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terça-feira, 7 de setembro de 2021

Os cavalos das rosas

 


        Era uma vez uma grande quinta onde viviam várias famílias de pessoas e animais, entre eles cavalos. 

        Mas estes cavalos que pareciam iguais aos outros, não eram. Tinham um poder especial, totalmente desconhecido dos seus donos, dos outros animais e dos próprios cavalos. 

        Numa noite de tempestade com tudo incluído: chuvadas, vento forte e trovoadas assustadoras, os animais estavam com tanto medo quanto as pessoas, e corriam de um lado para o outro, à procura de abrigo, pois tinham andado a pastar num outro terreno ao lado, e os donos não tiveram tempo de os recolher porque a tempestade começou de repente. 

        Os cavalos desatam a correr, e dos seus pelos começam a sair rosas de várias cores, umas em botão, outras mais abertas, nem perceberam o que estava a acontecer. Os animais ficaram boquiabertos, parados a olhar para os cavalos e para o chão, a ver tanta rosa. 

       Pelo caminho de regresso à corte, enchem o chão de rosas, e os humanos que estavam a ver a tempestade da janela, dentro de casa viram as rosas a sair do pelo dos cavalos. 

- Que coisa estranha! 

- O que há? 

- Está qualquer coisa a cair do pelo dos cavalos. 

- É água. 

- Não. É outra coisa! 

- Estás a imaginar, só pode. É normal que seja água, eles andaram à chuva.

          Quando a tempestade parou, foram investigar para tirar as dúvidas e ver quem tinha razão. A senhora tinha razão, o caminho estava cheio de rosas de todas as cores que os cavalos largaram dos seus pelos. 

- Vês, como eu tinha razão? 

- Eu também tinha razão, olha tanta água. 

- Está bem, tem muita água, mas como explicas tantas rosas? 

- Não sei. Podem ter caído das roseiras, ou levadas pelo vento, ou vieram agarradas às patas. 

            No estábulo, o pelo dos cavalos está seco, mas à volta das patas, no chão, cheio de rosas. 

- Como pode ser? 

- Mas o que se passa com estes cavalos? 

         Chamam o veterinário que não faz a mais pequena ideia do que se passa com os cavalos, nunca tinha visto nada assim. 

        Outra vizinha também foi perguntar de onde vinham tantas rosas, e nem acreditou que fosse dos cavalos. 

        De repente, sente-se uma variedade de cheiros horríveis que provocavam náuseas, vinham da lixeira próxima da casa. 

       Os cavalos ficam nervosos, e inquietos com os cheiros, e galopam até à lixeira. Os donos seguem-nos para ver o que iam fazer, e mais uma vez os maus cheiros ficaram abafados pelo delicioso e leve perfume de milhares de rosas que os cavalos largam. 

      Os humanos não podiam estar mais orgulhosos e felizes, mesmo sem saber como é que aqueles seus animais tinham tal poder. 

        Os donos arranjaram mais uma fonte de rendimento, pois aproveitaram as rosas que os cavalos largavam, e venderam-nas na cidade.               Num instante, todos ficaram a saber dos cavalos que largavam rosas, e quiseram conhecê-los, sendo fotografados, para casamentos, revistas e festas. 

        Quando os cheiros da lixeira tomavam conta do ar na aldeia, os cavalos corriam para lá, enchiam o espaço de rosas, e assim melhoravam o ar. 

        Foi assim que os cavalos ganharam o nome dos Cavalos das Rosas. 

E vocês, gostavam de conhecer os cavalos das rosas? 

E se vocês fossem os cavalos das rosas? Por onde andariam? O que veriam? 

Podem deixar as vossas respostas nos comentários 

:) 

