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terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

O Guarda - Chuva gigante

    Era uma vez uma criança de quatro anos que vivia com os pais e os avós numa casa de campo, onde o tempo atmosférico era muito incerto. 

    Ela era uma criança feliz, e brincalhona, adorava ajudar os Pais e os Avós nas tarefas, cantarolava, era muito carinhosa, e gostava muito de animais. 

    Estava habituada a lidar com eles. Um dia, numa manhã de muita chuva, viu no campo um grupo de cãezinhos pequeninos, quase acabados de nascer, com a cadela mãe, muito bonita, e muito meiga. 

    Tanto a cadela como o cão, estavam a tentar todas as maneiras para proteger os filhotes, da chuva, e aflitos à procura de um sítio mais abrigado. 

    Os cãezinhos estavam nervosos, agitados, porque a chuva era muita, o vento também, e ouvia-se trovoada ao longe. A menina, com o seu guarda-chuva foi ter com eles. 

    Cheia de pena, sentou-se na pedra e fez de tudo para se abrigar a ela e aos cãezinhos, pegando nos pequeninos ao colo, os cães pais conseguiram abrigar-se um de cada lado, sempre de olho na menina e nos filhotes. Mas confiaram nela, sentiram que era uma boa menina.

    Ela estava deliciada a fazer mimos aos cãezinhos e aos cães. Os pais e os Avós andavam aflitos à sua procura, chamavam-na, procuraram-na, muito preocupados, mas não a viam, até que ela grita: 

- Estou aqui! 

    Os pais e os avós correm para ela, e a mãe ralha: 

- Onde estavas? Com esta tromba de água vens cá para fora, nem nos avisas, nem nada…! 

- Estamos fartos de correr isto tudo à tua procura! - ralha o pai. 

- Estou aqui a abrigar uma ninhada de cãezinhos e os pais dos cãezinhos. Olhem que lindos! 

- Já sabes que tens de nos avisar para onde vais! - diz a Avó 

- Está bem, parem de ralhar comigo. Desculpem. Estava a passear por aqui e encontrei estes cãezinhos à procura de abrigo! Coitadinhos! Olhem que pequeninos, muito assustados, e podiam afogar-se com esta chuva toda. 

    Os adultos ficam deliciados com o carinho e o gesto da menina: 

- Que linda menina! - elogia o Avô 

- Óhhhh….tão queridos! - dizem todos enternecidos 

- Olhem como eles estão felizes no meu colo, e no meu mimo. E os pais deles…

    Os pais e os avós acariciam os cães e os cãezinhos. 

- Vou construir uma casota para eles! - Diz o avô 

- Boa, Avô! Obrigada. Acho uma ótima ideia! 

- Agora anda para dentro, porque estás a ficar toda molhada! - recomenda a mãe 

- Traz lá os bichinhos! - diz o Avô 

- Isso! Para já metemo-los debaixo das escadas. Tem lá espaço  suficiente. - diz a Avó 

- Está bem! - dizem todos 

    Todos pegam nos cãezinhos e colocam-nos debaixo das escadas como planeado. A mãe vai buscar bacias com água para eles beberem, umas almofadas de outros cães que já tiveram, lençóis e cobertores de quando ela era bebé, comida, e os bichinhos agradecem a abanar o rabo, com lambidelas. 

    Recebem muitos mimos, enquanto isso, o Avô constrói uma casota média em madeira para os cães. Quando está pronta, põe-na à beira das escadas. 

    Os cães, felizes, andam entre as escadas e a casota, quando está sol, andam ao ar livre, sempre à beira dos donos, e a correr, a brincar com a menina, e quando estão cansados, recolhem. 

    A menina, os pais e os avós enchem os cãezinhos de mimos, alimentam-nos, brincam com eles, e tornam-se uma excelente companhia.

    Num outro dia de chuva, a menina pega num passarinho de cada vez, que não conseguia voar, pousa numa árvore, e abriga-o, onde já estavam mais uma série deles, num grande guarda-chuva que já não usava. 

    Os pais apreciaram de longe: 

- O que é que ela está a fazer? - pergunta a mãe 

    Vão ter com ela: 

- Anda para dentro! - grita o pai 

- Estou a abrigar uns passarinhos, que estavam encharcados fora da árvore e não conseguiam voar. Os pais sorriem orgulhosos, a mãe diz para deixar lá o guarda-chuva que já não usa, e ir para casa. 

    A menina obedece. Vão cuidar dos cães. A menina conta dos passarinhos e o Avô constrói várias gaiolas grandes para pendurar nas árvores, e abrigar outros passarinhos. 

