisa…dizemos que…vamos passear…ou…apanhar flores.
BONECO – Vão mentir?
PRINCESA – Não é mentir…! (p.c) Vamos ver a árvore, e apanhamos flores para as mães e Avós.
MENINA – Mas não precisamos de dizer que vamos ver a árvore…e que fala…!
PRINCESA – Pois.
BONECO – Mas é perigoso!
MENINA E PRINCESA – Não é nada.
MENINA – A árvore pode ser falante, mas não nos vai comer, tenho a certeza!
BONECO – Eu…não tinha tanta certeza disso.
PRINCESA – Se ela nos meter medo, fugimos…de certeza que não vem atrás de nós. 
MENINA – Pois não…está pregada ao chão…com aquelas raízes enormes…
PRINCESA – Claro. (p.c) Vamos.
BONECO – Deixem-me ir convosco.
MENINA – Está bem.
(As duas levantam-se, e o boneco ao colo. Blackout, música, saem as duas, e volta a entrar o lobo e a Árvore).
Cena 5
(O lobo está atrás da árvore. A menina e a princesa caminham pela floresta, calmamente, e contentes. O lobo faz cócegas à árvore, e abana-se toda a rir).
ÁRVORE – Pára quieto, pateta…! (p.c) Xiu…vem aí gente.
(O lobo levanta o nariz, e as orelhas. Olha atentamente. Elas apanham mesmo umas flores, riem-se).
LOBO (baixinho) – Huuummm…que cheirinho…meninas…huuummm…menhã…menhã…
ÁRVORE (ralha) – Nem penses…ficas aqui quieto.
LOBO – Óh, não…não faças isso comigo.
ÁRVORE – Cala-te…ou queres que te espete já com uma troncada…!?
LOBO – Pronto…está bem…eu fico quieto…
(Mas salta mesmo, e para em frente às meninas. Elas assustam-se, estremecem e ficam estáticas).
LOBO – Olá, bela princesa! Não tenham medo…não vos vou fazer mal.
(Elas desmaiam assustadas, o lobo segura-as, aparece a fada e diz).
FADA – Olha, olha…duas…nas tuas patas… (ri)
LOBO – Óh…e agora?
FADA (ri) – Agora…vais ter que escolher…uma apenas.
LOBO – Mas…como? Se elas fogem de mim…! Com este meu ar…!
FADA (sorri) – Agora…acorda-as e conversa com elas…e só podes escolher…uma.
LOBO – Mas…como é que eu vou escolher uma só…se são as duas tão bonitas…e se…elas fogem…?
FADA – Fala com elas…torna-te primeiro…amigo das duas…sê cavalheiro…e depois…o teu coração vai escolher a que for melhor para ti.
LOBO – Óh, mas se for assim…uma vai ficar triste…
FADA (ri) – Mas quem é que te garante que as duas vão apaixonar-se por ti, seu convencido…?
LOBO – Ai…não?
FADA (ri) – Claro que não!
LOBO – Mas…caíram as duas nas minhas patas.
FADA (ri) – Isso não significa que se apaixonem as duas por ti. Até pode não se apaixonar nenhuma.
LOBO – Mas e se for a outra que se apaixona por mim, e não a que o meu coração escolher? Como é que eu faço?
FADA (sorri) – Se isso acontecer…não podes obrigá-la a gostar de ti…só tens de a respeitar, e ser amigo dela…não precisas de te afastar. Ou então…és amigo das duas, e não ficas com nenhuma, como amor da tua vida.
LOBO (triste) – Mas…a outra vai ficar triste…
FADA (ri) – Na hora…saberás o que fazer…agora…conquista primeiro a amizade das duas, que é muito mais importante.
LOBO (triste) – Eu não quero magoá-las, nem vê-las tristes.
FADA (sorri) – Se fores amigo das duas, isso não vai acontecer. (p.c) Mostra-lhes o teu coração de carne…elas vão mostrar os delas, também…e depois…o resto vês…podes achá-las bonitas, e no fim, não gostar de nenhuma, para amares…mas podes continuar sempre com a sua amizade. O teu feitiço quebrar-se-á!
