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segunda-feira, 23 de julho de 2012

O BEBÉ DA ABÓBORA

Era uma vez um jovem casal: um príncipe muito alto, elegante, simpático, meigo, romântico, que ama de verdade a sua princesa baixinha, magrinha, simpática, meiga, doce, que vivem numa cidade encantada chamada PARALÁDOESPELHO, onde todos os habitantes convivem harmoniosamente uns com os outros, onde se respira ar puro, onde até os animais convivem com as pessoas e ajudam – nas.
            O sol acordou e começou logo a trabalhar lá muito em cima… para aquecer e iluminar os seres vivos, e eis que começa a agitação… A formiga chefe pega nas sua gaita de foles e toca percorrendo todas as tocas dos condomínios fechados das formigas, abanando – se sensualmente e dançando ao som da música, todas as famílias de formigas levantam – se rapidamente, os Pais preparam – se numa velocidade super sónica, vestem os filhotes, dão – lhes o pequeno almoço, quase não pronunciam uma palavra. O porteiro não se apercebeu da agitação, ronca sonoramente todo refastelado na cadeira da entrada, mergulhado no mundo dos sonhos. A formiga chefe olha para ele, arregala os olhos… e comenta chateada:

FORMIGA CHEFE – Não posso acreditar nisto…! Já toda a gente foi trabalhar e este aqui… (vaidosa) nem com o meu belo instrumento ele acordou?! …

Fica indignada, sobe velozmente pelo porteiro acima, bate palmas ao ouvido do porteiro mas nada feito; pois ele continua a dormir…

FORMIGA CHEFE -  Espera aí que eu já te acordo…

A formiga chefe volta a descer, pega no instrumento musical, enche os pulmões de ar, e manda um valente, grosso e longo sopro, o som que sai, mais parecia uma buzina de camião. O porteiro manda um valente salto, corre estremunhado pelo pátio todo, com as pernas descoordenadas, a abanar os braços e aos gritos.

PORTEIRO (Assustado) – Áh…ááhhhhh,….. ááh… áh… áh… fora daqui… aqui ninguém entra sem pedir autorização

FORMIGA CHEFE – Estás maluco? Com quem estás a gritar?

PORTEIRO – Ai, que susto senhora formiga.

FORMIGA CHEFE – Seu grandessíssimo preguiçoso. Já toda a gente saiu cedo para trabalhar e tu nem com a minha música acordaste! Francamente. Ainda por cima não sabes o meu nome. (P.C) Vou ter que chamar o exército.

PORTEIRO – Desculpa Cristiana… ainda estou a dormir.

FORMIGA CHEFE – Não se pode confiar em ti… os condomínios contigo não estão seguros.

PORTEIRO – Mil desculpas.

A formiga chefe vira as costas e segue para casa dela a tocar no instrumento. Os coelhinhos também já estão a saltitar de um lado para o outro, e para os seus locais de trabalho, depois de deixar os coelhinhos bebés nos infantários ainda muito ensonados, outros a dormir. As Mamãs coelhas já foram trabalhar. Os anõezinhos já estão nas fábricas antes do sol nascer. Nas padarias todos os animais trabalham em equipa e produzem muito, todos se ajudam uns aos outros. Nos restaurantes também já toda a gente está de volta das panelas. As abelhinhas seduzem as flores, as flores deixam – se seduzir pelos seus doces zumbidos oferecendo – lhes o pólen como prova de gratidão e de amizade. As abelhinhas beijam as flores e agradecem.
Contrapondo com a agitação da cidade, encontramos uma linda quinta, com uma paisagem para a cidade toda, empregados e empregadas por todo o lado, guardas á entrada do palácio com grandes cães para garantir a segurança dos príncipes e alguns animais tais como: lindos e elegantes cisnes brancos num lago, patinhos pequeninos amarelos, peixes de todas as cores e feitios, passarinhos pequeninos que sobrevoam o lago e bebem água, flores á volta do lago, e nenunferes flutuantes. O lago tem ainda uma rampa com um barquinho de madeira no qual os príncipes vão passear pelo lago e um coreto onde se recolhem todos os dias uns instantes para namorar, e estar só os dois sem que sejam perturbados. Os príncipes amam – se de verdade, respeitam – se, são amados por todos e respeitados por todos.
Hoje o príncipe decidiu fazer uma surpresa á sua princesinha, porque ela tem andado tristinha. Ele ordena aos empregados da cozinha que preparem um bom pequeno almoço para a sua amada enquanto vai recolher uma linda rosa vermelha. A princesa sonhou com um bebé e está deitada a sorrir a lembrar – se da beleza do menino, deliciada e murmura:

PRINCESA – Que criança tão bonita apareceu no meu sonho…! Quem me dera ter um assim. Acho que nunca vai ser possível.

O príncipe entra no quarto com o tabuleiro e a rosa, olham – se, sorriem:

PRINCIPE – Bom Dia minha linda!