    A menina abraça o Avô, e agradece. Quando chovia, ela chamava os outros animais da quinta, juntamente com os pais e os avós, abrigava todos até à porta das celas, fazia mimos e recebia mimos dos animais. 

    O avô ficou tão orgulhoso que construiu e ofereceu à menina um guarda-chuva gigante, leve, para ela pegar porque ainda só tinha quatro anos. 

    Mas muito grande e largo, para ela continuar a abrigar com carinho todos os animais que precisavam. 

    Um dia de sol, quando estava a secar o guarda-chuva gigante, colorido, viu que estava lá debaixo uma ninhada de gatinhos a miar. 

    Ela fecha o guarda-chuva, e manda-os para o campo. Chama o avô, que pensa que os gatinhos devem ter dormido lá, a avó alimenta-os, faz-lhes carinhos e leva-os para a casota de outros gatos que já tiveram. 

    Ela adorava aquele guarda-chuva gigante, e com ele abrigar os animais. Os pais e os avós apreciavam-na encantados, pela sua bondade, e o avô também adorava contruir casotas para animais que foram lá parar. 

    A menina e toda a sua família tinham um coração tão grande, ou maior do que o guarda- chuva, e muito amor aos animais. 

                            FIM 

                        Lara Rocha

                       17/Julho/2024 


    

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

O que faz um girassol à janela?

        Era uma vez uma montanha com casas de pedra, muito bonita, em paisagem, e na decoração das casinhas, onde viviam grandes famílias. Já chovia há muito tempo, e havia neve. 

        Os habitantes já estavam habituados, mas uns girassóis que só foram para lá há pouco tempo, antes da chuva, não sabiam, nem estavam habituados àquele frio e tempo chuvoso. 

        Nos campos juntavam-se para tentar aquecer-se, virados uns para os outros, com a energia que tinham conseguido armazenar nos meses em que houve sol. Mas como estava a chover, os habitantes, a partir de uma certa altura, recolheram os girassóis para as suas casas à espera que chegasse o sol. 

        O sol não dava sinais de voltar tão cedo. Alguns habitantes punham os girassóis 
às janelas, nos alpendres, para não se molharem mais, e sentirem pelo menos alguma claridade. 

        Não era a mesma coisa que o sol, como os girassóis precisavam e gostavam, mas pelo menos não se estragavam com a chuva. Estavam murchos, de tristeza, com as pétalas quase fechadas sobre o seu centro, e pelo menos viam a paisagem.  

        Passavam uns miúdos pequenos, olhavam para as janelas e comentavam: 

- O que é que aquelas coisas feias estão a fazer ali na janela? 

       Riam à gargalhada

- Os meus Avós também têm aquilo à janela. 

- Para quê? 

- Deve ser para afugentar os pássaros. 

        Gargalhadas 

- Só se for. São mesmo feios, nem deviam estar à janela. 

- Também acho, deviam estar no campo. 

- Mas no campo e com este frio, estavam ainda piores. 

- Pois. 

- Ou no lixo! 

- Ou ainda a servir de adubo. 

- Mas à janela, com as pétalas feias, quase em cor, todos melados, também não ficam bonitos! 

- Não. 

- Óh girassol ou coisa parecida...o que fazes à janela? 

- Estás a ver quem passa, é? 

- Ou à caça de um namorado…? 

        Gargalhadas. 

- Podem esperar sentados, aí, e com esse aspeto, ninguém vos quer! 

        Gargalhadas. Os girassóis ficam ainda mais tristes, e só respondem: 

- Estamos à espera do sol! - dizem os girassóis em coro 

- O sol não vem tão cedo. - diz uma menina 

        Os miúdos riem e seguem caminho ainda a dizer mal dos pobres girassóis. Quando os girassóis fechavam os olhos, sonhavam com o sol, imaginavam-no, e sorriam, parecia que conseguiam senti-lo, mas a tristeza voltava, quando olhavam para a janela, e o sol não estava lá. 

        De vez em quando, o sol mostrava os seus raios entre as pesadas nuvens, chegava aos girassóis e eles abriam um sorriso de pétala a pétala, deliciavam-se, com aquele carinho. 

        Mas era sol de pouca dura, porque a seguir voltava a desaparecer. Lá ficavam outra vez tristes, e ainda mais, quando os miúdos passavam e diziam que eles estavam feios. Eles imaginavam que sim, sem sol, e como se sentiam frios, com as pétalas caídas. 

        Insistiam em perguntar: 

- O que faz um girassol à janela? 

