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sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

TEMOS O MUNDO NAS NOSSAS MÃOS

(Projeção de imagens intensas de guerra e catástrofes naturais, violência, bombas…e, ou poema. As crianças circulam para o palco com mímica de medo, terror, encolhem-se, deitam-se no solo, tapam os ouvidos, jogo de luzes…+ música) Entram umas bruxas e monstros a rir às gargalhadas, a rondar os outros e a assustá-los, a rir das imagens, a dançar e a aplaudir. As crianças gritam «NÃO», «ÁÁÁÁÁÁÁHHHHH» …. Desespero…eles não querem ver.
Poema:
Cinco sentidos (sobre a guerra)

Vejo uma Guerra sem fim!  
Vejo a Guerra,
Vejo a tristeza,
Vejo o mal,
Vejo a destruição,
Vejo um inicio sem fim!  
Vejo feridas, e sangue derramado,
De inocentes,  
Vejo lágrimas,
Vejo medos,  
Vejo bombas,
Vejo armas,
Vejo sonhos desfeitos,
Vejo famílias destroçadas
Vejo crianças sozinhas...
Vejo um inicio sem fim!  
Ouço tiros,  
Ouço gritos,
Ouço choros,
Ouço dores,
Ouço estouros,
Ouço bombas,
Ouço explosões!
Ouço um inicio sem fim!  
Cheiro a Fumo,
Cheiro a morte,
Cheiro a sangue,
Cheiro a pólvora...
Cheiro um inicio sem fim! 
Sinto a dor,
Sinto o fumo,
Sinto os estrondos,
Sinto o medo, e o terror,
por todo o lado,
Sinto a incerteza,
Sinto a tristeza,
Sinto a guerra,
Sinto o frio,
Sinto o calor,
Sinto o mal,
Sinto um inicio sem fim! 