                                                                FIM 

                                                            Lara Rocha 

                                                            5/Setembro/2021  

domingo, 11 de agosto de 2013

OS BÚZIOS

Era uma vez uma menina que vivia numa casa em cima da praia. Chamava-se Natasha e tinha seis anos, e fazia muitos amigos novos, ao brincar com outros meninos que iam para a praia. Ela era muito observadora, e às vezes via pessoas (meninos e crescidos) a dar-se muito mal, a discutir e a lutar na sua praia.
            Um dia ficou triste e farta de ver pessoas zangadas, a lutar e a discutir, passeou pela praia e enquanto isso pensou no que podia fazer para acabar com as lutas entre as pessoas:
- O que é que eu posso fazer para que as pessoas parem de lutar e de discutir umas com as outras?
            Dá voltas e mais voltas, olha para um lado e para o outro…olha para o mar e pergunta:
- Mar…o que é que eu posso fazer para que as pessoas que vem aqui à praia, se dêem bem, e parem de andar à luta?
            O mar não lhe responde.
- Também não sabes? Quem saberá…?
            E uma onda atira um búzio para a areia, enorme. A menina assusta-se e olha para o búzio.
- Ei…que búzio tão grande! De onde veio?
            A menina pega no búzio e olha-o atentamente. Vira-o em várias posições, roda-o, e cai de lá um papel.
- Um papel? Será que é para eu ler? Talvez…aqui tenha a resposta que procuro.
            Ela abre o papel e tem várias imagens: abraços, beijos, sorrisos. E uma voz vinda do mar diz:
- Natasha…a resposta que procuras está aí nesse búzio.
- Mas…este é um búzio que não faz mal a ninguém…com uns papéis lá dentro! De pessoas a dar abraços…beijos…e sorrisos…mas não estou a perceber que resposta é esta!
- Tu não queres saber o que podes fazer para que toda a gente se dê bem?
- Sim! Estou farta de ver gente grande e meninos a gritar e a lutar uns com os outros, na minha praia! Eu queria fazer alguma coisa para acabar com isso mas o que é que um búzio pode fazer para acabar com isso?
- Querida, por muito que queiras, não podes acabar com a luta e com o mau entendimento das pessoas, infelizmente…mas o búzio, esse búzio…é especial. Dentro dele, existem milhares de búzios mais pequenos, perfeitinhos, muito bonitos que chamam a atenção de toda a gente. Uns…vão desfazer-se quando as pessoas lhes tocarem, outros, vão ficar inteiros.
- E vão-se desfazer porquê?
- Sempre que houver discussões ou lutas, como eles são muito bonitos e atraentes, todos os vão querer…por isso vão andar à luta…os que não se desfazem são os de bem, os que reforçam a amizade e a bondade das pessoas.
- Áááááhhh…estou a perceber!
- Cabe a ti, querida Natasha…espalhar os búzios pela praia…por onde quiseres, e espera para ver.
- Mas esses búzios que não se desfazem vão acabar com as lutas entre as pessoas?
- Sim! E vão fazer as pessoas que lhes tocarem, se merecerem, dar-se bem umas com as outras, gostarem mais umas das outras, serem mais amigas umas das outras! Como os búzios se desfazem, terão de procurar outros…até encontrar os que não se desfazem! Quem merecer, ficará com os búzios que não se desfizeram…e tudo ficará melhor.
- Áááááhhh…estou a perceber.
- Já podes começar a espalhá-los! Depois, digo-te o resto…agora! Só tens de os espalhar por aí…!
- Está bem!
            A menina anda pela praia toda e vai espalhando os búzios que caem do grande…os que se desfazem, mas realmente parecem mesmo todos iguais. Natasha não sabe o que vai acontecer, mas faz o que a voz do mar lhe manda.
            A praia é invadida por centenas de crianças e adultos, como sempre, e Natasha aprecia o movimento do seu terraço. Chega gente de todo o tipo. Os búzios são mágicos pois, quando as crianças lutam enquanto brincam, estes põem – se mesmo aos pés deles. Os meninos pegam nos búzios que se transformam-se em pó. Tentam agarrar outros e acontece o mesmo.
            A voz do mar tinha razão! Como os búzios são mesmo atraentes, todos lhes querem tocar e sempre que alguém discute, e sempre que os meninos brincam às lutas, os búzios desfazem-se.
Quem toca nos búzios que não se desfazem, as pessoas e as crianças transformam-se…os sorrisos tornam-se muito contagiantes, e espalham-se. A praia toda começa a sorrir, trocam-se muitos mais abraços, carinhosos e sinceros, e beijos, e na praia respira-se um novo ar, muito mais leve, muito mais carinhoso, e agradável. Dos búzios saia uma energia muito boa.