(O lobo dá-lhes um beijo na cara, cheio de encanto, meiguice e carinho, ouve-se um trovão…blackout rápido, e aparece o lobo transformado em príncipe, com as duas meninas de mão dada, sorridentes e felizes).
PRINCESA E MENINA – Tu…és o lobo?
PRÍNCIPE (sorri) – Eu…lobo…? (p.c ri) Isso…é um elogio, ou um insulto?
(Elas riem)
PRINCESA (ri) – É um elogio…!
PRÍNCIPE (ri) – Esqueçam o lobo…! Vamos dar uma voltinha…?
PRINCESA E MENINA (sorriem) – Vamos.
(Os três caminham pela floresta, sorridentes, felizes, falam uns com os outros, brincam, correm, rebolam felizes pela relva, escondem-se e trocam carinhos…e tornam-se amigos inseparáveis).
FADA – Não olhem para as outras pessoas com os olhos exteriores, mas sim, com os olhos interiores, os do coração…pois é aí que se encontra a verdadeira beleza das pessoas.

FIM !
Lara Rocha 
(Dezembro/2000) 

sexta-feira, 5 de abril de 2013

A GOTINHA E A FLOR

foto de Lara Rocha 



NARRADORA – Era uma vez uma gotinha que vivia numa linda e enorme flor, com pétalas de todas as cores, desde que ela se conhecia como gotinha. Gostava tanto da flor, que não queria largá-la nem por um minuto. A flor dava tudo à gotinha…tudo o que ela 
mais precisava…principalmente amor e carinho, proteção, amizade, 
alimento, atenção e abrigo. E a gotinha retribuía todas as coisas 
boas que a flor lhe dava, refrescando-a, acariciando-a, limpando-a 
dos parasitas que pousavam nas suas pétalas, muito delicadamente. 
Protegia-a, regava-a, e fazia-lhe companhia. As duas 
eram inseparáveis. Um dia, levaram para o jardim onde as duas 
viviam felizes, um girassol enorme, e a flor apaixonou-se por ele. 
Ele também a achava muito  bonita.  Os dois depressa construíram 
uma linda amizade. A gotinha começou a ficar muito triste, porque 
achava que a flor já não gostava dela, pois só falava com o girassol 
só tinha olhos para ele. Parecia que se tinha esquecido da sua 
companhia de sempre…e amiga gotinha. 
Ficou tão triste, que ficou um dia inteiro fechada na pétala, a chorar, 
mas nem assim a flor deu pela sua falta. 
A gotinha não sabia que a flor continuava a gostar muito dela, 
mesmo não lhe estando a dar atenção. No dia seguinte, a gotinha 
continuou fechada, e a sua amiga começa a desconfiar que alguma 
coisa não está bem.
FLOR – Gotinha…sai cá para fora…! Está um sol tão bom, tão bonito!
NARRADORA - A gotinha não lhe responde, e está muito triste.
FLOR – Gotinha…
NARRADORA - A flor tenta abrir a pétala, mas a gotinha não deixa.
FLOR – Gotinha…larga a minha pétala…sai cá para fora, e deixa-me apanhar sol em todas as minhas pétalas.
NARRADORA – A gotinha não responde.
FLOR – Estou a ficar preocupada…diz qualquer coisa gotinha…!
NARRADORA – A gotinha quer responder, mas não responde. A flor consegue abrir a pétala depois de muito esforço, e a gotinha esconde-se.
FLOR – Óh…óh gotinha, o que é que se estava a passar contigo…? Estavas ali fechada…!
GOTINHA (triste) – Estás preocupada comigo?
FLOR – Claro que sim…sempre me preocupei contigo…porque é que estás tão admirada por isso?
GOTINHA (zangada, triste) – Porque tu não gostas de mim, por isso é que também não acredito que estejas preocupada comigo!
FLOR – Como é que não gosto de ti…?
GOTINHA (zangada) – Não gostas…se gostasses de mim, não me abandonavas…!
FLOR – Mas eu não te abandonei. Tu continuas aqui.
