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sábado, 19 de novembro de 2022

As conversas com o livro gigante

 



       Era uma vez uma menina, que tinha no sótão da sua casa um livro enorme, com uma capa brilhante, e muitas centenas de páginas. 

    Quando aprendeu a ler, a menina quis saber o que guardava o livro. Foi ao sótão, encontrou o livro pousado no chão, cheio de pó, a soluçar.

- Óh, o que é que eu estou a ouvir...? Parece alguém a soluçar. 

    Procurou pelo sótão todo, na janela não viu nenhum animal, nem pessoa, mas continuava a ouvir chorar. 

- Quem está aí a soluçar e a chorar? - pergunta a menina, na esperança de ouvir alguma coisa. 

- Sou eu! - responde o livro 

- Não estou a ver ninguém! 

- O livro...estás a olhar para mim, pequena! 

- Áh! Um livro a chorar e a soluçar...? O que se passa? - perguntou a menina 

- Estou a chorar de tristeza e de alegria! - diz o livro 

- Mas como assim? Só se chora quando se está triste, ou quando acontece alguma coisa muito boa. 

- Estou triste porque estou para aqui neste sítio, sem ser limpo, sem ser folheado, sem ser lido. Vejo outros livros a ser lidos, e eu continuo para aqui! Encostado, abandonado! 

- Mas já estás cá há muito tempo? 

- Acho que sim, não sei...! 

- Como não sabes? 

- Eu não sou como vocês, sou um livro. 

- E os livros choram? 

- Também, tanto fazem rir como chorar. 

- E porque é que estás feliz? 

- Tu viste-me! E vais ler-me? 

- Ahhhh...tu és gigantesco! Ainda não sei ler bem. 

- Óh, por favor, lê-me. Estás a aprender, daqui a pouco já sabes. 

- E sobre o que é que falas? 

- Sobre...muita coisa, pelo que me lembro! Alguém conversou muito comigo, a certa altura, mas não sei como ainda estou aqui, mas ninguém fala comigo. 

- Estás cheio de pó. Vou limpar-te!  

    Soprou e limpou o pó, abriu a primeira página, começou a ler, meia dúzia de linhas, porque ainda mal sabia ler, e ficou cheia de sono. O livro não cabia em si de felicidade. 

    Inclinou-se, quase dormia sentada, deitou-se sobre as páginas enormes do livro, como se fosse uma cama, e adormeceu. 

    O livro acariciou-a, e cobriu-a com duas grandes folhas dobradas, sussurrou uma pequenina história de embalar, que a fez sonhar com o que estava a ouvir, mesmo a dormir. 

    Quando adormeceu, sonhou com o que o livro lhe contou, com a palavra era uma vez...a seguir a essa palavra, enquanto dormia, a sua mente criou uma história diferente. 

    Acordou aos gritos, a chamar pela mãe, a mãe muito assustada vai ter com ela e perguntou o que aconteceu. Viu-a deitada em cima do livro. 

- O que estás aí a fazer? 

- Mãe, estava a ler a primeira página deste livro gigante, mas fiquei com sono, deitei-me por cima desta página. Ele falou comigo, até o ouvir a soluçar, e a dizer que estava triste e feliz, estava a chorar. 

- Imaginaste que ele fez isso, não foi? 

- Não, aconteceu mesmo! 

    A mãe ri, e finge que acredita: 

- Está bem, está bem. Coitadinho, deve ter razão…! 

- Tu também falas com os teus livros, mãe? 

- Falo. E escrevo coisas sobre isso nas margens dos lados. Os meus pensamentos.

- Tu também choras, e ris com os livros que lês? - pergunta a menina 

- Claro, toda a gente! - diz a mãe 

- Ele disse que estava triste porque estava aqui há muito tempo e ninguém o lia, via outros a ser lidos, e ele nada! Disse-me que os livros tanto fazem rir como chorar, que falou durante muito tempo com alguém que o deixou aqui abandonado. Já viste como ele é enorme? Quase parece uma cama. Quando adormeci, sonhei com estas palavras: «era uma vez», e depois apareceu uma história diferente, que eu gostei, queria escrevê-la. Ou podes escrever tu, mamã, por favor!!! 

- Tiveste um sonho, imaginado na tua cabeça depois de ler as primeiras linhas. 

- Sim, eu leio devagar, li poucas linhas, mas como adormeci, acho que sonhei, só que não era o que dizia no livro. 

- Então ainda te lembras do que sonhaste? 

- Sim. 

- Está bem, enquanto estás a aprender a ler e a escrever, tu ditas-me e eu escrevo. Não é muito grande, pois não? 

- Não. 

- Espera, vou fazer melhor...vou gravá-la no telemóvel, e assim depois podes pô-la para o pai, e para os Avós. 

- Está bem. 

- Vá, põe-te direita, e começa a contar, quando eu disser. 

- Está bem. 

    A mãe pega no telemóvel, põe a gravar, e faz-lhe sinal. A menina começa a contar o seu sonho, começado por era uma vez, com risos e pormenores que se lembrava muito bem. Depois contou as linhas que leu. 

    A mãe não se lembrava de ter lido aquele livro tão grande, nem de quem era, mesmo assim, adorou o sonho da menina, inspirado no que leu. 

    A menina entusiasmada, pede à mãe para pôr o pai e os avós a ouvir a sua história e sonho. Todos aplaudem e riem. 

    Quando a menina já sabia ler melhor, já conseguia ler mais páginas do gigantesco livro de cada vez, mesmo assim, cansava, sonhava, e a mãe gravava outro sonho que a filha tinha, umas vezes inspirados no que tinha lido, outras vezes, novas histórias, que ela dizia ser as suas respostas e os diálogos com o que estava escrito no livro. 