PRINCESA – Bom Dia, meu amor.

PRINCIPE – Que bom ver – te a sorrir… ficas ainda mais bonita a sorrir.

O Príncipe senta – se na cama, pousa o tabuleiro junto da princesa, oferece – lhe a rosa, dando – lhe um beijo muito apaixonado.

PRINCIPE – Amo – te muito.

PRINCESA – Obrigada meu amor. Eu também te amo muito.

Os dois abraçam – se, trocam alguns beijos e carinhos.

PRINCIPE – Toma o pequeno almoço, meu anjinho.

A Princesa saboreia o pequeno almoço.

PRINCIPE – Amor… tens andado tristinha… não está feliz por ter casado comigo?

PRINCESA – Claro que estou, meu anjo. Muito feliz por seres o meu marido, por estar do lado de quem sempre sonhei e que amo. Porque é que dizes que estou triste?

PRINCIPE – Eu noto, fofinha,…! Hoje por exemplo, estás muito mais feliz, mais sorridente…

PRINCESA – Tive um sonho tão bonito esta noite…

PRINCIPE (A sorrir) – Ai sim? Posso saber qual foi?

PRINCESA (A sorrir) – Sonhei com 1 bebé… lindo! Eu acho que nunca vi um bebé tão bonito como o que sonhei… tinha uns olhos irresistíveis, da cor do mar, a pele branquinha, os cabelinhos… pareciam – me claros,… mas não consegui ver bem porque ele era ainda carequinha, tinha um sorriso lindo, doce, puro, e fazia covinhas nas bochechinhas, era gorduchinho, e era um menino, eu vi… a torneirinha (os dois riem)…

PRINCIPE ( A sorrir) – Que menino tão bonito… realmente devia ser. Tu querias ter um?

PRINCESA – Sim. Mas isso não é possível… (A princesa chora, o príncipe abraça – a carinhosamente)

PRINCIPE – Tem calma, meu amor. Vamos conseguir ter muitos se quiseres! Mas conta, porque tens andado tristinha?

PRINCESA ( A chorar) – É por isso, meu amor. É que queria muito ter um menino… acho que faz muita falta para nos alegrar.

PRINCIPE – Óh minha linda… não fiques triste. O menino que tu tanto queres… vai aparecer 1 dia destes.

PRINCESA – Prometes?

PRINCIPE – Sim. Vá, toma o pequeno almoço e veste – te para irmos dar 1 voltinha.

PRINCESA – Está bem, mas onde vamos?
PRINCIPE – Hoje o dia vai ser só nosso!

PRINCESA – O que vamos fazer?

PRINCIPE – Logo vês… se eu te disser agora não tem piada.

PRINCESA – Está bem…

PRINCIPE – Estou lá em baixo á tua espera.

PRINCESA – Está bem. Diz á aia Dádá para me vir ajudar a escolher a roupa.

PRINCIPE – Está bem.

O Príncipe desce as escadas e enquanto a princesa se veste com a ajuda da aia, o príncipe liga ao Anão Rafael, Director da Fábrica de Bebés. O Príncipe está em pulgas.

ANÃO RAFAREL – Fábrica de Bebés Anão e Anões Vidanova bom Dia, fala o Director Anão Rafael… obrigado por ter escolhido o nosso estabelecimento… em que posso ajudá – lo?

PRINCIPE ( Ansioso) – Anão Rafael… sou eu… o Príncipe…

ANÃO RAFAEL (Simpático) – Óóóóóóóóóóóhhhhh… que surpresa vossa superioridade… como está?

PRINCIPE (Ansioso) – Bem, obrigado… Anão Rafael, preciso da sua ajuda…

ANÃO RAFAEL (Contente) – Diga, … Diga sua alteza… só estou de ouvidos.

PRINCIPE (Ansioso) – Eu queria encomendar um bebé.

ANÃO RAFAEL (Contente) – Éh lá… isso é bom… (o Anão mexe no rato do computador) … ora… diga lá sua magestade… vamos já tratar disso com toda a rapidez e com todo o cuidado,… diga – me: como quer o bebé?

PRINCIPE – Tem… olhos azuis cor do mar… pele branca, é gordinho, faz covinhas nas bochechinhas quando se ri, tem um sorriso doce, sedutor, e é rapaz…

O Anão Rafael registou todos os pormenores que o príncipe disse, fez mais algumas perguntas diferentes para completar o pedido e combina outros pequenos pormenores.

ANÃO RAFAEL – Está perfeito. Amanhã pode passar aqui para ver a maquete do seu futuro bebé! Se não gostar mudamos o que for preciso antes de fazer mesmo.