GOTINHA (zangada) – Isso é porque não tens coragem de me pôr fora.
FLOR – E porque é que te poria fora? Nunca me fizeste mal…
GOTINHA (triste) – Já não gostas de mim.
FLOR – Claro que gosto…
GOTINHA (triste e zangada) – Abandonaste-me…se me abandonas é porque não gostas de mim.
FLOR – Não entendo porque é que estás a dizer que te abandono e que não gosto de ti. Fiz alguma coisa que não devia?
GOTINHA (triste) – Não…só me abandonaste, porque deixaste de gostar de mim.
FLOR – Mas isso não é possível.
GOTINHA (triste) – Eu também achava que não era possível, mas a realidade é que isso aconteceu…agora só tens olhos para esse…e ouvidos para esse…e…pétalas que abraçam…só para esse.
FLOR – Esse…? Quê?
GOTINHA (triste e zangada) – Esse enorme que está aí…com quem tu falas 24h por dia…e ris com ele…desde que esse enorme chegou aqui, eu deixei de existir…eu…que vivo aqui nas tuas pétalas, desde que sei que existo como gota…e pensava que eras a minha mãe…mas afinal…não podes ser a minha mãe, porque não gostas de mim, e as mães gostam dos filhos…se fosses minha mãe também não me abandonavas, porque as mães também não abandonam os filhos…mas tu…não gostas mais de mim, e abandonaste-me!
FLOR – Mas…o que é que estás a dizer…? Eu sou tua mãe do coração.
GOTINHA (triste) – Mesmo as mães do coração não deixam de gostar de nós, nem nos abandonam.
GIRASSOL – Desculpem meter-me…mas…menina gota…não concordo nada com o que estás a dizer.
GOTINHA (grita, zangada) – Cala-te…não percebes nada! A culpa é toda tua.
GIRASSOL – Mas eu vou continuar a falar, porque estás a ser muito injusta com a flor.
GOTINHA (zangada) – Claro…para ti…eu sou injusta…! Porque a flor gosta de ti, e não te abandonou como fez comigo.
FLOR – Eu não te abandonei.
GIRASSOL – Pois eu sei muito bem que ela não te abandonou, nem deixou de gostar de ti.
FLOR – Eu entendo o que ela está a dizer.
GIRASSOL – Está cheia de ciúmes.
FLOR – Sim, mas é porque estava habituada a ter-me só para ela…!
GIRASSOL – Mas isso não está certo.
GOTINHA – Não percebes mesmo nada.
GIRASSOL – Percebo muito mais do que tu imaginas. Ela é tua amiga…e pode muito bem ser minha amiga…mas não quer dizer que deixe de gostar de ti, só por gostar de mim.
FLOR – Claro que não. O meu coração é enorme.
GOTINHA (zangada) – Eu fiquei fechada, ontem o dia todo, e nem deste pela minha falta.
GIRASSOL – Querias que ela te obrigasse a sair? Não saíste porque não quiseste…foi tudo para chamar a atenção, sua pimpolha mimalha.
GOTINHA (zangada) – O quê?
FLOR – Eu fiquei preocupada contigo, sim…mas sempre nos respeitamos uma à outra, lembras-te? E às vezes ficamos tristes, lembras-te…? E o que é que acontece quando ficamos tristes…? Lembra-te lá…?
GOTINHA (zangada) – Sim, lembro-me que sempre nos respeitamos uma à outra!
GIRASSOL - Agora não estás a respeitá-la.
GOTINHA (grita zangada) – Estou sim…
FLOR – Não…desculpa mas não estás…mas não faz mal, eu entendo-te! E lembras-te que às vezes ficamos tristes?
GOTINHA – Sim, lembro-me que ficamos muitas vezes tristes, como todas as flores, e todas as gotas, e todos os animais…!
FLOR – E o que fazemos quando estamos tristes?
GOTINHA - Quando estamos tristes…umas vezes ficamos no nosso canto, outras vezes, contamos uma à outra as nossas tristezas…choramos juntas, e abraçamo-nos.
FLOR – Certo…foi o que eu fiz…respeitei-te, e deixei-te no teu canto.
