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sábado, 23 de maio de 2015

O balão manjerico

desenhado por Lara Rocha 

Era uma vez uma menina que adorava inventar…e aprendeu a inventar com o seu Avô que era também feiticeiro. Os seus pais tinham outros poderes, e a menina tinha o poder de contagiar toda a gente com o seu sorriso feliz e luminoso, e os seus enormes olhos expressivos, azuis.
Ela ajudava o seu avô na criação das invenções, mas um certo dia lembrou-se que queria inventar um balão com uma forma diferente dos balões que todos conheciam.
- Avô maravilhoso…olá! Estás muito ocupado?
- Não, minha querida, entra… estava a terminar uma invenção!
- Uma invenção? Criaste alguma coisa nova?
- Sim…olha… esta piscina para os póneis, pois com este calor os bichos precisam de frescura e água como nós.
- Espetacular Avô. Está ótimo. Eles vão adorar, tenho a certeza!
- Mas o que querias?
- Quero um balão diferente de todos os outros balões que já existem.
- Um balão diferente de todos os outros… mas para voar ou para brincar?
- Para voar.
O avô não estava a perceber para que é que ela quereria um balão diferente de todos os outros. Pensou, pensou, pensou…consultou livros e viu imagens… até que a menina dá um grito. O Avô estremece:
- Ai, filha…que foi?
        Ela dá uma gargalhada:
- Assustei-te Avô? Desculpa, foi sem querer…
- Que grito foi esse?
- Já sei como vai ser o balão!
- O que é que vem aí… - murmura o Avô intrigado! – Então como vai ser?
- Quero um balão, em forma de manjerico! Conheces os manjericos, não conheces?
- Os manjericos? Conheço, claro que conheço.
- Achas que consegues inventar um balão em forma de manjerico? É para voar, e de preferência, que leve mais que uma pessoa, por exemplo, tu, ou a avó, ou a mamã e o papá…!
- Sim, entendi. Vou tentar…
- Queres ajuda?
- Quero…anda cá.
        E o Avô põe mãos à obra. Para ele era fácil, inventar coisas novas e construi-las. A menina segue as instruções do Avô, e vai também ajudando a construir. E numa tarde, o tão desejado balão da menina fica pronto.
Ela está em pulgas…aos saltos de alegria, abraça e beija o Avô.
- Está maravilhoso, Avô. Era mesmo isto. Muito obrigada. Vamos experimentar?
- Vamos.
        E o Avô entra com a menina no balão em forma de manjerico que acabou de construir. É um balão que não voa muito alto, mas levanta um pouco, e de cima eles veem uma paisagem encantadora. Coisas que nunca tinham visto enquanto andavam por baixo, com os pés pousados no chão.
Os animais voadores acharam tão engraçado o balão, que pousaram em cima, a pensar que seria de pano, com muito cuidado, mas não era de pano, era um material mais resistente. Algumas borboletas apanharam boleia e uns passarinhos também, e outros mais atrevidos tentaram morder o balão, pensando que era a sério.
De repente levanta-se um vento muito forte, provocado por uma feiticeira amiga do Avô, que quis fazer uma brincadeira, pois ficou cheia de inveja da invenção do amigo…ela nunca conseguia inventar coisas tão bonitas como ele…! O Avô percebeu logo que era ela.
- Óh não…vento forte! Estava tão bom…
- O que é que estás a fazer, sua pateta? Não vês que estou com a minha neta?
        A feiticeira ri satisfeita ao ver o balão andar sem rumo e rodar, baloiçar.  
- Não sou eu… - diz a feiticeira a rir e a brincar – sou a outra eu.
- Sejas tu ou a outra tu…ou lá quem quiseres…para de fazer abanar o balão…estamos a passear e ver a paisagem, não é para andar de baloiço…
- Eu não quero fazer-te mal…sabes que nunca seria capaz disso…era só para brincar um bocadinho contigo! – Ri - Mas que bela invenção…nunca vi tal coisa!
- É bonito, não é? Foi ideia da minha neta.
- Muito bem. Podes fazer-me um igual, amigo?
- Para que queres um balão igual?
- Para passear…
- E tem que ser igual? Inventa tu um, a teu gosto.
- Mas eu gostei tanto desse! Vá lá…
- Não sei…
- Sim, Avô. Podes ensinar-lhe como fizeste!
- Óh que menina tão querida…sai mesmo à tua mulher. – Ri
- Vá…não sejas tão mazinha…
- Eu gosto da tua mulher…! A sério… - Diz ela irónica
- Nota-se! – Os dois riem
- Mas fazes-me um ou não?
- Sim, faz Avô! Ela é tua amiga, não é?
- É.
- Óh minha princesa…já sou amiga do teu Avô há muitos, muitos anos.
- Áh! Que giro.
- Pronto, está bem…em nome da amizade, eu faço-te um igual…mas pára de brincar com este nosso balão, está bem?
- Está bem… muito obrigada, querido.
        E os dois continuam o passeio. Quando aterram, o Avô e a menina fazem outro balão em forma de manjerico para oferecer à amiga feiticeira do Avô.
Mas na verdade, ela não queria o balão para voar e passear como eles, porque tinha muito medo…era só para pôr os manjericos da sua plantação que ia vender na festa em honra de São João, e chamar a atenção de quem passava, para comprar.
        E foi um sucesso, porque fartou-se de vender manjericos na sua bancada em forma de manjerico, construído com tanto carinho pelo seu amigo.
E vocês?
Gostavam de ser feiticeiros?
Se fossem feiticeiros, inventavam um balão em forma de manjerico ou outra coisa?
Gostavam de ter um balão em forma de Manjerico?
Para quê? Passear ou viver? Ou para guardar os vossos brinquedos…?