No fim da música, gargalhadas de monstros e bruxas.
BRUXA 1 – Qual é o medo?
CORO DE CRIANÇAS – Saiam…Nããããããããooooooo….
BRUXA 2 – Ai, adoro o cheiro a medo…áh, áh, áh, áh…
CORO DE BRUXAS E DE MONSTROS (às gargalhadas) – Eu também…áh, áh, áh, áh…
CRIANÇAS – Ai, que medo… (abraçam-se)
CRIANÇA 2 – Isto é um pesadelo, não é?
CRIANÇAS – Sim, um pesadelo!
CORO DE BRUXAS E DE MONSTROS – Não!
BRUXA 1 – Este é o vosso mundo!
BRUXA 2 – Horrivelmente monstruoso.
MONSTRO 1 – E a culpa é só vossa!
MONSTRO 2 – Toda vossa…
CRIANÇAS – Não!
MONSTRO 3 – Sim!
BRUXA 3 – Acordem… O vosso mundo é feioooo…!  
MONSTRO 4 – E a culpa é toda vossa!
MONSTRO 5 – Só vossa!
BRUXA 4 – Seus…horríveis…!
BRUXA 1 – Olhem o que têm feito…
CRIANÇAS – Nós?
BRUXAS E MONSTROS – Claro.
MONSTRO 1 - Vocês!
BRUXA 2 - Minorcas…
CRIANÇAS – Não!
BRUXA 3 – Não têm nada na cabeça…
MONSTRO 2 – Nem no coração.
MONSTRO 3 – Foi por isso que nos transformamos nisto…!
CRIANÇAS – Não…monstros…bruxas…
BRUXA 1 (a rir) – Aprenderam bem a nossa lição…
CRIANÇAS – Não!
MONSTROS – Humanos…
MONSTRO 1 – E depois nós é que somos os monstros, não é?
MONSTROS E BRUXAS – É!
BRUXA 2 – São vocês que estão a virar o Mundo ao contrário.
CRIANÇAS – Não!
BRUXAS E MONSTROS – Sim.
CRIANÇAS – Não.
BRUXA 3 – Os meus feitiços já nem estão a funcionar…
MONSTRO 2 – E a culpa é toda vossa.
BRUXAS E MONSTROS – Só vossa.
Entram dois anjos que chutam os monstros e as bruxas.
BRUXA 1 – Lá vem aqueles…
BRUXA 2 – Horríveis.
BRUXA 3 – Mas que perseguição…
BRUXA 4 – Só faltavam estes para estragar tudo…!
MONSTROS – Óh Não!
ANJOS – Rua…!
ANJO 1 – O que estão a fazer?
ANJO 2 – Vão embora.
MONSTRO 1 – Mas…que antipáticos…
MONSTRO 2 – E depois nós é que somos os monstros, não é?
MONSTROS – É.
ANJOS – Calem-se.
ANJO 1 – Vão criaturas malvadas.
BRUXA 1 – Pois é…custa ouvir a verdade, não é?
BRUXAS E MONSTROS - Claro…
ANJOS – Verdade?
ANJO 1 – Não sabem o que isso significa, pois não?
BRUXAS E MONSTROS – Sabemos.
BRUXA 2 – O Mundo está ao contrário, e a culpa…
BRUXAS E MONSTROS – É deles…
BRUXA 1 – Só deles.
BRUXA 3 – Eles é que não prestam.
ANJO 2 – Porque vocês estão sempre a meter o nariz…
ANJO 1 – XÔ!
MONSTRO 1 (MURMURA) – Mas que indelicados…
ANJOS – XÔ!
As crianças ajoelham-se aos pés dos anjos. As bruxas e os monstros saem a resmungar e gritam:
BRUXAS E MONSTROS – Voltaremos….
(Ouve-se um trovão e desaparecem)
CRIANÇAS – Ai, que susto!
ANJOS – Estamos aqui!
ANJO 1 – Já passou.
CRIANÇA 2 – Foi um pesadelo, não foi?
ANJOS – Foi.
CRIANÇA 1 – O nosso mundo não é assim pois não?
Entra uma menina com uma bola na mão que representa o planeta terra.
CRIANÇA 3 – Olhem o nosso mundo!
CRIANÇAS – Que lindo, o nosso mundo.
ANJO 3 – É. Mas está doente!
CRIANÇAS – Doente?
ANJOS – Sim.
CRIANÇA 4 – Mas tu disseste…
ANJO 2 – É…dissemos que foi um pesadelo que vocês tiveram, mas infelizmente, houve coisas que nesse pesadelo, são reais… a fome, a miséria, a guerra… isto…
(Estalam os dedos e aparecem imagens intensas de guerra, fome, sofrimento, tempestades, soldados, armas…)
CRIANÇAS – Não!
CRIANÇA 7 – Eu não gosto destas imagens!