GOTINHA – Mas como é que sabias que eu estava triste?
FLOR – Sei muito bem quando estás triste…nem precisas de falar.
GOTINHA – Tens uma bola de cristal?
FLOR – Não…mas tenho coração, e sinto as tuas energias…porque tu estás nele.
GOTINHA – Como assim?
FLOR – Quando amamos alguém, sentimos se a pessoa está bem, ou o que está a sentir.
GOTINHA – Mas tu amas-me?
FLOR – Claro que sim…nunca tenhas dúvidas disso.
GOTINHA – Mas…Não podes amar-me!
FLOR – Porque não…?
GOTINHA – Porque…eu sou uma gotinha, e tu és uma flor.
FLOR – Mas tenho sentimentos, e tu também.
GOTINHA – Mas somos muito diferentes.
FLOR – Somos diferentes por fora, mas ambas temos sentimentos…e os sentimentos podem ser iguais…aliás…são mesmo iguais! Gostamos muito uma da outra, somos as melhores amigas uma da outra…os nossos sentimentos uma pela outra são os mesmos…mesmo sendo…uma flor e uma gotinha…!
GOTINHA – Eu achava que sim…
FLOR – Achavas que sim, o quê?
GOTINHA – Que os nossos sentimentos eram iguais.
FLOR – E são. Não tenhas dúvidas disso! O amor que há na nossa amizade, é o mesmo.
GOTINHA – Ai é?
FLOR – É.
GOTINHA – Como é que ele é?
FLOR – É um amor…enorme…como de mãe para filha.
GOTINHA – A sério?
FLOR – Podes ter a certeza que sim.
GOTINHA – Eu gosto de ti como mãe...como amiga…como…tudo para mim.
FLOR – E eu de ti.
GIRASSOL – Sim, é verdade.
GOTINHA – Por acaso, tens uma bola de cristal para ver que é verdade óh gigantone?
GIRASSOL (sorri) – Não tenho bola de cristal, mas o vosso brilho mostra bem o vosso amor.
GOTINHA – Mas ela não me pode amar.
GIRASSOL – Desculpa…?
GOTINHA – É um amor impossível.
GIRASSOL – Porquê?
GOTINHA – Porque…não podemos namorar, como fazem os casais que passam por aqui, de mãos dadas e aos beijinhos.
FLOR (ri) – Não quer dizer que esses casais que vês aqui, de mãos dadas e aos beijinhos se amem…
GIRASSOL – Pois não!
FLOR – Não vês o coração deles, nem os fios dos sentimentos que os ligam!
GIRASSOL – Mas…se estão aos beijinhos…
FLOR – Há muitos amores…! Não é necessário namorar…andar de mãos dadas ou muitos beijinhos, para amar.
GOTINHA – Não?
FLOR – Não…! O amor é muito mais que isso que tu vês…é por isso que não acreditas que te amo, como se fosse tua mãe, não é?
GOTINHA – É…e também porque me abandonaste…e porque deixaste de gostar de mim.
FLOR – Eu sei que ontem não te dei atenção…desculpa...não foi por mal…nem foi porque deixei de gostar de ti.
GIRASSOL – Pois não…até porque ela falou-me de ti, muitas vezes. Eu também tive culpa…
FLOR – Não…aqui não há culpas.
GOTINHA – Então…
GIRASSOL – Tu ficaste com ciúmes de mim, não foi?
GOTINHA – Foi…é que…
FLOR – Que maldade, gotinha.
GOTINHA – Óh…!
GIRASSOL – A flor tem razão, gotinha…não tinhas de ficar com ciúmes.
FLOR – Pois não!
GOTINHA – Então…tu gostas de mim?
FLOR – Amo-te…como se fossemos mãe e filha. E não foi por não te ter dado atenção ontem, que não gosto de ti…só não quis interromper-te, porque pensei que estivesses fechada, para descansares…ou por estares ocupada…já não seria a primeira vez, pois não?  
GOTINHA (sorri) – Não…!