Natasha apreciou maravilhada e feliz.
- Boa! Consegui tornar a praia, um sítio muito melhor! Óh voz do mar, tinhas toda a razão…os búzios são mesmo mágicos. Que bom que é ver a praia assim tão boa, tão agradável com toda a gente a sorrir, a abraçar e a trocar carinhos…Obrigada, mar! Manda mais búzios.
- Falta a segunda parte, minha bela sereia com pernas!
            Natasha sorri.
- O que vem a seguir?
- A seguir…vai circular por aqui um aviãozinho a convidar toda a gente para uma noite aqui na praia…uma noite muito especial que depois vais ver para que é! Quantas mais pessoas vierem…melhor! Mais bonito será!
            No dia seguinte, o aviãozinho circula a informar, e a praia continua fantástica. Nessa noite a praia fica cheia. O búzio gigante fica no centro, e uma voz do mar soa:
- Boa noite, gente boa! Façam um cordão humano…de mãos dadas!
            Rapidamente, toda a gente…centenas de pessoas que estão na praia, dão as mãos, ao longo de toda a praia. A voz do mar diz:
- Lindo! Agora…formem um círculo à volta do búzio gigante que está na areia, de mãos dadas…
            Rapidamente formam um enorme círculo à volta do gigantesco búzio, de mãos dadas. A voz do mar soa:
- Lindo! Agora…de mãos dadas, enviem a vossa luz de paz e de amor para o búzio…só…pensamentos bons, bonitos, de paz, de amor e carinho…podem fechar os olhos!
            E a cada pensamento, de cada pessoa, bom…de paz, de amor…amizade e carinho…forma-se uma bolinha de sabão que voa para o interior do búzio, uns a seguir aos outros, e Natasha encaminha-os. Quando o círculo acaba, todas as bolas de sabão transformam-se em luz, que iluminam intensamente todo o gigantesco búzio.
- Podem abrir os olhos! – Soa a voz do mar.
            Quando abrem os olhos, todos olham para o gigantesco búzio, cheio de luz…lindo! Parece um candeeiro gigante, com uma luz intensa, brilhante, muito agradável aos olhos. Todos soltam grandes exclamações de encanto, sorrisos:
- Áááááhhh…!
- Que lindo!
- Uau!
- Maravilhoso!
- Áááááhhh…como é que isto aconteceu?
- Quem ligou isto?
- Que lindo!
- Um búzio com luz!
- Foram vocês que o iluminaram! Com os vossos pensamentos bons, de paz, de amor, de carinho, e amizade…união! Sentimentos bons! – Responde a voz do mar.
- Boa! – Respondem todos. 
- Se vissem agora os vossos corações, estariam igualmente repletos de luz… assim! 
            Natasha está toda brilhante e iluminada também. Muito orgulhosa e muito feliz.
- Este é o búzio da paz…e da amizade…esta é a praia da paz, da bondade, da amizade, do amor, e do carinho…! Vejam só o poder desses sentimentos bons e valores tão bonitos. – Diz a voz do mar.
- E para onde vai agora este búzio tão lindo? – Pergunta Natasha.
- O búzio fica aqui…mas a sua luz vai para o universo…espalhar-se por onde é mais preciso, onde há guerra e violência. Acabam de contribuir para um mundo melhor, um mundo com mais paz, e mais amor! – Diz a voz do mar.
            Todos batem muitas palmas com um grande sorriso. A voz do mar acrescenta:
- Sempre que quiserem enviar paz, e contribuir com amor para o mundo…para quem mais precisa, podem vir aqui encher o búzio, como fizeram agora. Muito obrigada pela vossa presença, e parabéns por terem no vosso pensamento e no vosso coração, tanta coisa boa! Não deixem de os ter, e de os partilhar com os outros.
- Boa! – Gritam todos felizes e aplaudem.
            O búzio abre-se, e toda a luz voa pela praia, em todas as direcções, e desaparecem dos olhos das pessoas. Todos aplaudem sorridentes, e encantados com as luzes. O búzio fica aberto. A partir dessa noite, todos os dias, quem ia à praia enviava coisas boas para o búzio gigante, e quando este estava cheio, abria-se, libertando todas as luzes para onde mais eram precisas. Quem via as luzes a sair, aplaudia. E todo o ambiente se tornava melhor.

            E vocês? Gostavam de ter um búzio gigante, e enchê-lo de pensamentos bons, de paz, carinho e amor…e de os enviar para um mundo melhor?
Podem também enviar luz…criem uma caixa, ou um recipiente, dêem-lhe um nome, e escrevam em papéis, essas coisas boas que sentem; palavras ou imagens…fechem o recipiente e quando estiver cheio, façam uma roda, dêem as mãos, com o recipiente no centro, e voltem a pensar no que escreveram. Depois… se quiserem podem afixar num placard numa imagem do mundo, ou guardem-nos e juntem com os outros…façam uma festa, ou um cordão humano…para um mundo melhor!
            Experimentem.

FIM
Lálá
(31/JULHO/2013)