CRIANÇA 8 – Áh, estas imagens são as que fazem a minha mãe chorar, e a minha avó, as minhas tias…
CRIANÇA 9 – Mas este não é o nosso mundo!
CRIANÇA 5 – Este não é o nosso mundo…
CRIANÇA 1 – Ai...só vejo o mal.
ANJOS – Sim!
ANJO 1 – Muito mal, por todo o lado.
CRIANÇA 2 – Vejo a destruição.
ANJOS – Destruição.
CRIANÇA 3 – Esses não têm casa!
ANJOS – Não têm casa.
CRIANÇA 4 – Vejo tantas lágrimas…até a mim me apetece chorar!
ANJO 1 – És um coração bom.
CRIANÇA 5 – Tantas bombas, tantos tiros, tantas pedras, tanto fumo…até quase consigo ouvir os estouros, os gritos, os choros, como na televisão…
CRIANÇAS – Ai, que medo!
CRIANÇA 8 – Dói muito, ver estas imagens…até custa a acreditar que são do nosso mundo!
ANJOS – Infelizmente, são!
CRIANÇAS – Não!
CRIANÇA 6 – A guerra está muito longe…um dia perguntei à minha avó se a guerra era perto de nós, mas a minha avó disse que a guerra estava muito longe! Até escrevi uma carta a um menino de olhos verdes, que mostrou numa imagem de guerra, na televisão.
CRIANÇA 12 – E ele respondeu?
CRIANÇA 6 – Não, nunca cheguei a enviar.  
CRIANÇA 7 – Estas famílias devem estar desfeitas…destroçadas.
ANJOS E CRIANÇAS – Sim, pois claro.
CRIANÇA 9 – Estas crianças não devem ter sonhos…só devem ter medo…e fome.
ANJOS – Tens razão.
CRIANÇA 14 – Deve haver muita criança sozinha.
ANJOS – Há.
CRIANÇA 10 – É…a guerra está longe na televisão, mas também há guerra muito perto de nós…até dentro de casa!
ANJOS – Isso mesmo!
CRIANÇA 11 – Como é que sabes?
CRIANÇA 10 – São os meus pais que dizem… de homens que batem nas mulheres, e nos filhos, até tiros já ouvi à porta da minha casa…
ANJO 1 – A guerra não existe lá longe…
ANJO 2 – Fazem-se muitas guerras por aí…!
CRIANÇA 12 – A minha mãe diz que a guerra também é feita com palavras que ofendem, ou gestos menos simpáticos. Não é só com pistolas, ou sapatadas, murros e pontapés!
CRIANÇA 14 – A minha mãe também disse isso…
ANJO 3 – A tua mãe tem toda a razão!
CRIANÇAS – Porquê?
ANJO 1 – Porque há muita gente vazia por dentro.
CRIANÇA 13 – Então são fantasmas?
ANJOS (riem) – Não.
CRIANÇA 15 – São vazias de sentimentos bons, de amizade, de amor, de paz...
ANJOS – Isso mesmo.
CRIANÇA 16 – Há pessoas muito más…com sede de vingança, que só pensa em fazer mal, e que não tem nada de bom para dar aos outros.
ANJOS – Pois há.
CRIANÇAS – Porquê?
ANJO 2 – Tantas perguntas que ficam sem resposta!
CRIANÇAS – Porquê?
ANJO 3 – A mente humana não tem explicação.
ANJO 1 – A Terra está a carregar toda a raiva dos humanos.
CRIANÇAS – Que medo! Porquê?
ANJO 2 – Porque não têm nada nas cabeças, nem nos corações.
CRIANÇAS – E agora?
ANJO 3 – Agora…o mundo é vosso!
CRIANÇA 17 – Que mundo horrível.
CRIANÇA 18 – Ainda bem que este não é o nosso verdadeiro mundo…  
ANJO 1 – Cabe a vocês pequenitos, mudarem o vosso mundo para melhor, e deixar a guerra bem longe!
CRIANÇAS – Como?
ANJO 2 – O mundo está nas vossas mãos!
ANJO 3 – Cuidai dele!
CRIANÇA 1 – Eu não quero um mundo com guerra.
CRIANÇA 2 – Eu quero que a guerra acabe no mundo.
CRIANÇA 3 – Eu quero viver em paz!
CRIANÇA 1 – Eu quero, tu queres, ele quer viver em paz!