GIRASSOL – É verdade…a tua amiga falou-me muito de ti. E disse-me que te ia chamar, mas achava que estavas a descansar ou ocupada, porque não saíste.
GOTINHA – Pois…
GIRASSOL – Eu também tenho mais amigos, e não estou sempre em cima deles…a controlar tudo o que fazem, a querer saber o que estão a fazer, ou o que querem…cabem todos no meu coração…e eu amo todos…o fio dos sentimentos que nos unem é o mesmo. Mas eles sabem que os amo, mesmo quando não estou com eles, ou quando não falo todos os dias com eles todos…! E eu também sei que eles me amam. Não tenhas dúvidas que a tua amiga flor te ama…e mesmo estando a falar comigo, ela não te esquece, nem te abandona.
GOTINHA – A sério?
FLOR – Sim.
GOTINHA – Ai…que vergonha.
GIRASSOL (sorri) – Não precisas de ter vergonha…é normal os amigos ficarem com ciúmes.
GOTINHA (sorri) – Mas é feio.
FLOR – Quando gostamos muito de alguém que não nos liga, acontece ficarmos com ciúmes.
GIRASSOL – Olhem…porque não esqueces os ciúmes e ficas connosco cá fora, com este sol maravilhoso, a conversar e a rir?
FLOR (sorridente) – Claro que sim…é uma excelente ideia…eu ia mesmo dizer isso!
GIRASSOL (sorri) – Tu cabes no meu coração…! Caberei no teu coração, gotinha?
FLOR (sorri) – No meu já coubeste.
GOTINHA (sorri) – Acho que vais caber no meu…eu sou pequena no tamanho, mas tenho muito espaço no meu coração.
FLOR (sorri) – Eu também…e estão os dois no meu.
GOTINHA (sorri) – Desculpem…
FLOR e GIRASSOL (sorriem) – Não faz mal.
GIRASSOL (sorri) – Sim, estou a ver os fios dos sentimentos que nos unem…!
GOTINHA – Onde…?
GIRASSOL (sorri) – Aqui...à nossa volta.
FLOR (sorri) – Olhem…os fios dos nossos corações estão a encontrar-se, e a entrelaçar-se!
GIRASSOL E GOTINHA (sorriem) Sim…
GOTINHA (sorridente) – Ei…também estou a ver…estes fios de luzes todos…!
GIRASSOL E FLOR (sorridentes) – Sim!
FLOR (sorridente) – Olha, gotinha…vês este fio de luz…que não tem fim…?
GOTINHA (sorri) – Sim! É lindo.
FLOR (sorridente) – Olha Girassol…vem outro do teu coração...para o meu…e para o dela…
GIRASSOL (sorridente) – É tão bonito…
GOTINHA (sorridente) – Ááááááhhhh…de onde vem esta luz toda…e estes fios todos…?
FLOR (sorri) – Esta luz toda…e estes fios todos…vem dos nossos corações…são os fios dos sentimentos que nos unem…! Vês…como são lindos gotinha…?
GOTINHA (sorridente) – Sim…são mesmo.
GIRASSOL (sorridente) – Vês como são iguais…?
GOTINHA (feliz) – Sim…pois são…isso quer dizer que…
GIRASSOL (sorridente) – Que os três cabemos no coração uns dos outros…
FLOR (feliz) – E que os fios que unem os nossos corações são os mesmos…estamos unidos pelo amor…que existe entre amigos.
GOTINHA (sorridente) – Mesmo sendo diferentes por fora…os nossos sentimentos são iguais.
FLOR E GIRASSOL (sorridentes) – Isso mesmo!
GOTINHA (sorridente) – Que lindo! Lembrem-se…os sentimentos são iguais, mas nem todos vivem nos corações uns dos outros. Os fios podem ser diferentes, porque o amor também é diferente, mesmo assim…se são os fios do amor…eles existem. Imaginem as cores da luz dos fios que unem os vossos corações aos das pessoas mais importantes para vocês! Unam esses fios de luz…É lindo, não é? Se quiserem façam um desenho desses corações ligados pelas luzes e pelos fios dos sentimentos.

FIM
Lara Rocha 
(5/Abril/2013)