- Nada! - respondia uma criança 

- Papa moscas ou insetos! - diz outra 

- Está à espera do príncipe encantado! 

        Todos dão uma gargalhada, um girassol respondia, triste: 

- Maldosos! Estamos à espera do sol. Vocês também gostam dele, não gostam? 

        Os outros estão tão tristes que nem sentem forças para responder, apenas deixaram cair as lágrimas. Fechavam os olhos, pediam mentalmente para que o sol voltasse rápido, porque estavam fracos, e quase não se aguentavam. 

- Gostamos, mas já sabemos que não vai aparecer tão cedo! 

- Que crueldade. - responde outro girassol

- Vão-se embora! - grita outro girassol 

- Tenham respeito pela nossa dor e tristeza. 

        Os miúdos saem às gargalhadas. À noite, os girassóis olhavam tristes para as estrelas, e pediam um desejo: que o sol voltasse rapidamente! Pensavam que as estrelas não estavam a ouvi-los, mas ainda sentiam alguma esperança.  Fechavam os olhos, imaginavam um sol maravilhoso à sua frente, sonhavam com o sol, recordavam o seu calor, e sorriam quando acordavam. 

        De repente passa um menino mais crescido e sensível que não gosta dos comentários que os mais pequenos fazem aos girassóis. Parou a olhar para eles, muito pensativo, triste, e teve uma ideia genial. 

        Bateu às portas, e sugeriu aos moradores, colocarem uma lâmpada da cor do sol, para aquecer os girassóis. Os moradores ficaram surpresos, porque nunca tinham pensado nisso, mas experimentaram. 

        Puseram uma lâmpada amarela na tomada mais próxima dos girassóis, e aconteceu magia...os girassóis viraram-se de imediato para as luzes amarelas, tão felizes, que as pétalas abriram de um lado ao outro, estiveram assim vários dias, sentiam um calor muito semelhante ao do sol, e ficaram com outro aspeto. 

        Talvez os girassóis soubessem que não era o sol deles, mas muito semelhantes, também os aquecia, e deixava-os abertos, enquanto a lâmpada estava acesa. Os moradores estavam encantados! Agradecera  ao jovem, e o próprio ficou orgulhoso, feliz com a mudança.

        Quando os miúdos passavam, viram como estavam bonitos, e nem queriam acreditar. Agora já diziam: 

- O que faz um girassol á janela? 

- Mostra a sua beleza! - responde uma menina 

- O que aconteceu para eles estarem tão bonitos, parece que estiveram ao sol! 

- Mas não houve sol. 

- Ou será que houve sol só para eles? 

- Não sei, mas estão maravilhosos, como novos! 

- Pois estão. 

        Os girassóis riem à gargalhada: 

- O sol apareceu para quem mereceu! - diz um girassol 

       Todos os girassóis riem à gargalhada 

- Eu não o vi! - diz um menino 

- Que pena! - diz um girassol irónico, e os outros riem 

- O sol vai voltar em breve. - comenta outro rapaz 

- Esperamos nós! - acrescenta outra menina 

        Os girassóis riem à gargalhada, e os meninos viram costas, envergonhados. O sol, finalmente apareceu, ao fim de vários meses de chuva, neve e frio. Cheio de luz, cheio de força, brilho e calor. 

        Os habitantes das casas, mudam-nos para os campos, plantam-nos novamente, e  não podem estar mais felizes, com o sol verdadeiro, crescem de repente, abrem como nunca antes visto, sorriem de pétala a pétala, brilham de felicidade, como se tivessem brilhantes amarelos colados. 

        Agradecem aos moradores que os acolheram, agradecem ao jovem que deu a ideia da lâmpada, e dão gritos de alegria, agradecimento, ao verdadeiro sol, que parece acariciá-los e sorrir-lhes. 

        Os moradores cuidam deles com todo o carinho. E o sol devolve toda a beleza que a chuva e o frio tinham tirado aos girassóis, estão radiantes. Quando é noite, estes juntam-se para continuarem a receber o calor do sol, e a sua energia saudável. 


                                                                                Fim 

                                                                        Lara Rocha 

                                                                    13/Fevereiro/2026 


E vocês? 

O que respondiam se fossem girassóis à janela, no Inverno? 

Como se sentiriam? 

E ao ouvir os comentários dos meninos? 

O que acharam da ideia do jovem? 

E vocês, o que faziam? 

Gostam de girassóis? 

Se fossem estrelas, realizavam o desejo dos girassóis, que eles pediam? Como? 

Podem deixar nos comentários, se quiserem.