ANJO 1 – Pegai nele.
ANJO 2 - Cuidai dele, amem-no, protejam-no.
ANJOS – O mundo está nas vossas mãos. Cubram-no com a luz da vossa paz.
CRIANÇAS – O mundo está nas nossas mãos.
CRIANÇA 4 – Eu quero um mundo sem armas.
CRIANÇA 5 – Tu queres, ele quer, nós queremos, eles querem um mundo sem armas.
ANJOS – O mundo está nas vossas mãos.
CRIANÇAS – O mundo está nas nossas mãos!
ANJO 1 – Destruam as armas que matam e fazem sofrer, e ofereçam as vossas armas: o sorriso, a bondade, o carinho, o respeito…
CRIANÇA 6 – Eu quero que as armas se transformem em flores.
ANJOS – Lindo!
CRIANÇA 7 – Ou em braços que abraçam e que pegam ao colo.
CRIANÇAS E ANJOS – Lindo!
ANJO 2 – Dai flores, colo e abraços uns aos outros.
CRIANÇA 8 – Eu quero que as balas se transformem em música, ou em pássaros ou medicamentos para quem sofre.
ANJO 1 – Dai a vossa música ao mundo!
ANJO 2 – Sejam pássaros e deixem voar o amor e o respeito pelos outros…
ANJOS – O mundo está nas vossas mãos!
CRIANÇA 9 – Eu quero um mundo sem fome.
ANJO 2 – Vocês querem, eles querem um mundo sem fome, dêem, tenham e sejam alimento para os que mais precisam!
ANJOS – O mundo está nas vossas mãos.
CRIANÇAS – O mundo está nas nossas mãos.
CRIANÇA 10 – Quero um mundo sem poluição, com águia potável, com saúde, e cura para as doenças.
ANJO 1 – Limpai, cuidai, protegei o vosso mundo!
ANJOS – O mundo está nas vossas mãos.
CRIANÇAS – O mundo está nas nossas mãos.
CRIANÇA 11 – Eu quero um mundo onde todos os povos diferentes se aceitem, respeitem e vivam em paz.
ANJO 2 – Respeitai todos, e respeitai o mundo! 
ANJOS – O mundo está nas vossas mãos.
CRIANÇAS – O mundo está nas nossas mãos.
CRIANÇA 12 – Eu quero viver num mundo sem falsidade, sem máscaras, com verdade, e com respeito pelos direitos humanos.
ANJOS – O mundo está nas vossas mãos.
CRIANÇAS – O mundo está nas nossas mãos.
CRIANÇA 13 – Eu quero um mundo sem solidão, onde as mulheres, crianças e idosos são respeitados, protegidos, amados e bem tratados.
CRIANÇA 14 – Eu quero um mundo onde todos têm casa, onde ninguém dorme na rua.
CRIANÇA 15 – Eu quero um mundo onde todos tenham trabalho!
ANJO 1 – Trabalhai e dai trabalho no vosso mundo, seja qual for, e a quem for.
ANJOS – O mundo está nas vossas mãos.
ANJO 3 – Abram o vosso coração como se fosse uma grande casa, onde todos podem entrar em paz, com segurança, e onde são acolhidos, bem tratados.
CRIANÇA 16 – Eu quero um mundo diferente do deles, e quero que o mundo deles seja diferente.
CRIANÇA 17 – Que seja um mundo melhor!
CRIANÇAS – O mundo está nas nossas mãos. Um mundo melhor.
ANJO 1 – Construir um mundo melhor, e um mundo diferente, cabe a cada um de nós, e a todos nós.
(Fazem um círculo à volta de uma luz, dão as mãos, pegam todos numa bola que está pousada no chão com as mãos juntas e gritam)
TODOS – Temos o mundo nas nossas mãos.
Música e todos a passar a bola de mão em mão, a sorrir, a brincar juntos…
Fim
                                                             Lálá 
                                                     (7/Janeiro/2015) 






quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

A PONTE DE LUZ

                           
    
                                                                        foto de Lara Rocha 


            Era uma vez um menino que estava muito triste, e farto de ouvir notícias sobre Guerra. Um dia, perguntaram-lhe qual era o seu maior sonho, e ele respondeu que era o mundo e os povos viverem em paz.
Todos riam desse seu sonho, e pensavam que só dizia isso para não revelar o seu verdadeiro sonho. Ele não se importava que se rissem, e garantia-lhes que ia conseguir.
Parecia que quanto mais se riam, mais vontade ele tinha de levar o seu sonho adiante e torná-lo realidade. Todos os que o rodeavam, sabiam e achavam que esse era um sonho bonito, e bondoso, mas nunca seria possível de realizar…só nos seus sonhos.
- Não vou desistir do meu sonho…o mundo precisa do meu sonho! Mesmo que ele pareça difícil, vou tentar.
Decidiu que ia construir uma ponte para unir os povos que andavam em Guerra. Mas não era uma ponte qualquer, de ferro. Era uma ponte de luz.
Pegou num globo terrestre, em forma de candeeiro, e pousou numa duna de uma areia. À volta do globo, pôs várias velinhas acesas e em silêncio, rezou pela paz no mundo.
O vento soprou forte, e apagou as velas. Ele respeitou o vento, e acendeu-as de novo, sem protestar. Rodou o globo devagar e rezou pela paz, e as velas voltaram a apagar.
- Então? Porque estás a apagar as minhas velas?
            Uma planta da areia respondeu:
- Porque tu estás a fazer fogo, e eu tenho muito medo.
- Mas é por uma boa causa…é um fogo controlado.
- Não interessa. É fogo.
- São velas…luz…para o mundo que anda em guerra.
            A planta dá uma gargalhada, juntamente com o vento, mar e as gaivotas.
- Essa é boa! – Diz a planta às gargalhadas
- Deves achar que és um super herói com poderes não? – Acrescenta o vento a rir às gargalhadas
- Achas que vais fazer milagres? Só se mudares cabeças…isso, amigo, só nos teus sonhos, porque essas estão cada vez pior…cada vez mais loucas. – Comenta uma gaivota
- É por isso que andam em guerra! Por muito que queiras, nunca vais mudar isso! – Comenta o mar
- Porque não? – Pergunta o rapaz
- Coitado…ainda vives num mundo da fantasia, da ilusão… - Diz a gaivota a rir
- Porque é que estão a ser tão pesados…? – Pergunta o rapaz
- O que tu queres fazer é lindo, mas é impossível. – Diz a planta
- Porque não? – Pergunta o rapaz
- Porque o ser humano está louco, desequilibrado, cheio de maldade. Basta ver o que fazem comigo, e com o outro igual a ele. – Diz o mar
- Sim, isso é verdade…mas por isso mesmo é que precisa de luz! E eu vou construir uma ponte de luz, para unir os povos, para a paz… querem ajudar-me?
            Todos riem.
- Está bem, super poderoso…como vais fazer isso? – Pergunta a planta
- É. Eles não vão ver as tuas velas, de que é que adianta? – Comenta a planta
- Vão…claro que vão. – Garante o rapaz
- Vais tirar uma foto, e publicar algures…por todo o lado? – Pergunta o vento
- Pode ser uma ideia…mas a minha intenção, o meu pensamento vai para o Universo…! Os meus pensamentos de paz, de amor…
- Ááááhhh…ele não diz coisa com coisa! Coitadinho… - Comenta o mar
- Verão! – Diz o rapaz
- O que tem o verão? É bom, mas ainda falta muito para chegar. – Diz a gaivota
- Verão, com os olhos o que vai acontecer. – Responde o rapaz
- Tu estás bem? – Pergunta a planta
- Estou óptimo. – Garante o rapaz
- Estou para ver! – Diz o vento a gozar
- Deixemo-lo sonhar. Não ofende ninguém. – Diz o mar
            E faz-se silêncio. Todos ficam muito atentos ao que ele vai fazer. Ele volta a acender velas, e agora ficam acesas. Nessa noite, outro jovem bondoso, vê as velas a arder na areia à volta do globo. Aproxima-se, e fica pensativo.
- Para que será isto? – Pergunta o rapaz
- É para a paz no mundo…uma ponte…que um rapaz diz que vai construir. – Responde a planta
- O quê?
- É.
- Áááhhhh…está bem. É giro. A intenção é boa…
            Ele levanta-se, olha para as velas, e reza. Vai a casa, traz várias velas, e acende-as, juntamente com as outras. No dia seguinte, o rapaz que começou fica comovido ao ver que tinha mais velas acesas.
- Afinal não sou só eu que tenho este sonho…
            E acende mais velas. O outro rapaz, informou os amigos, e os familiares, e toda uma aldeia juntou muitas velas, e acendeu-as à beira das outras. Todos rezam.
De dia para dia, as velas aumentam, e o rapaz criador do sonho, fica cada vez mais feliz, desenha o nome dos países que estão em guerra na areia, e une-os com as velas acesas. E o globo no cento.
E há cada vez mais velas. Gente de todo o lado, acende velas. Ao fim de algum tempo, depois de todos se juntarem de mãos dadas, e rezaram, de olhos fechados, aconteceu algo mágico: o cordão humano transforma cada vela numa linda pomba cheia de luz.
Quando abrem os olhos, ficam de boca aberta, e encantados com as lindas pombas, que voam ao mesmo tempo. Todos aplaudem e o jovem que começou, grita:
- Paaaaaaaaaaaaaaaaazzzzzzzzzzz! A ponte vai começar a ser construída…muito obrigado a todos. Quem quiser colaborar…
            Todos se oferecem de imediato. Na areia escrevem outra vez o nome dos países que andam em guerra e fazem uma ponte de velas a uni-las.
Durante vários dias e noites, o rapaz e os que quiseram colaborar, juntaram-se, deram as mãos e acenderam velas. Pelo menos naquele momento sentiam uma imensa paz, e muitas outras pombas de luz voaram.
            Correu mundo, e em muitos países, milhares de pessoas seguiram o seu exemplo. Ao fim de vários meses, as pombas de luz, e as pontes, fizeram sentir os seus efeitos: o mundo acordou com a notícia de que a guerra tinha acabado, que todos se davam bem, todos respeitavam a diferença, e todos conviviam alegremente em grandes festas.
Óh! Afinal era só um desejo de um ser humano bom, puro, que queria paz para o mundo, mas infelizmente não depende só dele, nem do querer…é preciso o mundo inteiro agir, juntar-se, e construir pontes de luz, ou fazer voar pombas de luz…e acreditar que essa união é possível, sempre com o bem, e para o bem! E que isso aconteça.
                                               FIM
Lara Rocha 
                                   (8/Janeiro/2015)