FIM
Lara Rocha 
(23/Maio/2015)

A invasão

Era uma vez um jardim de uma casa pequenina, que mais parecia de bonecas, escondida por centenas de árvores que faziam um lindo e refrescante túnel verde, numa floresta. Nessa casinha decorada com muito amor e carinho, vivia uma senhora já com bastante idade, mas muito activa, que estava quase todo o dia fora.
E no seu jardim viviam simpáticas e delicadas fadas nas centenas de flores e nos troncos das árvores, outras viviam por trás de uma cascatinha de água que enchia um lago com patos. De dia andavam pelo jardim e à noite conversavam com a senhora, faziam-lhe companhia, e alegravam-na. A senhora contava-lhes o seu dia, e elas ouviam-na e conversavam sobre muitas coisas.
Ainda ajudavam a senhora que tinha umas mãos muito enrugadinhas mas muito habilidosas, a fazer costuras e lindos bordados, bebiam chás de flores e tomavam conta de tudo enquanto a senhora dormia.
Além das fadas visitavam aquele jardim, gatos vadios e muitas borboletas, pássaros e joaninhas. Aquele jardim era mesmo especial, e a senhora conhecia-o como ninguém, sabia todas as flores, todas as cores, todos os cheiros. Logo que aparecia alguma coisa nova, a senhora identificava.
Um dia, numa noite de Verão, com uma lua gigante, e um céu cheio de estrelas, o jardim estava silencioso, mas foi invadido por umas plantas que ninguém conhecia…pareciam árvores anãs com pernas. Vinham a respirar muito depressa, parecia que fugiam de alguma coisa.
Vinham mesmo a fugir! De um terrível incêndio com chamas devoradoras que despertou todos os habitantes da aldeia vizinha. Essas plantas viviam nesse sítio, que agora estava em chamas, e fugiram. Como estavam um pouco intoxicadas e cansadas, decidiram descansar no jardim da senhora, perto do laguinho.
Os patos ficaram nervosos e agitados porque só viam as sombras, de coisas a mexer… os gatos começaram a cheiras e a miar, rondaram-nos… As fadas sentiram de repente um perfume diferente! Sentiram a agitação dos bichos e foram ver, com as suas lanternas.
- Éh lá…! – Dizem todas
- Temos visitas? – Pergunta a fada de asas amarelas
- É. Parece que sim! – Responde a fada de asas azuis
- O que é isto? – Pergunta a fada de asas brancas
- Parecem árvores pequenas! – Repara a fada de asas vermelhas
- Árvore? – Perguntam todas a rir
- Amiga, desculpa, acho que não estás a ver muito bem… isto são…plantas! – Diz a fada de asas verdes
- Amigas…há um grande incêndio ali… - Grita uma águia enorme que voa agitada à procura de ajuda.
- Incêndio? Óh não, não pode ser… - Respondem todas nervosas
E voam rapidamente, chamam as outras para ajudarem a apagar o incêndio, e as plantas ficam sossegadas até de manhã. Quando as fadas regressam muito cansadas depois da noite a ajudar a apagar o incêndio, voltam a ver as plantas. Estas despertam.
- Ai…que noite! – Comenta a fada de asas verdes, cansada
- Estou toda amassada! – Diz a fada de asas amarelas
- Aqueles malditos… - Gritam todas zangadas
- Espero que estas noites não se repitam muitas mais vezes…ou…mais nenhuma vez! – Diz a fada de asas brancas
De repente sentem um cheiro diferente no ar.
- Esperem… - Diz a fada de asas azuis