PRINCIPE – Muito obrigado, Anão Rafael, passo aí amanhã…

ANÃO RAFAEL (A sorrir) – Vai ser um prazer servi – lo. Fique descansado…

Os dois falam mais um bocadinho sobre o futuro bebé, e desligam. A princesa desce as escadas toda bonita, com um vestido bonito, o príncipe dá – lhe a mão a sorrir e vão os dois passear sem pressa, a falar e a trocar carinhos, olham para a paisagem, andam no lago, estão no coreto, cumprimentam os animaizinhos todos, voltam ao Palácio para almoçar, de tarde passeiam mais 1 pouco. No dia seguinte, bem cedo, o Príncipe deixa a princesa a dormir e vai á Fábrica do Anão, ver o seu futuro bebé.

ANÃO RAFAEL – Então… o que achou?

PRINCIPE – Está óptimo, está lindo…

ANÃO RAFAEL – Podemos mandar fazer?

PRINCIPE – Sim. Quando fica pronto?

ANÃO RAFAEL – Logo que esteja pronto nós deixamo-lo á sua porta!

PRINCIPE – Está combinado.

ANÃO RAFAEL – É um trabalho minucioso mas seremos o mais breves possíveis.

PRINCIPE – Obrigado, e por favor Anão Rafael: não comente nada para já com os outros está bem?

ANÃO RAFAEL – Esteja descansado! Ninguém vai saber. Mas vai ser uma grande alegria!

O Príncipe e o Anão dão 1 aperto de mão e 1 abraço, dizem mais umas coisas e riem, e o Príncipe vai para o palácio dele. O Anão trabalha meticulosamente, com todo o carinho e perfeição, todos os anões ajudam e como são vários a trabalhar acabam depressa o bebé. O Anão Rafael não cabe em si de felicidade. E orgulhoso, mete o pequenino recém nascido numa abóbora almofadada e aquecida, com o bebé coberto com 1 mantinha. A abóbora não tem tampa. Tem um bilhete a dizer:
            «MAMÃ E PAPÁ ESTOU AQUI COMO DESEJARAM.
            AGORA CUIDEM DE MIM, E AMEM – ME.
            EU AMO – VOS SÓ POR ME TEREM ESCOLHIDO,
            IMAGINEM QUANDO ESTIVER NOS VOSSOS BRAÇOS. »
O Anão Rafael leva o bebé e deixa – o á porta do palácio.
ANÃO RAFAEL (A Sorrir) – Uma encomenda para os príncipes…

GUARDA – Concerteza. Será entregue, O Sr. Não quer falar com eles?

ANÃO RAFAEL ( A sorrir) – Não é necessário. Obrigado.

O Guarda pega na abóbora e leva aos príncipes. O Anão regressa a casa dele. Os príncipes estão na sala de jantar.

GUARDA – Peço desculpa meus respeitosos príncipes… uma encomenda para vocês…

Os dois olham – se, o príncipe pega na abóbora carinhosamente

PRINCESA – Uma abóbora… é… uma oferta simples mas estranha… quem e porque é que vão oferecer 1 abóbora…

O Príncipe não contém as lágrimas e chora de alegria quando vê o bebé, tão bem feitinho, tão fofinho, tão bonito… a princesa vai ter com ele.

PRINCIPE (A chorar)  Amor… aqui está…

A princesa manda 1 grito, olha para o bebé que está a olhar para ela e a sorrir, tal como ela sonhou, e chora de alegria.

PRINCESA (A sorrir) – Áhhhh…. Que coisa tão linda… tal como eu sonhei!

PRINCIPE (Beija a princesa e sorri) – Estás totalmente feliz agora meu anjo?

PRINCESA (A sorrir) – Eu sou a mulher mais feliz do mundo! Obrigada meu amor! Muito obrigada… era isto que me faltava para me sentir completa e para nos encher a casa…

PRINCIPE ( A sorrir) – Eu também sou o Homem mais feliz do mundo, por te amar, por te ver tão feliz e por ter 1 bebé maravilhoso.

PRINCESA ( A sorrir) – Ele vai ser o bebé + feliz do Mundo… o mais meiguinho do mundo, o mais amado do mundo. Amo – te muito.

PRINCIPE ( A sorrir) – Eu também te amo muito. Vamos mostrá-lo a todos?

PRINCESA (A sorrir) – Está bem…

A História acaba com todos os animais, os anões, os príncipes, os empregados… toda a gente numa enorme festa, com o bebé ao colo já vestido e todos lhe oferecem roupas, e outras coisas que ele precisa.

                        FIM.
Mensagem da História:
No meio do caos do dia a dia, do stress, do cansaço… há sempre um lugar reservado nem que seja por escassos momentos, para sonhar, para o amor e para sonhar com um mundo encantado.
O bebé da História… é programado «a computador»para dizer que no futuro, se as pessoas não deixam lugar para o amor e para a garantia da espécie, os futuros seres humanos serão produto de 1 máquina que basta dar os comandos e aparece o bebé… mas não serão o resultado do amor entre duas pessoas que se amam.
Mesmo que não haja filhos, pelo menos seria bom para o Universo que o amor e o romance continuassem a existir, e cada vez mais ele é preciso.

Lálá

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