    Depois de aprender a escrever, a menina lia poucas frases, e escrevia o que lhe vinha à cabeça, mostrava aos pais e aos avós, que se sentiram orgulhosos pela sua imaginação e evolução a ler e a escrever. 

    Muitas vezes, ouviam a menina a falar sozinha, espreitavam para ver se ela estava acompanhada, ou a falar com eles. 

- Não, estou a falar com as palavras do livro! Ele está a falar comigo! - respondia 

    Todos percebiam que era da sua imaginação. Quanto mais a menina desenvolvia na leitura e na escrita, mais lia, mais conversava com o livro, com as personagens, e mais histórias nasciam na sua cabeça, que escrevia. 

    Demorou bastante tempo a ler o livro todo, mas escreveu muitas histórias, aprendeu muito, e era o seu passatempo preferido. 

    Mostrava orgulhosa, as suas histórias e um dia mais tarde, os seus pais fizeram um livro com todas elas, todos os seus sonhos, respostas, diálogos, perguntas e outras que surgiram enquanto lia e escrevia. 

    A menina ficou muito feliz, riu muito enquanto releu as histórias, e as suas professoras de português gostaram tanto do que ela escrevia que foram a uma editora, e publicaram um livro, muito vendido em todas as livrarias. 

    Foi um sucesso! Ela transmitia sempre a seguinte mensagem: é muito importante e é bom ler, escrever. Estamos sempre a aprender, com os livros, e quanto mais lemos, melhor escrevemos, mais sonhos temos, mais felizes somos. 

    Isto incentivou muitos meninos e meninas a ler, a escrever, com gosto. Alguns escreviam também as respostas que imaginavam enquanto liam.

    A menina, mesmo mais crescida, ainda falava com o livro, agradecia-lhe por tudo o que ele lhe contava, e tudo o que tinha aprendido com ele. 

    Os dois tinham longas conversas, e eram grandes amigos! 

                                FIM 

                             Lara Rocha

                             19/11/2022 



    










Ler é bom, é como se estivéssemos a conversar com alguém, com muita gente, aprende-se muito a ler. 

E vocês, também leem? 

Também falam com os livros, ou escrevem? 

Experimentem! 

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

O LIVRO, AS FOLHAS, AS PALAVRAS E AS LETRAS

        Era uma vez um livro que todas as crianças que visitavam a biblioteca da cidade, adoravam. Tinha imagens lindas, e toda a história era encantada.
        Um dia, o livro cansou-se de tanto lhe mexerem e reuniu as folhas para tomar uma decisão, e comunicar o seu cansaço. Decidem em conjunto tirar umas férias.
        Para isso, separam-se da capa do livro, e umas das outras. Trocam agradecimentos, e vão de férias. Umas vão pelo chão, outras, pelo ar, como pássaros para outras florestas encantadas, de outros livros e sonhos.
        O livro tinha centenas de folhas, e porque as páginas se separaram…desapareceu. De cada folha do livro, saltaram as palavras: umas, que voaram como borboletas desajeitadas, outras chocaram com as nuvens, outras foram sopradas pelo vento, e caíram em praias, outras caíram em lagos, e outras quase foram comidas.
        Em vários sítios das florestas por onde andaram, as palavras misturaram-se com letras de outras palavras que se separaram pelo caminho, e quando repararam, ligavam bem, por isso caminharam juntas e formaram novas palavras.
        Outras letras fizeram piruetas, viram-se todas ao contrário, dão cambalhotas com palavras antigas que estavam perdidas e abandonadas…que grande diversão e que grande confusão!
        Algumas palavras e letras soltas, foram apanhadas por uns meninos de um colégio que estavam ao ar livre a brincar. As educadoras ajudaram as crianças a apanhar essas palavras e letras, como se estivessem a apanhar bolas de sabão no ar, guardam-nas nos bolsos das batas, trocam uns com os outros, e as educadoras pedem às letras para darem as mãos.
        As letras dão as mãos, e todas descobrem lindas palavras, que as educadoras escrevem num quadro. Com todas as letras e palavras que juntaram, construíram uma linda história.
        Outras letras e palavras que escaparam foram presas por um jovem escritor que procurava inspiração e ideias para escrever. Elas dançam aos pares, e fazem coreografias umas com as outras…com isso, o escritor descobriu palavras encantadas para os seus poemas, e brincou com elas, para descobrir novas palavras.
        Mais à frente, um menino que não falava, viu letras soltas…ficou tão feliz com elas que começou a cantá-las, e quando as letras soltas se juntaram, o menino começou a dizer palavras. Ao dançar com as letras e com as palavras, conseguiu falar e construir frases.
        Uma menina que gaguejava, e era gozada por todas as outras, ia a correr e engoliu uma série de letras. Tossiu muito, e quando parou, começou a dizer as palavras com todas as letras que lhes costumavam faltar, e tornou-se capaz de falar, sem gaguejar.
        E as palavras e as letras, viveram muitas mais aventuras enquanto viajaram. Na biblioteca, o livro ainda não tinha aparecido. Todos andavam loucos à procura dele…mas nem uma única folha lá estava.
        Passados vários dias, e depois de tanto passeio, novas amizades, e aventuras, a capa do livro encontrou-se outra vez com as folhas, as letras, as palavras e as imagens porque os meninos estavam a ficar tristes e com muitas saudades do livro. As fadas dos livros, fazem uma magia e as folhas voltam a juntar-se ao livro.
        E tudo volta a ser como antes!
FIM
Lálá

(13/Novembro/2014)