- O que foi? – Perguntam todas
- (cheira) Há um cheiro diferente aqui no jardim. – Diz a fada de asas azuis
- Que cheiro? – Perguntam todas
- Fechem os olhos, e tentem reconhecer… - Sugere a fada de asas azuis
Todas fecham os olhos, identificam e reconhecem todos os cheiros, e apercebem-se que realmente há um diferente.
- Áh! Pois há! – Dizem todas
- Não sei a quê! – Diz a fada de asas douradas
- É fresco! Huummm…que bom! – Repara a fada de asas vermelhas
- Pois é! – Concordam todas
- E está aqui bem perto… - Diz a fada de asas rosa
Olham para baixo e vêem as tais plantas.
- São estas plantas. – Repara a fada de asas turquesa
-Áh! Pois são! – Dizem todas
- Esperem…estas plantas não foram as que vimos ontem antes de ir para o incêndio? – Lembra a fada de asas roxas
- Pois são… Ááááááhhhh…! – Lembram todas
- Como é que vieram cá ter? – Pergunta a fada de asas amarelas
- De onde vem? – Pergunta a fada de asas brancas
- Bom dia! – Dizem as fadas
As plantas assustam-se.
- Bom dia… - Dizem eles embaraçados
- Desculpem a invasão.
- Viemos daqui de perto.
- Tivemos que fugir por causa de um incêndio.
- Nós fomos ajudar a apagar esse incêndio. – Diz a fada de asas verdes
- Óhhhh! – Exclamam todos
- É muito triste!
- Sim! É mesmo. – Dizem as fadas
- Podemos ficar aqui, só até recuperarmos…?
- Claro que sim! – Dizem todas
- Aqui vive uma senhora muito boa e querida.
Ela sai a porta e sente o novo perfume tão agradável.
- Huummm…que cheirinho bom! Este cheirinho…é-me familiar…! – Diz a senhora
E segue o cheiro, até às plantas.
- É daqui que vem o cheirinho.
Encontra-se com as fadas.
- Olá…!
- Bom dia! – Dizem todas
- Tem visitas. – Diz a fada de asas roxas
- Ááááhhh…manjericos! – Suspira a senhora com um enorme sorriso
- Áh! Já conhece? – Perguntam as fadas
- Todos conhecemos… Huuuummmm…que bom! Mas como é que vieram aqui parar? ~- Pergunta a senhora
- Fugiram do incêndio. – Diz a fada de asas brancas
- Áh! Que tristeza…
E passa a mão suavemente em cima de cada um deles.
- Instalem-se à vontade! Eu vou para a cidade, mas podem ficar aqui. – Diz a senhora
- Muito obrigado! – Respondem os manjericos.
- Até logo… - Diz a senhora
E vai para a cidade. Os manjericos instalam-se no cantinho que mais gostam, onde sentem que a terra é melhor e mais fresca. As fadas dão-lhes de beber e fazem-lhes companhia.
O seu cheirinho era tão bom, tão diferente e tão concentrado que se sentia de longe, porque eram às centenas, e tudo o que era bicho voador e de quatro patas quis ir ver de onde vinha.
Mas as fadas não deixavam que fossem cheirados, só podiam passar as suas asinhas ou patinhas levezinho e cheirá-las, porque se cheirassem eles murchavam. E aí ficaram.
Ninguém sabe porquê, nem como cheiram tão bem, mas todos gostam do seu cheirinho…há muitas coisas na natureza que não sabemos porque são assim, e porque são tão misteriosas. Deve ser por isso que gostamos tanto delas, existem para encantar e para nos fazer bem ao nariz! Afinal as plantas eram os manjericos, como aqueles que aparecem no São João.
E vocês? Já tiveram manjericos?
Gostaram do cheirinho deles?
Gostavam de os ter no vosso jardim ou em casa?  

FIM
Lálá
(23/Maio/2015)